Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

17 de dez de 2009

Sonho Em Ondas

Chamo o sono evocando o mar.
e durmo num azul de placidez...
Em seu imaginário marulhar,
que embala o dormir em liquidez.

Eu amanheço ainda submergida
no delírio; o travesseiro ao lado
são ondas; seguem fluindo vida.
Na íris o sonho já quase acabado.

Nessas vagas, desperto atontada.
O pulsar do oceano sigo ouvindo.
Memória viva de mãos molhadas.
A praia continua aí me sorrindo.

Nos pés: tramas de areia rendada,
espuma desse prazeroso devaneio,
qual lençol suave; pele acetinada.
O frenesi vai em ondas, como veio...

Rosemarie Schossig Torres

13 de dez de 2009

O PRINCÍPIO DO TEU OLHAR

A linguagem do nosso amor
Foi o princípio do teu olhar
Essência da mais bela flor
No jardim , eu sei que vou te amar.

Eu serei tua Camélia
Você é minha luz , meu Girassol
Minha pele na tua fragrância
Numa manhã de lindo sol.

Te amo em transparência de tela
Na cor e semente da minha vida
Ateaste uma chama em aquarela.

No meu corpo , teu perfume íntimo
Tatuando na pele esse amor
Arde o néctar da união em flor.


Ana Maria Marques
PALAVRA

Vi uma semente
morrendo

Vi uma manhã
em sol
brilhando

Vi uma dor
debatendo

Vi uma lua
se recolhendo

Vi e senti
Uma palavra

No peito
inquietante

Sem querer no papel
nascendo.


Ana Maria Marques

8 de dez de 2009

NORMAL




Normal , eu ?
Me pego insana
todos os dias.

No palco da minha vida
sou coadjuvante
represento
personagens diversos...

Saio do esconderijo
Ensaio o texto
Risco o contexto

Dou um chute no antigo
armário
Deixo voar meus reles
sentimentos.

Não quero ser normal
o normal
é pura rotina
é apático
é viver em silêncio.

Quero um jeito anormal
de viver
Quero escrever poesias
Derrubando minhas paredes
Uma mesa , alguns papéis
Uma lua , brilhando pela manhã
na fresta da minha janela .


Ana Maria Marques

SOU UM MAR SEM NAVEGADOR


Em música das ondas do mar
Escuto uma melodia radiante
Imagino você chegar
Com seu corpo aconchegante.

Descobri que a poesia , descreve
Não abre mão da minha dor
Sou um mar sem navegador
Criando personagens , ela me prescreve.

Enfeito-me com um colar
de pérolas e conchas
Quero na praia te amar.

Nosso amor é um azul cristal
é antes de tudo , um porto seguro
Sem âncora , maralto sem igual.


Ana Maria Marques

1 de dez de 2009

A Mística das Idéias


Volutas no ar, soberbas espirais,
chegam idéias em aéreo caminho,
sopradas pela musa, com carinho.
Versos voláteis vindo pelos vitrais.

Vem pairando, em vôos desiguais,
Às vezes rápido, ora devagarzinho,
poemas vozeiam ou são quietinhos,
brotam vindos de diferentes canais.

Sempre são bem-vindas inspirações,
que trato com uma veneração lírica.
Mística além de mim, das amplidões.

Palavras que ultrapassam a empírica.
Procedimento sem lógica explicação.
Talvez criação de minha alma onírica.

Rosemarie Schossig Torres

21 de nov de 2009

EQUILIBRISTA DE BENGALA

Sou equilibrista de bengala.
Por uma corda bamba oscilo.
Quando a vida é alça sem mala,
peço as lágrimas do crocodilo.

Mato cada dia o tempo perdido,
resgatando velhas idéias do limbo.
Escrevo textos dedicados ao olvido,
que caducam com o meu carimbo.

Nas horas em que foge a decisão,
invisto no cara ou coroa acabrunhada.
Afogo no mar da dúvida; irresolução
e acabo sempre ancorando no nada.

Lugar ao sol; quero fugir do abandono;
desfrutar da boa companhia, colo macio.
Mas na hora do bem bom, caio no sono
E quase sempre desemboco no vazio...

Rosemarie Schossig Torres

11 de nov de 2009

E o silencio...

Como folhas rasgadas, amassadas
Retiradas de um diário sórdido
Rasgo memórias roucas, lamentadas
Sem razão de ser, reviro-as...

