30 de jun de 2011

4ª rodada - Olhar na fenda

Olhar na fenda

A mão desliza leve
na perna dourada
encontra as ranhuras
dos pelos negros

os arrepios na pele
seguem em fila
e mostram o tesão

o músculo teso
um nó de paixão

distorce a via
a língua açucarada
no olhar branco
um pouco de nada

no teto o espelho
e antes do fim
o gozo vermelho

numa refazenda
a voz diz sim
o olhar na fenda
no coração um xis.

Flor de Laranjeira

4ª rodada - Poema Ofegante

POEMA OFEGANTE

Respiro a miragem que envolve
teu corpo debutante
Sorte e privilégios em desejos
De amante
teu sorriso invade meus ouvidos
rasgando o silêncio
Tirando-me os sentidos
Ver-te apenas com os olhos
Me esfacela a alma inteira
Minhas mãos anseiam
O toque, o resvalar em tua teia

Falo, grito, desato em desabalo
me curvo em reverência
a ouvir seu ensaio
            [de musa enlouquecida
Desvarios enredados
Penetrando-me os ouvidos

Tateio no escuro a amplidão
Buscando os anseios de sua boca
Respirando nos beijos
                           Desta alma rota
Que em meus devaneios
                             Se finge louca
Mergulhando nos braços
Remidos da noite
Lançados no laço
De nosso açoite
Crendice e desvelo
Prazer e bom gozo
Nos dentes cravados
Em nossos corpos.

Ângelus Condor

4ª rodada - Como diria e.e. cummings

Como diria  e.e. cummings

Res(pirar) ar
Doce leve
(Ar)repiante vida
Brilho quente
Sol(ar)
Pós neblina
Confundindo as setas (rotas)
Os caminhos
Que desabrocham
No já
(rdim)
(Ave)ludado
De cor(ação)

--
Campos & Espaço

4ª rodada - Feminino fogo de rosa

Feminino fogo de rosa

Lá fora, na tarde, a claridade estala,
convida meus olhos famintos
para o banquete vivo das suaves rosas
e sua irascível fragrância
tocando o fundo de minhas entranhas.

Enfeitiçado, já nos claros campos de flores,
perco o tino;
mesclo todos os sentidos,
ouço o canto das pétalas queimando minha face,
apalpo suas aladas falas de amor
e acordado, sonho com seu gosto de anjo,
seu feminino fogo de rosa
recitando versos de luz em minha alma.


                                                                              A Voz do Vento

4ª rodada - O sabor da palavra

O sabor da palavra

Sinta o meu cheiro e veja!
O amor transbordando
E coma do meu sentimento

Leia minha poesia e ouça!
Cores e formas se transformando
Meio doce e ocre gentil

Meu poema escuta de mim
Amores silenciosos
E brotam calmamente no branco

Minha inspiração fala
Acompanha o sabor da palavra
E degusta cada verso meu

Maquiavel

4ª rodada - Sol do teu amor

Sol do teu amor

Vejo-te, doce imagem de bucólico viço
Cheiro-te, aroma que me fecha os olhos de prazer
Ego insaciável é te querer
Penetra, espeta a alma como um ouriço.

No doce mel dos teus beijos
Deleito-me, saboreando tuas curvas
Teus olhos abrem e fecham, negras uvas
Chegas ao ápice do gozo em real ensejo.

Não há força no mundo que persista
Exceto os gritos de prazer que tuas bradas
Dos teus desejos, meu coração é filho.

Sinto minhas asas na cama alada
Em êxtase total que o corpo insista
No sol do teu amor, de intenso brilho.

Tony Montana

26 de jun de 2011

Inscrição na 3ªOficina Inspiraturas

Regulamento da 3ª Oficina Inspiraturas

3ª OFICINA INSPIRATURAS
 
INSPIRATURAS é um laboratório literário destinado a ser uma alternativa ao desenvolvimento da escrita poética por meio do exercício criativo. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos orientada para o incremento cultural na forma da troca de experiências literárias.
 
A proposta da OFICINA INSPIRATURAS é fomentar um canal para que os poetas possam submeter seus poemas à apreciação de um corpo de jurados e receber notas e críticas destinadas à obra. Não se trata de um concurso, mas sim, um laboratório para o incremento da criação escrita. Assim, a pontuação obtida pelos oficineiros, durante a oficina, espelhará o nível de aceitação das obras pelo leitor comum.
 
