Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

23 de nov de 2011

Poemaduro, de Mailton Rangel

Poemaduro

O livro Poemaduro, de Mailton Rangel, procura extrair da palavra o máximo proveito, em especial, por meio de jogos sonoros, fazendo eclodir toda a semântica dos signos, dos sons e até dos silêncios representados pelos aspectos da palavra que não são explícitos no poema. O leitor poderá perceber que essa preocupação cativa e estimula a leitura até o final de cada unidade, onde quase sempre se encontra uma mensagem forte, dura e, ao mesmo tempo, desconcertante.

Melquíades Ayres de Aguirre

 

Mailton Rangel, poeta, compositor e artista plástico, nasceu no dia 07 de setembro de 1952, em Italva, interior do Estado do Rio de Janeiro, quando a cidade ainda era um precário distrito do Município de Campos dos Goitacazes. Oriundo de família humilde, erradicou-se na Baixada Fluminense desde os três anos de idade onde, durante as décadas de 70 e 80, mesmo extraindo seu sustento de subempregos, também se integrava, na medida do possível, a movimentos culturais e de formação de jovens. Assim, ele consolidou seu gosto pelas artes, apurando substancialmente a visão crítica que hoje exterioriza nas canções e poemas que cria. Ainda em 1980, publicou seu primeiro livro “Pólen ao Vento”, mas por considerá-lo só um arroubo da juventude, cujo teor se estagnava um pouco àquele momento político-social, o autor jamais aceitou reeditá-lo. Atualmente, por força do cargo de analista judiciário que conquistou em 1997, mediante concurso, Mailton Rangel é um bacharel em Direito, e não em Letras, Música ou Filosofia, como lhe pareceria mais inerente. Porém, meio que paradoxalmente, tal formação somente lhe acrescentou em termos de senso de justiça e de cidadania, o que corrobora com a sua poética voltada prioritariamente para a defesa da dignidade e da essencialidade humana, atributos que, afinal, também figuram como objeto de tutela da corrente naturalista das Ciências Jurídicas. O brilho e o encanto das palavras arrebataram meu peito desde muito cedo. Quando dei por mim, ainda adolescente, eu já imprimia meus primeiros poeminhas nas sobras dos cadernos de escola, pois sintonizando o quanto dessa essência se dispersava na comunicação verbal, vislumbrei no ato de escrever a forma mais segura e gratificante de apreender as tantas pérolas que se formulam pela emoção. Palavras, se ordenhadas pela grafia, assemelham-se às flores: quando reunidas em arranjos metódica e carinhosamente elaborados, assim como essas, elas também podem nos surpreender com uma beleza muito mais substancial. Entretanto, as flores murcham, esvaindo seu encanto e dispersando seu perfume, enquanto que as palavras, além de indeléveis, tendem a congregar no bojo de sua perene excelência, uma surpreendente propriedade terapêutica, passível, a um só tempo, de perfumar a vida amarga de alguns homens, dimensionar o equilíbrio de outros e remediar a alma entorpecida de uns terceiros. É por isso que eu escrevo!

 

Poemaduro
ISBN 978-85-366-0753-5
Poesia - JS 4170
Formato 14 x 21 cm - 112 páginas
1ª Edição - Ano 2007
 Livraria Virtual Asabeça

ou fale conosco, que o encaminhamos ao autor.

SUBSÍDIOS TEÓRICOS DO CONTO–O Diálogo

1.Constituição do diálogo:

Em narrativa, o diálogo possui, de um modo geral, dois elementos: a fala da personagem e a intervenção do narrador.

– Um copo d’água, pelo amor de Deus – disse Fifi, atirando-se no sofá.

– Não tem ninguém em casa? – gritou, em direção à cozinha.

 

2.Transcrição do diálogo direto:

a. Há várias maneiras de transcrever, diretamente, a fala das persongens. A mais usual, em língua portuguesa, na atualidade, é com o uso de travessão, como no exemplo acima. Nesse caso, o travessão desempenha uma dupla função: introduzir a fala (o primeiro e o terceiro) e a intervenção do narrador (o segundo e o quarto), de modo que fique claro para o leitor o que é fala e o que é narração.

b. Observa-se, também, o uso de aspas na transcrição do diálogo, recurso pouco utilizado em língua portuguesa:

“Um copo de água, pelo amor de Deus”, disse Fifi, atirando-se no sofá.