Abro baús mofados com os vírus da mentira
Bagunço os sorrisos que de la saiam
E pulverizo razões incabidas e insanas
Nas paginas das indecencias tuas

Falo da voz que se cala estupefata
Gargarejando vinho tinto
na boca da noite cálida

E sussurro lembranças toscas
No fim do livro empoeirado
Que ao acabar de ler, jogo na lareira!

Márcia Poesia de Sá

9 de nov de 2009

Brinca comigo

Deixa que eu largue os pincéis sobre a mesa
Que eu esqueça o cavalete recostado na porta
Aborta este adeus, antes que seja tarde...
Aguarde o momento certo para falar

Cantar este amor devagarinho
em nosso ninho...
Deixa...

Deixa que eu umedeça as tintas de teu ser
Aquelas que enrrijeceram pelo tempo
Alento de meu sentir, é te repintar
Deixa...

Deixa que os vernizes se sobreponham lentos
camadas pós camadas, protegendo este amor
Deixa...

Não me deixe ser metade...
Fragilidade de uma obra inacabada
Estrangulada pelos medos de outrora
Não deixa...

Faremos pois, os dois...
Uma obra completa...
Uma poesia inesquecivel
de tons e rimas possiveis
Um amor para a eternidade!
Uma tela avessa a saudade!
Deixa?

Márcia Poesia de Sá

26 de out de 2009

Preto e branco


Lutas feitas em grafite
uma idéia e um papél
O teu rosto na memória
emoção lida em cordel

Artista tempo consome
renome de arte antiga
o traço no meio da veia
o sangue escorrendo em bicas

Desenho teus olhos, te vejo
e beijo em silencio o papél
de cores cinza deste céu

Palavras que escrevo
linhas em que me atrevo
assinadas pelo medo

Márcia Poesia de Sá

10 de out de 2009

CÍRCULO VICIOSO



A poesia me pega
num círculo vicioso.

Nela , entendo meus sentires.

Sua cumplicidade é a salvação
do meu íntimo.

Faz uma trituração das minhas
emoções .

Em palavras e frases , fujo das
terapias ...tradicionais.

Contraregra da minha vida .

Só ela salva , meu acinzentar

Para um alaranjar de alegria .



Ana Maria Marques

OUÇO SUA VOZ



Ouço sua voz
Deliciosa (mente)
Entre delírios e sussuros
poética (mente)
Do mais sublime dos sentimentos ,
O amor , sinto-o
delicada (mente)
Num anjo utópico
moreno
Que acreditei ser real
inconsciente (mente)
Acreditei em vida
ainda
encontrar .


Ana Maria Marques

MENINO LEVADO



Menino
buliçoso ...
Água fria que ficou quente.
Aroma de tez em minha boca
Artimanha da minha manha
no renascer de cada manhã.
Pé de fogueira em
chamas....
Desejos , de quem sente fome
numa emoção que sufoca .

Água do mar transbordante
és o reboliço
constante em mim
princípio e fim
dos meus encantos.


Ana Maria Marques

CATAVENTO



Engenho o verso
levando ao vento
minhas palavras
em velocidade de catavento

Palavras exatas , idéias concretas
ditas , escritas , apagadas
reescritas ,
tecendo sua alma
feito uma aranha
em telhado de palha
olhando para você

Exponho ao mundo
sem receio
esse jeito ...tonto , insano
De amar , amar ..
Você .



Ana Maria Marques

9 de out de 2009

UM MUNDO A PARTE



Deitado
no asfalto quente
Sou uma vida anônima
espelho sem imagem
invisível ao mundo.

Meio ao labirinto
De carros , pessoas ..
Ao vazio
de solidariedade e
aconchego.

Vivo
um mundo
a parte .

Quero ser visto
como ser , gente
que faz parte
Do processo
da vida .


Ana Maria Marques

O POETA E O MAR




Meu mar
você desagua no sertão
da minha vida
Sua paisagem
é de um azul brilhante
areia fina e branquinha
Pescadores e jangadas
em caminho de diversas conchinhas...

Você é minha terapia
náutica .

Em suas águas mornas , desce
sobre mim
uma paz imensa
Lavo-me por inteira .

Mar em espuma de harmonia
revitaliza minha essência
Descubro a cada instante
que sobre mim se acende
uma quietude , uma paz .

