Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

31 de dez de 2010

Regulamento






1ª OFICINA INSPIRATURAS

INSPIRATURAS é um laboratório literário destinado a ser uma alternativa ao desenvolvimento da escrita poética por meio do exercício criativo. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos orientada para o incremento cultural na forma da troca de experiências literárias.

A proposta da OFICINA INSPIRATURAS é fomentar um canal para que os poetas possam submeter seus poemas à apreciação de um corpo de jurados e receber notas e críticas destinadas à obra.

Os jurados, em número de quatro, serão habituais leitores de poesia e/ou poetas que colaborarão de forma voluntária e sem ônus para o laboratório. Os participantes não deverão esperar críticas profissionais e nem fundamentadas, pois tanto as notas quanto as críticas, atribuídas pelos jurados, serão de natureza subjetiva e deverão retratar a abstração do leitor e sua reação emocional face ao poema.

O compromisso dos jurados voluntários é apenas o de atribuir uma nota de zero a cinco, avaliar um aspecto positivo e outro negativo de cada poema de forma honesta e imparcial.

Os jurados voluntários conhecerão apenas os pseudônimos dos autores, que terão suas identidades preservadas. O coordenador do desafio receberá as inscrições, portanto, saberá a identidade dos participantes, no entanto, as guardará sob sigilo. Os pseudônimos estarão sujeitos à aprovação dos coordenadores.

A DINÂMICA DA OFICINA

A oficina será desenvolvida em duas fases de quatro rodadas cada uma.

A freqüência de cada rodada é de sete dias. Semanalmente, será publicada no site OFICINA INSPIRATURAS, http://www.inspiraturas.com/, a proposta que norteará a produção do poema correspondente a próxima rodada, bem como a data para a entrega da obra finalizada.

Serão classificados para a fase final todos os autores que atingirem a pontuação de 12 pontos ou acima.
A pontuação da fase inicial não é cumulativa. Na fase final, todos os autores recomeçam a partir da pontuação zero.

O autor que somar a maior pontuação na fase final será declarado o vencedor da oficina.
Se houver empate na fase final, os jurados avaliarão o conjunto da obra dos autores no decorrer da oficina e, para tal, considerarão a evolução do autor durante o certame.

Não haverá premiação ao vencedor, além da oportunidade de agregar valor à própria escrita, o compartilhamento de sua arte e o reconhecimento no nosso meio poético da internet.

Os poemas deverão ser INÉDITOS e produzidos para atender as propostas divulgadas nas datas previstas. O autor se compromete a não postá-los em outros espaços até o final do desafio, sob pena de desclassificação.

Os poemas deverão ser enviados ao correio eletrônico: academiadodiscurso@gmail.com, acompanhados do pseudônimo do autor, até as datas limite previstas na agenda da oficina.

O coordenador divulgará os poemas no blog da oficina, indicando apenas o pseudônimo do autor.

Nossa organização pretende ofertar espaço participativo para todos os interessados, logo, os participantes desistentes durante o exercício da oficina, terão suas inscrições recusadas nas edições futuras do evento.

Aceitaremos, de bom grado, cortesias dos admiradores da poesia para compor uma possível premiação, as quais teremos prazer em divulgar em nossos espaços.

Inscreva-se, também, para ser jurado numa próxima edição.

Poderão ocorrer mudanças na dinâmica da oficina para otimizá-la, desde que não prejudiquem os autores e assegurem a imparcialidade. Esperamos encontrar nossas deficiências e colaborar de forma mais eficiente. Ajudem-nos a melhorar a OFICINA INSPIRATURAS. Envie suas opiniões, sugestões e críticas para academiadodiscurso@gmail.com.

Os interessados em participar poderão inscrever-se por meio do formulário eletrônico disponível no site ou, então, colar o texto abaixo numa nova mensagem de email, informar os dados e envia-los para academiadodiscurso@gmail.com

INSCRIÇÃO NA OFICINA INSPIRATURAS


Tipo de inscrição: ( ) autor ( ) jurado voluntário
NOME:
Data de nascimento:
Profissão:
e-mail:
site/blog:
Pseudônimo desejado:
Lê poemas? ( )nenhum ( )poucos ( )frequentemente ( )muitos
Escreve poemas? ( )nenhum ( )poucos ( )frequentemente ( )muitos
Você leu e está de acordo com o regulamento da oficina? ( )sim ( )não

MANUAL DOS JURADOS VOLUNTÁRIOS

1.Os jurados, após a leitura de cada obra, atribuirão uma nota de zero a cinco e tecerão dois comentários: um, apontando aspectos positivos, e outro, apontando aspectos negativos acerca da obra julgada. Se desejarem, poderão apontar mais elementos.
2. Os comentários não necessitam de fundamentação teórica e nem técnica. Basta que os jurados avaliem a forma como são "tocados pela obra", considerando, para tal, os critérios que lhes aprouverem.
3. Os jurados deverão estar comprometidos em colaborar com os autores no desenvolvimento de suas escritas e, para tal, a idoneidade e a imparcialidade serão qualidades esperadas.
4.Os jurados terão seus nomes divulgados, junto a um pequeno perfil de qualificações, no blog da oficina.
5. Em virtude da finalidade não-comercial da oficina, os jurados concordam em colaborar sem qualquer ônus ao evento.