Os jurados serão habituais leitores de poesia e/ou poetas que colaborarão de forma voluntária e sem ônus para o laboratório. Os participantes não deverão esperar críticas profissionais e nem fundamentadas, pois tanto as notas quanto as críticas, atribuídas pelos jurados, serão de natureza subjetiva e deverão retratar a abstração do leitor e sua reação emocional face ao poema. O compromisso dos jurados voluntários é apenas o de atribuir uma nota de zero a cinco, avaliar um aspecto positivo e outro negativo de cada poema de forma honesta e imparcial. Cada poema uma ou mais notas de jurados diferentes. Nos possíveis casos em que houver mais de uma avaliação dos jurados a um mesmo poema, prevalecerá a média das notas atribuídas.
Os jurados voluntários conhecerão apenas os pseudônimos dos autores, que terão suas identidades preservadas. O coordenador da oficina, Wasil Sacharuk, acolherá as inscrições, portanto, somente ele saberá a identidade dos participantes, no entanto, as guardará sob sigilo. Os pseudônimos escolhidos pelos oficineiros devem preservar o sigilo acerca da identidade e, portanto, estarão sujeitos à aprovação dos coordenadores.
A convocação para atuação dos jurados dependerá da dinâmica de classificação na oficina. Eles receberão um arquivo contendo a relação mínima dos poemas que devem ser avaliados, no entanto, são convidados a avaliar livremente, se possível, a todos os poemas das rodadas.
 
A DINÂMICA DA OFICINA
 
A oficina será desenvolvida em duas fases que compreendem cinco rodadas.
A freqüência de cada rodada é de sete dias. Semanalmente, será publicada no site OFICINA INSPIRATURAS, http://www.inspiraturas.com/, a proposta que norteará a produção do poema correspondente a próxima rodada, bem como as datas para a entrega das obras finalizadas.
Os poetas oficineiros que não entregaram os poemas propostos em data hábil, poderão continuar concorrendo.
O autor que somar a maior pontuação será o vencedor da oficina. Se houver empate, será considerado vencedor o autor que obtiver a maior nota na última rodada.
Não haverá premiação ao vencedor, além da oportunidade de agregar valor à própria escrita, o compartilhamento de sua arte e o reconhecimento no nosso meio poético da internet.
Os poemas deverão ser INÉDITOS e produzidos para atender as propostas divulgadas nas datas previstas. O autor se compromete a não postá-los em outros espaços até o final do desafio, sob pena de desclassificação.
Os poemas deverão ser enviados ao correio eletrônico: academiadodiscurso@gmail.com, acompanhados do pseudônimo do autor, até as datas limite previstas na agenda da oficina.
O coordenador divulgará os poemas no blog da oficina, indicando apenas o pseudônimo do autor.
Os autores que chegarem até a última rodada estarão de acordo com a divulgação de suas identidades, após o encerramento da oficina, mediante prévia autorização no formulário de inscrição.
Os oficineiros desistentes durante o decorrer da oficina são convidados a continuar participando como jurados.
Aceitaremos, de bom grado, cortesias dos admiradores da poesia para compor uma possível premiação, as quais teremos prazer em divulgar em nossos espaços.
Inscreva-se, também, para ser jurado numa próxima edição.
Poderão ocorrer mudanças na dinâmica da oficina para otimizá-la, desde que não prejudiquem os autores e assegurem a imparcialidade. Esperamos encontrar nossas deficiências e colaborar de forma mais eficiente. Ajudem-nos a melhorar a OFICINA INSPIRATURAS. Envie suas opiniões, sugestões e críticas para academiadodiscurso@gmail.com.
Os interessados em participar poderão inscrever-se por meio do formulário eletrônico disponível no site ou, então, colar o texto abaixo numa nova mensagem de email, informar os dados e envia-los para academiadodiscurso@gmail.com
 
INSCRIÇÃO NA OFICINA INSPIRATURAS
Tipo de inscrição: ( ) autor oficineiro ( ) jurado voluntário
NOME:
e-mail:
site/blog:
Pseudônimo desejado:
Lê poemas? ( )nenhum ( )poucos ( )frequentemente ( )muitos
Escreve poemas? ( )nenhum ( )poucos ( )frequentemente ( )muitos
Gostaria de ser autor/colaborador no blog Inspiraturas? ( )sim ( )não
Você leu e está de acordo com o regulamento da oficina? ( )sim ( )não
Concorda em ter sua identidade revelada após o encerramento da oficina?
( )sim ( )não
 