Escutador
das minhas angústias
náuseas e desejos.
Te agradeço , em sargarços
Em um acender de luz
feito um peixe
inquilino de sua casa .


Ana Maria Marques

CONQUISTA



Nas minhas mãos
carrego um jeito excêntrico
De peneirar água
ao pássaro inquietante
inquilino da minh'alma .

Meus olhos de paixão
pairam em você ,
aprovam a beleza enigmática
dessa conquista.

A vida tornou-se vida
já não vivia !

E de repente
Tê-lo só para mim
Pinta em minha janela
Uma alegria de viver .




Ana Maria Marques

6 de out de 2009

JARDIM SIDERAL

Vejo em um jardim sideral,
a radiação de misterioso astro,
estrela voraz, luz mortal;
admiro seu eclipse de alabastro.

Quero os chafarizes brilhantes,
gêiseres de ácido, sulfurados,
de alegria fugaz, diamantes,
queimando os olhos, ofuscados.

Navego pela abóbada celeste,
de planetas ermos
e visito o deserto agreste,
lar de duendes enfermos.

Neste mar morto,
campo santo de tíbias e caveiras;
ossuário de piratas; último porto;
ancoro meu coração sem fronteiras…

E compartilho taças de peçonha acre,
com fantasmas de idéias;
sonhos extintos num massacre,
quimeras feridas, cheias de morféias.

Vagueio por uma galáctica nação
a multidão me ignora;
prefiro a companhia da solidão,
amiga, que me adora.


Rosemarie Schossig Torres

27 de set de 2009

Sentei na beira de mim

E me vendo como rio, passei a observar...que la no fundo desta agua transparente e fria...passavam uns redimoinhos de folhas, umas amareladas pelo tempo, outras recem caidas mas ja no fundo de mim...
Vi peixinhos que desfilavam lentos por minhas aguas, e alguns se escondiam de mim como se pudessem...sorri quando passei por uma grota...e despenquei fazendo som de cachoeira, até pensei ser um grande rio...
Mas na proxima curva da vida, me vi como riacho manso...pouca e tranquila agua...com apenas uma certeza...seguir...seguir...seguir...
Sem saber´para onde nem pórque...vou levando minhas aguas na transparencia de minhas lagrimas, aguardando o amanhecer...em que um dia quem sabe eu chego a você...
Imenso e soberano mar que me engulirá e fará de mim teu doce acrescimo na vastidão de teu sal solitario...
Hoje sentei na beira de mim...e me vi passar assim...fazendo som de mata...
com cheiro de terra molhada...
Hoje me vi completa...
liquefeita...
sozinha
refeita!

Márcia Poesia de Sá

CRUEL


De vez em quando...
Cutuco as cicatrizes em mim.
Vou sua memória purgando...
Serão feridas fechadas por fim?

Testo a resistência dos receios,
duelando com os pesadelos
e futuras tragédias enleio...
Por antecipação sofro; desvelo.

Volto a buscar velhos vícios,
para ver se estão mesmo mortos...
E aquela propensão ao sacrifício?
Tateio todos os meus lados tortos.

Olho meus retratos antigos
Quero saber se doem ainda.
Revirando os baús sigo.
percorro minha alma infinda

De vez em quando...
Comigo mesma sou cruel
Vou explorando, devassando
desejos ocultos, lambo meu fel.

E diante do espelho
Encaro o imperdoável em mim...
Para sentir o sabor amargo, velho,
De ser eu mesma; de ser assim.

Rosemarie Schossig Torres

13 de set de 2009

RISCO DE GIZ


Por mais que eu queira
não posso entender
Sua fuga , seu abandono
Esse deserto de ti .

Um silêncio
inundou meu coração .
As notas deste dia
permeou a dor
e refletiu
no meu coração
em risco de giz.


Ana Maria Marques

28 de ago de 2009

Tornando alva, a sombra...


Moço, raro moço silencie
Ante o sal que de mim se exvai
Como prece, peço encarecida
Antes de umedecer toda a fantasia

E que não mais suporte os ecos d'alma
lançando no imfinito o bradar caótico, pulsante
Que apenas por ti lateja...flameja insano

Imploro! não desate de mim tuas pupilas
antes que te toque o ventrículo
Pois se te ausentares assim...
Secarei de ausencia infinita de mim
e em ti viverei eternamente
Mesmo que ausente em tua mente

A presença minha que nem vi...