" Não tem ninguém em casa?”, gritou, em direção à cozinha.

No exemplo, a fala da personagem fica entre aspas, distinguindo-se da intervenção do narrador.

Esses procedimentos não se constituem em regras obrigatórias. A transcrição do diálogo é eficiente quando não se confunde a fala da personagem com a intervenção do narrador.

c. Atualmente em desuso, a forma seguinte era a habitual no século XIX e a primeira metade do século XX:

– Um copo de água, pelo amor de Deus, disse Fifi, atirando-se no sofá.

– Não tem ninguém em casa? gritou, em direção à cozinha.

Como se percebe, a separação entre fala e narração dá-se através de vírgula e pode causar embaraços à leitura, em determinados casos.

 

3.Princípios do bom diálogo:

a. Intencionalidade: as palavras postas na boca das personagens devem ter uma justificativa. Tudo o que elas dizem provém de uma intenção determinada. As falas, muito mais do que simples informações para o entendimento do texto, revelam algo sobre a personagem. As palavras remetem o leitor para o estado de ânimo da personagem.

b. Precisão e economia: por princípio, falas e diálogos curtos são mais eficientes. Desse modo, as palavras da personagem devem ter um significado preciso e não devem dizer mais que o necessário.

c. Naturalidade e coerência: o diálogo deve soar natural aos ouvidos do leitor. Diálogos coerentes são aqueles verossímeis coma personagem.

d. Fluidez: diálogos excessivos, frouxos e lentos devem ser evitados. As falas e as réplicas devem se complementar, a menos que se tenha intenção contrária.

Aulus Mandagará Martins

Universidade Federal de Pelotas

19 de nov de 2011

1ªproposta: diálogo intercalado com narrador

Diálogo é uma conversação estabelecida entre duas ou mais pessoas.

1.Entendimento através da palavra, conversação, colóquio, comunicação. 2. Discussão ou troca de idéias, conceitos, opiniões, objetivando a solução de problemas e a harmonia. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%A1logo)

A pontuação é muito importante quando falamos em diálogo na escrita. É preciso que fique bem marcada a fala de cada personagem. O sinal de pontuação mais comum é o travessão aberto em cada parágrafo para cada fala. Alguns usam aspas* ou apóstrofos (aquela virgulazinha que fica embaixo das aspas no teclado do computador), que são aceitos sem problemas desde que sejam uniformes no texto, usei aspas no primeiro diálogo, uso aspas até o final. Vasgas Llosa fez um livro inteirinho sem sinais de pontuação – o que tem seu valor dentro da proposta dele – mas de difícil interpretação para os leitores mais comuns (inclusive para alguns nem tão comuns). Então, talvez seja melhor apostar nos sinais para passar da melhor forma a mensagem. Uma outra característica do diálogo é o discurso direto.

Discurso Indireto:

Ex.: Joana disse a Mateus que queria ir embora.

Discurso Direto:

Ex.: ─ Mateus, quero ir embora. – disse Joana.

“Retalho” é um texto de oficina. Foi feito a partir de um exercício de técnica narrativa. A proposta era “Diálogo intercalado com narração”, ou seja, o enredo deveria ser trabalhado em cima das falas das personagens prioritariamente e, enquanto isso, o narrador iria se misturando à história e fechando as lacunas deixadas por essas falas...

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RETALHO

─ Não vai sair hoje, filha? ─ D. Regina, sentada no sofá, pergunta com a colcha de retalhos nas mãos.

─ Não, vovó! ─ Mariana surge na porta da cozinha.

─ O rapaz tem aula? ─ A velha senhora escolhe mais um pedaço de tecido e, com uma tesoura, recorta um quadrado.

─ Não, ele quase não tem ido às aulas. ─ A moça senta-se no chão, na frente da avó, as pernas finas cruzadas.

─ E o serviço? ─ retorna a senhora, enquanto começa a costura do retalho vermelho.

