Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

23 de nov de 2011

SUBSÍDIOS TEÓRICOS DO CONTO–O Diálogo

1.Constituição do diálogo:

Em narrativa, o diálogo possui, de um modo geral, dois elementos: a fala da personagem e a intervenção do narrador.

– Um copo d’água, pelo amor de Deus – disse Fifi, atirando-se no sofá.

– Não tem ninguém em casa? – gritou, em direção à cozinha.

 

2.Transcrição do diálogo direto:

a. Há várias maneiras de transcrever, diretamente, a fala das persongens. A mais usual, em língua portuguesa, na atualidade, é com o uso de travessão, como no exemplo acima. Nesse caso, o travessão desempenha uma dupla função: introduzir a fala (o primeiro e o terceiro) e a intervenção do narrador (o segundo e o quarto), de modo que fique claro para o leitor o que é fala e o que é narração.

b. Observa-se, também, o uso de aspas na transcrição do diálogo, recurso pouco utilizado em língua portuguesa:

“Um copo de água, pelo amor de Deus”, disse Fifi, atirando-se no sofá.

" Não tem ninguém em casa?”, gritou, em direção à cozinha.

No exemplo, a fala da personagem fica entre aspas, distinguindo-se da intervenção do narrador.

Esses procedimentos não se constituem em regras obrigatórias. A transcrição do diálogo é eficiente quando não se confunde a fala da personagem com a intervenção do narrador.

c. Atualmente em desuso, a forma seguinte era a habitual no século XIX e a primeira metade do século XX:

– Um copo de água, pelo amor de Deus, disse Fifi, atirando-se no sofá.

– Não tem ninguém em casa? gritou, em direção à cozinha.

Como se percebe, a separação entre fala e narração dá-se através de vírgula e pode causar embaraços à leitura, em determinados casos.

 

3.Princípios do bom diálogo:

a. Intencionalidade: as palavras postas na boca das personagens devem ter uma justificativa. Tudo o que elas dizem provém de uma intenção determinada. As falas, muito mais do que simples informações para o entendimento do texto, revelam algo sobre a personagem. As palavras remetem o leitor para o estado de ânimo da personagem.

b. Precisão e economia: por princípio, falas e diálogos curtos são mais eficientes. Desse modo, as palavras da personagem devem ter um significado preciso e não devem dizer mais que o necessário.

c. Naturalidade e coerência: o diálogo deve soar natural aos ouvidos do leitor. Diálogos coerentes são aqueles verossímeis coma personagem.

d. Fluidez: diálogos excessivos, frouxos e lentos devem ser evitados. As falas e as réplicas devem se complementar, a menos que se tenha intenção contrária.

Aulus Mandagará Martins

Universidade Federal de Pelotas

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