MANUAL DOS JURADOS VOLUNTÁRIOS
1.Os jurados, após a leitura de cada obra, atribuirão uma nota de zero a cinco e tecerão dois comentários: um, apontando aspectos positivos, e outro, apontando aspectos negativos acerca da obra julgada. Se desejarem, poderão apontar mais elementos. Nos casos em que houver mais de uma avaliação dos jurados a um mesmo poema, prevalecerá a média das notas atribuídas.
2. Os comentários não necessitam de fundamentação teórica e nem técnica. Basta que os jurados avaliem a forma como são "tocados pela obra", considerando, para tal, os critérios que lhes aprouverem.
3. Os jurados deverão estar comprometidos em colaborar com os autores no desenvolvimento de suas escritas e, para tal, a idoneidade e a imparcialidade serão qualidades esperadas.
4.Os jurados previamente credenciados terão seus nomes divulgados, junto a um pequeno perfil de qualificações, no site da oficina.
5. Em virtude da finalidade não-comercial da oficina, os jurados concordam em colaborar sem qualquer ônus ao evento.
6. Esperamos dos jurados o compromisso com os prazos para entrega dos comentários. O cumprimento da agenda depende dessa atitude. Caso não seja possível, solicitamos que o jurado comunique a coordenação com a maior antecedência possível.
 
MANUAL DOS AUTORES OFICINEIROS
1. Os autores oficineiros terão o compromisso de produzir um poema por semana atendendo a agenda da oficina.
2. Os autores oficineiros deverão atender as propostas designadas a cada rodada, as quais serão divulgadas com, no mínimo, seis dias de antecedência no site da oficina.
3. Os autores oficineiros deverão enviar a obra finalizada dentro do prazo estipulado na agenda da oficina.
4. Os autores se comprometem a não questionar as avaliações dos jurados voluntários (é interessante a leitura do manual dos jurados).
5. Dado o caráter meramente cultural do evento, os autores reconhecem que não têm direito a qualquer pagamento ou premiação por sua participação.
6. Os autores autorizam a publicação dos comentários dirigidos aos seus poemas, advindos dos jurados e de leitores autenticados no sistema google/blogspot.
7. Os autores que chegarem até a última rodada concordam em ter sua identidade revelada ao final da oficina.
 
MANUAL DA COORDENAÇÃO
1.O coordenador tem o dever de proceder a triagem das inscrições e se compromete a guardar absoluto sigilo acerca da identidade dos autores, que usarão pseudônimos.
2. O coordenador deverá fazer com que os prazos agendados sejam cumpridos.
3. O coordenador prestará as informações devidas a todos os participantes.
4. O coordenador tem o direito de excluir a participação de qualquer autor oficineiro ou jurado voluntário no decorrer da oficina, desde que fundamentado em aspectos comportamentais.
5. Se houverem cortesias ou incentivos de parceiros do evento que possam ser distribuídas aos participantes a título de premiação, o coordenador deverá procedê-lo.
 

20 de jun de 2011

3ª rodada - Passos à bala

Passos à bala

Sou criança, a passos lentos, em um sonho colorido
Campos verdes, branco silêncio e céu azul anil
Despertador acorda, são sete horas, fico senil
É a labuta! Escova nos dentes, algodão no ouvido.

E já na rua é tiroteio a minha direita
Na minha esquerda explode bueiro, asco certeiro
Saudades de outros barulhos, a britadeira
Confunde meus pensamentos, meu corriqueiro.

Felicidade se esvai se não é vivida
Leite de pedra é pedra na mão? Não é saída
Ser mais humano, ter mais amor e atitudes.

O modernismo já ficou velho e esclerosado
Fuzil alado e carros trincheira, vicissitudes
A paz, já muito extinta, se esconde ao lado.

Tony Montana

3ª rodada - Os becos

Os becos

Os becos são feitos de tijolos e paradoxo.
Têm em suas entranhas o silêncio dos meus olhos,
carregam nas trevas o mesmo desespero que habita minha alma.
Sempre que me percebo,
acordo com as insanas vozes dos becos,
volto dos sonhos assustado e noctívago
 pisando em falso
nos escuros segredos que me vem de suas nauseantes falas.
Cada palavra um grito humano
soco no estômago da musa que se esconde atrás da caneta.
Só tenho tempo para versos rápidos,
- acenos de rosas negras marcadas -
lúcidos lampejos ante a escancarada janela do quarto
e exausto, já na hibernação das horas
abandono meu abrigo e vou às ruas amar os becos
colher em suas chagas abertas
as ranhuras dos espíritos que cochilam tranqüilos em seus pés,
admirar a liberdade de seus mendigos filósofos
e aquecer meus ossos nas cinzas de uma extinta fogueira fedendo óleo diesel
e vidas secas.