Contudo se apenas alma sou, quando contigo
desnecessario seria ver algo claríssimo
uma vez que de dentro, algo esquenta
e as flamulas alçam voo no céu
da certeza eterna...deste sentir que queima
rasteja, sussura, grita...venera...

Por absurda e loucamente querer-te

Márcia Poesia de Sá

22 de ago de 2009

IRMÃOS



De manhã , sonora audição
do gorjeio dos pássaros.
Me glorifico ,
num rio de emoções .

Aquele ponto sobre ponto :

Colorido aroma de cantos ,
De irmãos ao revoar ,
Num som que evoca uma imagem
de Deus !


Ana Maria Marques

21 de ago de 2009

ARDORES




Às vezes me pego relembrando ,
Uma cabana , o chão batido , telhado de sonhos;
Nossos momentos desencantados
De insanidade em véus de mil carinhos .

Fui feliz em estranho bordado de exaustão ;
Vivia em ti , sentia seu calor .
Provei do seu néctar de emoção
Em voo rasante de puro amor .

Em metamorfose de mim
Não me reconheci
Transbordei em toalha de marfim
Busquei outro caminhar , vivi !

Meu anjo negro , minha euforia sexual
Em arrebatimento íntimo de prazeres
Varreu seus ardores sem igual

Esse é o trem da minha vida
Estacionado num querer profano e doce
Perdida num masoquismo de estrada .


Ana Maria Marques .

SER O "SER" POETA


Minhas mãos adestradas ,
Não param de tecer meus sentires
em palavras .

Minha imaginação cria , recria..
Nasce em mim ,
um ser operário no descontrole
do lápis que detém minha infelicidade.

Viro a página da minha vida ,
Desteço minhas lamentações...
Me renovo dia a dia em
vigor ,
Sou outra ...Ana !
aquieto-me em paz interior , desfiando
novas palavras , novos dizeres ,
Em um sentir ,
De ser um ser poeta .


Ana Maria Marques.
Aquele céu

Era tardinha, e a brisa soprava morna
nos oceanos só marolas...e uma brisa suave

O céu laranja escurecia e os tons vermelhos apareciam lentamente...
Como se queimassem as núvens aos poucos...e de chuva nada se via
A areia de minha praia me absorvia, e tal qual movediça eu sumia!

Os sonhos de um novo amanhecer e céus azuis
se faziam tão nítidos ainda na minha memoria...
e um sorriso sem cor as vezes surgia em meus olhos fechados
Cerrados pelo sono do querer crer...e assim adormeci

Mas acordei com o som de aves...e até pensei serem gaivotas...
Se tratava de corvos negros que escureceram meu céu
e seus sons eram horrendos..

Fizeram do vermelho o carmim...e aquele céu gritava...
eu podia ouvir...e ele foi se modificando lentamente do carmim
ao marinho...rasgado de estrelas...era um manto puído...
quase sem brilho...e os sons! e os sons!

Adormeci sem saber se dormia, se sonhava se morria...
e acordei deste céu numa marola morna, que comeu as areias e me achou
me engoliu como ostra ... e me jogou na profundidade de mim...
Perdida assim...apenas sentindo as correntes marítmas...lá em cima...
na superficie da vida...

Márcia Poesia de Sá - 19.08.2009

19 de ago de 2009

Hoje quebrei espelhos de mim
e no reflexo deles...particulas apenas...
Nada de completo vi...
Fragmentos de mim em imagens soltas...
jogadas ao chão por mim...
pela insensatez de meu sentir exacerbado...
Sou poetisa...da arte...da cor...e deste louco amor idealizado
Tão incoerente e impossivel quanto racionalizar o sentir!

8 de ago de 2009

MEMÓRIA SEM TEMPO



Caminhando lento
Sob um sol escaldante ,
Vem seu camaleão :
Faminto , fraco e desanimado .
Vai e vem , entre galhos retorcidos..
Cadáveres de animais ao chão .
Essa é a paisagem mórbida ,
Do meu sertão ,
Fotografia da fome ,
Da desigualdade entre caça
e predador .
Tudo se espia , memória
sem tempo ........
Desse buscar de esperança ,
Ao novo
Nascer do sol !