MANUAL DOS AUTORES OFICINEIROS

1. Os autores oficineiros terão o compromisso de produzir um poema por semana atendendo a agenda da oficina.
2. Os autores oficineiros deverão atender as propostas designadas a cada rodada, as quais serão divulgadas com, no mínimo, seis dias de antecedência no blog da oficina.
3. Os autores oficineiros deverão enviar a obra finalizada dentro do prazo estipulado na agenda da oficina.
4. Os autores se comprometem a não questionar as avaliações dos jurados voluntários.
5. O autor que descumprir os prazos previstos na agenda será automaticamente desclassificado e terá sua inscrição recusada em futuras edições da oficina.
6. Dado o caráter meramente cultural do evento, os autores reconhecem que não têm direito a qualquer pagamento ou premiação por sua participação.

MANUAL DA COORDENAÇÃO

1.O coordenador tem o dever de proceder a triagem das inscrições e se compromete a guardar absoluto sigilo acerca da identidade dos autores, que usarão pseudônimos.
2. O coordenador deverá fazer com que os prazos agendados sejam cumpridos.
3. O coordenador prestará as informações devidas a todos os participantes.
4. O coordenador tem o direito de excluir a participação de qualquer autor oficineiro ou jurado voluntário no decorrer da oficina, desde que fundamentado em aspectos comportamentais.
5. Se houverem cortesias ou incentivos de parceiros do evento que possam ser distribuídas aos participantes a título de premiação, o coordenador deverá procedê-lo.

20 de nov de 2010

Medo



o medo
é um cavalo desgovernado
pode ser um binóculo
focado nas pedras
às vezes um muro
ou um tsunami
um grito em segredo
na ânsia
de manter os pés no chão
não há como perder tudo
o galo não canta para o escuro
subo no rochedo
e enfrento a arrebentação
se o ceú não me permite o voo
mergulho no mar
e me deixo acalentar
pelo silêncio
cessada a angústia
adormeço em estranho cansaço
e acordo entre areias - ou cinzas
não sei se foi sonho
ou devaneio
mas caminhei com Deus


Helenice Priedols

(foto de Gregory Colbert)

15 de nov de 2010

1ªProposta – As mulheres e a Revolução - enviar até 09 de março de 2011


A revolução pela alegria

A breve história de Leila Diniz (1945 • 1972) foi como um terremoto a sacudir os usos e costumes da sociedade brasileira – especialmente nos anos 60, quando ela se transformou no maior ícone da liberdade feminina. O mundo ouvia rock'n'roll, o Brasil irradiava a bossa nova e Leila desafiava, enfrentava, estimulava e divertia os brasileiros com atitudes e simbolismo. Como atriz, tornou-se musa do embrionário cinema novo, movimento que propunha o rompimento dos padrões estéticos adotados até então – com base forte no modelo hollywoodiano.

No plano pessoal, desafiava regras que julgava impostas: era capaz de dizer palavrões em público, dar entrevistas em que revelava preferências sexuais ou trocar de namorado sem dar satisfações a ninguém. Em 1969, em entrevista ao jornal alternativo Pasquim, motivou a lei de censura prévia, apelidada de Decreto Leila Diniz, produzida pelo ministro da Justiça, Alfredo Buzaid. "Você pode amar muito uma pessoa e ir para a cama com outra. Já aconteceu comigo", dizia. Sua imagem mais célebre, de 1971, na qual posou grávida de biquíni, na praia carioca de Ipanema, tinha o ineditismo incômodo que levou-a a ser acusada por feministas de servir aos homens.

A esquerda a considerava artificial e a direita, imoral. Leiluska, como era chamada pelos amigos, saiu de casa aos 17 anos para morar com o cineasta Domingos de Oliveira, que a dirigiu em Todas as Mulheres do Mundo (1966). Mais tarde, casou-se com o também cineasta Ruy Guerra, pai de sua única filha, Janaína. Sete meses depois do nascimento da menina, Leila morreu no acidente aéreo em que o avião da Japan Airlines explodiu perto de Nova Déli, na Índia. A atriz voltava da Austrália, onde participara do Festival Internacional de Adelaide para promover o filme Mãos Vazias. Leila havia antecipado o vôo de volta por causa da saudade que sentia da filha. Mãe devotada, morreu aos 27 anos e deixou um exemplo para sua geração: Leila viveu a vida com autenticidade, espontaneidade, irreverência, alegria e muita paixão.


A proposta:

Escreva um poema para as mulheres que, tal Leila Diniz, revolucionam pela autenticidade e pela alegria.
Envie o poema finalizado para INSPIRATURAS até o dia 09 de março de 2011;

Boas inspirações!

