Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

15 de abr de 2011

O CANGAÇO - etapa final - 6ª rodada

O Cangaço

Os cangaceiros nunca foram heróis
Sempre bandidos perseguidos e temidos
O contraponto ou a continuação de um nordeste esfacelado
Talvez por isto e com os desmandos o cangaço foi romantizado

Se Lampião foi um carniceiro ou justiceiro
A lenda nos leva a meias verdades
Para muitos, bandido
Para outros, herói
Num mundo onde os coronéis eram voz, realidade

Infeliz o povo que tem como herói um bandido
Ainda que individuo tinhoso e danado
Enquanto foragido foi um cabra temido e amado
Em pequenas cidades do sertão nordestino
Onde o povo além de usado sempre foi órfão do Estado

Por contraponto deste cordel, existem os feudos dos coronéis
Figuras emblemáticas, maquiavélicas e caricatas
Que tanto atraso e tantos embaraços trouxeram pro nordeste
Através de desmandos, assassinatos, de tristes historias e saga

Além das cabeças cortadas
Lampião, Maria Bonita, Corisco e tantos outros infelizes
Não tiveram o fim enquanto exterminados
Talvez do extermínio, o recomeço
De uma historia recontada ou seria requentada?

Os coronéis por sua vez e voz
Sempre os senhores feudais, mandachuvas ancestrais
Desta grande tragédia nordestina
Criaram e curtiram seus currais eleitorais
Que somente produziram miséria e chacinas

De tudo isso se tira uma lição!
Se o cangaço foi extinto com a morte dos Virgulinos
Infelizmente o coronelismo, não.
Continua sínico e sinuoso, modernizado e garboso
A massacrar a todo um povo, sem pecado e sem perdão.

Klaus Weber

2 comentários:

  1. Comentário 2: Título O cangaço. Autor: Klaus Weber.

    O autor escolheu um tema que margeia a crítica social, brindando-nos com a epopéia do cangaço dos tempos de Lampião e seus confrades. Talvez por isso Vixe!Verso! tenha recorrido a um enredo mais politizado e instigador. Seja como for, o tom questionador e provocativo com o qual veste sua narrativa convoca o leitor a um engajamento frente ao coronelismo, tão fortemente marcado em nosso país, ainda que por vezes de maneira dissimulada, motivo pelo qual louvo a escolha do tema. Entretanto, apesar da qualidade do texto e da desenvoltura com a qual narra a trama do cangaço, senti falta de um tratamento mais melódico ao poema. A estrutura em prosa poderia ter ganhado ares mais repentistas, o que estaria em perfeita harmonia com o eixo temático explorado. Nota: 4.

    Luciana Del Nero.

    ResponderExcluir
  2. Fiquei fascinada com o tema.

    Li várias vezes. Gostei muito.

    Esse teu poema tocou fundo, aqui no coração brasileiro da poetisa.

    Muito bom!

    Parabéns.

    ResponderExcluir

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