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17 de jul de 2011

6ª rodada - Outras Confidências

Outras Confidências

Não sou funcionário público,
Tampouco tive gado, ouro e fazenda.
Na parede, nenhum retrato
Resgata-me da profusão sentimental
A inflar saudades em meu peito.

Vivo submerso em sonhos e retalhos,
histórias e improvisos;
a tristeza aqui dentro instalada
é amálgama de ferro corroído.

Se eu trouxesse todas as prendas exemplares,
Todas as notas de canções já esquecidas
Transmutava essa tristeza descerrada
Em completa explosão de alegria,

Mas, por hábito, abracei o sofrimento,
isolado mergulhando em noites brancas,
de outros tempos da vida erigi lembranças
que se esvaem simplesmente em contradança

De tão porosa a alma está incomunicável,
ferido o orgulho
maquiado qual ferrugem
de tanta mágoa
me encerro em outra pauta
escrita apenas da alegria que em falta.

Angelus Condor

5 comentários:

  1. Gostei muito do poema “Outras confidências” por fazer paralelo com o poema do Carlos Drummond de Andrade “Confidências”.

    O texto ficou intimista e imagético. Creio que Ângelus Condor atingiu muito bem o proposto e concluiu belamente sua participação.Parabéns!

    Minha nota é 5,0

    Marisa Schmidt

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  2. Ângelo Condor

    Senti que já li e reli esse poema várias vezes em citações de Carlos Drummond de Andrade.

    Portanto não posso opinar sobre cópia de outro autor.

    Regina cnl

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  3. Angelus Condor escolhe um poema do mestre Carlos Drummond de Andrade como o seu ponto de partida. Utilizado como texto que embasa “Outras Confidências”, o poema “Confidência do Itabirano” é de fato lido nas entrelinhas. Tomo a liberdade de transcrevê-lo, no intuito de favorecer que os leitores que o desconhecem finalmente o conheçam, para que então possam perceber este belo exemplo de intertextualidade, bem sucedida porque simplesmente comoveu o leitor. Para Angelus Condor, dou a nota 5. Luciana Del Nero.

    Confidência do Itabirano – Carlos Drummond de Andrade

    Alguns anos vivi em Itabira.
    Principalmente nasci em Itabira.
    Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
    Noventa por cento de ferro nas calçadas.
    Oitenta por cento de ferro nas almas.
    E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
    A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
    vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
    E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
    é doce herança itabirana.
    De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
    esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
    este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
    este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
    este orgulho, esta cabeça baixa...
    Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
    Hoje sou funcionário público.
    Itabira é apenas uma fotografia na parede.
    Mas como dói!

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  4. Belíssimo poema. Uma obra caprichada e encantadora. Nota 5

    Aproveito para parabenizar o poeta pela grande atuação e convidá-lo para continuar conosco na terceira oficina.

    grande abraço

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