MANUAL DOS AUTORES OFICINEIROS


MANUAL DOS AUTORES OFICINEIROS

1. Os autores oficineiros terão o compromisso de produzir um poema por semana atendendo a agenda da oficina.

2. Os autores oficineiros deverão atender as propostas designadas a cada rodada, as quais serão divulgadas com, no mínimo, seis dias de antecedência no blog da oficina.

3. Os autores oficineiros deverão enviar a obra finalizada dentro do prazo estipulado na agenda da oficina.

4. Os autores se comprometem a não questionar as avaliações dos jurados voluntários.

5. O autor que descumprir os prazos previstos na agenda será automaticamente desclassificado e terá sua inscrição recusada em futuras edições da oficina.

6. Dado o caráter meramente cultural do evento, os autores reconhecem que não têm direito a qualquer pagamento ou premiação por sua participação.

MANUAL DA COORDENAÇÃO


MANUAL DA COORDENAÇÃO


1.O coordenador tem o dever de proceder a triagem das inscrições e se compromete a guardar absoluto sigilo acerca da identidade dos autores, que usarão pseudônimos.

2. O coordenador deverá fazer com que os prazos agendados sejam cumpridos.
3. O coordenador prestará as informações devidas a todos os participantes.
4. O coordenador tem o direito de excluir a participação de qualquer autor oficineiro ou jurado voluntário no decorrer da oficina, desde que fundamentado em aspectos comportamentais.
5. Se houverem cortesias ou incentivos de parceiros do evento que possam ser distribuídas aos participantes a título de premiação, o coordenador deverá procedê-lo. 

MANUAL DOS JURADOS VOLUNTÁRIOS


MANUAL DOS JURADOS VOLUNTÁRIOS

1.Os jurados, após a leitura de cada obra, atribuirão uma nota de zero a cinco e tecerão dois comentários: um, apontando aspectos positivos, e outro, apontando aspectos negativos acerca da obra julgada. Se desejarem, poderão apontar mais elementos.

2. Os comentários não necessitam de fundamentação teórica e nem técnica. Basta que os jurados avaliem a forma como são "tocados pela obra", considerando, para tal, os critérios que lhes aprouverem.

3. Os jurados deverão estar comprometidos em colaborar com os autores no desenvolvimento de suas escritas e, para tal, a idoneidade e a imparcialidade serão qualidades esperadas.

4.Os jurados terão seus nomes divulgados, junto a um pequeno perfil de qualificações, no blog da oficina.

5. Em virtude da finalidade não-comercial da oficina, os jurados concordam em colaborar sem qualquer ônus ao evento.

25 de out de 2010

Perdida



o mundo é mais silêncio
que palavras

somos mais espaço
que matéria

a humanidade flutua
no Verso
apartado do Uno

…perdi minha bússola

o cosmos ainda não me pertence
não pertenço mais à Terra

meus olhos
deixaram de ser humanos
recusam-se ao reconhecimento
dessa maya ensandecida

grito aos deuses
todos os dias:
“Desatem os nós!”

(Acho que se fingem de surdos)


Helenice Priedols
(arte de Kay Sage)

17 de out de 2010

Delusion


que pensas saber da vida dos outros
se nem bem sabes da tua?

inventas estradas de sonhos
em verdades desconexas
trocas de olhos como de roupas
na busca por um novo encantamento
nos solitários dias arrastados
em brilhos ocos e instantâneos

levanto a ponta da tua sombra
e escrevo no teu chão:

viver não é pra qualquer um
(é para aqueles que sabem
o preço de uma morte em vida)

16 de out de 2010

Disfarce

Entre enlaces
E mil disfarces
Renego-te,
Desejo-te...
Devotamente...
Discretamente...
Num olhar sutil
Transpõe na face
Um amor febril
Sem nem saber,
Chamo-te
Fervorosamente,
Amor sem fim,
Sem precedentes...

Nas diversas faces
De meus disfarces
Como amo-te!
(subitamente)...
Palavras ao vento,
Gestos contraditórios
Revelam-se segredos
Ai como amo-te!
(inegavelmente)...
Em pensamento
Nos olhos ledos
Aí! Teus sorrisos
Um só fascínio...
Meu domínio!...

Sobre os disfarces
De nossas faces,
Voraz enlace...
Devora-nos
(incessantemente)
Em vaidades
Nos perdemos,
E esquecemos
Que amamo-nos
(assustadoramente)
Nas suavidades
Dos teus lábios
Cálidos vestígios
(inexplicavelmente)

Aí, aí, disfarces,
Faces do enlace
Louco furor,
Plácido sentir!
(tão divergente)
Consumimo-nos
Fogo abrasador,
Na calmaria se esvair
(repentinamente)
Como quem se ausenta
De si próprio
Confesso-te
Eu te amo!
(simplesmente)

Nos disfarces
Da minha face,
O louco enlace
Surge o amor
(tão de repente)...

Amor errante

Vou por tuas correntezas,
Como barco sem destino,
Tal qual pirata clandestino
Que divaga em incertezas...