Ana Maria Marques

31 de jul de 2009

SONETO DE UMA PAIXÃO


No auge dessa paixão
Perdi os freios do meu caminhar
oferendei emoções em exaustão
Sob o aparato de um céu estrelar

Me fartei nas delícias
Que só a paixão explica
Bailei no redemoinho de suas carícias
Explodi prazerosa de gozo que fica

Amanheci em plenitude
Recordando a noite que passou
Acreditei na vida com mais intensidade

Você é minha verdade
Afungentei meus fantasmas , nada restou
Em meu corpo , alguém ficou .



Ana Maria Marques

30 de jul de 2009

Sentiu ?...

Será que ela poderia chama-lo amigo quando trêmula sente o que disse...e na resposta tão mornamente dita...embuída na pergunta que ele fêz...uma sombra de Shakeaspeare reaparece na janela....e ela? e ela?...
Na aflição da coisa dita e sentida se aprofunda na garganta desta vida...e foge como pássaro assustado...e ele? e ele? como será que sentiu tamanho abalo,será que acredita nesta dita que na noite passada havia penetrado...De uma forma encantadora e magistral nas rimas apenas dos poemas sem sequer perto do tato...nem do sensual dilema de escrever coisas calientes...eram apenas os textos a serem avaliados...deglutidos...salivados...lambidos e beijados!
Profundamante entregues entre linhas nada breves...que se abraçavam no impacto de confundirem as letras...quando nem um nem outro sabiam de fato, como poderia ser assim tão bem rimado...um poema que se mostra apaixonado.

Márcia Poesia de Sá

28 de jul de 2009

QUANDO O SERTÃO VIRAR MAR


Terra batida

Solo seco e rachado

O sertanejo vive ameaçado


Em oração :

Dos olhos , caem lágrimas

De um viver sem gratidão


Desse lacrimar :

um mar de promessa desde Antônio Conselheiro

"O sertão vai virar mar"


Navega sua sobrevivência

Povo forte !

Do suor de seu corpo

Abre-se na flor do mandacaru

Espelhando um viver ,

para sonhar....





Ana Maria Marques

26 de jul de 2009

Eu


Eu , nasci Ana

Sou cheia de graça

Gosto da vida , animais , sou bacana

Às vezes sou um pouco criança


O tempo não me assusta

Meu viver se banha na intuição

Não tenho medo da labuta

Realizo meu trabalho com emoção


Nada me abala , tenho fé e segurança

Gosto de mar , natureza ,uma boa amizade

Meu defeito é prescrever desconfiança


Só o amor me leva a loucura de verdade

Meu coração tem raízes de cumplicidade

Tão frágil e sensível , pareço uma criança




Ana Maria Marques

24 de jul de 2009

APENAS VOCÊ


Embarquei num trem

Sem destino.

Com um bilhete em branco

De Aconchego



No percurso...



Senti no seu corpo

O tremor ..do primeiro momento

O contato pele a pele ,

Outrora não sentido .



Ébria de carinho e entrega ,

Compreendi que o premeditado

Não é autêntico :

No improviso , segui em emoções.



Bebi a essência

Do seu ser

Em um frasco de fragrância

Da prática gostosa ,

De amar...

Apenas você !





Ana Maria Marques

22 de jul de 2009

BELAS FLORES EM JARDIM DE PRATA


Meio a brisa que afaga a noite ,

Olho um céu com lua de prata ,

Sinto um perfumar ,

Do meu jardim em flor


Sinto-me envolvida nessa serenata


Entre flores e claridade

Vem pensamentos de amorosidade


Uma imagem ,surge adormecida

Em meio às lembranças :Você !

Milagre da minha poesia ..contida .







Ana Maria Marques












21 de jul de 2009


Te procuro...

Fecho os olhos para te ver
e pincelo na vida um pouco de verde
nada de cinza que sinto ao ver-te
E te sinto o perfume na pele
Ando lentamente em meus sonhos
e decoro a cama com flores
cama de tantos desamores
pétalas já secas voarão
Roubo um sorriso da minha noite
e te entrego de manhã...
Falo com os pássaros revoltos
tanjo eles de teus sonhos
Te procuro nas estrelas deste céu
e nas folhas das matas, nas telas em branco
E aguardo sentada na varanda deste momento
observando a chuva que passa lentamente
fazendo brilhar nossas peles com gotas transparentes
e fazendo corredeira na minha memória e em meu jardim
Escuto teu sorriso maroto em meio a chuva e sorriu também enfim.

