Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

5 de dez de 2014

Leandra Lopes entrevista Dhenova


Entrevista com Andréa Iunes (Dhenova) concedida à Leandra Lopes[1], em 26 de novembro de 2014.
 
Caros leitores de Inspiraturasbooks

Em 2007, tive a oportunidade inesquecível de conhecer a artista Dhenova e, observando-a mais de perto, fiquei encantada com sua parafernália de expressões artísticas, de variadas vertentes e gêneros, com uma assinatura inconfundível. Meu primeiro contato com sua arte foi com a fotografia e, logo após, descobri que a diva enveredava, também, pelos caminhos da escrita.  “A Viúva e o Escorpião”, numa execução do Audiverimus (projeto artístico que “coloria poesia com música e narração”), foi a primeira peça escrita de Dhenova que li:

A Viúva e o Escorpião

A viúva negra não mata o companheiro por maldade -- apenas por descuido...
Uma gaiola pode ser a única salvação para um pássaro quase extinto...
Uma pequena distração acaba com a hegemonia do lobo em relação ao cordeiro...
Para alguns, a noite é uma velha dama ou... uma dama velha...

Nem sempre a coruja é sábia... apenas cega
a coruja e a aranha
Nem sempre o cão morde calado... ouviu o latido?
o cão e o pássaro
Nem sempre a picada do escorpião é fatal... apenas o veneno é necessário
o escorpião e o lobo (e o cordeiro?)
Nem sempre quem com ferro fere, com ferro será ferido... o ferro existe e está aí...
a noite e o ferro (e a dama?)

A viúva negra não mata por maldade
e o cão não morde calado
A aranha e o cão
A gaiola é a salvação do pássaro
e o veneno necessário do escorpião
O pássaro e o escorpião
O fim da hegemonia do lobo
e o ferro que existe
O cordeiro e o ferro (e o lobo?)
A noite é uma dama velha
e a coruja não é sábia
A noite e a coruja (e a dama cega?)

A viúva não mata
A necessidade do escorpião -- a viúva e o veneno
O fim do lobo
O cão não morde -- distração e latido
A salvação do pássaro
A coruja cega -- a gaiola e a coruja
-- o pássaro cego
A noite é uma velha (dama)
A coruja é cega - a noite e a velha - a coruja e a noite - a dama da noite - a dama cega
A dama da noite (e a velha?)
O ferro que fere - a noite e o ferro - a velha e a noite - o ferro e a viúva - a dama ferida

(Dhenova)


A boa poesia, dita nesse timbre, foi bastante para motivar meu desejo de conhecer ainda mais e mais a obra da escritora; e um tantinho da Andréa Iunes, mãe, professora e coordenadora do projeto Inspiraturas; a qual assina Dhenova, uma charmosa e singular escritora da qual me tornei irremediavelmente fã.

P – Sei que, desde criança, és uma leitora ávida. Mas, e a criação literária? Como tudo começou?

R – Bom, Lêh, em primeiro lugar eu quero agradecer por este teu carinho com as minhas letras e pelo incentivo que sempre estás disposta a dar, não só para Dhenova, para o Sacharuk, Audiverimus e Inspiraturas, mas para a Literatura de forma geral. É bom demais encontrar ‘companheiros de letras’ pela nossa jornada, principalmente assim tão especiais.
Quanto a pergunta, sim, quando entrei pra escola me perguntaram o que eu esperava, lembro que respondi na hora: queria ler. Eu precisava, sentia necessidade de desvendar aqueles símbolos, eu me sentia fora do mundo, à parte. E quando comecei a ler, não parei mais. Li muita porcaria, li porcarias médias, li coisas boas, li coisas muitos boas e assim foi. Hoje leio bem menos do que gostaria. Meu primeiro ‘conto’, uma narrativa imensa para meus dez anos (nove páginas), fiz numa atividade em sala de aula, com a professora Maria da Graça, como eu digo, quem despertou em minha a escrita. Foi quando ela me olhou e disse: ‘continua escrevendo assim’, foi ali, e não parei. Tive dificuldades com isso e ainda tenho, principalmente quando comecei a trabalhar, tinha responsabilidades, horários e vivia ‘fora do ar’, pensando em histórias, ouvindo aqui e ali pequenas conversas, colhia material o tempo inteiro (risos), andava sempre com um caderninho, uma caneta. Era engraçado. O mais engraçado: ainda ando (mais risos).