Há um oceano de promessas
 E deleites de teu oásis puro,
Fiz do teu véu porto seguro,
Maior das minhas fraquezas...

Nos teus braços fiz morada,
Repousei no teu roseiral
Não ser mais um vendaval
 Rumando pro eterno nada...

Quem nasceu pra ser errante
Nunca pode viver aportado,
Seu caminho já está marcado,
Ser só uma onda sussurrante

Vai e vem repentinamente
Como voraz lobo solitário
Para a lua oferta simplório
Amor tão devotadamente...

Espalhando aos quatros ventos
A todos os cantos do mundo,
Aquele uivo meio moribundo,
Mas repleto de sentimentos...

Último acenar

Posso ser uma brisa sutil,
Pelas manhãs de primavera
Translúcidas e tão plácidas,
Posso ser um temporal febril
Que varre as ruas como fera
Causando nas almas feridas...

Posso ser manhã de inverno
Gélido, amargo, sem vida...
Posso ser o que eu quiser!
Sim! Escolho ser fraterno,
Remendar todas as feridas
Causadas, as que eu puder...

Não quero ser um sopro vão
Não mais ser bruma ressequida
Que amarga tudo ao seu redor
Sentir em mim mesmo o perdão,
E numa derradeira despedida
Quem sabe renascer melhor

Não quero ser nada além de eu,
Nem divino, ser apenas humano
Hei de ser um sopro sereno
E que encontra seu o apogeu
Na aurora do novo plano,
E se findar num último aceno...

Estranho rumo

A vida transcorre
Assim tão estranha,
Ora sendo tão doce
Ora sendo tão atroz

E o tempo escorre,
Afasta e emaranha,
Vem e toma posse
E parte tão veloz...

Por um horizonte
De brumas e flores,
De jardins se enfeita
Num ameno colorir

Com o sol na fronte,
Pintam-se novas cores
Pela estrada estreita
De meu eterno partir...

E caminhando eu sinto
Tudo assim tão normal
Uma estranha sensação
De estar esquecendo.

Como num labirinto,
Pela aurora boreal,
Fez-se a nova canção
Vou amanhecendo...

Sopro sutil

Vou por este mundo
Como um sopro sutil
Atrás de algo profundo
Que este céu azul anil...

Quero manhãs vibrantes,
Tardes mais amorosas,
Quero noites inebriantes,
Lembranças fervorosas...

Passear por belos jardins,
Sentir em mim a primavera
Sentir o cheiro dos jasmins,
De repente até rolar na terra...

Escalar uma montanha,
Só pra olhar pro horizonte,
Sentir o vento que se emaranha
Sutilmente à minha fronte...

E simplesmente adormecer,
Como criança recém nascida,
Ansiosa para desbravar a vida,
E a cada nova aurora renascer...

Simplesmente

Assim te amo,
Como uma flor
De um jardim...
Assim te amo,
Tão livremente,
Quando quiser
Volte para mim...

Assim te amo,
Como primavera,
Calmamente...
Assim te amo,
Mesmo quando
É longa a espera,
E árduas as feridas...

Assim te amo,
Como quem ama
Ser livre,
Dou-te a liberdade
Podes ir
 Não há magoa,
Não há rancor,
E volte se quiser...

Assim te amo,
Por isso parto,
Mesmo não querendo,
Já é chegada à hora...
Não posso mais
Te ver sofrendo...

Assim te amo,
Mesmo na despedida,
Afinal teus olhos
Já me condenaram
E tua face se perdeu
Em meio ao vão

Assim te amo,
Com meus lábios
Emudecidos,
Pois os teus
Jamais falaram...

Assim te amo,
Como uma folha
Que se desprende
E voa ao vento
Buscando coisas novas
Novos rumos...

Assim te amo
Desprendidamente
Para todo sempre
Só por instantes,
De qualquer forma
Eternamente...

Assim te amo
E devo ir embora,
Mas vou sorrindo,
Vou-me sem demora
Que é bem melhor
Do que viver fingindo!


Flor de primavera

Dorme ó doce flor de primavera!
O que pensei estarmos sentindo
Era apenas uma simples quimera

Descansa ó Flor! Não tenhas pressa!
Se não for eu outro alguém te alcançará!
Não preciso de juras nem promessas...

Dorme ó flor! Dorme tranquilamente,
Talvez um dia eu entenda a tua atitude...
A vida mostrará o melhor caminho pra gente!

Dorme ó flor! Tens todo tempo do mundo
Por que teu legado será a eternidade
Para sempre terás um jardim fecundo...

Dorme flor! Quando chegar à hora
Quero lhe ver desabrochar esplendorosa
Dorme flor o tempo não demora

Dorme ó flor! Dorme tranquilamente,
Ande pelos mansos jardins do éden,
Algum dia alguém te fará mais contente...

Dorme ó flor! Não há razão para acordar,
Eis que ainda paira sobre nós o inverno,
Eu jamais suportaria lhe ver murchar...