─ Ele trabalha com o pai... é seguro! ─ Mariana estende o braço para pegar uma lixa de unha dentro de um pote de cerâmica, na estante de madeira escura.

─ Ah! ─ diz D. Regina olhando para a costura. ─ Então por que não saiu hoje? É sexta!

─ Por causa de mamãe... ─ Mariana ri e começa a lixar as unhas curtas e sem pintura. ─ Ela me pediu para ficar em casa... quer me apresentar o tal Ademar.

─ Xiii... ─ D. Regina pára a costura e olha para a adolescente. ─ Este deve ser sério então! ─ E fazendo o sinal da cruz, finaliza. ─ Que Deus nos livre!

─ É... ─ Mariana dá de ombros e termina de lixar a última unha.

─ Bonita a blusa ─ diz Ademar encostado na geladeira. ─ O rosa combina com você.

─ Obrigado ─ Mariana responde num tom baixo, engolindo o resto do leite. ─ Preciso ir.

─ Tão rápido? ─ O homem alto sorri e continua. ─ Não vai esperar a chegada da sua mãe?

─ Ela vai demorar. ─ Mariana levanta-se da cadeira e pega o copo para depositar na pia. ─ Sempre chega tarde às sextas... você sabe.

─ Aonde vai? ─ Ademar dá dois passos e pára na frente da moça. ─ Tem aula hoje?

─ Não... vou encontrar o Dudu. ─ Ela recua, esbarrando na cadeira.

─ Tome cuidado... ─ Com um sorriso no rosto, o homem de cabelos escuros segura o braço de Mariana. ─ Vai se machucar desse jeito.

─ Tudo bem. ─ Ela tenta retirar a mão. ─ Não vou cair...

─ Precisa gostar de mim, menina! ─ Ademar diz, a pressão da mão no braço da menina aumenta e finaliza com um sussurro. ─ A felicidade de sua mãe depende disso.

─ Não gosto desse rapaz! ─ Ademar fala para Tereza, deitado na cama de casal. ─ É um vagabundo!

─ É só um menino, meu bem! ─ Tereza diz, de dentro do banheiro, enquanto passa um creme no rosto. ─ O namoro não é sério.

─ Acho que você está enganada! ─ Ele suaviza a voz. ─ Mariana está levando esse namoro a sério. É um desperdício!

─ Não entendi ─ A mulher morena, de cabelos crespos e curtos, aparece na porta do quarto. ─ O rapaz parece boa gente. Não gosta muito dos estudos, mas...

─ Tereza ─ Ademar não a deixa terminar. ─ Mariana é uma menina inteligente, bonita, tem um futuro promissor pela frente... ─ Ele senta-se na cama. ─ Ficar presa a um rapaz sem estudos, que vive à custa do pai... Por favor!

─ Eu sei, mas... ─ Tereza também se senta. ─ O que podemos fazer?

─ Você me dá permissão para resolver esse assunto? ─ Os olhos azuis encaram a face de Tereza. O lençol escorrega e mostra a nudez do corpo moreno. Ele aproxima-se da mulher e finaliza baixinho. ─ Tenho essa menina como minha filha!

─ Claro, meu bem! ─ Tereza observa os pêlos no peito de Ademar, que formam um triângulo. ─ Tem toda a permissão.

─ Mãe? ─ Mariana pára na porta do quarto de Tereza. ─ Posso falar com você?

─ Agora não, filha ─ Tereza diz e pega a bolsa de couro preto em cima da cama. ─ Estou atrasada!

─ É rápido! ─ A moça encosta-se no batente da porta. ─ É sobre o Ademar...

─ Já disse que agora não tenho tempo! ─ Tereza suspira e ajeita o cabelo, olhando-se no espelho da penteadeira. ─ Mas adianto que se é sobre o comportamento dele diante do seu namoro com Dudu... esqueça!

─ Mas, mãe... ─ Mariana entra no quarto. ─ Você não entende...

─ Chega! ─ A mãe se posta ereta diante da garota. ─ Não vou aceitar reclamações suas sobre o Ademar! Ele apenas está preocupado com você!

─ Tá certo, mamãe... ─ Ela baixa a cabeça. ─ Eu só queria...

