Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

29 de nov de 2013

Que tal amarelinha no chão do céu ?

Hoje foi um daqueles dias que se corre para todos os lados. Viramos atletas olímpicos. Pressa. Imprevistos. E trabalho. Muito trabalho (ainda bem). Saí do primeiro que dura o dia inteiro e vai pra mais um (aquele extrazinho), sempre correndo, o trajeto, a condução, o outro trajeto, por fim chega-se e noto que só as horas não tem pressa... Findaram os grãos da ampulheta. Apressadamente se foge, na mente: o banho, o gato sumido, o remédio... Carona ajudou até metade do percurso, depois ônibus que, também, não tem pressa alguma. Tem momentos que a mente chega primeiro que os dedos dos pés. Parada!!! Corre-se pela Avenida, aproveitar o sinal fechado (3,2,1,0), agora a rampa do Hospital, falta pouco, a moradia fica logo atrás. Algo inusitado... Subida a Céu-aberto, e que Céu, nuvens poucas, estrelas muitas, essa beleza não cabe no segundo, pairou a Lua dentro da retina. Magia! Recompensa! Cada passo nos segundos abstratos, risquei uma amarelinha no firmamento, um planeta para pedrinha, versos para saltar, pode-se ver o mundo ao contrário, de ponta a cabeça, nenhum físico pensaria na tal "gravidade", apenas uma poesia para um minuto de felicidade. Em casa. Em paz. Tudo terminou bem demais.
 BiaCunha

28 de nov de 2013

CONTRASTES...

São os maus bofes da noite
que destacam as alegorias
do que ignoramos as faces
no tropel das vãs correrias

Os mendigos esfarrapados
os cães famintos ao relento
se nos mostram enregelados
no sórdido cantar dos ventos

São os mágicos clarões da lua
que tornam o negror mais claro
namorados se beijam na rua
sob um céu de veludo tão raro

Os gatos passeiam no telhado
como se fossem o pensamento
das flores no jardim sombreado
onde caracóis aspiram o momento

O dia, a noite, os pobres humanos
se ajeitam como podem ao destino
tentando encaixar nos seus planos
os contrastes de um mundo supino

Marisa Schmidt
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25 de nov de 2013

REFLEXÕES DA SEGUNDA-FEIRA


REFLEXÕES DA SEGUNDA-FEIRA

Caminhando na cidade
Sou apenas uma mulher
(uma mulher qualquer)
Sem ter peculiaridade
Que justifique atenção

Ninguém vê meu coração...

Não sabem que sou poeta
E qualquer um vira inspiração
Na rima que é minha meta
Em segredo observo a feição
da criança, do moço, do idoso

Ignoram meu olhar amoroso...

E sigo dialogando com o vento
Contando o que descobri
Nas rugas do senhor desatento
No sorriso que na menina eu vi
E nas folhas perdidas ao léu

Poucos olham para o céu...

Na avenida andam apressados
Os transeuntes e seus dilemas
Ninguém para ou olha nos lados
(ema, ema, todo mundo tem problema)
Só eu vejo a cidade que os afeta

Essa é a sina do poeta...

Marisa Schmidt

18 de nov de 2013

Indignação sem atitude


Indignação sem atitude


De que adianta uma garganta que engole sapos
o paradoxo da cabeça de cima viver para baixo
olhos que, para injustiça, estão sempre fechados
ou ter um corpo sempre cansado quando se trata de ajudar
o próximo?

para quê palavras educadas
diplomacia
cortesia de praxe a quem não merece
se, todos os dias, escarram em seu prato?

de que serve remoer em silêncio os fracassos
as faltas alheios
os seus erros crassos
se nenhuma atitude acende a fagulha de seus passos?

como pensa que se modificará o mundo
antes que você assuma seu próprio destino
se o medo ainda petrifica os seus gestos?

Rogério Germani

Estudo sobre o tempo III

Estudo sobre o tempo III

Apenas se fiam os dias
em que a vida se repete
sem maiores rebeldias
oco de véus ou confete
sereno caindo à noite,
luz opalina na manhã
e o vento, macio açoite,
lembra o toque da lã

Tempos da maturidade
apaziguado os desejos
domada a louca ansiedade
sobrevivem os lampejos
do que sempre esteve em nós:
felicidade são só os momentos
em que voamos livres e a sós
no doce enlevo dos sentimentos...

Marisa Schmidt

16 de nov de 2013

De um dia pro outro. Em ambos pensando em siris...



 .Noite.