Amo-te sempre


Amo-te assim tão simplesmente,
Não sei nem onde, nem quando,
De repente amo-te devotamente
 Não sei por que, como ou quanto
Sei apenas que te amo subitamente...

Amo-te mesmo não querendo amar
Quanto mais fujo, mais perto te encontro
Amo-te e queria saber como explicar
Quando ando de ti e de mim distante
Alcança-te o meu mais puro pensar...

Mesmo se te amar seja só uma quimera
Mesmo assim te amaria sem dúvidas
Cantaria meu amor pela eterna primavera
Mesmo que te amar seja viver na solidão
Não hesitaria mesmo que fosse longa a espera

Amo-te mesmo quando penso que não amo,
Amo-te quando nego tua importância
E nas frias noites eu devotamente te chamo
Mesmo que nunca venha, te amarei na eternidade
Das lembranças que em versos eu declamo:

Amo-te sem sombra dúvidas e sem medo,
Não hesitaria mesmo se fosse árduo o seu pesar
Meus olhos já não comportam tal segredo,
Mesmo que não acredite, amo-te profundamente,
Amo-te de morrer, mas morro com o coração ledo...

Teus jardins


Vós que carregais nos olhos
 A ferocidade dos temporais
Que alimenta a chama da vida
Colore as manhãs primaverais...

Vós trazeis nos dóceis braços
Alentos que acalmam os ventos
Trazeis no sorriso a mansidão
Dos estrelados firmamentos...

Em vossa bela forma corpórea
Traduz os encantos do éden
Trazeis a chama do amor eterno
Espelhando saboroso pólen...

Deusa que habita o olimpo
Que passeia altiva pelas ruas
E me dá a sensação de ser divino,
Trazeis na pele as faces luas

Que lhe dão um tom inebriante
Vós que vens com fina beleza
Transcendendo pelo horizonte
Os finos primores da tua realeza...

Teus jardins são um convite
Instigando-me a beber da tua fonte
O cálice ardente do amor carnal
Aspergido por toda sua fronte...

9 de out de 2010

Cinismo

esses poderosos personagens
cuja imagem nos agride
os olhos qual fuligem
não agradam no engodo
que insistem em representar

a mentira está nos olhos
na língua, nos gestos
ensaiados frente ao espelho,
espalhada nas palavras gastas,
enquadrada nos velhos clichês

até quando seremos receptáculo
dessas idéias dementes
que subestimam nossas mentes
nesse ridículo espetáculo
de abuso de poder?

20 de set de 2010

Destino



Sigo meu destino
eu e minha alma
resquícios do sopro divino
no santuário dos átomos
e das nuvens fugidias

uma jornada sem guias
por desertos sem fronteiras
vago as noites e os dias
em vão tateando paredes
de histórias alcoviteiras
buscando aplacar a sede
na harmonia dos abraços

num sonho contumaz
ouço os passos
deixados no tempo
- ecos longínquos -
de vidas sedentas de paz

se estou predestinada
é somente a ser livre
para seguir na alvorada
o rastro prateado da lua
e a estrela suicida
que me mostre o itinerário
de uma terra prometida

11 de set de 2010

Tempos de silêncio

Ele fechara os olhos delicadamente
Tentando esconder o pranto caído,
Baixara a cabeça num sinal de luto
Como quem perde um ente querido
Sua alma se tornara silêncio absoluto
Fez-se vento, fez-se voraz corrente

A varrer as ruas num sopro alucinado
Fez-se orvalho nas manhãs de outono
Perdeu-se no tempo por um momento
Tivera por um segundo um sutil alento
Estancando-lhe a ferida do abandono
Sentira-se como um pássaro acanhado

Por uma tempestade de pensamento
Batera a sua porta o som da insanidade,
Num longo suspiro e num breve grito
Expulsando de si seu maior tormento
Enfim encontrara a solidão da liberdade
E para todo o sempre seria seu veredicto...

Transpôs noites dias andando sem destino
Encontrou fontes, horizontes, belos mundos
A si mesmo amava e odiava simultaneamente
Pairava sobre os abismos mais profundos
De rua e rua eterno andarilho sorridente
Mas no fundo era apenas um triste menino?!...

Navegante

Sim! Sou como um barco
A procura de um farol
Sou manhã de primavera
Que espera o nascer do sol

No inverno eu sou lenha
Que espera se tornar fogueira
Sou um cacho de uva
Que espera nascer à parreira

Sou as noites de outono
Que clama a luz da lua
Sou extensa calçada
Esperando construir a rua...

Sou eterno navegante
Esperando ter um porto...
Navegando nos mares da vida
Para não se sentir morto...

Tardes chuvosas.

Sim! Eram negras tardes
Que se vestiam de solidão
Com os olhos nebulosos
Tateando na escuridão

Vou dormir eternamente
Para sentir o tempo passar
Como um temporal voraz
Sem ter pressa de chegar...

Vou como um pássaro
Que perdeu suas asas
Canta na esperança de voar
Com o peito em brasas...

