Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

28 de abr de 2011

LIRA EMUDECIDA - 8ª rodada - etapa final

LIRA EMUDECIDA

Roubaram-te a infância
e vagastes nos ermos acasos.

Levaram-te a adolescência,
ocultastes tua face.

Aviltam tua maioridade
trêmulo espias.

Cuspirão na tua velhice
fraco, já não te insurgirás.

Ouve meu grito:

L
E
V
A
N
T
A

Afia tuas garras de quimera
abre as asas da luta

RECUPERA!

Toca novamente
a lira
há tanto
sem canto.

SONHA!

Aprendiz de Poeta

UTOPIA SEM SENTIDO - 8ª rodada - etapa final

Utopia sem sentido

O sonho é uma dádiva da natureza humana
Sonhar faz parte de nosso cotidiano
E se não fossem os sonhos a vida seria cinza

A utopia é um sonho impossível
Inatingível, inalcançável
É uma provocação a crua realidade
Uma mentira mentalizada para os infortúnios
Um desejo sublimar do fazer sem fazer

O sonho é uma realidade longínqua, porém possível
A utopia é uma realidade oca, sem vida
O sonho é a matéria prima dos visionários
A utopia é a desculpa dos pragmáticos

De nada adianta sonhos impossíveis
Que nada acrescentam a dignidade humana
A utopia é a desculpa dos desalmados
O sonho a válvula de escape do espírito.

Klaus Weber

O DEVER DE ACREDITAR - 8ª rodada - etapa final

O DEVER DE ACREDITAR

Galeano, meu amigo,
Permita-me a intimidade
Já que nossa latinidade
Pode servir-nos de abrigo
E por sermos sonhadores
Proponho sermos autores
Das utopias mais loucas
Já que certezas são poucas.
 
Tenho também esse vício
De sonhar tempos mais sãos
Nas fímbrias do precipício
Agarro-me com etéreas mãos
Sonhando que a igualdade
Seja inerente à humanidade
Já que toda criança nascida
Vale igual perante a vida.

Sonho também que os jovens
Tenham prazer no estudo
E que jamais desaprovem
Seus mestres, que por descuido,
Os julguem desimportantes
Fazendo-os coadjuvantes
Na construção de novos dias
Onde só haja razão na alegria.

Espero viver o bastante
Para ver a natureza refeita
Num renascer constante
Numa harmonia estreita
Entre ela e o progresso
E que o respeito seja o acesso
À qualidade da vida de todos
Do homem, da lagosta, do lobo...

Que as ruas sejam sempre
Quintais seguros e floridos
Onde se brinque contente
Onde não existam bandidos
Pois que sendo todos iguais
Nada ou ninguém pode mais
E nenhum precisará roubar
Tendo o suficiente em seu lar.

Nada preciso acrescentar
Ao seu amplo rol de fantasias
Apenas quero aqui lembrar
Que uma delas foi profecia
Pois que hoje uma mulher
É do Brasil a presidente
E outras virão, certamente,
Presidindo o que bem quiser.


Posso lhe assegurar sem medo
Que novas profecias virão à luz
Onde mais tarde ou mais cedo
A esperança que ora nos seduz
Será o caminho viável no futuro
E a nossa herança este augúrio.


Alinhavando este sonho hodierno,
Receba aí o meu abraço fraterno.

Vixe!Verso!

DOS SONHOS - 8ª rodada - etapa final

De Sonhos

Há noites em que sonho dias
D´além
Além de mim
Além do bem e do mal
E no céu de azul sem fim
Bailam espirais de esperança
Inspirando versos
Sob o sol.

Nas ruas,
Meninos tantos
Sujos, mas da terra de brincadeiras bestas,
E suas bolas, e suas pipas
Ziguezagueando sobre
As mentes leves dos velhinhos
Sob a sombra do ipê amarelo.

Ninguém que os espreite,
Ninguém que os queira
Com enxadas pesadas
Cavoucando o chão,
Senão em busca de estrelas,
Versos e verdades voláteis
Que se dissiparão amanhã.

Há dias em que sonho noites
D´além
Um céu de estrelas alumia
E os corpos não se temem,
E a mão não mais atira
Porém, entrelaça-se
A outras mãos e estas a outras mais
Os lábios não proferem promessas
Não há o que se prometer
E ninguém há que se atreva a arranhar
A inteira e eterna perfeição.

E há dias em que não sonho,
As tardes são negras
E os olhos não almejam a contemplação.

No entanto,
Antes da sombra, a luz
Antes do gozo, a sofreguidão
Antes da cura, a chaga
Antes da noite, o sol
Antes de nós, o nada, a amplidão
Antes do acerto, o projeto

Antes de tudo, o sonho.

