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15 de abr de 2011

RIO DE LÁGRIMAS, ALMAS DE ABRIL - etapa final - 6ª rodada

Rio de Lágrimas, almas de abril

Ele que nunca questionou
Que havia além um céu
Que as preces eram passos
Para uma eterna redenção
Tão logo abriu os olhos
E viu um vão de ódio
Partiu e se perdeu
Na própria tentação.

As mãos domaram o artifício
Do orifício ouviram-se mil gritos
E o seu nome se gravou
Com sangue novo nas paredes

As balas cravadas na memória
Ainda ardem e doem, e matam
O silêncio das noites
                              se esvaiu.

E o corpo dele agora tem descanso
Nas escadas    
                    Que nunca mais subiu
Mas, a sombra ainda
                               Fere
Na alma daqueles em que fez
Um mar de risos
                        Se findar num Rio
De lágrimas,
E não há mais janeiro além de abril.

Joaquim Pirantes

2 comentários:

  1. Um poema narrativo de cunho social, pontual e reativo. O autor sobre tratá-lo com lirismo e com a linguagem necessária para gravar um evento histórico em poesia. Logo, esse poema pode muito bem ser digno de referência vinculada ao fato.
    Eu sou leitor do tipo que busca a fuga do cotidiano na leitura e, portanto, hatitualmente desgosto da poesia que retrata o cotidiano. Prefiro poemas mais intimistas. Contudo, devo reconhecer que o autor teve habilidade para conquistar minha atenção desde o primeiro verso.
    O eu-lírico está perfeito, destituído de opinião como solicita um registro histórico. A forma foi explorada como guia do ritmo e ficou, também, excelente. E, as metáforas pairaram inteligentemente na superfície, apenas para garantir o lirismo.
    Quando um poeta utiliza a letra maiúscula apenas para pontuar o início de nova ideia, apetece mais à minha leitura. Penso que cada verso iniciado em maiúscula provoca uma quebra no ritmo.
    É um poema maravilhoso e acho que merece cinco.

    wasil sacharuk

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  2. Posso dizer que este é o melhor poema que li até agora.

    Original e atual
    Infelizmente...

    Por isso.

    Gostei demais!

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