Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

9 de out de 2011

3ªOficina - 1ªrodada - As velas (ainda) estão acesas

As velas (ainda) estão acesas

No canto da sala paira o silencio
Reflexo sem retoques de uma realidade
Invade o ambiente o censo de beligerância
Enquanto flexos olhos procuram as verdades

Muitas bocas a movimentarem-se sem falas
Roucas como outras ao qual o som não alcança
Lança-se um rosário de profundo intimismo
Ressaltando-se o lirismo apesar do ambiente sepulcral

Um ar de compreensão incompreendida se confunde
Urde a macula de um ambiente até então imaculado
Procuram-se vestígios de tal sonora balburdia
Encontrando-se apenas o soturno em silencio floreado

Abraçam-se almas a rodopiarem neste ambiente
Cujas auras se magnetizam e se emanam em flores
Olhares arregalados e estupefatos dialogam em murmúrio
Tornando ainda maior a balbucia silenciosa no entorno

Emergem os anjos Querubins e Serafins
Contemplam este baile encantado soberano
Emanam os livores em suas cores pálidas
Embalam mais do que dialogo neste silencio, desamores

Mais que sorrindo se divertindo, entre todos
Rolam-se os tolos a parar na vala da ignorância
E em abundancia proclamam-se os valores
Nos ardores da paixão que a tudo já não alcança

Libertem-se o sorriso silencioso em seu tempo
A gargalhada explicita inibida se encontra amarga, vazia
Desenterrem a alegria e o dialogo enquanto há tempo
De resto só rezando contra este silencio tirânico, sem magia.

Breno Galtieri

4 comentários:

  1. Breno Galtieri

    A temática ficou muito bem tecida, com grande domínio linguístico que nunca incorre em prolixidade.

    O poema poderia ser bem mais enxuto, bem como os versos, sem prejuízo à mensagem. Algumas passagens me pareceram dispensáveis e, por fim, tornaram o poema muito grande.

    Eu compartilho dessa tendência contemporânea de gostar de textos mais sintéticos que interagem mais com as leituras. Assim, não fui favorável à extensão do poema.

    Na primeira estrofe, a palavra "censo" me pareceu não apropriada.

    A ideia é muito boa e foi conduzida com coerência, mas a ambientação tendeu ao exagero.

    nota 3,5

    grande abraço

    Wasil Sacharuk

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  2. Lembrou-me uma mistura de arcadismo com simbolismo: manteve-se a pujância do início ao fim, com meandros de léxico esmerilhado. Resumindo... ficou legal.

    Mas aí ficam a dúvidas:

    O leitor comum teria fôlego para completar a leitura do extenso poema?
    Conseguiria ele (o leitor) acompanhar a beleza dos versos sem recorrer aos dicionários a cada nova palavra catedrática- beligerância, flexos,livores...- e afeiçoando-se ao ritmo?

    Gostei do poema, mas, sinceramente, acho que ficaria com ares atuais se ele fosse escrito de forma enxuta e com menos palavras desconhecidas ao público comum.

    nota 2,8

    Rogério Germani

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  3. O poema, no todo, é de uma plasticidade ímpar. Há lirismo do início ao fim. O tema é alcançado com facilidade. Não gostei da extensão do poema (ficou muito longo) e também acredito que algumas palavrinhas devam ser corrigidas, principalmente no que toca a acentuação (silêncio, diálogo)
    Bom poema. Nota: 3,8

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  4. Difícil se manifestar ao topar-me com tal exposição.
    Segundo verso tem clareza e boa exposição, assim como o quarto.
    Diria o mesmo do quinto, exceto a palavra solta: desamor.
    Ao restante me posiciono com visão infeliz, com busca de termos pouco usados.

    Nota: 4,0

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