Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

26 de out de 2009

Preto e branco


Lutas feitas em grafite
uma idéia e um papél
O teu rosto na memória
emoção lida em cordel

Artista tempo consome
renome de arte antiga
o traço no meio da veia
o sangue escorrendo em bicas

Desenho teus olhos, te vejo
e beijo em silencio o papél
de cores cinza deste céu

Palavras que escrevo
linhas em que me atrevo
assinadas pelo medo

Márcia Poesia de Sá

10 de out de 2009

CÍRCULO VICIOSO



A poesia me pega
num círculo vicioso.

Nela , entendo meus sentires.

Sua cumplicidade é a salvação
do meu íntimo.

Faz uma trituração das minhas
emoções .

Em palavras e frases , fujo das
terapias ...tradicionais.

Contraregra da minha vida .

Só ela salva , meu acinzentar

Para um alaranjar de alegria .



Ana Maria Marques

OUÇO SUA VOZ



Ouço sua voz
Deliciosa (mente)
Entre delírios e sussuros
poética (mente)
Do mais sublime dos sentimentos ,
O amor , sinto-o
delicada (mente)
Num anjo utópico
moreno
Que acreditei ser real
inconsciente (mente)
Acreditei em vida
ainda
encontrar .


Ana Maria Marques

MENINO LEVADO



Menino
buliçoso ...
Água fria que ficou quente.
Aroma de tez em minha boca
Artimanha da minha manha
no renascer de cada manhã.
Pé de fogueira em
chamas....
Desejos , de quem sente fome
numa emoção que sufoca .

Água do mar transbordante
és o reboliço
constante em mim
princípio e fim
dos meus encantos.


Ana Maria Marques

CATAVENTO



Engenho o verso
levando ao vento
minhas palavras
em velocidade de catavento

Palavras exatas , idéias concretas
ditas , escritas , apagadas
reescritas ,
tecendo sua alma
feito uma aranha
em telhado de palha
olhando para você

Exponho ao mundo
sem receio
esse jeito ...tonto , insano
De amar , amar ..
Você .



Ana Maria Marques

9 de out de 2009

UM MUNDO A PARTE



Deitado
no asfalto quente
Sou uma vida anônima
espelho sem imagem
invisível ao mundo.

Meio ao labirinto
De carros , pessoas ..
Ao vazio
de solidariedade e
aconchego.

Vivo
um mundo
a parte .

Quero ser visto
como ser , gente
que faz parte
Do processo
da vida .


Ana Maria Marques

O POETA E O MAR




Meu mar
você desagua no sertão
da minha vida
Sua paisagem
é de um azul brilhante
areia fina e branquinha
Pescadores e jangadas
em caminho de diversas conchinhas...

Você é minha terapia
náutica .

Em suas águas mornas , desce
sobre mim
uma paz imensa
Lavo-me por inteira .

Mar em espuma de harmonia
revitaliza minha essência
Descubro a cada instante
que sobre mim se acende
uma quietude , uma paz .

Escutador
das minhas angústias
náuseas e desejos.
Te agradeço , em sargarços
Em um acender de luz
feito um peixe
inquilino de sua casa .


Ana Maria Marques

CONQUISTA



Nas minhas mãos
carrego um jeito excêntrico
De peneirar água
ao pássaro inquietante
inquilino da minh'alma .

Meus olhos de paixão
pairam em você ,
aprovam a beleza enigmática
dessa conquista.

A vida tornou-se vida
já não vivia !

E de repente
Tê-lo só para mim
Pinta em minha janela
Uma alegria de viver .




Ana Maria Marques

6 de out de 2009

JARDIM SIDERAL

Vejo em um jardim sideral,
a radiação de misterioso astro,
estrela voraz, luz mortal;
admiro seu eclipse de alabastro.

Quero os chafarizes brilhantes,
gêiseres de ácido, sulfurados,
de alegria fugaz, diamantes,
queimando os olhos, ofuscados.

Navego pela abóbada celeste,
de planetas ermos
e visito o deserto agreste,
lar de duendes enfermos.

Neste mar morto,
campo santo de tíbias e caveiras;
ossuário de piratas; último porto;
ancoro meu coração sem fronteiras…

E compartilho taças de peçonha acre,
com fantasmas de idéias;
sonhos extintos num massacre,
quimeras feridas, cheias de morféias.

Vagueio por uma galáctica nação
a multidão me ignora;
prefiro a companhia da solidão,
amiga, que me adora.


Rosemarie Schossig Torres
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