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Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

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17 de mar de 2011

A EPOPÉIA DE DENISE – Fase inicial – 2ª Rodada

A Epopéia de Denise

Como se começa uma história?
Algo que pode ter acontecido!
E se a mesma não existe na memória
Posto que é um fictício ocorrido!

Denise caminha em uma praia
Mesmo que o sol não raia
Sua alegria insiste.

Se depara com uma caixa
Um baú velho e pequeno
O abre, deixando escapar um veneno.
A caixa...
Dentro havia um sonho
Remeteu-a a outros lugares
Voava por entre vales
Sentia na face leve brisa gélida.
Se despiu de todos os seus disfarces
Reviu todos que já se foram
Todos que por ela eram amados
E eles por ela.
Viu a morte, passou tão rápida e inexpressiva que, na verdade, poderia se tratar de uma nuvem negra!
Nuvem pequena e inútil
Dessas que não fazem chuva
Mas dependendo do ponto de vista
Pode fazer sombra
Tirando o reinado do sol.

Voou sobre a ilha de Páscoa
Sorriu para seus mistérios
Atravessou alguns deltas de rios
Do Parnaiba ao Nilo.
Ao anoitecer viu Paris
Sentiu seus perfumes
Por um momento os odores a levaram a campos
Como se estivessem presos a uma redoma de vidro.

Foi testemunha do nascimento de uma pequena aldeia
África
Os lugares voltavam no tempo
Homens pré-históricos surgiam em grupos
Perseguiam mamutes
Comiam com as mãos
Descobrindo o fogo
Violência e pretensão.

Ninguém podia vê-la
Sequer podia ouvi-la
Mas tantas coisas para dizer...
Ensinar e aprender.

Por fim tudo foi simplificado a um só casal de humanos
Pode ver tanta coisa
Estar em tantos lugares
Mas ao retornar desse sonho tão real
Uma realidade melhor e maior a esperava.

Ela não pode encontrar quem seria prioritário,
Quem responderia suas recentes e antigas perguntas,
Que a acolheria, lhe daria afagos e força,
Quem a conhecia como ninguém!

Ela mesma!

Autor 04: Senhor dos Anéis

Um comentário:

  1. Uma verdadeira epopéia na qual a primeira estrofe funciona como um epílogo. Nessa situação, merecia algum grafismo, itálico talvez, para destacar do corpo do poema. No entanto, se a intenção não foi essa, essa estrofe ficou fragmentada do restante.
    Na segunda estrofe, houve pequena falha na conjugação do tempo (raia).

    A terceira estrofe ficou tanto longa e confundiu os objetos e sujeitos. Na transição "voava por entre vales" não fica claro a quem o eu-lírico se refere, se a Denise ou a caixa. Logicamente sabemos por dedução, mas não deveríamos ter essa tarefa. O verso que começa em "viu a morte..." é muito longo e desfaz a cadência sutil que se mantinha. Há um excesso de informação em toda essa estrofe.
    A quarta estrofe é muito boa, a melhor do poema.

    Na quinta, o uso do gerúndio criou pequena confusão. Ficou parecendo que descobriram o fogo enquanto comiam com as mãos. Gerúndio quase sempre cria dificuldades.

    Na penúltima estrofe há uma referência a um único casal de humanos, os quais não consegui identificar. Pensei em Adão e Eva, mas caso fosse, comprometeria a cronologia da narrativa.

    O final ficou muito bom e surpreendente.

    Nota três e meio,

    Wasil Sacharuk

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