                                                                                          A Voz do Vento

3ª rodada - Losangos Azuis

Losangos Azuis

Vidro entre-aberto pela brisa morna
cabelos agitados, maresia
mundo quadrado, uma pró-forma
sem falhas, antiburocracia

Minha sandália vermelha
saia curta como telha
tecido grudado ao quadril
um ar quase juvenil

Deixo vestígios perfumados
pela escada abaixo
vejo o olhar atento
do esquelético porteiro

Numa rua muito abafada
a ardência nos dedos
e as narinas azuis...

riscados são os losangos rastros
numa via de corpos vendidos
aqui e ali mais um sorriso

uma outra noite
amanhã, talvez outro dia.

Flor de Laranjeira

3ª rodada - Reflexão

Reflexão

Gosto do aroma
Da essência
Do grão de café torrado
Mascado, degustado
 Escorrendo em minha garganta
Seu sabor é inefável.

O sol bate seu ponto
A pobreza amanhece sutil
Verdadeira, sem máscara
Perambulo quase transparente
Pelas esquinas
Percorro becos, ruas, avenidas
Acabo sempre na encruzilhada

A vida pulsa
Olho no fundo negro
Dos olhos desse povo

São gentes
Frustrações e desejos
Anseios e desesperança
Solidão...

A crueldade do mundo
Os dilacera
Por um instante penso:
Eles nos pedem tão pouco!

--
Campos & Espaço

3ª rodada - A cidade atravessa

A CIDADE ATRAVESSA

Automóveis deslocam vertigens,
ópio incessante nas veias
da cidade que cresce –
abruptamente – ladeira acima.
As retinas queimadas de sol,
claudicante desejo
a invadir-me inteiro:
                  [a vontade de voar
sobre esse deserto de gente
em instante impreciso
imperiosa perfeição
a varar o sumidouro
de concreto armado
onde só resta fuligem
e acinzentada penumbra
de almas que se esvaem
extintas

A imortalidade transborda
em inanimadas formas urbanas.
Gigantes geometrias
coagindo-me o instinto:
sou das matas, da margem do rio,
sou de um mundo intangível
nessa selva de pedra.

Em meu passo de caipora,
trajo versos sobre o asfalto
luta humana contra os autos
que a cidade me atravessa.


Ângelus Condor

3ª rodada - Dona menina

Dona menina

E o barulho incessante, já delirante
Acorda dona menina, tão chateada
Lembrança do campo, sonho distante
Agora! Freios, buzinas e trombadas

Sua infância, criada com leite da fazenda
As moças prendadas, servindo ao lar
Com dedos de prosa e cosendo renda
Dona menina chora! Lágrima vira mar

Sentada na varanda, olhando a cena
Cotidiano infernal de pessoas com pressa
Olhares discretos, desviados, uma pena

Na terrinha o sorriso estampa e não cessa
Agradecida, toma o leite de caixinha e acena
Volta a labutar, e nada dentro, lhe apressa

Maquiavel

19 de jun de 2011

5ª rodada - “O Tempo”

De todos esses deuses habitantes do mundo, talvez alguns superem o mito, no entanto, o único deus evidente é o Tempo. Ele compõe a tríade das indeléveis divindades junto ao Amor e a Palavra.
E o Tempo há muito reside no Templo da Poesia para servir à Musa Verve.
Desse amor implacável, da Musa rebentam crias tantas que trazem em si a gênese da surpresa. Daí o Tempo se faz deus eterno. Sempre presente e por diferentes razões. O tempo é a esteira das criações.

Na esteira encontrei um "tempo metafísico", da poetisa Marisa Schmidt:

CONFRONTAÇÃO

Ah, o tempo cruel profeta
Deu ao moço ser poeta
Deu ao homem ser mortal
Essa certeza, afinal
Põe o poeta a pensar
Se haverá tempo pra amar
Ainda e tanto e tantas...
Na alma leva a esperança
Mas carrega a tristeza no olhar...

Marisa Schmidt

 

E ainda, o Tempo que fecunda o solo da solidão, no poema de Kelly Chiabotto:

Hora do adeus

Há de ser essa, a hora do adeus,
Assim, sem lágrimas, sem olhares,
Sem passos indecisos, sem meias palavras?

Há de ser esse o tempo em que a semente
Da saudade começa a germinar tão ferozmente
Que sufoca as sementes da esperança?

Há de ser esse o momento da solidão
Da reclusão, do ostracismo?

Hei então de fechar-me em mim mesma
Caracoleando minhas dores embebidas
Nas lágrimas dessa hora de adeus...

k.chiabotto

 

Luciana Del Nero criou uma magistral imagem daquele Tempo tombado no passado, porém, presente no presente:

Passado surrado

A nossa rotina é tecida
do mais gasto algodão surrado,
velho e amassado,
enxovalhado e amarelecido

E, na tarde tingida de sono,
(cheirando a abandono)
convoco o árduo trabalho
de guardar o passado

Lembrando de tudo
o que poderia ter sido
segue o castigo que maltrata
Na ingrata hora que não passa.