Lágrimas corriam por sua fronte
E eram como as tardes chuvosas
Em que a alma se cobria de luto
Esperando respostas silenciosas...

Tornou-se vento invisível,
O último suspiro, e fechara os olhos
Engolira a seco sua decepção
Partira com a alma cheia de abrolhos...

10 de set de 2010

Exercício do Ego

Exercício do Ego

Eu sirvo o meu vinho preferido
Eu farejo o perigo
Eu busco o beijo molhado
Eu pego o telefone e calo...

Eu deixo a porta aberta
Eu sirvo mais e mais vinho...
Eu busco metas e me vejo só
Eu deixo a flor roxa na janela
Eu deito nua no tapete
Eu faço bico
Eu olho o nada
Eu olho o nada
Eu sinto o ir e vir
Eu queria sorrir
Eu olho o nada
Eu olho o nada
Eu sinto e sinto
Eu sinto a dor
Eu sinto o tapa
Eu choro de raiva
Eu fico torta
Eu grito nua
Eu tenho a cara no tapete
Eu sinto o ir e vir
Eu sinto o ir e vir... o ir e vir... ir e vir... ir e vir e ir e vir
Eu abafo o grito
Eu acho o perigo
Eu sinto no íntimo
Eu olho o chão
Eu olho o chão
Eu grito e grito
Eu grito de paixão
Eu grito de paixão
Eu não sinto mais o ir
Eu não sinto mais o ir
Eu não procuro o olhar
Eu volto a respirar

Eu bato a porta
Eu saio à rua
Eu ando na chuva
Eu entro em casa
Eu deixo a água escorrer na banheira
Eu tenho a cabeça n’água
Eu morro ali
Eu já era... quimera... alguém me traz de volta...
Tu
Logo tu
Eu que já ia embora
E agora?

Agora é hora de dormir, amor.

Madame M.

7 de set de 2010

De nada vale


Do que me vale ter as primaveras,
Se já não tenho mais o teu sorriso?
Do que adiantará atravessar as eras,
Se há em mim um coração maciço?

De nada me adianta ter a luz divina,
Se eu já não posso mais te enxergar?
Do que me vale a flor mais genuína,
Se a mais exótica nunca pude regar?

Do que valem os verdejantes prados,
Se não puder percorrer-los contigo?
Do que valem os doces céus azulados
Se não puder dormir no teu abrigo?

Do que adianta o sol no horizonte,
Se já não posso beber da tua fonte?

Dividido em desesperos e exageros
Vou por minhas estradas sem destino
Se não posso provar vossos temperos
Serei pela eternidade um clandestino...

Se dos teus lábios não puder beber
O néctar, eu desejo morrer de sede
Sem que seja em vós, não quero ser,
Apenas mais um retrato na tua parede

Não quero ser sem que sejas minha
Não adianta ter mil reinos sem rainha...

6 de set de 2010

Sombras de mim

Não quero tuas promessas
Sejam mentiras ou verdades,
Nem sequer a sombra tua
Nem teu paraíso colorido
Quero só a dádiva de não ser,
Dá-me as noites nebulosas
Para poder andar sem rumo
Sem querer pedir demais
Arranque todos os sentimentos
Não quero ser luz nem trevas,
Nem sol, nem luz, nem estrelas
Quero somente o esquecimento,
Caminhar pelas tardes chuvosas
Sem ter em mim lembrança alguma
Vós que criaste o universo
E proclamastes o sopro da vida,
Pode me arrancar - lá agora mesmo,
Só não arranque de mim as rimas
Nem tire de mim a poesia,
Último prazer que me acompanha
Pois já pesa em meus ombros
A dura pena de estar vivo
E quando chegar minha hora
Se puder dá-me a honra
De ter um fim eterno...

Coração pagão

Do que me vale esta vida misera
Se ela só me é tristes desventuras
Ser milionário eu jamais quisera
Jamais pedi tamanhas amarguras

Tenho em mim um coração pagão
E também um espírito indomável
Ora sendo luz, ora sendo escuridão
Sou apenas um sopro implacável

Varrendo as ruas num sopro demente
E minha fé anda por planos distantes
Faz tempo que minha alma anda ausente
Pela escuridão de mundos atemorizantes

Já não a sossego no céu e nem na terra
Meus dias são como uma espada cravada
Na alma causando uma dor que dilacera
Minhas esperanças reduzindo-as a nada.

Arrasa e não acaba, fere e não mata,
Deixado para padecer neste mundo
Um poeta romântico virou um vira-lata
Que vive a falar de um amor já moribundo

Que resiste apenas no seu pensamento
Quisera ascender em si à luz da vida
Que se ofuscara em dor e sofrimento
Vai pelas ruas como uma sombra esquecida...

