Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

16 de out de 2011

3ªOficina - 2ªrodada - Poderia chamar-se esperança


PODERIA CHAMAR-SE ESPERANÇA

Encontro você a toda hora...
Já bem cedo no espelho
o meu olhar se demora
esperando seu conselho
A melhor roupa a vestir
será a que você decidir

Você me mostra no dia
(seja de sol ou chuvoso)
os motivos para alegria
-Viver é bem precioso
me diz sua voz de menina
cantarolando em surdina

 Você é a sensibilidade
aflorada em demasia
trazendo a fragilidade
expressa em minha poesia
onde choro em cada verso
este insensível universo

Quando me pego olhando
encantada algum filhote
é você quase implorando
pedindo que então eu note
a riqueza da vida nova
(e da velha posta em prova)

Minha alma - menina
que ainda baila e brinca
e que jamais desanima
quando a tristeza me trinca
o nome Esperança poderia ter
...Eu não vejo você envelhecer!

Florlinda Abate

3 comentários:

  1. “Poderia Chamar-se Esperança”
    (Florlinda Abate)

    Gostei muito do poema!
    Em relação à temática (Solilóquio) minha análise (para todos) será genuinamente empírica, ou seja: mais dicionarista que científica. Assim, penso que, neste, o “eu” lírico parece autorreferir-se (alma, ego, reflexo...), logo: existe a adequação sim, pois, em tese, esse “eu” falaria de si ou para si, e mesmo na hipótese de Esperança ser um possível alvo do discurso, o poema ainda se mantém em um inequívoco tom de monólogo.
    Vi poucas metáforas, mas, não é só disso que ‘vive’ o poema. Os versos, embora simples, exibem rima agradável, que, com poucas exceções, centra-se em palavras bem escolhidas.
    No entanto o ritmo, que também é razoável, poderia ser melhorado, pois, considerando-se que a maioria dos versos - cerca de 80% - têm seu lastro sobre a redondilha maior (sete sílabas poéticas), creio que uma adequação dos poucos muito longos (ou curtos demais) que destoam dessa métrica dariam ao todo um ritmo absolutamente lindo, e, observe-se: essa adaptação métrica nem precisaria ser estritamente perfeita, pois, poderia haver (como já há) , uns poucos versos com seis ou oito silabas, mas não – num contexto tão “redondilhado” – alguns mais irreverentes que abrangem dez, onze ou doze sílabas; observando-se que não se trata aqui de metrificar o poema, e sim, de dar-lhe um fluxo que a sua própria estrutura já granjeia.
    Vejamos a última estrofe, a que mais foge desse comportamento métrico que o todo enseja:

    “Minha alma – menina (5 sílabas, ficaria melhor com 6 ou 7, tipo: “Minha alma tão menina”)
    que ainda baila e brinca (6 sílabas, bom)
    e que jamais desanima (7 sílabas, perfeito para o contexto)
    quando a tristeza me trinca (7 sílabas, perfeito e o verso ganha brilho com o verbete ‘trinca’)
    o nome Esperança poderia ter (11 sílabas, este destoa do conjunto);
    ...Eu não vejo você envelhecer! (10 sílabas, também destoa).

    O título, a meu ver, também poderia ser melhor escolhido (menor e mais implícito que óbvio).

    Enfim: um poema muito agradável, mas que ainda poderia ganhar um brilho maior.

    Nota: 4,2

    Mailton Rangel

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  2. Bom até terceiro estrofe o poema, se isolarmos a quarta estrofe não fará falta, nada tem a ver com orestante da obra. Resultado final não oferece firmeza de base, quanto a idéia geral.

    nota: 3,5

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  3. O poema tem um belo desfecho e argumentação inteligente.

    A forma estanque tornou a sonoridade tanto repetitiva, o que não chega a comprometer o poema. Essa temática favorece o uso de uma forma mais irregular para pontuar as ideias (uma abordagem intimista ganha verossimilhança numa forma mais livre e até mesmo confusa).

    Nota 3,8

    Wasil Sacharuk

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