Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

28 de ago de 2009

Tornando alva, a sombra...


Moço, raro moço silencie
Ante o sal que de mim se exvai
Como prece, peço encarecida
Antes de umedecer toda a fantasia

E que não mais suporte os ecos d'alma
lançando no imfinito o bradar caótico, pulsante
Que apenas por ti lateja...flameja insano

Imploro! não desate de mim tuas pupilas
antes que te toque o ventrículo
Pois se te ausentares assim...
Secarei de ausencia infinita de mim
e em ti viverei eternamente
Mesmo que ausente em tua mente

A presença minha que nem vi...

Contudo se apenas alma sou, quando contigo
desnecessario seria ver algo claríssimo
uma vez que de dentro, algo esquenta
e as flamulas alçam voo no céu
da certeza eterna...deste sentir que queima
rasteja, sussura, grita...venera...

Por absurda e loucamente querer-te

Márcia Poesia de Sá

22 de ago de 2009

IRMÃOS



De manhã , sonora audição
do gorjeio dos pássaros.
Me glorifico ,
num rio de emoções .

Aquele ponto sobre ponto :

Colorido aroma de cantos ,
De irmãos ao revoar ,
Num som que evoca uma imagem
de Deus !


Ana Maria Marques

21 de ago de 2009

ARDORES




Às vezes me pego relembrando ,
Uma cabana , o chão batido , telhado de sonhos;
Nossos momentos desencantados
De insanidade em véus de mil carinhos .

Fui feliz em estranho bordado de exaustão ;
Vivia em ti , sentia seu calor .
Provei do seu néctar de emoção
Em voo rasante de puro amor .

Em metamorfose de mim
Não me reconheci
Transbordei em toalha de marfim
Busquei outro caminhar , vivi !

Meu anjo negro , minha euforia sexual
Em arrebatimento íntimo de prazeres
Varreu seus ardores sem igual

Esse é o trem da minha vida
Estacionado num querer profano e doce
Perdida num masoquismo de estrada .


Ana Maria Marques .

SER O "SER" POETA


Minhas mãos adestradas ,
Não param de tecer meus sentires
em palavras .

Minha imaginação cria , recria..
Nasce em mim ,
um ser operário no descontrole
do lápis que detém minha infelicidade.

Viro a página da minha vida ,
Desteço minhas lamentações...
Me renovo dia a dia em
vigor ,
Sou outra ...Ana !
aquieto-me em paz interior , desfiando
novas palavras , novos dizeres ,
Em um sentir ,
De ser um ser poeta .


Ana Maria Marques.
Aquele céu

Era tardinha, e a brisa soprava morna
nos oceanos só marolas...e uma brisa suave

O céu laranja escurecia e os tons vermelhos apareciam lentamente...
Como se queimassem as núvens aos poucos...e de chuva nada se via
A areia de minha praia me absorvia, e tal qual movediça eu sumia!

Os sonhos de um novo amanhecer e céus azuis
se faziam tão nítidos ainda na minha memoria...
e um sorriso sem cor as vezes surgia em meus olhos fechados
Cerrados pelo sono do querer crer...e assim adormeci

Mas acordei com o som de aves...e até pensei serem gaivotas...
Se tratava de corvos negros que escureceram meu céu
e seus sons eram horrendos..

Fizeram do vermelho o carmim...e aquele céu gritava...
eu podia ouvir...e ele foi se modificando lentamente do carmim
ao marinho...rasgado de estrelas...era um manto puído...
quase sem brilho...e os sons! e os sons!

Adormeci sem saber se dormia, se sonhava se morria...
e acordei deste céu numa marola morna, que comeu as areias e me achou
me engoliu como ostra ... e me jogou na profundidade de mim...
Perdida assim...apenas sentindo as correntes marítmas...lá em cima...
na superficie da vida...

Márcia Poesia de Sá - 19.08.2009

19 de ago de 2009

Hoje quebrei espelhos de mim
e no reflexo deles...particulas apenas...
Nada de completo vi...
Fragmentos de mim em imagens soltas...
jogadas ao chão por mim...
pela insensatez de meu sentir exacerbado...
Sou poetisa...da arte...da cor...e deste louco amor idealizado
Tão incoerente e impossivel quanto racionalizar o sentir!

8 de ago de 2009

MEMÓRIA SEM TEMPO



Caminhando lento
Sob um sol escaldante ,
Vem seu camaleão :
Faminto , fraco e desanimado .
Vai e vem , entre galhos retorcidos..
Cadáveres de animais ao chão .
Essa é a paisagem mórbida ,
Do meu sertão ,
Fotografia da fome ,
Da desigualdade entre caça
e predador .
Tudo se espia , memória
sem tempo ........
Desse buscar de esperança ,
Ao novo
Nascer do sol !


Ana Maria Marques

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

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