Joaquim Pirantes

A ERA DOS SONHOS - 8ª rodada - etapa final

A Era dos Sonhos

É chegado o fim da era do medo
Todos os soldados voltarão aos seus lares
Pois, são findos todos os combates
Todas as raças se abraçam irmanadas
Em praças, ruas, shoppings e bares
Não haverá espaços privados
Nem placas a proibir a passagem
Somente uma grande comunhão
Onde todos pertencem a um estado
De coletiva pulsação

Todos os rios revigorados, a vida,
Novamente a crescer nas matas
Frondosas árvores se espalhando
Floridas em serras vastas
Todas as pessoas resgatando a cultura
Aprofundando conhecimento
Aprendendo novidades sempre
Lendo os clássicos, escrevendo
Suas próprias histórias
Se enchendo de entusiasmo
Celebrando cada instante
Do novo tempo

Todos os desejos serão louváveis
Não haverá tímidos sorrisos
Somente a gargalhada escancarada
Em faces repletas de alegria
A poesia correrá pelas bocas
Canções entoadas de esperança
Sentimento que permanecerá
Nos peitos a todo instante
Não como algo vindouro
Mas, como felicidade instalada
Na alma de cada vivente.
A vida será perene
Sem dores e sem saudades
Pois, eis que surge a verdade
Plantada no meio dos povos
E, nesses dias novos
Só haverá espaço pro AMOR!

Franklin Stingër

21 de abr de 2011

SEGUNDA-FEIRA! - etapa final - 7ª rodada

Segunda feira!

Hoje é segunda feira e está chovendo
Acordei atrasada, dei uma topada no dedão
O carro não pegou, o que será que está havendo?
Em meu chefe, de novo, baixou o bicho papão

Fui almoçar, a marmita azedou.
Marquei médico, esqueci a consulta!
Fiquei irada, procurei o cigarro, cadê? Acabou!!!
Deve ser praga de alguma força oculta!

Finalmente o dia está acabando...
Mas meu chefe me mandou fazer serão!
Se eu não fizer acabo “dançando”
Vou pra rua viver de doação

Algumas horas depois  chego a casa finalmente

A chuva regou meu jardim
O médico não apareceu
Meu tênis estava sujo de caquinha
O seguro do carro estava atrasado
A geladeira estava cheia
Quero mesmo parar de fumar
Tenho contas a pagar, e dinheiro!

Sentei no sofá, coloquei as pernas pra cima e pensei:
Meu dia não poderia ter sido melhor!
Obrigada meu Deus, por estar ao meu lado, sempre!!!!

Laura Lufe

SONHO BOM - etapa final - 6ª rodada

Sonho bom

Meu amigo,

Entre ondas e tormentas
Todo esse sentimento
Já começo me explicando:
Eu amei por um momento

Entenda a situação:
Ele vem aqui de dentro
Vive bem ao lado dela
Não me sai do pensamento

Nas noites de inverno?
É ela que me esquenta
Na praia deserta?
É ela que me alimenta

É tão grande esse desejo
Que me deixa até surdo
Boquiaberto, quase mudo
Nem o mundo mais eu vejo

Como o sol, tão radiante
Ela ofusca o meu mundo
E se eu fosse vagabundo
E bebum por um instante
Por ela? Até trabalharia
E beberia refrigerante

(...)

Amor,

Amor? Sinto muito ao escrever
Com intensidade e não com perdão
É tão lindo, sem idade pra viver
Essas palavras? Vem do coração
E eu digo

E não é só para agradar
Quero você perto de mim
Naquela casa, quero morar
Deitar na cama e no jardim
Rola comigo?

Você é meu sonho bom.

 O Dentista

PERDÃO! - etapa final - 6ª rodada

Perdão!

Não estas mais aqui!
Mas, como foste importante para mim!
Pena que demorei a descobrir tal fato
E meus impensados atos passados
Fizeram-me ainda mais indigno de ti

Foste mais do que meu alicerce
Minha base segura de vida
Muito alem da importância que sempre tive
Foi à importância que tu sempre me destes
E como eu era importante para ti!

E hoje, infelizmente, somente hoje
Descobri o quanto tu fostes importante para mim
O quanto teu amor materno que outrora
Imbecilmente desmereci e até subjuguei
Foi importante na minha formação enquanto gente

Tuas mínimas preocupações, teus mimos
Teus carinhos e até tuas broncas e palmadas
Quanta importância teve em minha vida, só hoje sei
Saudade de tu mãe, da tua conversa franca
De teu apoio incondicional e teu jeito carinhoso, corajoso

A saudade e o remorso se misturam em sentimentos ambíguos
Gostaria mesmo é de poder voltar no tempo, àqueles dias
Refazendo muitos caminhos em relação a ti
Retribuindo os teus carinhos, como filho amado, que fui por ti
E te dizer o quanto sinto falta de tudo que não vivi contigo
Por não ter compreendido a maravilhosa mãe que tive.

Klaus Weber

AINDA - etapa final - 7ª rodada

Ainda

Ainda
que a voz do mundo todo
seja ruídos
de clamores e discórdias
Tua voz,
fino fio de claridade,
há de ser
para sempre
um acalanto

Ainda
que tormentas
e temores
roubem-me dos olhos
a beleza
Teu riso
há de manter-se
sempre
lívido
para minha eterna contemplação

Ainda
que as palavras
se coloquem como adagas afiadas
ou muros de incertezas
Teu mais ínfimo dito
há de ser chave
para plena
libertação.

