Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

17 de jul de 2011

6ª rodada - Pronto nasceu!

"No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia Tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamara de Macunaíma" Mario de Andrade

Pronto nasceu!

Macunaíma, herói de nossa gente?
paradigma do melhor da boca suja
feio, sem caráter e “preto” ressoado
preguiçoso sempre foi e nunca plangente

Ai que preguiça! Filho da “valentia”
sua bravata era tanta, que logo gabava
caçava saúva, matava tardia
filho do medo da noite, sua coragem “cagava”

Pariu “bonito”... Tão lindo quanto à noite
e o medo aplacava o silêncio sepulcral
Uraricoera, a índia, gritara! Pariu o Mal
bem! Macunaíma, herói sem ser normal

Sua meninice foi uma grande moleza
xingava e “trepava”, em cima da rede
sonhando imoralidade, falando besteira
sua grande destreza era o vintém! Sua sede

Quem diria que a noite, um dia pariu
a criança mais “bela”, e logo partiu se uniu
no alto da grande e imponente lua adiante
sua luz alumia a estrela maior e pujante

Maquiavel

5 comentários:

  1. Não entendi que no poema “Pronto, nasceu!”, tenha havido uma intertextualidade.Para mim, o poema reconta a mesma história de Macunaíma; não usa o texto original, ou parte dele como inspiração, apenas dá um (re) toque pessoal ao nascimento daquele que ironicamente foi chamado herói nacional pelo grande Mario de Andrade. Não atingiu a proposta e tampouco me agradou o poema.

    Minha nota é 2,5

    Marisa Schmidt

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  2. Maquiavel

    Um belo poema tirado de nossas lendas e estórias brasileiras.

    Como leitora gosto de Mario de Andrade. Mas, não senti novidade na sua maneira de contar essa lenda.

    Valeu mesmo assim...

    Parabéns

    Regina cnl

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  3. Gostei bastante do texto de Maquiavel. O título captura o leitor de imediato, pois bastaria uma vírgula (que o leitor acaba imaginando) para que o duplo sentido da escolha de palavras aflore. Afinal, se por um lado a expressão “Pronto nasceu!” dá margem para que pensemos no nascimento de um ser que vem ao mundo “já pronto”, por outro lado, “Pronto, nasceu!” evoca a finalização de um parto pelo qual já se esperava, que finalmente acontece. Além disso, há passagens muito bem construídas no poema. Todavia, apesar da referência explícita à obra de Mário de Andrade, não estou certa se o autor oficineiro foi de fato bem sucedido no que diz respeito ao desafio de parodiar a história de Macunaíma, restando a questão, em aberto, se podemos considerar a ocorrência de uma intertextualidade. Nota: 3,9.

    Luciana Del Nero.

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  4. O ritmo ficou muito bom e a escolha do léxico muito agradável. Um poema de leitura fácil. Contudo, pareceu apenas Macumaíma recontado. Faltou algo mais, como a ousadia de esplorar anseios e reações da personagem ou recriá-la com base no texto de Mário de Andrade. Assim, o texto é bom, mas não trouxe uma novidade.

    nota 4

    wasil sacharuk

    aproveito para convidar o poema para a terceira oficina e parabenizá-lo pela excelente participação

    grande abraço

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  5. Maquiavel, achei bem interessante o diálogo sobre Macunaíma... embora tenha esperado um pouquinho mais de lirismo. No todo, daria uma olhadinha na pontuação...
    Nota: 3,5

    Dhenova

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