Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

7 de dez de 2011

Vede o vento


Vede o vento


Vede o vento
Que passa, e vede
Que ele sempre
Segue em frente,
Vede a flor
Que desabrocha,
Não torna ela
A ser semente

Serenamente
Imita a natureza
Não se prenda
No passado pra merecer
A dádiva do presente

O futuro nada é
Além de uma semente
Jogada a terra,
Pode virar uma flor,
Como também
Tornar-se um espinho...

Jamais interrogues
A vida, pois na vida
Enquanto se olha
Para traz,
É impossível
Andar para frente...

6 de dez de 2011

O tempo escorre


O tempo escorre


O tempo ainda escorre
Não adianta espernear,
Gritar ou se rebelar.
Com ou sem consentimento
Incauto e alheio continua
O percorrer o seu caminho

O tempo ainda escorre
Quando ficamos olhando
Para traz, tentando remediar
O que não pode ser remediado
E assim vão se confundindo
Os tempos, os sentimentos
E a percepção de eternidade
Que não passa de um folclore
A rondar o nosso pensamento.

O tempo verte e a alma verve
A vida escorre em nossas veias
Como uma arranha que tece
A sua teia, laça, enlaça em acasos
Aos quais chamamos de destino...

Mas é o tal destino,
Apenas um acaso preso
Numa percepção humana
Uma invenção de um poder
Supremo e divino para suprir
O medo da certeza do abandono
E da morte que nos é certa.

Serenamente observa a vida
E veja que ela passa simplesmente,
Com ou sem percalços,
Por destinos ou por acasos
Apenas passa se desenhando
Em percepções, se encaixando
Emoções, desafiando as razões
Se na realidade a eternidade
É apenas o hoje e as coisas
Que podemos brindar...

O que está além do hoje
Já não nos pertence
O controle, ou o pensamento,
Apenas o que nos pertence
É o momento, o aqui agora,
Na realidade a real eternidade
São os bons momentos
Que estamos a gravar em nós
E em quem amamos
A eternidade das boas memórias...

A quem importa agora


A quem importa agora


Aqui onde jaz a luz
Deste amanhecer
Meu peito corta
A saudade que supus
Há tempo estar morta...

O que nos importa
Agora o quanto
Estamos distantes
Se mesmo quando perto
Meus lábios jamais
Puderam lhe falar
O que precisava ser dito

Diga-me o que importa
Agora à distância?
Seeu nunca pude chegar
Chegar perto o bastante
Pra me sentir seguro e falar
Das coisas do coração
E o que se pode falar agora
Em que o único sentido
Parece não fazer sentido algum.

Há muito tempo espero
O arrebol colorido
O eclipse no olhar,
O brilho no sorriso
E o que você me permitiu
É apenas um sonho
Que nunca vem...
Quanto tempo numa vida
Curta se pode esperar?

O horizonte pra nós
É uma linha tênue,
Uma quimera
Um tempo que jamais
Encontra-se...

Você nunca deixou
Eu lhe falar,
Você nunca deixou
Eu me aproximar
Você nunca
Deixou-me saber
Você nunca quis
Que eu tivesse lá...

O que importa
Que estejamos
Distantes agora?
A quem importa
Tudo isso agora?

Você é como o sol
De um dia nublado,
Não posso te ver,
Não posso te tocar,
Apenas sei que está lá
Tão perto quanto distante
Sempre no mesmo lugar...

E quando sou noite
E me assombra a solidão
Espero que tu sejas um raio
A cortar o meu horizonte
Mas é duro o acordar
E ver que o tempo
É cada vez mais cruel
Pra quem está a esperar...

A boa nova


A boa nova


Anunciam a boa nova
Os pássaros que cantam
Extasiados para o dia,
Pois bem sabem eles
Que o dia que raia
É o melhor que a vida
Pode lhes conceder...

Serenamente imita
No teu coração
Os pássaros que cantam,
Nos dias frios,
Nos dias quentes,
Pois, não sabem eles
Se terão um novo
Amanhecer pra cantar...

Cante serenamente
O dia que se apresenta
Pois não há na vida
Outra boa nova
Além do dia que se inicia,
O resto é só quimera...

Sombras, nada mais.




Aqui, diante
De meus olhos,
Já não há abrigo,
Pra tanta escuridão.

Aparentemente
Não há nada
De diferente
Entre nossos olhos,
Somente um murro
De promessas
De frases sem nexo.

Há uma luz
Incoerente
Iluminando
Os teus lábios,
Uma mancha
De batom rasgando
A imensidão...

Não há nada
De concreto
Nesta escuridão,
Apenas o abismo,
“A luz da percepção”


Toda luz se divide
Toda luz se separa,

Na verdade sombras,
São apenas sombra,
Irreais, só um lugar
Onde a luz não alcança.

Sombras, são só sombras
Varrendo a escuridão
De nossa percepção...

Há tempo
Há uma sombra
Que paira
Os nossos olhos

Tudo que se ilumina
Um dia se apaga,
E toda luz, um dia
Volta a ser sombra,

Apenas sombra...
Um resquício,
Um vestígio,
Uma memória...
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