Luciana Del Nero

 

No meu poema, o Tempo sentiu saudades de si:

Desisti de ver o céu, Bob

Bob, as velhas cruzadas
foram partilha de estradas
doce esteio de poesia
nosso norte era o dia
da consciência iluminada

Tua voz viajou na lufada
encheu minha vida vazia
sem culpa e de alma nua
escriba de versos na lua
não carecia mais nada

O vento virou de repente
arrancou nossos cabelos
enquanto caíam os dentes
perdeu toda a simplicidade
murchou a flor da idade

Por isso, parceiro, te digo
serás sempre caro, amigo
mas agora o que importa
é a segurança no abrigo
passar a chave na porta

Agora eu não sonho mais
nem quero olhar para trás
desisti daquelas promessas
e hoje procuro às avessas
outro conceito de paz

O mundo é carga pesada
e a vida levada na marra
banal e tão desfilosofada
ninguém ouve tua guitarra
nem mesmo remasterizada

Mas resta alguma saudade
entre o desejo e o lamento
escuto o murmúrio do vento
cantando aquela verdade
que foi esquecida no tempo.

Wasil Sacharuk

 

E, no Tempo de Dhenova, a plena magia curativa em sua ação divina:

Oh! Tempo

O tempo destrói e constrói
É a partir do tempo
A visão real do mundo
Oh! Tempo
É tempo de mudança
É tempo de felicidade
É tempo de amor
É tempo de mudar
Oh! Tempo
Só o tempo que pode curar
É só ele que pode mudar
É só dele a responsabilidade de todas as coisas
Não há grande amor para o tempo
Ele apaga lembranças
Ele destrói ilusões
Mas constrói um mundo novo
Oh! Tempo

Oh! Tempo
Meu e teu
Nosso
É do tempo a responsabilidade de todas as coisas
Acabou-se o tempo
Oh! Tempo
Chegou ao fim
Um novo começo
Melhor que antes
Graças ao tempo...
É do tempo a responsabilidade de todas as coisas...
O tempo destrói e constrói
É a partir do tempo
A visão real do mundo
Oh! Tempo

É tempo de mudança
É tempo de felicidade
É tempo de amor
É tempo de mudar
Oh! Tempo

Só o tempo que pode curar
É só ele que pode mudar
É só dele a responsabilidade de todas as coisas
Não há grande amor para o tempo
Ele apaga lembranças
Ele destrói ilusões
Mas constrói um mundo novo
Oh! Tempo
Meu e teu
Nosso
É do tempo a responsabilidade de todas as coisas
Acabou-se o tempo
Oh! Tempo
Chegou ao fim
Um novo começo
Melhor que antes
Graças ao tempo...
É do tempo a responsabilidade de todas as coisas...

Oh! Tempo
Meu e teu
Nosso
É do tempo a responsabilidade de todas as coisas
Acabou-se o tempo

Dhenova

Então, te desafio a gerar mais um rebento, acerca do Tempo.

 

Wasil Sacharuk


Envie seu poema para academiadodiscurso@gmail.com até o dia 05 de julho de 2011.

Boas inspirações!

4ª rodada - "Sinestesia na Poesia"

Sinestesia na Poesia

Sinestesia (do grego συναισθησία, συν- (syn-) "união" ou "junção" e -αισθησία (-esthesia) "sensação") é a relação de planos sensoriais diferentes: Por exemplo, o gosto com o cheiro, ou a visão com o olfato. O termo é usado para descrever uma figura de linguagem e uma série de fenômenos provocados por uma condição neurológica.
Sinestesia é uma figura de estilo ou semântica que designa a união ou junção de planos sensoriais diferentes.

Sinestesia e cinestesia

Há certa confusão em relação aos termos cinestesia e sinestesia: o primeiro termo refere-se ao sentido muscular, a um conjunto de sensações que nos permite a percepção dos movimentos (Michaelis, 1998); o segundo termo refere-se a uma sensação secundária que acompanha uma percepção, ou seja, uma sensação em um lugar originária de um estímulo proveniente de um estímulo de outro (Michaelis, 1998 e Dorsch, 1976). Portanto, é importante termos em mente que o termo sinestesia empregado neste trabalho não se restringe à percepção do movimento e suas propriedades (peso e posição dos membros), mas engloba um conjunto geral de percepções e sensações interligadas por processos sensoriais.