─ Acho que já nos entendemos, Mariana! ─ Tereza passa pela filha e, antes de sair do quarto, finaliza. ─ Prepare o jantar para o seu padrasto! Ele deve chegar cedo hoje.

─ Parece preocupada! ─ Dudu passa a mão pelo rosto de Mariana. ─ Aconteceu alguma coisa?

─ Não ─ Ela responde, o olhar baixo, e beija a mão de Dudu. ─ É só o clima lá em casa...

─ Quer falar sobre isso? ─ Ele chega mais perto e começa a beijar o pescoço da moça.

─ Pára, Dudu... ─ Mariana reclama quando sente a mão do rapaz num dos seios.

─ Oh, Mariana! ─ Dudu se afasta. ─ Estamos namorando há quatro meses e ainda não confia em mim!

─ Acho cedo demais para isso, Du ─ A menina sorri. As maçãs do rosto tingindo-se de vermelho. ─ Quero que seja especial... quero estar segura.

─ Desculpa... ─ Dudu suspira e sorri também, passando os dedos pelo cabelo de Mariana. ─ Quando você quiser, amor, quando você quiser...

─ Ah! ─ Mariana assusta-se com a entrada de Ademar no seu quarto. ─ O quê...?

─ Esteve com o vagabundo hoje? ─ Ademar tem o semblante fechado. ─ Responda, Mariana!

─ Eu... ─ A moça cruza os braços. A camisola de algodão sobe mostrando as coxas. ─ Sim, eu vi o Dudu, mas... foi rápido e...

─ Pensei que tivesse proibido você de ver esse menino! ─ Ele fecha a porta do quarto e aproxima-se de Mariana. ─ Vai sofrer as conseqüências, menina...

─ Não... por favor ─ Mariana implora ao ver Ademar desafivelar o cinto da calça. ─ Ademar...

─ Já tive muita paciência com você! ─ Ele termina de abrir o cinto. ─ Prometo que vai doer só um pouquinho...

─ Consultório médico ─ Tereza atende ao primeiro toque do telefone. ─ Boa tarde!

─ Mãe... ─ Mariana tem a voz rouca. ─ Eu...

─ Só um minutinho, filha. ─ Tereza vê a luz da outra linha piscando. ─ Sim, doutor?

─ Passe o próximo ─ Dr. Carlos fala com um tom cansado. ─ Espero que não tenham muitos.

─ Apenas oito, doutor ─ Tereza ri e aperta outra tecla do telefone. ─ Só mais um minuto, querida ─ O próximo, por favor ─ diz abrindo a porta da sala do doutor. Volta à mesa após um casal entrar. ─ Pronto, meu bem...

─ Mãe... ─ Mariana ainda tem a voz rouca. ─ Que horas você vem?

─ Saio às oito. ─ Tereza observa uma senhora entrar no consultório. ─ O que foi, querida?

─ Nada ─ Ela responde após uma breve pausa. ─ Só queria pedir que fizesse o jantar...

─ Pode deixar, querida, Ademar teve que viajar, já ia ligar pra você ─ Tereza abre a agenda e faz um gesto para a senhora sentar. ─ Preciso desligar, meu bem.

─ Tá... ─ Mariana baixa mais um tom na voz. ― Mãe?

─ Sim? ─ Tereza franze a testa. ─ Aconteceu alguma coisa?

─ Não... ─ A moça suspira. ─ Só queria... amo você...

─ Também te amo, filha! ─ Tereza desliga

─ Mariana? Cheguei! ─ Tereza entra na casa e acende o interruptor de luz da sala. ─ Comprei bifes... só quatro, pois Ademar não vem! ─ Enquanto fala, dirige-se à cozinha. ─ Teve que viajar. ─ Desembrulha a carne e pega um prato no armário. ─ Dia horrível! Todos resolveram consultar!... Diabos! ─ diz após derrubar, no chão, um dos bifes. ─ Que raiva quando isso acontece! ─ Pega o pano e abaixa-se para limpar o sangue. ─ Mariana, me ajuda aqui? ─ Aumenta um tom na voz. ─ Mariana? ─ Tereza larga o pano, as mãos ainda vermelhas do sangue, e volta à sala. ─ Mariana? ─ Repete, olhando para o quarto da filha, que tem a porta semi-aberta e a luz acesa. ─ Mariana? ─ A mãe empurra a porta. ─ Não!!! ─ Grita e cai de joelhos perto do corpo frio de Mariana.

