Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

18 de mai de 2010

Sonhos no espelho

Enfrente do espelho tece devaneios
Quer estar distante da realidade
Abandonou por um segundo a vaidade
Seu cálido olhar tece mil enleios

No meio do céu cinza, havia um fulgor
De uma estrela apraz, mas tão solitária
Sua alma são mares em completa fúria
Nos seus olhos eram imenso fervor,

Sua mente é tal um pássaro vagante
Ora sereno, ora atroz... O vento passa
Tão logo seu pensamento toma asa
E desenha um futuro mirabolante,

Mas a sua face é notória descrença...
São pensamentos, só meros pensamentos
Num soprar de esperanças e de tormentos
Seus olhos são uma nuvem suspensa

Como pássaro liberto da gaiola
Sai batendo asas desesperadamente
Não sabe ser liberto, volta clemente
As migalhas da prisão, amor de esmola...

Num relâmpago se diante do espelho
Vê-se numa monótona realidade
Entre a ânsia do amor e de liberdade
Tal pureza agora é triste tom vermelho

9 de mai de 2010


SENTIMENTOS

Você matou meus sentimentos
Aquele que eu guardava no meu coração
Restaram os cacos dos bons momentos
Do longínquo porto de sedução.

Na moldura o amargor
Da saudade que você deixou
Na praia enterrei minha dor
Do querer que você desenhou

Sem ânimo , segui meu caminho
Não vou precisar mais de seus adornos
O pouco de seu carinho.

Desnudei o seu querer
Vou embora para um lugar
Símbolo de um novo....viver.


Ana Maria Marques
29/04/10

4 de mai de 2010

Os que não pertencem


nos cais dos portos

nos trens abarrotados

nas estradas poeirentas


nunca o travesseiro macio

nunca a conversa ao redor da mesa

nunca a palavra lar


trazem consigo

o incerto olhar da espera

e a dignidade silenciosa

diante das portas fechadas

da alheia desconfiança

da inútil piedade


só levam de si a própria sombra

e o peso do nome: refugiados


são homens que não pertencem

trilham os caminhos das nuvens

só olham para a frente

- e para baixo

desconhecem regressos

alimentam-se

da esperança do futuro


são homens que não pertencem


quando os vejo

me aperta no peito

uma pesada dúvida:

qual o real significado

de ser humano?


(inspirado nas fotografias do livro Êxodos, de Sebastião Salgado)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...