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

------------------------------------

CHEGADA

Sinto seu cheiro, vindo,
Invadindo minhas narinas
Envolvendo-me
Num bálsamo de amor insano

Seus olhos me perseguem
Lindos, penetrantes.
Querendo enxergar
Além de minha alma

Minha boca pressente seu beijo
Desejando-o infinitamente
Longo, úmido, quente.
Sem pressa

Suas mãos vêm conferir.
Parte por parte
O que sabe que já que é seu
Toca, aperta, sente.

Meu corpo...
Já pronto para te receber
Espera-te com ânsia
Com a volúpia dos apaixonados

A distância já não nos impede
Nada mais nos impede
Seremos dois corpos
Entregues a um único desejo

k.chiabotto

----------------------

A provocação:

Escreva um poema com apelo sinestésico e envie para academiadodiscurso@gmail.com até o dia 28 de junho de 2011.

Boas inspirações!

15 de jun de 2011

2ª rodada - Rio do Tempo

Rio do Tempo

Sinuosidade a correr
Caudaloso, intenso.
Vertente margeia
Intensidade perene.
Rio grande, rio do tempo,
Temperamental desafio;
Transbordante
Avançando no eito,
Transpondo margem
E leito
Feito onda de mar.
Enchente
Enxurrada
Rio invasivo
Evasivo
Rompendo divisas
Correndo, correndo
Escorrendo
Dos montes
Alastrando em meus olhos
Irrompendo no peito
Vazante que jorra
Intempestivamente
E chora
Rio-abaixo,
À beira, à margem
Da vida que vagueia
Rio intenso,
Rio vivo
Rio lento
Serpenteante
Rio do tempo.

Ângelus Condor

2ª rodada - Então... calo.

Então... calo.

Peço-lhe a mão
para atravessar a ponte
arames farpados
perpassam o quarto
formando imagens

grito muda um 'não'
quando o vejo distante
olhar no chão
rosto delineado pela janela
forma ângulos estranhos
triângulos, em pequenos losangos

percebo a solidão
que o faz ser tão belo
penso em quanto o amo
venero
calo-me então
nego, gracejo, coopero...

invade-me seu falo novamente
unhas cravadas nas costas
mais rápido, quase indecente
goza em jatos, dentro,
com pressa, raiva
sinto medo, e calo...


frio na barriga, ventre exposto
você me olha, veste a roupa
abre a porta
deixa o metal na mesa
vai embora
eu fico presa
sem recomeço, apenas este:
ser sua puta, quando queiras.

Flor de Laranjeira

2ª rodada - Violões Enluarados

Violões enluarados

Claros violões enluarados
em aveludadas vozes
recolhem suaves fios de lágrimas
nos olhos da amada

Cantam com a alma
seu doce timbre de serenata
e as palavras felizes povoam
os cantos silentes da casa

Raros violões enluarados
ainda incitam romances
na dança dos ágeis dedos,
ainda tocam corações plenos
e espalham enlevos no vento.

- Lamentos de amor e sonhos -


A voz do vento

2ª rodada - Resposta, bem posta de um início

Resposta, bem posta de um início

Tudo que te entrego, são bens invioláveis
Do mais puro e ininterrupto amor crescente

Tudo que te ofereço, oferto, lhe entrego assim
Puro, casto e desmedido... Refaço de um calor sem fim

Tudo! São nada perante e ante, tamanha ilíada
Na celeuma de teu gozo, que tanto gozo, morro!

No ato, recomponho, dou-lhe trato
Igual contrato, eu te concedo
O teu mancebo és o teu homem
Para todo o sempre

E o que me pedes
Já te entreguei
Dei-lhe momento, vida, céu, vento e mar
Dei-lhe essência, amor, eternidade, suor e ar
Nada mais do que respostas, bem postas
Somente amar!

Se, merece, ou paga o preço
Vou confessar
Unicamente a desmereço
Por te cobrar!

Maquiavel

2ª rodada - Um Deleite

Um deleite

Gosto de sentir
Seu cheiro fresco
Perfumando o ar
Seu contorno é assimétrico
Só ressalta sua beleza
É verde brilhante
Comida a mordidas
A sensação arenosa
Derretendo na língua
Seu suco saciando a sede
Invadindo a boca
Misturando-se com a saliva
Numa verdadeira epifania
Sua tez é lisa, macia
Feito esmeralda reluzente
É sempre promessa de delícia
Despertando na gente
Com seu brilho singelo
Os desejos mais secretos

Campos & Espaço

2ª rodada - Eternidade da Palavra

Eternidade da palavra

É surreal! Assim como a vida
Inspiração imaculada, poesias e uni versos
Abarcando campos, lagos e hipotéticas estórias
Curando cortes, desenhando e apagando feridas.

