Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

23 de out de 2013

Além...


Desfez-se o substantivo. Coisa. Tipo corpo, tronco. Esqueleto não. A Coisa cabeça, a parte superior, o prazer. As ideias. Imaginação? Pode ser. Desfez-se. Esfarelou-se. Grãos, fios, pétalas, penas. Qualquer coisa dessas. Coisa que enche a matéria vida em metafísica, alma. Sim, espírito. Chame como quiser como bem entender. Desfez-se e não ficou estranho, feio. Muito belo de ver. E de voar junto. Diluir-se na metamorfose da Coisa. Abstrair-se de si e por ti se ser, por aquele ser e revoar, ser um pedaço ao vento, descontrole total da rota, ser carregado em leveza, ser peso atrelado ao poema. Poema de nada. Poema de se ver coisa da Coisa de alguém. Ser a palavra sentida, a excitação da poesia, da composição de outro, da loucura visual de alguém qualquer. Apenas ser rima para um verso, de certo não ser ritmada, mas ser o desfoque ou o embaçado; ser. Ser. E fazer-se noutra realidade, noutro substantivo, noutro abstrato de corrosão astronômica-extrafísica. Fazer-se invencionice do que quer que voe que alce os pés para o além...

 

Bia Cunha

 

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