Se eu não mais puder

Quando meus olhos não encontram os teus
Sinto-me a mais desprezível das criaturas
Sinto pesar sobre meus ombros o furor dos céus
Como se viver fosse um inferno de desventuras

Se meus olhos não mais podem encontrar os teus
Já não pode haver para mim condenação maior
E de nada me vale a divina proteção de deus
Pois já não há neste mundo algo mais aterrador

Se meus lábios não podem tocar os teus
Nada pode tirar o gosto amargo da boca
E não há gosto mais amargo que do adeus
E nessas horas de angustia o coração sufoca

Se nossos corações não podem estar unidos
E se nem minha alma pode se abrandar na tua
De nada valeu minhas preces e meus pedidos
E menos ainda vale a primavera, o sol ou a lua...

E se nossos passos têm que seguir rumos diferentes
Já não haverá caminhos para meus pés percorrer
Pois é como ter os pés amarrados por correntes
E já não conhece nenhuma luz os meus alvorecer

E se meus momentos forem distantes dos teus
Tornar-se-á meu espírito um andarilho pagão
Já não sopra mais os ventos brandos nos mares meus
Sem vós serei por estas ruas e esquinas um sopro vão

Não mais vereis

Vós não vereis mais meu rosto sorridente
Nem mais vereis meu sorriso florido
Pois andarei pelas madrugadas solitárias
Bebendo o torpor de minhas misérias
Do amor derramado sobrou o cálice sucumbido
E um interminável amargor impenitente

Não vereis mais luz em meus olhos
Pois estão mergulhados em tormentos
Habitarei as frias madrugadas nebulosas
Caminharei na solidão das tardes chuvosas
Sentindo a pele ser rasgadas pelos ventos
Das rosas dadas, só me restaram os abrolhos

Já não ouvireis a minha voz, ela emudeceu
Pois vago pelas madrugadas silenciosas
Sempre em busca de um refúgio inexistente
Em meu túmulo corpóreo jazo lentamente
Serei um sopro vão nas madrugadas tempestuosas
Em pleno calor do dia meu espírito escureceu...

Já não me vereis caminhar pelas tardes de outono,
Nem vereis sentar-me a luz do sol da primavera,
Pois andarei pelas madrugadas gélidas do inverno
Por procelas meu espírito será um andarilho eterno
Serei fera ferida que se encarcerada numa quimera
Pelas tristes madrugas que arranca da alma o sono

30 de ago de 2010

Traços delicados

Moça de olhos cândidos, sorrir cintilante,
Dóceis detalhes de uma pele tão sedosa,
Meus olhos tentam compreender tão fascinante
Beleza que em todos detalhes é formosa!...

Lábios cuidadosos e delicados detêm
Os sensíveis fragores da sensualidade
Feminina que a minha alma branda sobrevém...
Admirar-te e sentir o gosto da liberdade

Que se desenha nos teus traços elegantes
Que esconde tesouro grácil e profundo
Dóceis fragores das primaveras galantes
Pétalas do teu suntuoso jardim fecundo

De onde brota sensível beleza admirável
E os versos encontram sentido nos teus traços
Refletem-me como doce aragem amável
Passos se juntam aos passos, ternos acasos...

Surpresas agradáveis formam horizontes
Amenos que quando juntos formam novo céu
De onde caem mansas chuvas que regam as fontes
De tua beleza e alvura que me enterneceu!...

Vai à chuva lentamente

Cai a chuva lentamente
Em tristes pingos de mágoas
Molha minha face poente
Vão dissipando-se em névoas

Anoitece de repente
Da janela de mil nódoas
Cai a chuva lentamente
Em tristes pingos de mágoas

A alma flama loucamente
Sou banhado pelas águas
Sob um céu limpo e fulgente
Caminhando pelas ruas
Vai à chuva lentamente...

Só mais uma aventura

Somos águas que formam brumas
Ao cair num desfiladeiro
Sobre as rochas formam espumas
Que voam pelo brando vento
No mais ameno movimento
Somos fogo nas palhas do celeiro...

Somos o sopro dos vendavais
Somos imenso terremoto
Somos o cheiro dos roseirais
Somos doces frutos do outono
Somos madrugadas sem sono
Somos só um sonho ignoto?

Somos a vida em plenitude
Somos como taças vertidas
Somos a eterna juventude!...
Somos canto dos querubins
Somos harmoniosos jardins
Somos manhãs adormecidas...

Somos flores, cores, ardores...
Manhã de grande formosura
Somos apenas vão atores
Disputando o papel principal
Somente paixão de carnaval
Fomos só mais uma aventura...

Navegante sem farol

Sim! É inverno dentro de mim
Há neve sobre meu peito
Congelou por inteiro o leito
Do rio que banhava o jardim

Aonde eu cultivava as rosas
Mais formosas e coloridas
E de lamentos revertidas
Pelas noites mais pavorosas

Pétalas voam pelos ares
Entre bem me quer e mal me quer
Numa ânsia de me conhecer
Sou naufrago em teus mares

Sim! Chove muito dentro de mim
Infelizes brumas me envolvem
Mares doridos se revolvem
Trazendo um aroma de jasmim

Prenúncios de primavera
De repente estou no escuro
Tateando o chão eu procuro
Uma estúpida quimera

À que eu posso por um segundo
Apenas me agarrar e deixar
O nevoeiro de dissipar
Sim! Quero ver um novo mundo...