 Ouvi a voz do Mar
 Sabia que estava atrás de mim a me chamar, atendi
 Ultrapassei as pedras, barreiras novas
 Andei na areia da praia
 Mergulhei meus pés nas ondas
 Amaciei montes de terra q firmavam pequenas piscinas
 Azulei em estrelas
 Vi o mar refletindo a Lua
 Pensei em siris
 Acho q rezei também
 Contei ao Sr. Mar meus segredos
 Desfiz meus castelos sombrios
 Voltei pra orla calçando estrelas-marinhas
 Com frio de saudade
 Totalmente suja de esperanças

 ...

 .Dia.

 O Mar novamente me chamou
 Saí cedo dos sonhos
 Sábado de novembro
 Quente
 Cheguei
 A maresia já me embriagava pela Rua dos Navegantes
 Naveguei até o pé das ondas
 Para as ondas banharem meus pés
 Sentei
 Despi
 Esverdeei
 Ali
 Procurei siris
 (tô vidrada neles)
 As notícias nublaram a desesperança. Enfim!
 Depois um livro.
 Um conto.
 Esqueci meus versos sentidos.
 De novo
 água nos pés
 Logo uns passos pela orla
 Até as flores
 Ah se flores sempre possível assim!
 Voltei perfumada de mar
 Enfeitada de cores
 Desejando vasos, copos, garrafas e até papel
 Só para abraçar a delicadeza de um dia novo,
 Da sublime vontade de ter feito diferente
 Sorvendo somente:
 Uma manhã feliz!!



Bia Cunha 

11 de nov de 2013

CONVERSA DE P... VELHA

CONVERSA DE P... VELHA

Eu era tão boa nisso!
fazia tudo no capricho
com muito arrojo e graça
-Fui famosa nessa praça...

Mas era profissional!
Que acho fundamental
Ter em mente objetivo
-Cliente não é marido...

Bonita e bem ajeitada
Era a mais requisitada
Por doutor e fazendeiro
-Tudo gente de dinheiro...

Fiz da profissão minha arte
A melhor, modéstia a parte,
Criativa e bem disposta
-A gente faz bem o que gosta...

Mas o tempo muda a gente
Fui cansando de ter cliente
Me aposentei em boa hora
-Ficou difícil o trabalho agora...

É enorme a concorrência
Não se exige experiência
Qualquer um faz o serviço
-Mal feito e sem capricho...

E é tanta a tal modernidade!
Gay,bi, trans, uma variedade
Que um homem necessitado
-Ou faz curso, ou vai enganado...

Marisa Schmidt

6 de nov de 2013

TÃO SIMPLES

TÃO SIMPLES

Tentei tanto cortar caminho
pra chegar onde eu queria
Li de bula a pergaminho
para ver se descobria
o jeito de ser sempre feliz...
Fiz a rota da juventude
no corcel alado da ilusão
fingindo que a finitude
era questão de opinião

(e ela sempre por um triz...)

Mas o mapa para a felicidade
foi traçado por um brincalhão
que se mantém ocupado
a por mais pedras no chão
do que eu consigo pular...
O tempo passa e percebo
que fui feliz em cada parada
e se o descanso foi placebo
não há remédio pra jornada...

Felicidade é só na vida estar...

Marisa Schmidt

5 de nov de 2013

Amanheci entardecendo...


Quando o dia raiou eu amanheci entardecendo, não compare a algum pecado capital, não é mesmo, os olhos que fitam a rua, recolhe-se na ânsia para entardecer, pôr-se por detrás da colina que está atrás das altas casas de um bairro que nem sei o nome. Em minha mente já sinto as cores mescladas do amarelo-laranja-marrom-dourado-azul, sinto o vento que remexe os galhos da escassa árvore que fica no baldio terreno a minha frente. Sinto meu coração batendo excitado. Sinto que posso não sentir as horas tardias de um dia que ainda nem passou, mas sinto. Sinto o morno Sol adentro em mim, fazendo o dia em mim, enquanto que anoitece a vida da rua, do país meu. Eu sinto tão forte que turva a visão. Assento esse anseio na cadeira perto da janela e já degusto o café, a suavidade pressentida, a serenidade respirada, na mente um pouco de nada para logo mais embarcar numa lida repleta de tudo e de estrelas enluarada, fazer adormecer os pássaros que agora cantam divinamente o belo dia que se anuncia, mas que eu repito baixinho, só pra mim, que já estou pronta para entardecer...

4 de nov de 2013

Rimas sopradas

Rimas sopradas

É no silêncio dos ossos
que ouço o trote dos faunos
a indivisível trombeta dos anjos agrestes
despejando segredos nas perenes curvas
de meus poros sedentos

é quando me recolho de mim mesmo
que absorvo a luz das palavras em braille
ao vento

e feito ilusionista
descubro, enfim, nas sopradas rimas
que a vida não é fiasco
para quem ousa por no peito
além de sonhos
canções inaudíveis que plantam flores
na alma dos homens.

Rogério Germani

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

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