Sento-me a beira de um alto precipício
O crepúsculo gentilmente e sempre me acompanha
Pego o bloco, meu ofício de um todo fictício
Delineado, não há política tampouco barganha.

Inteligência não é democrática, nem deve ser
A pura verve, que nos toca o ser
Tornar-se-á estática e criação

Ao surgir de uma bela ave avermelhada
Remeteu-me a uma estrada, inventiva jornada
Que de pés descalços, sou um sheik, menino ou ancião.

Tony Montana

8 de jun de 2011

1ª rodada - Só de Ida

Só de ida

Crianças berram na rua
há pouco foram os meus
paredes brancas e sozinha
fiz da pista o adeus

Da janela do abrigo
vejo carros e pessoas
sol quase a pino
muito tráfego, som ressoa

bate firme no ouvido
lembra a avenida
céu escuro, salto alto
ganhava vida no asfalto

cabine de caminhão
mãos fedidas, contramão
quantos abortos
violência, pé no chão
clientes nada alegres
numa fila, mais moleques
ficando com outros

Olhos no vidro
morena desce a calçada
parece minha Amália
menina doce, hoje grisalha
fez do beijo a navalha
do desejo vala rasa
anseio cor de carne
e se foi num piscar...

Perdi a ilusão
para a danada vida
perdi-me em vícios
nunca fiz sacrifícios
hoje espero passiva
viagem só de ida.

Flor de Laranjeira

1ª rodada - Aquela Mulher

AQUELA MULHER

AQUELA MULHER
DE OLHAR SEMPRE ÚMIDO
QUE CARREGA CONSIGO
UM SORRISO ESCONDIDO
A ALMA VAZIA
UM PEITO EM CHAMAS.

AQUELA MULHER
CANSADA E SOFRIDA
DE CABELOS GRISALHOS
AVANÇA COM O TEMPO
LEVA NOS OMBROS
O PESO DOS ANOS
VIVE OS MOMENTOS
QUE O DESTINO LHE TRAZ.

AQUELA MULHER
DE OUTRORA TÃO JOVEM
DE CARNES MACIAS
TÃO CHEIA DE GRAÇA
DE VIDA E BELEZA
SE PERDE AGORA
NOS SEUS DEVANEIOS
NOS DIAS QUE CHEGAM.

AQUELA MULHER
DE TANTAS MAIS UMA
QUE OTEMPO NÃO PERDOA
LEVA A JUVENTUDE
MURCHA A FLOR
DEIXA A CERTEZA
QUE OS ANOS PASSADOS
SE PERDEM AO LONGE
E O PRESENTE MOMENTO
É A CERTEZA QUE O FIM
É QUESTÃO APENAS  DE ESPERA.


CARMINHA

1ª rodada - A Melhor Idade

A Melhor Idade



A natureza nos contempla

Seu presente é a vida

É preciso viver

Para  encontrar

O passado nos prepara

O presente nos confronta

Na prova do momento

O futuro é um enigma

Na crença do amanhã

A jornada é ilusionista

Percorremos trilhas,  caminhos

O destino, conhecimento

Se conhecer sem hipocrisia

Viver o cotidiano intensamente

No raiar de cada dia

Pois  finalmente compreendemos

A finitude do instante



 Campos & Espaço

1ª rodada - O que esperar?

O que esperar?

O que me espera a melhor idade?
Um dia eu chegar a tê-lo
A beleza não importa
Eu quero uma porta
Abrir, viver, fechar
Sei que um dia, desaparece
Fenece?

O que me espera os conflitos?
Um dia saber que os tive
E não foi só perfeição
Foram enganos da vida
Vencidas ou não
Eu quero conflitos
Rugas e imperfeição

Tenho medo do espelho
Não reflete o que sou
Apenas uma imagem vazia
Rosto que o tempo ditou
Do absurdo tremendo
Que a vida nos faz destinar
Qual beleza não há?

Tenho uma grande estima
Dos diversos problemas
Para mim, são destinos
Nunca são desatinos
Das vivências, dos medos
Das lutas, dos anseios
Meus conflitos, meus meios

Só vivendo, aprendendo
Sofrendo!
E todo nosso conflito, reflete
A beleza de nossa caminhada
E toda nossa ruga, testemunhos
De nossos melhores momentos
Dos piores e de toda nossa
Jornada.

Maquiavel

1ª rodada - A Melhor Idade

Melhor Idade


Meu objetivo é viver o eterno, ser um ser sincero, de caráter e cultura
Cuja incumbência é respeitar o mais velho, o que um dia serei, uma nuvem alta e pura.
Viver e ali estar, ancião com decência, negar decadência, moribundo jamais!
Minha idade nunca é sacrifício, labuta e prazer, escaladas, pedreiras.
Correndo a passos calmos, almejando horizontes, bebendo em fontes
Meu “metier”.




