Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

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8 de jun de 2011

1ª rodada - Só de Ida

Só de ida

Crianças berram na rua
há pouco foram os meus
paredes brancas e sozinha
fiz da pista o adeus

Da janela do abrigo
vejo carros e pessoas
sol quase a pino
muito tráfego, som ressoa

bate firme no ouvido
lembra a avenida
céu escuro, salto alto
ganhava vida no asfalto

cabine de caminhão
mãos fedidas, contramão
quantos abortos
violência, pé no chão
clientes nada alegres
numa fila, mais moleques
ficando com outros

Olhos no vidro
morena desce a calçada
parece minha Amália
menina doce, hoje grisalha
fez do beijo a navalha
do desejo vala rasa
anseio cor de carne
e se foi num piscar...

Perdi a ilusão
para a danada vida
perdi-me em vícios
nunca fiz sacrifícios
hoje espero passiva
viagem só de ida.

Flor de Laranjeira

3 comentários:

  1. : “Só de ida” merece a nota 5 não só pela bela metáfora da morte a qual se consagra. Ele comove porque consegue, pouco a pouco, nos conduzir pela temporalidade de um percurso vivido, desde o começo, na tenra infância dos “berros” e gritos do infans de colo, passando melas meninices e molecagens, pelas descobertas adolescentes, o amor maduro, o amadurecimento do corpo...até a desilusão consciente de um destino certo traçado rumo ao fim. Parabéns, “Flor de Laranjeira”.
    Luciana Del Nero.

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  2. Comentário: Interessante a personagem deste poema, que conforme entendi é uma velha prostituta de beira de estrada. A narrativa mostra com clareza as memórias e a dureza das suas escolhas e nenhum arrependimento. A forma foi se modificando no decorrer do andamento, mas mesmo assim trouxe uma leitura fácil. Gostei do conteúdo e do título que é instigante também como fechamento .Só não ficou claro para mim quem é a Amália do quinto verso, mas isso não vem ao caso; é só curiosidade de leitora...
    Minha nota é 4,5.

    Marisa Schmidt

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  3. Flor de Laranjeira,
    gostei da sonoridade do poema, sou fã dos poemas narrativos, quando as histórias são bem conduzidas as ideias surgem em imagens e me apaixono pelos enredos.
    Vi uma prostituta fazendo uma retrospectiva da miserável vida. Gosto da poesia intimista, faz minha cabeça. Todavia, achei a penúltima estrofe um tanto fora da ideia, algo novo não explicado... ainda assim, muito bom. Nota: 4,0.

    Dhenova

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