Ainda
que a noite se perpetue
pelo resto dos meus dias
Escuro,
silêncio e sombras
Tua fronte
há de ser a réstia
de uma luz fecunda
que não cessa
e não cansa
de me alumiar.

Joaquim Pirantes

PRESENÇA CONSTANTE - etapa final - 7ª rodada

PRESENÇA CONSTANTE


Agradeço-te!
Apenas florescia a vida,
sua existência já me acalentava.
Espalhava cor e perfume.

Agradeço-te!
Seca, tempestade, granizo.
Muito se fez para o jardim fenecer.
Gigante de amor,
sua presença enfrentava-os
e um a um eu vencia.

Agradeço-te!
Você chegou.
Renovou gramado.
Regou as flores.
Semeou paz.

Agradeço-te!
Jardim enflorado.
Botões, beija-flores, borboletas
espalham vida,
falam de futuro.

Juro-te!
No jardim celeste,
onde floresce vida eterna
estaremos, lado a lado,
cultivando momentos de unidade.

Agradeço-te
pelo passado,
pelo presente!
Juro-te
eternidade!

Aprendiz de Poeta

OS MEUS MOTIVOS - etapa final - 7ª rodada

OS MEUS MOTIVOS


A cada manhã que desperto ao seu lado
Na cama que ainda jovens escolhemos
Vibra nela o mesmo amor do passado
Fortalecido por tudo aquilo que vivemos

Há certezas no seu sorriso de menino
Que me acolhe quando começa o dia
E tanto faz se há chuva ou sol a pino
Com você o tempo é sempre de euforia

Quando o espelho obriga que eu veja
A celulite e outros estragos da idade
Você demonstra que ainda me deseja
E fico linda, em plena forma e mocidade

Se você, minimizando minha crise,
Paciente questiona o meu dilema
Percebo como é vão o que me aflige
E transformo o chilique em poema

Sei que mesmo que haja grande dor
Terei o meu amigo e companheiro
Criando amparo no abraço protetor
Grande consolo no afeto verdadeiro

Eu agradeço por ser o meu amor
Por viver a simplicidade da alegria
Dando a cada minúcia o seu valor
Que faz de cada dia o melhor dia

Não sei se outra vida pode haver
Com isso eu não vou me preocupar
Mas se nos for possível renascer
Reservo minha vaga prá seu par...

Vixe!!Verso!

AMOR DE PRIMEIRA GRANDEZA - etapa final - 7ª rodada

Amor de primeira grandeza

Quando a vida parecia escurecer
Num infinito vale estranho
Vem teus olhos me reerguer
Vitalizando outra vez meus sonhos

Se a brandura que há nos encantos
De teus gestos a me levantar
Certamente, junto ao meu pranto
Toda mágoa foi-se a evolar

Pois, que agora, só há alegria
E aqueles dias já não vêm mais
Tu és doce, pura melodia
És canção em meus festivais

És a luz que me ilumina a vida
Esperança a rasgar as manhãs
Seus “bom-dias” curaram feridas
Doces beijos de aldebarã

Agradeço sua companhia
A me encher o coração de festa
Fazes destes meus melhores dias
E o amor em ti a poesia confessa.

Franklin Stingër



15 de abr de 2011

SUBLIMAÇÃO - etapa final - 6ª rodada

SUBLIMAÇÃO

De repente,
viu-se grávida.
Uma semente dentro de si.
Não sabia se sorria
ou se o Medo a venceria.

Esperava.
O ventre não crescia.
A Certeza, contumaz,
ajudava a preparar o enxoval,
o quarto e coisa e tal.

O Tempo imperioso voa.
E a barriga lisa.
Mas não duvidava:
estava semeada,
maternidade consumada.

Do parto não se sabe ao certo.
A cena que se vê surpreende:
confiante aninha no seio;
acalanta sua criança
que atende por Esperança.

Aprendiz de Poeta

COISA DE NOVELA - etapa final - 6ª rodada

COISA DE NOVELA

Eram ainda só crianças
Ensaiando ser adultos
Plenos de esperanças
Sem ter apelos ocultos

Fielmente apaixonados,
Nem preocupava o futuro,
Viam-se juntos, casados,
Formados e mais maduros

Mas a vida faz caminhos
Que fogem ao combinado
Levando então os pombinhos
Cada qual para o seu lado

Ele foi estudar os animais
Ela foi fazer medicina
Não se viram nunca mais
Os dois em puxada rotina

Passaram-se tantas luas,
Tanta coisa aconteceu,
Ele viu mil moças nuas
Mil moços ela conheceu

Mas depois de quinze anos
Ela decidiu, num estalo
Resgatar os velhos planos
E foi bem longe visitá-lo

O final feliz desta história
Foi um lindo casamento
Logrando o amor vitória,
Há bebê em planejamento...

Vixe!Verso!