Dhenova

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A proposta:

Escreva um conto, limitado a 200 linhas, com temática livre, utilizando como recurso narrativo os diálogos intercalados com narração. Observe para que os diálogos sejam verossímeis e o conto seja atraente ao leitor.

Envie o conto finalizado em formato .doc para oficinainspiraturas@gmail.com até o dia 08 de fevereiro de 2012.

Subsídios teóricos do conto

Boas inspirações!

17 de nov de 2011

Resultados da 3ªOficina Inspiraturas de Poesia Livre–vencedora: Luciana Brandão Carreira Del Nero

Parabéns LUCIANA BRANDÃO CARREIRA DEL NERO, vencedora da 3ªOficina Inspiraturas de Poesia Livre. Nossos cumprimentos e gratidão a todos os participantes, oficineiros e jurados.
 
  PROVOCAÇÕES 1 2 3 4 5 parcial
    Os Silêncios Solilóquio Poesia Social A Morte na Poesia Os nomes e as Lembranças  
01 Francisco Córdula 3,68 4,00 3,83 3,30 3,46 18,27
02 Leh Lopes 3,70 3,20 4,33 3,20 4,46 18,89
03 Marisa Schmidt 4,87 3,83 3,70 3,62 4,50 20,52
04 André Anlub 3,80 2,53 2,16 0,00 3,00 11,49
05 Luciana Brandão Carreira Del Nero 4,03 3,03 5,00 4,22 4,73 21,01
06 Dhenova 4,32 3,90 3,96 4,36 4,06 20,60
07 Cristina Macedo 3,53 2,83 3,70 4,10 3,26 17,42
08 Flávio O.Ferreira 4,30 4,50 3,66 3,96 3,16 19,58
09 Elias Araújo 2,75 3,33 4,37 4,10 4,33 18,88
10 Samuel Barreto 0,00 2,16 3,57 0,00 4,30 10,03

8 de nov de 2011

3ªOficina - 5ªrodada - Rangido das correntes


Rangido das correntes

Rangido das correntes
vai e vem da madeira
Pernas balançam rentes
pés que roçam areia

No balanço da praça
menina desafia lembranças
No alto, sol no rosto
sorriso, covinhas e ânsias

Vestido de corações
brancos e vermelhos
Cortes sem direções
riscados nos joelhos

No largo, busto exposto
do general da guerra
Todo seu pressuposto
cruel  ideal encerra

Mortes, ambições
pretas e brancas
Despidas de emoções
marcadas em âmbar

Rangido das correntes
vai e vem da madeira
Pernas balançam rentes
pés que somem na areia!

PENÉLOPE DE ÍTACA

3ªOficina - 5ªrodada - Acaso Oculto


Acaso Oculto

Atravesso o sonho
De nomes extintos
Em cores tão cruas
E febres tão leves

Se a noite é sua
Desejos tão reles
Ecoam sucintos
Em profundo sono

Teu nome invade
Em silêncio o ocaso
E rasga a lembrança
De outras manhãs

Já não fazes parte
Metade ocultada
Teu nome resguarda
Maldade terçã
 
Tangerina Urbana

3ªOficina - 5ªrodada - O brinquedo na praça


O brinquedo na praça

Os nomes das praças e das ruas e das avenidas
percorridas pelas lembranças de uma etapa inglória,
lembram aos homens de suas heranças indignas,
impostas pela dura mão da história.

E o brinquedo na praça onde hoje a criança brinca
− na esquina daquela rua, ao cruzar a principal avenida −
contradiz a espessura  de outras vidas,
de gente que brincava brigando com a censura
frente à esbórnia de uma classe em supremacia.

− esses ficaram sem nome, sem praça, sem pátria.
Sem rua, sem chão.
Sem vigas.
Sem vitória.