Márcia Poesia de Sá

19 de jul de 2009

RECOMEÇAR SEM NOTA INDEVIDA







Hoje ,

É tempo de recomeçar ,vamos tirar a máscara

Da hipocrisia e tentar ser , eu e você

Sem confetes e serpentinas ,




Preciso tocar você , numa sinfonia

Em alma

Como se fosse uma flauta que irradia

Todo meu ser em melodia




Nesse meu recomeço , vou tirar

Você dessa concha de vida

Sintonizar meus acordes e inovar

Meu viver no seu , sem nota indevida




Nessa conjunção de música , me despi

Das mágoas e dos rancores antigos

E ressurgi de amor e vesti

Um véu de calor , que é só abrigo




Não vou ter mais vergonha de lutar

Pela grandiosidade dessa nobre causa

Já basta de desamor , de maltratar

Um querer de emoções contidas ..




Quero que as horas passem

Pra começar um novo tempo

De labaredas que ardem

O sentir de teu abraço.

(Ana Maria Marques- Abril /2009)

18 de jul de 2009

VOU FLORESCER EM TI





Vou acordar minhas palavras , enfim,


Farei delas rosas sem pétalas em efusão


Pra levar ao meu bem que vive longe


Num voo rasante de emoção




Quando em nosso jardim chegar


Vou florescer em ti


Minha essência de flor se faz transfundir


Em um aroma que fiz pra ti



Eu serei sua azaléia e você meu jasmim


Misturamos as essências em caramanchão


Numa química do milagre do amor


Eu e você em exaustão



Perdida na luz desse encontro de fragrâncias


Busco sua alma , seu querer


Encontro seu sussurro , seu suspiro


E, morro de amor até o amanhecer.



(Ana Maria Marques)

PASSAREI MINHA FRONTEIRA



Ontem ,
acordei vestindo-me em angústias
sem horizonte , sem conseguir
passar minha própria fronteira
Morri às cinco da tarde ,
amanhã , seguirei sem acordar trancafiada
no meu campo de concepção.

Se conseguir sair desse campo
Irei tirar minha velha havaianas
do armário
Irei tomar um chope gelado
No meu bar preferido
lembrarei das esculturas de Brennand
sem trazer culpas
Do tempo robótico ,um pouco perdido.


(Ana Maria Marques)

O QUE VOCÊ ESTÁ SENTINDO?


Pétala por pétala:
Branca
Rosa
Amarela
Vermelha...
Construí minha história,
Em cada momento:
Uma cor, um suspiro,
Um querer..... revelando
Meu sentimento
Maior e avassalador,
Num beijo
Ficado em pensamento,
No cheiro
De uma essência de flor,
Plantada
No jardim da minha vida,
Por você!


Ana Maria Marques

POESIA E REVOLUÇÃO



Prefiro ser uma pobre poetisa

Versejar meus sentimentos a cada dia

Imitando o caminhar de uma profetisa

Sem frequentar uma academia


A poesia fez em mim , uma revolução

Um novo dia , uma nova hora

Ponho o lápis na mão

Escvrevo , e, aproveito ,motivação de fora


De um escever , o vício me devora
Em papéis , sonetos ...vamos embora

Meu texto predileto : minha inspiração


A poesia acalenta minha solidão

Em palavras ..transformo minha emoção

Num espaço , em qualquer tempo e hora


Ana Maria Marques

16 de jul de 2009

Alma de Carrara




Eu vejo o céu que queima em baixo da pele das estátuas de mármore
e sinto a dor da mão do escultor já totalmente louco em face de sua obra
ainda arde em mim a insana inspiração de um dia ter visto os olhos da arte
E os céus flamejantes de todos os meus desejos queimaram ao léu
Eu ando sorrateira pela mente dos loucos artistas dos antigos anos
e bebo com eles do cálice sagrado das tintas banidas e palavras proibidas
Cuspo no chão de teu museu empoeirado pelo vazio das portas fechadas
Pois a alma já não se basta...e te busca entre paredes frias de mim mesma
e te encontro sentado, calado a deriva de você mesmo...nesta correnteza de dor
De onde hoje pinto as cores em pinceladas negras em uma tela de vento
com moldura de alento e verniz lacrimejaste da loja de Zeus
Colocarei minha alma nela...pois assim talvez um dia você consiga se guiar
e sair desta escuridão fria onde moras nas dobras de pele dos anjos de carrara

Márcia Poesia de Sá
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