VIDA DE PAVÃO – Fase final – 6ª rodada

Vida de Pavão

“Quanto mais gostamos de uma amante,
                mais perto estamos de odiá-la.”
                               La Rochefoucauld

Abriu a cauda como um leque bordado
Daquele quintal mostrava-se o dono
Em cores vibrantes vem multiplicado
O tamanho naquele espaço enfadonho

Gritava bem alto à fêmea que distava
Daquele tão seu mirabolante plano
Traçado na cauda que arqueava
Chamando à dança sua cigana

Volvia alquebrado e sem resposta
Ao seu envolvente insistido canto
E no requebrado, eis sua aposta
A não ver o grito mudado em pranto

Dançou, reluziu se mostrou vaidoso
Buscando um par em contradança
Mas, ao lhe surgir outro belicoso
Sumiu no horizonte e ninguém alcança

Agora voando a outro território
Já não é covarde, é pavão teimoso
Abrindo o leque contraditório
Sua dança requebra todo vaidoso

E sobre a nobre casta de beleza
O pavão se fez rei em terreno alheio
No alto de arbustos ao trono lhe veio
A pavoa roubar-lhe a sua nobreza.

E quem tanto fez a buscar companheira,
Embora vaidoso de toda a beleza
Agora só olha com indelicadeza
Por não poder ir a terras alheias.

Franklin Stingër

O ÍNDIO RAUL E O SACERDOTE ANÃO - etapa final - 6ª rodada

O Índio Raul e o Sacerdote Anão
(Pequeno cordel raulseixista)

                       Peço licença aos nobres cantadores do nordeste


Essa história se passa algumas décadas após a revolução boliviana de 1952, com um índio, um anão sacerdote e um cão.

O índio Raul Fernandez sai de um bar com a fisionomia nada sã, tropeçando nas pernas já às nove da manhã, ouvindo uma canção no seu único bem, um pequeno walkman.

Pensa no estado de seu povo que não apresenta muita transformação, mesmo após a tal revolução continua a amargar os pesares da vida e a remoer suas velhas feridas.

Vê seu irmão aiamará feito um burro de carga, pra lá e pra cá, de tudo fazendo um pouco na cidade de La Paz, não muito diferente de seus ancestrais.

Olha para si mesmo, um índio chamado Raul, com uma calça velha, sem camisa, ouvindo “Cachorro Urubu”.

De repente surge em sua frente a figura de um ser disforme que falava sem parar, mas Raul só ouvia uma espécie de balbuciar.

Dentre aquele tipo de som que surge e logo some o índio só  entendeu que ele queria saber seu nome.

Sem se conter deixou a música responder:
“Baby isso só vai dar certo se você ficar perto, eu sou um índio Sioux, eu sou o Cachorro Urubu, em guerra com o Zeul!”

A figura aproximou-se e Raul teve que se curvar para falar, não por reverência ou adoração, é que o infeliz era um anão, e o mais estranho é que trazia uma Bíblia na boca e não na mão.

O índio indagou: o que fazes anão?
 Ah! Vejo o passado, o futuro e leio a sorte, sou cartomante, vidente e sacerdote.

Raul ironizou: “Transformo água vinho, chão em céu, pau em pedra, cuspe em mel, para mim não existe impossível, pastor anão e a igreja invisível!”

O anão inicia a discussão: Converta-se se ainda não é cristão! Andava com a Bíblia, mas de vários livros citava trechos: Bagavat Gita, Rig-Veda, Alcorão e o Cânon dos Três Cestos.

O aiamará não sabia o que fazer, só queria algo para ao anão ofender: Não acredito em Jesus, dizem até que na infância estudou o budismo no Tibet.

E na ocasião de sua crucificação fugiu para o Japão morrendo aos cento e três anos após ter duas filhas com o grande amor de seu coração.

E se lá, passasse pelo que sofremos aqui, pegaria seu sabre e cometeria o haraquiri.



Ouvindo estas palavras o anão corria de um lado para o outro em busca de algo que a Bíblia diz, e quando encontrou balançava sua bata como o rabo de um cachorro feliz.

Jesus é a única esperança para todos vocês, lendo Mateus, capítulo cinco, versículo seis.

Falava como que seus pensamentos fossem pelo próprio Deus enviados: “Felizes os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados”.



Após tanta discussão nada mais disse o anão, somente mordeu a perna do índio até sua calça rasgar, deu-lhe uma lambida e começou a urinar.

                         O índio caiu na calçada e começou a roncar.
Quando o sol já ia alto o anão dava seu salto.

“Baby essa estrada é comprida, ela não tem saída, é ora de acordar pra ver o galo cantar, pro mundo inteiro escutar”. Acorda aiamará!



O índio levanta, obedecendo a canção, olha para os lados em busca do sacerdote cristão, lá estava o anão, não era padre, pastor, presbítero nem ancião, era um cachorro, sim... , um cão.

A Bíblia que trazia na boca era um pedaço de pão, que dividira com o índio, seu único irmão, com quem dormia no chão.