P – Tu consideras que a criação literária de um mesmo autor tem idade?

Com certeza tem sim. A escrita vai mudar conforme o autor vai mudando, o que ele pensa, o que já viveu, vai mudar conforme o ambiente em que ele está inserido, vai mudar a partir do acúmulo de experiências que ele vai tendo. Esse autor vai buscar inspiração em lugares diferentes conforme o tempo vai passando, isso é certo. Quanto ao estilo, não, acredito que estilo é um só, o que pode haver é uma melhora na parte estética, na forma, mas o estilo é único, vem assim com a identidade. Os bons heterônimos provam isso, apesar de parecer incongruente o que afirmo. É só quando se cria a identidade do heterônimo é que ele vai estar pronto para produzir. Bem simples.
A primeira prova que um autor está ficando maduro é quando ele apaga o que escreveu, corrige e coloca fora o original. E olha que colocar fora o original não é fácil (risos). Acredito que a maturidade da escrita seja diretamente proporcional à maturidade do autor. Encontro jovens que escrevem muito (é, eu ainda encontro) mostram beleza na forma, mas o conteúdo, muitas vezes, não condiz com todo aquele esplendor, falta experiência, assim como já li autores mais maduros, que têm muito conteúdo, mas não têm forma, comentando aqui de forma genérica, é claro. Há exceções! A maturidade na escrita precisa ser o conjunto perfeito de conteúdo e forma, é assim que vejo. O escritor que leva à sério a profissão vai buscar a perfeição deste conjunto, independente da idade.

P – Qual tua visão sobre o cenário literário em Pelotas? A cidade ainda é referência cultural no Estado?

Pelotas deixou de ser referência cultural faz muito, Lêh, infelizmente. Não há incentivo das autoridades, não há interesse da população. Há tanta riqueza na Princesa do Sul e tanto descaso que deprime. Amo minha cidade, sei que neste momento, em especial, está mais suja de que o normal, que está mais pobre do que estava, que está mais esburacada, assim como está também mais ignorante a cada ano que passa, isso incomoda, irrita, mas acredito num movimento inverso, onde resgataremos, indo contra a maré, um pouco daquele brilho antigo, material e inspiração temos, e muito, pra isso.

P – Sei que deténs o talento da escrita, tanto em prosa quanto em verso. Todavia, percebo que produzes uma quantidade maior de poemas do que de textos em prosa. Como se dá a gênese de um poema assinado por Dhenova?

Amiga, a prosa é meu objeto de estudo. Uso técnicas, corrijo, releio, releio outra vez, monto estruturas, leio e leio, pesquiso, tudo isso para um texto de duas, três páginas. É demorado considerar ‘pronta’ uma narrativa. Bem ao contrário da criação de um poema. A poesia na minha vida vem ligada diretamente ao prazer, é o meu momento de desestressar, de sair da rotina, de brincar com as letras, a grande maioria das vezes não busco nenhuma estrutura, nenhuma forma específica, apenas deixo jorrarem as palavras, entrelaçarem-se os versos, completarem-se as estrofes e pronto. Claro que saem muitas porcarias disso aí (risos), mas há também aqueles que valem à pena mexer e publicar. Muitas foram as vezes em que comecei uma prosa e terminei escrevendo versos, é mais rápido, daí a ‘quantidade’ maior de poemas do que prosas. Em ambos os casos, minha inspiração se dá mais pelo visual do que qualquer outro modo, eu penso a cena (vejo em minha mente e reproduzo) ou então eu vejo literalmente e reproduzo. É a forma mais comum da minha criação.

P – Há alguns anos, li uma análise interpretativa, feita por ti, do conto “O Búfalo”, da Clarice Lispector. Confesso que foi uma das coisas mais impressionantes, arrepiantes e plausíveis que li sobre a obra, posto que modificou o entendimento truncado que eu tinha do conto. Há muita especulação na forma de interpretações rasas da simbologia presente da obra da Clarice. Andréa, diga-me como chegaste àquele incrível insight?

