Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

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15 de abr de 2011

BATALHAS - etapa final - 6ª rodada

BATALHAS

Em terras distantes, em tempos remotos.
Havia castelos, princesas e guerreiros.
As lutas eram tantas, criavam terremotos.
Estivesse sol ou caindo aguaceiros

Dois cavaleiros, cada qual em seu corcel.
Encontraram-se para a batalha
A princesa, como natural, era o troféu
Um era seu grande amor outro, um canalha.

Tarde nebulosa, até o tempo estava triste.
A princesa aos prantos implorava que não
Era necessário, ambos com espadas em riste
Desejavam resolver a questão

Eram cavalheiros, seguiam a lei.
Foi dado o sinal, com um baque no tambor.
Esgrimiram. Um queria apenas ser rei
Outro queria viver ao lado de seu amor

Eram exímios, dura luta seguiu-se.
Entre golpes e contragolpes.
Para desespero da dama, o amado feriu-se.
O escudeiro trouxe o cavalo, a galopes.

Ao chegar próximo ao seu amo.
Olhou estarrecido para a cena
Esvaía-se seu sangue humano
Nada podia fazer só chorar, pena.

A princesa histérica gritava
O rei então resolveu tudo acabar
O vencedor não aceitava
Venceu, queria com a moça casar.

 “Sou rei, e como tal posso tudo acabar”.
 “Sois o Rei, majestade, e assim sendo
Devereis cumprir o que estávamos a tratar
Quero o troféu. Ela não me tem amor, estou vendo “

“ Mas o amor não me interessa, quero o trono
Que será meu por direito
Meu nome será Rei Diogo, o Nono”.
Bradou aos ventos, seu feito

A princesa, coitada, resignou-se
Previa uma vida triste e solitária
Em seus aposentos fechar-se-ia
E morreria enrolada em mortalha
................
Entrou no quarto, junto à criadagem
Viu então uma pomba em sua janela
Compreendeu a doce mensagem
Mandada pelo amado, somente para ela

 “Serei eternamente teu, vidas passarão
Morreremos e renasceremos...
Séculos e séculos virão...
Mas um dia nos pertenceremos “


“Agora viverei em paz...
Na certeza do amor eterno
Tornar-me-ei duramente capaz
A esperar este encontro terno “

E assim foi até os dias atuais
Quando a máquina faz o papel
De mensageiros reais
E o conto escrito em cordel

Encontraram-se, amante e amado
Princesa e cavaleiro
Mas o destino é malvado,
Acabou com tudo, num tiro certeiro

Houve o encontro virtual
E o reconhecimento foi imediato
Tudo neles era natural
Como o gato caçar o rato

Tão perto e tão longe
Ambos encontravam-se assim
Ela calou-se, qual monge
Premeditando qual seria o fim

Não será desta vez...
Quem sabe em outra vida
O sonho novamente se desfez...
Dorme a princesa, caída!

Laura Lufe

2 comentários:

  1. Uma epopeia. A história é uma reedição de tantas outras, nada acrescentou, no entanto, talvez pelo mesmo motivo, seja de grande valor.
    Ficou uma excelente elaboração, com rimas ricas e naturais, exceto nessa estrofe:

    "Houve o encontro virtual
    E o reconhecimento foi imediato
    Tudo neles era natural
    Como o gato caçar o rato"

    O último verso ficou desconexo, tanto fora de propósito, visto que a poetisa não vinha usando esse tom mais irreverente até então. Pareceu uma "forçada" na rima.

    Os versos ficaram mais longos do que o necessário. O poema narrativo pede pela mais econômica abordagem, por dois motivos: para que não canse o leitor e para auferir musicalidade. Excessos de artigos, preposições e pontuação ameaçam a musicalidade.

    Por fim, é uma obra excelente, gostosa de ler e muito bem elaborada.

    creio que vale 4,5

    wasil sacharuk

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  2. Gostei muito do poema, fez-me viajar. Vislumbrei o capricho que o poeta dedicou nos mínimos detalhes.

    Não é fácil descrever tanta emoção

    Parabéns.

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