Raul dá as costas e sai pelas ruas da cidade a refletir sobre sua insanidade, queria saber qual era a causa de tamanha alucinação em sua mente: O trabalho? A fome? O sol ardente?

 Era tudo isso, junto com duas folhas de coca e um litro de aguardente...



Melquíades

O CANGAÇO - etapa final - 6ª rodada

O Cangaço

Os cangaceiros nunca foram heróis
Sempre bandidos perseguidos e temidos
O contraponto ou a continuação de um nordeste esfacelado
Talvez por isto e com os desmandos o cangaço foi romantizado

Se Lampião foi um carniceiro ou justiceiro
A lenda nos leva a meias verdades
Para muitos, bandido
Para outros, herói
Num mundo onde os coronéis eram voz, realidade

Infeliz o povo que tem como herói um bandido
Ainda que individuo tinhoso e danado
Enquanto foragido foi um cabra temido e amado
Em pequenas cidades do sertão nordestino
Onde o povo além de usado sempre foi órfão do Estado

Por contraponto deste cordel, existem os feudos dos coronéis
Figuras emblemáticas, maquiavélicas e caricatas
Que tanto atraso e tantos embaraços trouxeram pro nordeste
Através de desmandos, assassinatos, de tristes historias e saga

Além das cabeças cortadas
Lampião, Maria Bonita, Corisco e tantos outros infelizes
Não tiveram o fim enquanto exterminados
Talvez do extermínio, o recomeço
De uma historia recontada ou seria requentada?

Os coronéis por sua vez e voz
Sempre os senhores feudais, mandachuvas ancestrais
Desta grande tragédia nordestina
Criaram e curtiram seus currais eleitorais
Que somente produziram miséria e chacinas

De tudo isso se tira uma lição!
Se o cangaço foi extinto com a morte dos Virgulinos
Infelizmente o coronelismo, não.
Continua sínico e sinuoso, modernizado e garboso
A massacrar a todo um povo, sem pecado e sem perdão.

Klaus Weber

BATALHAS - etapa final - 6ª rodada

BATALHAS

Em terras distantes, em tempos remotos.
Havia castelos, princesas e guerreiros.
As lutas eram tantas, criavam terremotos.
Estivesse sol ou caindo aguaceiros

Dois cavaleiros, cada qual em seu corcel.
Encontraram-se para a batalha
A princesa, como natural, era o troféu
Um era seu grande amor outro, um canalha.

Tarde nebulosa, até o tempo estava triste.
A princesa aos prantos implorava que não
Era necessário, ambos com espadas em riste
Desejavam resolver a questão

Eram cavalheiros, seguiam a lei.
Foi dado o sinal, com um baque no tambor.
Esgrimiram. Um queria apenas ser rei
Outro queria viver ao lado de seu amor

Eram exímios, dura luta seguiu-se.
Entre golpes e contragolpes.
Para desespero da dama, o amado feriu-se.
O escudeiro trouxe o cavalo, a galopes.

Ao chegar próximo ao seu amo.
Olhou estarrecido para a cena
Esvaía-se seu sangue humano
Nada podia fazer só chorar, pena.

A princesa histérica gritava
O rei então resolveu tudo acabar
O vencedor não aceitava
Venceu, queria com a moça casar.

 “Sou rei, e como tal posso tudo acabar”.
 “Sois o Rei, majestade, e assim sendo
Devereis cumprir o que estávamos a tratar
Quero o troféu. Ela não me tem amor, estou vendo “

“ Mas o amor não me interessa, quero o trono
Que será meu por direito
Meu nome será Rei Diogo, o Nono”.
Bradou aos ventos, seu feito

A princesa, coitada, resignou-se
Previa uma vida triste e solitária
Em seus aposentos fechar-se-ia
E morreria enrolada em mortalha
................
Entrou no quarto, junto à criadagem
Viu então uma pomba em sua janela
Compreendeu a doce mensagem
Mandada pelo amado, somente para ela

 “Serei eternamente teu, vidas passarão
Morreremos e renasceremos...
Séculos e séculos virão...
Mas um dia nos pertenceremos “


“Agora viverei em paz...
Na certeza do amor eterno
Tornar-me-ei duramente capaz
A esperar este encontro terno “

E assim foi até os dias atuais
Quando a máquina faz o papel
De mensageiros reais
E o conto escrito em cordel

Encontraram-se, amante e amado
Princesa e cavaleiro
Mas o destino é malvado,
Acabou com tudo, num tiro certeiro

Houve o encontro virtual
E o reconhecimento foi imediato
Tudo neles era natural
Como o gato caçar o rato

Tão perto e tão longe
Ambos encontravam-se assim
Ela calou-se, qual monge
Premeditando qual seria o fim

Não será desta vez...
Quem sabe em outra vida
O sonho novamente se desfez...
Dorme a princesa, caída!

Laura Lufe

RIO DE LÁGRIMAS, ALMAS DE ABRIL - etapa final - 6ª rodada

Rio de Lágrimas, almas de abril

Ele que nunca questionou
Que havia além um céu
Que as preces eram passos
Para uma eterna redenção
Tão logo abriu os olhos
E viu um vão de ódio
Partiu e se perdeu
Na própria tentação.

