Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

17 de jul de 2011

6ª rodada - Na trilha de Carlos

Na trilha de Carlos

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
e outra e outra e mais outra...
Formações rochosas
Obstáculos, montanhas
Paredões intransponíveis
em todas as direções
O tempo urge, pressiona
Prende, entumece
A vida é dura
Pálida, sem cor, emudece
Não suporto mais as amarras
Do compromisso
Não aguento mais a hipocrisia mundana
Liberdade é o que eu quero!
Transgrido essa vida insana
Derreto meus relógios
Na tela de Dali
Corro em busca do tempo perdido
Desejo desesperadamente
A surpresa do inesperado
e as ilusões à toa

Campos & Espaço

5 comentários:

  1. Campos & Espaço conseguiu atingir bem o objetivo proposto, desde o título que usa o prenome do autor do texto que usará como escora, além de desenvolver belamente seu poema.Nele há boas imagens que mostram com clareza alguém farto da vida “medida” que tem levado.

    O poema me agradou bastante, mas faltou aqui uma revisão levando o autor a errar a palavra intumesce, o que é uma pena.

    Minha nota é 3,75

    Marisa Schmidt

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  2. Campo&Espaço

    Não suporto mais as amarras do compromisso.

    Não aguento mais a hipocrisia mundana. O tempo urge pressiona.

    Gostei muito! Liberdade é o que eu quero!

    Parabéns

    Regina cnl

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  3. A meu ver, Campos & espaço constrói três paródias em seu texto. A primeira, e mais evidente, é o poema No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade. Mas há também a imagem de A Persistência da Memória, tela pintada por Salvador Dali em 1931 na qual diversos relógios derretidos são colocados em evidência. O autor oficineiro parece brincar com as referências que adota. Além das já citadas, ele se utiliza da imagem do tempo que se esvai (evocada pela tela de Dali) para nos interpelar com uma das obras mais célebres de Marcel Proust, Em busca do tempo perdido. Esse encontro inusitado me agradou, proporcionando aos leitores um bom exemplo de intertextualidade. Nota: 5. Luciana Del Nero.

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  4. Tenho certa tendência a não gostar de poemas escritos em um único bloco, pois a leitura sem pausa confere um ritmo alucinante ao poema, que nem sempre é cabível. Contudo, gostei muito de "Na trilha de Carlos", pois a sonoridade foi muito bem disposta e não tornou a leitura ofegante e nem cansativa.
    Um belo poema, decerto

    nota 4,7

    aproveito para parabenizar o oficineiro pelo desempenho e convidá-lo para continuar conosco na 3ªOficina.

    grande abraço

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  5. Campos&Espaço, gostei do todo, do ritmo impresso, da emoção que passam os versos... um fluxo poético... quebraria o poema em estrofes, sem prejudicar o ritmo alucinante.

    Nota: 4,5

    Dhenova

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