Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

8 de jun de 2011

1ª rodada - Variações do Tempo

Variações do tempo

O tempo escorre nas têmporas
E a inocência vai cedendo lugar
Às certezas inconvenientes

Os dias festivos e ingênuos
Permanecem na memória
A mostrar o quão brutos
                   [nos tornamos

Aventureiros sem medos
Desbravamos emaranhados
Enfrentamos mistérios
                     [e sortilégios
Negamos nossa fragilidade
Encaramos a morte
Sem crê-la possível

Mas, viver! Só agora.
Não por medo da proximidade
De um possível final
Não pela ameaça,
Que, desavisados, sempre
Fora iminente,
Desde os tempos pueris

Agora sim, é tempo da felicidade
Almejada,
Tempo de fazer os gostos
E viver, enfim, pra si mesmo
Resgatando nas lembranças
As alegrias da vida que passa
E vivendo dia a dia
As possíveis alegrias
Que ainda, assim, nos arrasta!


Ângelus Condor

3 comentários:

  1. ‘Ângelus’, teu poema tem um tom comovente, incisivo, vai demarcando, delineando o caminho para o leitor, é um belo poema. O tema é tratado com primor, num ritmo cadenciado, que emociona.
    Trago na minha leitura as palavras de um orientador da minha especialização que foi sensacional, ele dizia ‘uma boa narrativa é aquela que faz o leitor sonhar’ e ressaltava que para sonhar o leitor não poderia ‘acordar’ deste sonho, seja pelo motivo que fosse: um erro de ortografia, um período que começasse e não terminasse, um problema de coesão, trago isto nas minhas leituras desde então... no último verso do teu poema eu ‘acordei’, acho que o ‘tempo’ é que nos ‘arrasta’, mas confesso que tive que ler outra vez...
    No geral, um ótimo poema. Nota: 4,5

    Dhenova

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  2. o fato de tê-lo escrito em terceira pessoa rouba a força da mensagem. Isso confere uma abordagem mais formal para um conteúdo que clama por ser conduzido com intimidade. Ficou distante do leitor. Ainda assim, demonstra domínio, emplaca argumentos e imagens muito interessantes, portanto, merece 4,5.

    wasil sacharuk

    ResponderExcluir
  3. Ângelus Condor

    Encontrei nesse poema as palavras exatas para o tema proposto.

    "Os dias festivos ingênuos. Permanecem na memória.A mostrar o quão brutos [nos tornamos"

    Gostei demais!

    Parabéns.

    Regina cnl

    ResponderExcluir

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