As mãos domaram o artifício
Do orifício ouviram-se mil gritos
E o seu nome se gravou
Com sangue novo nas paredes

As balas cravadas na memória
Ainda ardem e doem, e matam
O silêncio das noites
                              se esvaiu.

E o corpo dele agora tem descanso
Nas escadas    
                    Que nunca mais subiu
Mas, a sombra ainda
                               Fere
Na alma daqueles em que fez
Um mar de risos
                        Se findar num Rio
De lágrimas,
E não há mais janeiro além de abril.

Joaquim Pirantes

AZIA - etapa final - 6ª rodada

Azia


Sempre buscava o impossível
Mas, o que era ele?
Ou, o que será
Que ele era?

O sentimento não parava
Era simples e mente
Incrível

A sede envolvia seus filhos
E esses, queriam mais
Mas o que eles comiam?
Vegetais? Animais?

Tanto fez, tanto faz
A fome não era essa
O alimento era outro
E a azia durava muito pouco

Sem remédio, sem horário
Todos o tinham no íntimo
Mas o ser era tão único
Que a beleza devia ser vista ao contrário

Não se podia olhar por fora
É para dentro que eu percebia
Que não existia mais placebo
E o futuro? Foi tão injusto

No seu estômago ele se afogava
Borbulhando de desejo
Soluçando sem seu susto

Ic.



O Dentista

MARCAS D'ÁGUA - etapa final - 6ª rodada

Marcas d'água

Pés sobem a escada
na madeira escura
marcas d'água

uma bengala
faz o toc-toc
ajuda na subida
provoca briga

situação desmedida
entre tapas e gritos
o corpo que rola

pescoço que torce
no embalo da morte
se faz toda sorte.

Prudence

9 de abr de 2011

ROTA ERÓTICA - fase final - 5ª Rodada

ROTA ERÓTICA

No corpo em que traço rota
Grande mudança se nota
Conforme anda o desejo
Os pelos todos eriçados
Aos pedidos sussurrados,
No molhado do meu beijo

A respiração acelerada  
A cada leve mordiscada
No lóbulo da orelha
E o olhar esgazeado
Se, ao toque excitado,
Sua fêmea cede e ajoelha...

A sofreguidão da boca
Na descoberta mais louca
De cada canto da minha
O suor na febre insana
Fazendo sombras na cama,
Quando o orgasmo se avizinha

No final desse passeio,
O corpo é todo anseio
Na prontidão do seu falo

Quando chega a explosão
O disparar do coração
Fecha, por fim, o abalo.

Vixe!Verso!

PESCARIA - fase final - 5ª Rodada

Pescaria

Dentro de você
É onde quero morar
É o que eu busco
E o que desejo
Aí, é meu lugar

Assim como tudo
E, claro, como você também
Há coisas na vida
Que vão e vem, vão e vem

(Suspiro leve)

Um dia me disseram:
Trabalhe com prazer
Mas, já sou dentista e poeta
Que me falta fazer?

(...)

Boca e pernas
Que apertam sem dor
Se sua língua fosse anzol
Seria eu, então, pescador

(...)

Como toda pescaria, esse poema
Tem um quê de molhado
Do lado de cima
Ou do lado de baixo
Só quero nadar
No clima, bem apertado

(Suspiro profundo)

Escolho a isca, como você
Escolhe a cor da calcinha
Isca artificial? Que nada
É com você que eu perco a linha
Todinha

(Paciência)


Mas, tem dias, que o mar
Não está para peixe
E a água está quente
O jeito é nadar
Deixar-se levar com a corrente
(Deixando-se)

Dias no mar e nada
Não quero mais brincar, nem nadar
Ela só pode estar
Gozando da minha cara
Como um peixe, fugindo da minha vara
De pescar


O Dentista

QUANDO É BOM DEMAIS - fase final - 5ª Rodada

QUANDO É BOM DEMAIS

Há suavidade, há permissividade…
tateando por entre os desejos,
navegando nas ondas exógenas.

Lábios tocam e botam fogo
na carne, nos olhos, no fundo.

Há delírio, há delícia...
carícia que eleva o corpo,
a alma, o dia, o senso, o sexo.

Bocas e dentes, dedos e unhas,
mente e pele... sedução e manha.

Há um dentro, há outro fora...
quando é muito bom, não tem hora.


NENA SILVA

POEMA TÂNTRICO - fase final - 5ª Rodada

Poema Tântrico


Em certos momentos a poesia me é tão tensa
quanto o olhar oblíquo de uma atriz quartuda
que ler Garcia Marquez trancada no quarto
só para se enganar.

A mão dissimulada da mulher que masturba
meu membro rijo e rir
pensando em abismos e revoluções.

Ela tem vinte e tantos motivos para rebolar,
mas quer também sussurros poéticos aos
ouvidos.

