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11 de out de 2011

Subsídios teóricos do conto–Manual do contista

MANUAL DO CONTISTA
Joseh (c/ H) Pereira, 1977 - Faculdade de Letras

Gênero Literário: CONTO

Estrutura Básica do Conto: 1. PRÓLOGO:

                                          1.1 - Antes do Enredo, Opcional

                                       2. ENREDO ( Propriamente Dito ):

                                          2.1 - Causas:

                                                  2.1.1 - Início Dramático

                                          2.2 - Desarranjos:

                                                  2.1.2 - Desenvolvimento ou Curso Dramático

                                          2.3 - Acomodação Final

                                      3. EPÍLOGO:

                                          3.1 - Após o Enredo, Opcional

Esquema Analítico do Conto:

1. A Palavra

A) Sentido: caso, relato, narrativa, com a função de enumerar fatos ou detalhes, vinculando vários episódios que compõem uma intriga, i.é, uma situação dramática, conflituosa.

B) "Conto: cadeia de detalhes, com desenlace dramático, caso".

2. Histórico

A) Tipicamente literário, talvez, em Caim e Abel, o primeiro exemplar de conto, milhares de anos a.C., tendendo, às vezes, em suas vicissitudes históricas, à crônica e ao poema em prosa.

B) "Conto: já esteve próximo da crônica e do poema em prosa".

3. Conceito e Estrutura:

A) Conto, matriz da novela e do romance, apenas do prisma histórico e essencial: não são reversíveis, de uma a outra forma narrativa.

B) "Conto, matriz da novela e do romance, mas, conto é conto, novela é novela e romance é romance".

    3.1 - Unidades ( Dramáticas ) de:

            3.1.1 - Ação

A) Enredo [atos, ações, acontecimentos], no conto, circunscrito [rejeita digressões e extrapolações]: célula dramática.

B) "O enredo, no conto, rejeita qualquer digressão ou extrapolação".

            3.1.2 - Espaço

A) Espaço: restrito, palco estreito em que ocorre a ação dramática [sem nenhum ou grandes deslocamentos, prejudiciais à intensidade dramática].

B) "Deslocamentos espaciais quebram a intensidade dramática".

            3.1.3 - Tempo

A) Tempo: curto, breve e limitado, enquanto dura ou prepara a ação [passado e futuro, sinteticamente].

B) "Tempo: o suficiente para 'situar' o drama; sem passado nem futuro".

            3.1.4 - Tom

A) No conto, tom: harmonia estrutural entre as partes da narrativa, por sua unidade de objetivo rumo à unidade de impressão.

B) "Do arranjo estrutural, a unidade de objetivo rumo à unidade de impressão".

    3.2 - Personagem

A) Por exigência das unidades de ação, tempo, espaço e tom: número reduzido de personagens, tendentes à forma plana e estática, sem maior complexidade de caráter e pouca flexibilidade evolutiva.

B) "Poucas personagens, de caráter simples e pouco evolutivas".

    3.3 - Estrutura

A) Estruturalmente [o conto]: objetivo, horizontal; breve história que é, nele as palavras hão de ser suficientes e necessárias; dado imaginativo subposto a dado observado; donde o realismo, a verossimilhança com a vida.

B) "Breve história: as palavras hão de ser suficientes e necessárias, não mais nem menos, com dado imaginativo sub-posto e verossímil".

    3.4 - Linguagem:

A) Objetiva, admitidas metáforas de curto espectro, a linguagem, no conto: despida de abstração, solenidade e esoterismo [antes da intenção, a ação; da prolixidade, a concisão].

B) "Quando metáforas, de fácil alcance; linguagem sem qualquer abstração, solenidade e esoterismo".

            3.4.1 - Diálogo Direto

A) Base expressiva do conto, o diálogo; primeiro, o diálogo direto: fala direta das personagens, representada, na escrita, por travessão ou aspas [predominante, no conto].

B) "Dos diálogos, base expressiva do conto, preferir o direto, com uso equilibrado possível do indireto, indireto livre e interior".

            3.4.2 - Diálogo Indireto

A) Diálogo indireto: resumo, em forma narrativa, da fala das personagens [secundário; quando não vale a pena a transcrição direta].

            3.4.3 - Diálogo Indireto Livre

A) Diálogo indireto livre: discreta inserção, no discurso indireto, da fala ou fragmentos da personagem [pouco freqüente, no conto].

            3.4.4 - Diálogo Interior ou Monólogo

A) Diálogo interior [monólogo]: fala da personagem consigo mesma [estruturalmente perfeito, no conto; raro, formal, complexo].

            3.4.5 - Narração

A) Narração [quase ausente, no conto]: relata acontecimentos ou fatos [a ação, o movimento e o transcorrer do tempo].

B) "No conto: Narração, nas sínteses; descrição, ligeira, s/retrato acabado e dissertação, discretíssima".

            3.4.6 - Descrição

A) Sem a preocupação, no conto, com o retrato acabado, a descrição caracteriza, tipifica um objeto ou personagem, em sua imobilidade no tempo e no espaço [ligeiramente].

