Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

16 de out de 2013


Embaixo do sofá não está, olhei três vezes, depois me arrastei até o quarto, procurei entre as frestas da janela. Nenhum lugar. Os livros já estão espalhados, todos. Folha por folha sondada. As roupas estão do avesso, os bolsos para fora. Vasculhou-se acima do teto, a aranha balançou a cabeça e desfez sua teia para provar que por ali não passou. Os gatos desistiram da busca, um a um aninhou-se por entre as almofadas. O dicionário, por incrível que pareça, estava caladinho. Céus! - “Onde estão as palavras?”. Na horta dos Poetas elas estão a produzir infinitamente. Cá em mim não há sentido algum. O dia com Sol sem pássaros a cantar; a relva não se mexe e os equinos não saem do barro; tem ração nos pratos e os gatos não comem; a mesa está posta, só que a fome se perdeu; a tv não acende; o rádio chia; o ônibus está com o letreiro apagado; os outdoors em branco; as placas não indicam; as vozes não dizem nada, os passos estão sem onomatopeia e eu não consigo saber onde pus as palavras.

 

Bia Cunha

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