Sim! Venta forte dentro de mim
Uma overdose de você
Sofro uma metamorfose
Deixei de lado o nosso jardim...

Como um pássaro vôo liberto
Vôo para longe num vôo sem fim!...
Vou andando por dentro de mim
Procurando o caminho certo,

Mas só vejo um grande deserto
Que não tem fim e nem começo
E num estrondo estremeço,
Por um amargor sou coberto

É terremoto dentro de mim!
Sou fugitivo de mim mesmo
Sou um mero sopro a esmo
Sou madeira cheia de cupim...

Arranque do céu as estrelas!
Apague de vez a luz da lua!
Sou os ventos que rasgam a rua
Espiona pelas janelas

Por favor! Sequem o oceano!
Por favor! Tire o brilho do sol
Sou navio em busca de um farol
Navegando no mar do engano...

Lágrimas da inocência

Olho tua formosura, oh menina!
Meu tão grácil pecado e demência
Como lobo desejo tal inocência,
Numa ardência louca e ferina...

Brando olhar por inteiro me domina,
Meu desejo na beira de iminência
Esqueceu dos limites da decência,
Nas noites tal qual ave de rapina

Sobrevôo tal essência na espera
Do florescer da révora suprema,
Ver lágrimas de prazer no semblante

De menina virando terna amante,
Selar voraz desejo que me ardera
Nos versos carinhosos de um poema...

Divina flor

Menina flor de olhar tão luminoso...
Rosto de fino traço delicado...
No sorriso se esconde esplendoroso
Mistério que em silêncio é revelado

Na mansa aura de fragor suntuoso...
Terna brisa que sopra sobre o prado
Ornado por um sorriso tão vistoso
Que deixa o coração sempre encantado...

Por que em ti a vida verte em plenitude
Que lhe exalte e venere quem lhe tiver
Ao lado e reconheça a magnitude

De uma mulher humana e tão divina
Que merece respeito e sempre ser
Recebida com flores – flor tão fina...

Troca de olhares

Olhares que se cruzam pervertidos
Fervem e proclamam inúmeras juras
De amor corpos despidos e tórpidos
Vertendo sobre a cama mil loucuras...

De noite docemente aos meus ouvidos
Maliciosas palavras tu sussurras...
Com generosos afagos e gemidos!...
Fonte de todas as minhas amarguras,

E este tórrido sentir tem curado
As feridas da espada árdua cravada
No âmago da alma e logo resplandece

No rocio derramado sobre a amada...
Bate em mim o coração tão desvairado
Do teu corpo meu corpo se apetece...

Soneto de luta

Não fujas de quem tanto lhe procura,
Não tenho medo algum de ser ferido,
Melhor é a dor do amor que foi vivido
Do que ter na alma a triste desventura

De não tentar, e viver na amargura
Do jugo deste sentir tão hórrido
Quero estar totalmente em ti embebido
De amor e com tamanha formosura

Quero lhe ver envolta em plumas brancas
Da sua pudica glória de celeste
Anjo com flor silvestre de beleza

Única contornando as belas ancas
De ondas afáveis donde florescestes
Para ser minha eterna fortaleza!...

Soneto de despedida

Lisi tu foste o maior dos amores,
Tão vívido, também tão doloroso,
Sim! Tu foste sonho fervoroso
Minha alegria, a maior das dores!

Sim! Tu foste jardim cheio de flores,
Mas também meu deserto impiedoso!
A liberdade, a corda no pescoço!
Vida... Morte... Mais sutil dos fragores!

Floresceu em silêncio e em silêncio
Morreu... Sorrir ao chegar, dor ao partir!
Milagrosa benção! Maior traição!

Uma fagulha, tórrido incêndio!
Minha desgraça fora ver-te florir!
Formosa letra! Triste canção!

Amor de caderno

Quando lhe vejo surgir radiante
Minha alma se estremece totalmente,
Sou todo teu de corpo, alma e mente!
Num excelso relâmpago atroante

Clareia em mim aurora tão vibrante
Que amenamente planta apraz semente
Hora suntuosa hora incoerente!
Voz muda, olhar latente e dissonante,

Minha amada! O que sinto é tão vultoso
Que sinto o coração flamar no peito
Como o sol nas manhãs de amor eterno,

Ardores de um verão tão suntuoso
Provar do amor voraz quase perfeito
Vivo apenas nos traços de um caderno...

Flor celeste

Nas flores transparece tua beleza
Ó formoso perfume que ameniza
Dócil flor de silvestre sutileza!
Sopra amor na passagem desta brisa...

Flor de resplandecente profundeza,
Nada além de ti minha alma precisa
Num sorriso revela apraz grandeza
Ó pétalas que minha alma cobiça

Ó minha flor! Vistosa primavera!
Jamais mulher alguma nesta terra
Tivera assim tamanha formosura

Florescendo num plácido amanhecer
Sim na tua estação quero adormecer!
Viver um sonho recheado de ternura

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

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