            3.4.7 - Dissertação

A) Como 'exposição de idéias e pensamentos' no conto a dissertação, apenas em doses homeopáticas, ou implícitas e fundidas nos demais recursos de linguagem.

    3.5 - Trama ou Enredo

A) Trama [intriga, enredo]: ritmo linear, objetivo e natural da sucessão de fatos, carregado [ou carregando-se, pouco a pouco] de um enigma, mistério ou nó dramático; jogo narrativo ou fio condutor rumo ao desenlace do enigma, à precipitação do clímax dramático, com a surpresa ante à 'novidade' desentranhada, a semente de meditação e o pasmo.

B) "Dirigir a trama rumo a um clímax, donde a supresa pela 'novidade' desentranhada, a semente de meditação e o pasmo".

    3.6 - Pontos de Vista ou Focos Narrativos

A) Focos narrativos: 1o.) ESCRITOR/NARRADOR ONISCIENTE [narrador "vê" e "sabe" tudo; distância escritor-narrador diminuída ao extremo, quase uma fusão, enquanto a distância narrador-história, aumentada ao extremo]. 2o.) PRIMEIRA PESSOA NARRATIVA [horizonte narrativo limitado pela unilateralidade da visão, compensado com a verossimilhança e intensidade dramática maiores]: a) Personagem Central [distância máxima do escritor; a protagonista narra sua história, reportando-se às demais personagens na medida de sua participação]; b) Personagem Secundária [fora do núcleo dramático; menor a distância ao autor e maior em relação ao leitor, a personagem narrra uma história da qual é figurante]; c) Narrador Observador ou Testemunha [mais perto do autor e mais longe do leitor, e também da história, a testemunha narra como simples espectador]; narrador ingênuo: quando não compreende claramente o que presencia. 3o.) TERCEIRA PESSOA NARRATIVA [bem próxima da onisciência, uma espécie de disfarce do autor; este, sem a exclusão do privilégio de enquadrar a história em sua óptica pessoal, delega-lhe poderes para narrar]: é Protagonista, Personagem Secundária ou Observador.

B) "Dos focos narrativos, de cada um, há vantagens e desvantagens; e a narração é mais direta, 'viva' e 'presente' quanto menor a distância psicológica entre narrador e história narrada, o contrário, ganha em detalhes, perdendo em intensidade".

    3.7 - Presentividade

A) A primeira pessoa ajuda a unidade da narrativa, concentra seus efeitos, torna mais plausíveis e 'presentes' os fatos narrados, mesmo com os verbos no pretérito [presentividade: um requisito essencial à realização do conto].

    3.8 - Tipos de Conto:

A) Prevalência de um ou outro componente, em um e outro conto: tipos de conto.

B) "Dos tipos de conto, há os mais nítidos, outros, mesclados; mais freqüentes, os de idéias".

            3.8.1 - De Ação

A) Menos importante, porém, mais freqüente, destinado ao gozo lúdico e de fuga, e tendo como exemplos os contos policiais e de mistérios, conto de ação: narrativa para entreter e divertir, dentro de sua escala aventuresca e fantástica.

            3.8.2 - De Personagem

A) Sendo o conto narrativa de pouco espaço à descrição, conto de personagem, centrado no caráter 'vivo' da personagem, é menos comum [Ex.: "Feliz Aniversário", Clarisse Lispector].

            3.8.3 - De Ambiente ou Atmosfera

A) Conto de cenário ou atmosfera: tônica dramática transferida ao cenário; ambiente, quase herói do conto [raro].

            3.8.4 - De Idéia

A) Sem a intenção doutrinária de um panfleto, o 'conteúdo ideológico' do conto de idéia emerge, sempre identificado com a ação e personagens, às vezes convertidas em símbolos, por sua função de expressar tal conteúdo [é freqüente, importante].

            3.8.5 - De Emoção

A) Mesclado, às vezes, ao de idéia, outras vezes ao de cenário, conto de emoção: apropriado à comunicação de climas de mistério ou de medo, tudo, na narrativa, objetiva um efeito emocional profundo, resistente, mesmo, ao exame racional.

    3.9 - Começo e Epílogo

A) Começo ["canto da sereia", síntese dramática, chama que atrai e seduz], mais exigente que o epílogo do conto [clímax da história, em geral, enigmático, surpreendente, imprevisível, abruptamente revelado], com raízes no começo, próximo, no conto, do fim [contos há sem final enigmático: enigma diluído ao longo da narrativa].

B) "O sucesso do conto está mais em seu 'canto da sereia' inicial que em seu epílogo".

4. Conto, a Poesia e o Teatro

A) Tensão poética do conto: Na sensibilidade e imaginação de contista e leitor de conto; parentesco com o teatro: privilegiam o diálogo, encenam dramas, com personagens que palpitam e vibram diretamente com o público, em espaço e tempo limitados.

B) "No conto: Sensibilidade e imaginação poéticas, com personagens que palpitam e vibram teatralmente".

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA - Créditos:

"A Criação Literária"

Massuad Moisés

Melhoramentos / USP

São Paulo, 1975

"Dicionário de Termos Literários"

Massuad Moisés

Cultrix / USP

São Paulo, 1974

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