Sonhos de astronomia, vestígios no chão
e cartazes de poetas vivos de Teresina,
lugar de fogo e suco de fruta tropical.

Quantas divagações...

Talvez seja o calor
e a desidratação, rindo, eu afirmei.
Talvez seja mesmo amor,
pois há várias formas de amar, eu sei.

Quem sabe mesmo desejo,
fascínio ou paixão,
que eu, descaradamente, finjo
não saber o que são.

A boca torna-se então o prepúcio do gemido
que antever o ígneo e alvo mel
a impregnar-lhe
a língua;
o palato;
os dentes
e o queixo.

E fica um quê de não sei quê,
respingando de não sei onde
entre aquilo que se vê
e aquilo que se esconde.

Por baixo, por cima;
intercaladas,
negras, brancas,
com rima, sem rima,

Algumas poesias,
algumas mulheres
atordoam e mexem mesmo
(muito) com a gente...

Melquíades

ÁGUA - fase final - 5ª Rodada

ÁGUA


O Corpo banhava-se em água quente
Líquido tocava os cabelos
Minha mente desejava seu toque
Como se fosse sua mão a tocá-los
Escorria pelo rosto, entrava em minha boca.
Qual cachoeira descendo entre montes
Vinha aos meus seios.
Como rio que não se detêm com nada
Continuava seu curso
Desceu por minha barriga
Escorreu por minhas costas
Como se fossem seus braços
A envolver-me em delicioso abraço
Molhou sensualmente aquele lugar que
Ardentemente por ti espera.

Laura Lufe

DESEJO PLATÔNICO - fase final - 5ª Rodada

Desejo platônico

Alcancei aquele corpo escultural
Com meu olhar clinico cínico
E em sua sinuosidade natural
Depositei meus desejos mais reprimidos

Façanha celestial em forma feminina
Linda mulher menina concebida perfeita
Levando- me  a devaneios, infinitos sentidos
Transformando em cobiça meu mais recôndito desejo

Traçando em luxuria meu pensar, meu libido
Com penar obscuro instinto
Apetite avassalador, puro feitiço
Traduzido em suas formas incandescentes

Seu olhar hipnótico indecente
Derretendo meu ultimo empecilho  
Conduzindo-nos as loucuras de amantes
Entre lençóis tendo somente a lua como voyeur

Klaus Weber

LÍNGUA - fase final - 5ª Rodada

Língua

Tua mão nunca errante fê-lo rijo
E o infante sempre avante se erigiu
Os teus lábios lhe deram beijo vil,
Sonharam pô-lo em teu esconderijo

E o instante fez-se gozo e construiu
Na face do teu seio o regozijo
E o veio que se abriu eu o redijo
Poeta que descreve o longo cio

E não te quero em face do despojo
Mas, sim na ardente chama desta luta
Que brilha ao ver de longe o lindo pojo

E quero em mim de novo, antes oculta
Nos recônditos distantes do bojo,
A língua mui sedenta de uma puta.

Joaquim Pirantes

MERGULHO NOS MARES DE EROS - fase final - 5ª Rodada

Mergulhos nos mares de eros

mergulho em teus lençóis
qual desbravador dos mares
buscando em tuas ondas
o revés de teus olhares

tateio tuas sombras
anca rota em labirintos
cravando em tuas coxas
meu linguajar mais sucinto

deslizo por tuas rugas,
riso róseo aureolar
anunciando o mergulho
nas profundezas de teu mar

teus gemidos no silêncio
inflamam a chama nascente
repousando em as tuas pernas
meu infinito poente.

Franklin Stingër

ESTREITA NUDEZ - fase final - 5ª Rodada

ESTREITA NUDEZ

Em estreita nudez
o teu
o meu
sexo toca.
Invade corpo.
Por dentro,
desvenda-me.
Rígido,
me habita
e comanda.
Fendas
e febres.
E por segundos,
quedo a cabeça,
e no corpo se esparrama,
o gozo,
que explode
e ilumina
nossa estreita nudez.

Aprendiz de poeta

5 de abr de 2011

1ª Oficina Inspiraturas – comentadores da etapa final

AUTORES OFICINEIROS 5º ROD. 6º ROD. 7º ROD. 8º ROD.
1 Vixe,Verso! Dhenova Luciana Del Nero Nilson Moreno Wasil Sacharuk
2 Klaus Weber Dhenova Luciana Del Nero Nilson Moreno Wasil Sacharuk
3 Nena Silva Dhenova Luciana Del Nero Nilson Moreno Wasil Sacharuk
4 O Dentista Dhenova Luciana Del Nero Nilson Moreno Wasil Sacharuk
5 Laura Lufe Luciana Del Nero Nilson Moreno Wasil Sacharuk Dhenova
6 Joaquim Pirantes Luciana Del Nero Nilson Moreno Wasil Sacharuk Dhenova
7 Aprendiz de Poeta Luciana Del Nero Nilson Moreno Wasil Sacharuk Dhenova
8 Prudence Nilson Moreno Wasil Sacharuk Dhenova Luciana Del Nero
9 Melquíades Nilson Moreno Wasil Sacharuk Dhenova Luciana Del Nero
10 Franklin Stinger Nilson Moreno Wasil Sacharuk Dhenova Luciana Del Nero
Essa programação poderá ser alterada para adequar à disponibilidade dos comentadores.