Fontes estas, sempre de águas límpidas, meu banho.
Ensinando e aprendendo, indo ao monte, monge e aprendiz.
E vivo um “déjà vu” sem fim, pais e avós, conduzindo o rebanho.
Sobrevivendo a um triz, driblando problemas, lendo poemas, nesse papel.
Palavras voando, que ficaram velhas, papiros borrados, entram pelas janelas
Do velho menestrel.


Tony Montana

1ª rodada - Variações do Tempo

Variações do tempo

O tempo escorre nas têmporas
E a inocência vai cedendo lugar
Às certezas inconvenientes

Os dias festivos e ingênuos
Permanecem na memória
A mostrar o quão brutos
                   [nos tornamos

Aventureiros sem medos
Desbravamos emaranhados
Enfrentamos mistérios
                     [e sortilégios
Negamos nossa fragilidade
Encaramos a morte
Sem crê-la possível

Mas, viver! Só agora.
Não por medo da proximidade
De um possível final
Não pela ameaça,
Que, desavisados, sempre
Fora iminente,
Desde os tempos pueris

Agora sim, é tempo da felicidade
Almejada,
Tempo de fazer os gostos
E viver, enfim, pra si mesmo
Resgatando nas lembranças
As alegrias da vida que passa
E vivendo dia a dia
As possíveis alegrias
Que ainda, assim, nos arrasta!


Ângelus Condor

1ª rodada - Sereníssimo Tempo

SERENÍSSIMO TEMPO

Diante do espelho,
percebo o beijo do tempo
em minha face marcada.

Tantas águas rolaram
na longa estrada, nos meus silêncios
que as tristezas ficaram para trás,
mudas
na masmorra do esquecimento.

Hoje, na melhor idade,
sou-me bela por fora e por dentro;
encaro o mundo de frente
e, de peito aberto, acredito
nos eternos conselhos do vento.

Acolho serena a mesma brevidade das flores,
a mesma certeza das cores mutáveis
numa verdade suave que me vem em sonhos e preces.

E ainda que ressurjam reveses,
contratempos,
já não choro nem grito
pois sinto Deus a acalmar as lágrimas da alma
enquanto aguardo a paz da eternidade.

A VOZ DO VENTO

4 de jun de 2011

3ª Rodada - “Poesia do Cotidiano”

CARACTERÍSTICAS DA LITERATURA MODERNISTA

INCORPORAÇÃO DO COTIDIANO

Uma das maiores conquistas do modernismo, a valorização da vida cotidiana traz para a arte uma abertura temática sem precedentes, pois, até então, apenas assuntos "sublimes" tinham direito indiscutível ao mundo literário. Agora, o prosaico, o diário, o grosseiro, o vulgar, o resíduo e o lixo tornam-se os motivos centrais da nova estética. À grandiosidade da paisagem, Manuel Bandeira sobrepõe a humildade do beco:

Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
- O que eu vejo é o beco.

Mário Quintana afirma, em um de seus curtos poemas em prosa, que "os verdadeiros poetas não lêem os outros poetas e sim os pequenos anúncios dos jornais", porque certamente nestes classificados pululam os dramas mais banais e os interesses mais comuns da humanidade.

A aventura do cotidiano leva o artista a romper com os esquemas de vida burguesa. Ele descobre o folclórico e o popular, elementos dos quais se apropriará, muitas vezes indevidamente. Acima de tudo, o artista está consciente de que todos os objetos podem se tornar literários.

Sergius Gonzaga
http://educaterra.terra.com.br/literatura/modernismo/modernismo_12.htm

--------------------

No morro e no asfalto

A fadiga companheira já sabe de cor o rumo
Desta escada moribunda que todo dia nos leva
Cedo, esperança no sol, noite só medo da treva
A escada é a fronteira, embora feita sem prumo.

Separa a vida do asfalto, do dinheiro sofrido
Para onde me despenco na rotina do trabalho
E para cima a canseira nesta vida sem atalho
No barraco feito de zinco e piso de chão batido.

Sou esta mulher do povo, cheia de teima e garra
Mãe de filhos pouco vistos, criados a farinha e marra
Que no sobe e desce eterno espera melhores dias

Sou parte integrante dos degraus da escadaria
Onde meus pensamentos alinhavam uma história
Criada no limo do cimento e nos desvãos da memória.

Marisa Schmidt

---------------------
A provocação:

Escreva um poema que evidencie a inclusão do eu-lírico no cotidiano.

Envie o poema finalizado até o dia 18 de junho para academiadodiscurso@gmail.com

Boas inspírações!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...