Lubracadene

3ªOficina - 5ªrodada - IN(VERSÃO)


IN(VERSÃO)

No final, todas as guerras viram História
E ela cria heróis e vilões de oportunidade
As dores e as mortes tatuam na memória
Os rostos de filhos e de pais em saudade.

Nas brumas do tempo a verdade repousa
Quem vence a batalha, determina a versão
Os nomes dos vencidos são marcas na lousa
 E os dos generais ornam as praças da nação

A vida seguindo em despreocupada ironia
Coloca crianças em brincadeiras na praça
Promovendo suas guerras de areia e fantasia

No banco os namorados dão um beijo sensual
Enquanto os pombos, na mais inocente chalaça
Defecam sobre o bronzeado busto do general...

Florlinda Abate

3ªOficina - 5ªrodada - Ame-o ou deixe-o!

Ame-o ou deixe-o!

O País numa embaçada geral
As armas como segurança inócua
A morte como libertação arbitraria
Letargia e opressão de mãos dadas

Tudo jogado para baixo do tapete
Corrupção, canalhices e abusos que tais
Nos porões gemidos e dores latentes
E nada a noticiar nos jornais

Nas escolas propaganda mentirosa
Divulgando um mundo irreal
Nas casas o medo e a sombra diuturna
Ditadura! Nada mais anormal ou imoral

Um tempo de demagogias e maculas
Marcadas por desaparecimentos abruptos
Arroubos de nacionalismo estúpido
Restando o legado amargo dos generais.

Breno Galtieri

3ªOficina - 5ªrodada - Tempo de Inocência


TEMPO DE INOCÊNCIA

Eram apenas páginas
e mais páginas de livro,
mas que cantavam
para meus olhos ouvirem.

Falavam de Heróis,
com H maiúsculo,
feitos de garra, fibra e História
e um punhado de sonhos e músculos.

Eram meus heróis da infância:
tão reais quanto o sol
que a vista alcança,
sem superpoderes, sem capas, sem utopia:
tão reais que cabem em minha poesia.
Minha poesia? Vou, agora, compô-la,
pois que passou, sem heroísmo,
a inocência do tempo da escola...

Ah, meus heróis!
Almirantes, capitães, marechais!
Se puderem responder
agora em tempos de paz:
quantas crianças perderam a infância,
sem heróis que as salvassem,
e dormiram na lama,
para que vocês, meus Heróis,
tivessem eternizada a sua fama?

Tom Alguma Coisa

3ªOficina - 5ªrodada - Meu norte


Meu norte

Foi dito e repetido

“Quem mata um é assassino, se mata muitos é herói”
Será que é legalização para matar?

Podem ser só palavras de pessimismo e crítica...
Ou o abismo de quem se identificou com as palavras.

A meu ver ninguém precisa ser mártir
Penso que também não é necessária a morte.

Viver bem, fazer o bem
Esse é meu norte.

Gentileza

3ªOficina - 5ªrodada - Devoradores


Devoradores

Do que vale esses nomes que eu ouço
Afundando a mais profunda solidão,
A tristeza dessas horas pouco a pouco
Faz sangrar uma lembrança de ilusão.

Quem falou que herói é coisa assim
Triturando a calmaria do indefeso?
Cada estrela que carrega de marfim,
É a emblemática crueldade do ileso!

Vi Antonio tombar no monte santo
Todo sangue banhando aquele manto,
Destruíram uma terra em plantação.

As crianças que um dia foram escudo
Quem assistiu a chacina ficou mudo:
Esses nomes e lembranças são em vão.

João de Ana

6 de nov de 2011

3ªOficina - 5ªrodada - Heróis?!


Heróis?!

Não assustem as crianças
que brincam
nas praças
refúgios da derradeira
ingenuidade

Crianças brincam
nas praças
que têm nomes
de generais
constituídos

Instituídos heróis
da pátria
apesar do sangue
dos soldados mortos
dignidade assassinada

Os meninos observam
as guerras
as batalhas
a morte
crueldades de toda sorte

Poupem os pequenos
deste mundo
atroz
veloz,
mundo de armas e brasões

Parem!
Já chega!
Não ensinem a guerra
Não destruam a infância
Não assustem as crianças

Poema Paixão

5 de nov de 2011

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