Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

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19 de jun de 2011

5ª rodada - “O Tempo”

De todos esses deuses habitantes do mundo, talvez alguns superem o mito, no entanto, o único deus evidente é o Tempo. Ele compõe a tríade das indeléveis divindades junto ao Amor e a Palavra.
E o Tempo há muito reside no Templo da Poesia para servir à Musa Verve.
Desse amor implacável, da Musa rebentam crias tantas que trazem em si a gênese da surpresa. Daí o Tempo se faz deus eterno. Sempre presente e por diferentes razões. O tempo é a esteira das criações.

Na esteira encontrei um "tempo metafísico", da poetisa Marisa Schmidt:

CONFRONTAÇÃO

Ah, o tempo cruel profeta
Deu ao moço ser poeta
Deu ao homem ser mortal
Essa certeza, afinal
Põe o poeta a pensar
Se haverá tempo pra amar
Ainda e tanto e tantas...
Na alma leva a esperança
Mas carrega a tristeza no olhar...

Marisa Schmidt

 

E ainda, o Tempo que fecunda o solo da solidão, no poema de Kelly Chiabotto:

Hora do adeus

Há de ser essa, a hora do adeus,
Assim, sem lágrimas, sem olhares,
Sem passos indecisos, sem meias palavras?

Há de ser esse o tempo em que a semente
Da saudade começa a germinar tão ferozmente
Que sufoca as sementes da esperança?

Há de ser esse o momento da solidão
Da reclusão, do ostracismo?

Hei então de fechar-me em mim mesma
Caracoleando minhas dores embebidas
Nas lágrimas dessa hora de adeus...

k.chiabotto

 

Luciana Del Nero criou uma magistral imagem daquele Tempo tombado no passado, porém, presente no presente:

Passado surrado

A nossa rotina é tecida
do mais gasto algodão surrado,
velho e amassado,
enxovalhado e amarelecido

E, na tarde tingida de sono,
(cheirando a abandono)
convoco o árduo trabalho
de guardar o passado

Lembrando de tudo
o que poderia ter sido
segue o castigo que maltrata
Na ingrata hora que não passa.

Luciana Del Nero

 

No meu poema, o Tempo sentiu saudades de si:

Desisti de ver o céu, Bob

Bob, as velhas cruzadas
foram partilha de estradas
doce esteio de poesia
nosso norte era o dia
da consciência iluminada

Tua voz viajou na lufada
encheu minha vida vazia
sem culpa e de alma nua
escriba de versos na lua
não carecia mais nada

O vento virou de repente
arrancou nossos cabelos
enquanto caíam os dentes
perdeu toda a simplicidade
murchou a flor da idade

Por isso, parceiro, te digo
serás sempre caro, amigo
mas agora o que importa
é a segurança no abrigo
passar a chave na porta

Agora eu não sonho mais
nem quero olhar para trás
desisti daquelas promessas
e hoje procuro às avessas
outro conceito de paz

O mundo é carga pesada
e a vida levada na marra
banal e tão desfilosofada
ninguém ouve tua guitarra
nem mesmo remasterizada

Mas resta alguma saudade
entre o desejo e o lamento
escuto o murmúrio do vento
cantando aquela verdade
que foi esquecida no tempo.

Wasil Sacharuk

 

E, no Tempo de Dhenova, a plena magia curativa em sua ação divina:

Oh! Tempo

O tempo destrói e constrói
É a partir do tempo
A visão real do mundo
Oh! Tempo
É tempo de mudança
É tempo de felicidade
É tempo de amor
É tempo de mudar
Oh! Tempo
Só o tempo que pode curar
É só ele que pode mudar
É só dele a responsabilidade de todas as coisas
Não há grande amor para o tempo
Ele apaga lembranças
Ele destrói ilusões
Mas constrói um mundo novo
Oh! Tempo

Oh! Tempo
Meu e teu
Nosso
É do tempo a responsabilidade de todas as coisas
Acabou-se o tempo
Oh! Tempo
Chegou ao fim
Um novo começo
Melhor que antes
Graças ao tempo...
É do tempo a responsabilidade de todas as coisas...
O tempo destrói e constrói
É a partir do tempo
A visão real do mundo
Oh! Tempo

É tempo de mudança
É tempo de felicidade
É tempo de amor
É tempo de mudar
Oh! Tempo

Só o tempo que pode curar
É só ele que pode mudar
É só dele a responsabilidade de todas as coisas
Não há grande amor para o tempo
Ele apaga lembranças
Ele destrói ilusões
Mas constrói um mundo novo
Oh! Tempo
Meu e teu
Nosso
É do tempo a responsabilidade de todas as coisas
Acabou-se o tempo
Oh! Tempo
Chegou ao fim
Um novo começo
Melhor que antes
Graças ao tempo...
É do tempo a responsabilidade de todas as coisas...

Oh! Tempo
Meu e teu
Nosso
É do tempo a responsabilidade de todas as coisas
Acabou-se o tempo

Dhenova

Então, te desafio a gerar mais um rebento, acerca do Tempo.

 

Wasil Sacharuk


Envie seu poema para academiadodiscurso@gmail.com até o dia 05 de julho de 2011.

Boas inspirações!

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