2 de abr de 2011

2ª Oficina - 2ª Proposta - “Poesia Imagética” – entregar até 11 de junho de 2011

A Poesia Imagética

Lembro de um amigo que em suas primeiras e perigosas experiências com bebida alcoólica acabou ficando embriagado. A sua mãe o colocou para tomar banho, deixando-o com roupa debaixo do chuveiro. O que ninguém esperava era que ele, depois de um tempo sozinho, saísse correndo nu do banheiro, dizendo que existia um jacaré por trás do vaso sanitário. Até hoje colegas que presenciaram a cena não sabem dizer de que aborígine indução surgiu o drama ufanista do amigo. Mas não é dessa imagem supostamente etílica que venho falar. Mas sim, da possibilidade visual que a poesia consegue proporcionar quando as palavras criam atalhos proporcionando visões.

O poeta paraibano, Geraldo Alves, expõe no livro Entranhas da terra, no início do poema "A umburana da serra" uma estrofe que nos cabe como aceno imagético, quando diz: "Essa antiga umburana/ Já velha, encaracolada, / Só parece uma cigana, / Pelo sol esturricada; / Filha do ventre da terra,/ Velha habitante da serra,/ Já pelos anos ferida;/ Encurvada num lajedo/ Como quem já sente medo/ Dos últimos golpes da vida (...) Na perspectiva poética essas palavras parecem-me se fixarem na retina antecedendo a eclosão da imagem. Lógico que para visualizar melhor, através desse poema, o leitor deve conhecer a atmosfera significativa dos elementos semânticos: umburana, cigana, esturricada, lajedo... já que trata-se de um poema em que a estética e o conteúdo compreende o cancioneiro popular.

A captação da imagem poética não é exclusividade do olho durante a leitura. Podem-se visualizar imagens através das palavras escutas. Neste caso a audição é o auxiliar de armazenamento para a projeção. Mas tudo parte da palavra criando a formação metafórica. O poeta João Batista, no seu poema "Sonho de sabiá" que conta a vida de uma ave engaiolada, traz uma estrofe que, além de atribuir sentimentos humanos a um pássaro prisioneiro, forja as imagens da prosopopéia com as visões em sonho do personagem: (...) Sonhou catando sementes / Num campo vasto e risonho / Se sentia tão contente / Que sonhou que fosse um sonho / Olhava pra vastidão / Tocava em seu coração / Um regozijo profundo, / Todas delícias sentia / As vezes lhe parecia / Vivendo fora do mundo (...)

O poeta e ensaísta Ezra Pound insistia na afirmação de que a poesia está mais próxima da visualidade e da música do que da linguagem verbal. Com essa afirmação, dando ao poeta um ar de designer das palavras, eu compreendo a parceria do jacaré no banho do meu amigo, nos fulgores da juventude. Ele, naquela época, tinha me mostrado o trabalho que tinha feito sobre Amazônia e meio ambiente. Ele é atualmente um reconhecido poeta e já sentia naquele tempo o espanto em suas visões. Já que a intuição é algo que surpreende o seu estado inicial. A retina capta a imagem surgindo do externo e a imagem metafórica aparece no universo das ideias. Ou seja, de dentro para fora feito quem corre do banheiro assombrado com o que viu.
flaviopetronio@bol.com
POETA, JORNALISTA
 
A poesia imagética é um todo organizado, um cimentado de tijolos vocabulares, de requintada elaboração semântica. Surge poesia imagética quando a escultura de palavras transcende a literalidade para envolver o leitor nos detalhes arquitetônicos de sentidos e significados. Logo, a poesia imagética não é surrealista, pois se utiliza dos recursos linguísticos para traduzir um significado; e também não se trata de fluxo de consciência, já que está delimitada em um eixo espaço-temporal no qual as escolhas semânticas guardam o sentido.
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Pedidos perdidos de um recomeço

Tudo o que eu te peço é um recomeço sôfrego
lângido e célere, na avidez do malsofrido

Tudo o que eu te peço, eu já nem mesmo meço 
e, nessa desmedida, despedaço- me

Tudo assim em mim já tão disperso
ao passo de um clamor soado como alarido

Refratada em pungentes estilhaços 
Reencontro-me porém em cada esgarçado espaço,
donde me despeço,
donde esmaeço..., donde não te esqueço

O que eu te peço mesmo?
Quem saberia?
... talvez a permissão para alçar vôo
ou a exata dose de volúpia para atiçar insurreições, ressurreições, reviravoltas

Se mereço ou desmereço,
quem confessaria?
Simplesmente careço,
e pago o preço.

Luciana Del Nero
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Converse em versos com o poema “Pedidos perdidos de um recomeço”, de Luciana Del Nero e use recursos imagéticos.
Boas inspirações!
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