Vinho tinto e a visita da autora não tão valendo, né? (risos) Falando sério, este conto me arrepia até hoje. Tive muita dificuldade para fazer esta análise, foram muitas leituras e sempre a mesma sensação, eu deixava escapar algo. A simbologia na obra da Clarice é escrachada, por isso não conseguia acreditar naquela interpretação básica, a mulher que por amor parou em frente ao espaço do búfalo e se matou. Havia mais. E foi no início do conto que ‘percebi’ o mais. Quando Clarice escreve que o leão lambia a testa da leoa o pano caiu. Zoológico, lugar onde os pais levam os filhos, os leões não reproduzem com seus filhos, o velho macaco saltou do texto aos meus olhos, a girafa tão omissa, o vislumbre da gravidez surgiu nas ervas que saiam debaixo dos trilhos, nasciam, cresciam ainda que de forma adversa. E o estômago da personagem dando voltas na montanha russa. O incesto marcado no ódio dela pelo macaco, o velho pai. A girafa, a mãe, tão omissa, e assim foi-se montando em minha mente as cenas, até a última em que ela tira a vida e a do filho em nome da honra do pai, em frente a jaula do búfalo. É horrível. Lembro que acordei no outro dia em cima do caderno onde fiz a análise e custei a acreditar naquilo tudo. Então, eu li, li naquele momento com a interpretação que eu tinha feito, foi mais horrível ainda, Leandra. Só a intensidade de Clarice Lispector é capaz disso.

P - Como é a mãe poeta do Paulo Ricardo e da Ana Clara? Como teus filhos se relacionam com a escrita e a criação?

Ah, amiga, meus filhos são meu mundo, tudo gira em torno deles, não seria diferente com minha criação, eles fazem parte ativa deste universo. Tanto o Paulo quanto a Ana nasceram em meio à poesia. Entre uma mamadeira, uma fralda e um colo poesia e poesia, isso foi especial. Eles vão levar, com certeza, isso pra vida. A Ana escreve e pinta como adulta, posso te dizer que tenho uma artista plástica e uma escritora em casa ‘hoje’. O Paulo tem uma ginga e um ouvido que algo me diz que o mundo musical ainda vai ouvir falar dele (risos) sei que mães são naturalmente corujas e eu nem vou dizer que não sou, assumo, mas quem conhece o Paulo e a Ana sabe do que falo.

P – Dhenova, mencione quatro ou cinco poetas brasileiros que te inspiram:

Os poetas do Balcão de Poemas, um grupo de poesia do Facebook, hoje me inspiram. A maioria são poetas da NOP, e no tempo livre que tenho é lá que vou buscar minhas leituras, gosto demais do espaço, é muito rico. Mas há alguns poetas que me inspiram sempre, que fazem parte da minha história: Wasil Sacharuk, por sempre fomentar meu espírito em relação à poesia, por trazer a sua música e preencher as lacunas das minhas letras, por ser quem ‘faz as coisas acontecerem’ e, principalmente, pela poesia gigante que produz, que vai do incômodo ao prazer; Marcia Poesia de Sá, por ser a poeta que pinta as letras no papel, que traz cor, textura e sentimento à vida; Lena Ferreira, por trazer brisa, vento e ventania com suas palavras, com uma sonoridade ímpar; Marisa Schmidt, pelos retratos do cotidianos tão certeiros e descritos de forma tão poética; Rogério de Souza Germani, por este lirismo que encanta e que alimenta a alma; Rosemarie Schossig Torres, pela poesia única, que esbanja forma e conteúdo e um vocabulário que encanta; Helen Priedols, porque cada verso que ela escreve acerta em cheio o meu peito, sobra intensidade, beleza, é puro encantamento; Teka Rogel, pela emoção que é capaz de fazer sentir em cada poema; Val da Silva, por fazer da poesia a melhor amiga e por estar presente sempre; Ana Maria Marques, a poeta porreta de versos fortes e tantos outros. Família NOP, né? (risos) e têm mais. Também sou fã de Clarice Lispector, é claro, e de Bruna Lombardi, leituras obrigatórias.

P – Fale-me sobre a Nova Ordem da Poesia e Inspiraturas, teus projetos mais conhecidos na internet. No teu entendimento, a lendária NOP realmente revelou talentos e se constituiu num dos mais significativos laboratórios de criação on line nas redes sociais?

Tenho um carinho imenso pela NOP, Nova Ordem da Poesia, foi um lugar em que eu e tantos outros poetas tivemos o oportunidade de mostrar a nossa escrita, tiramos o caderninho da gaveta e jogamos ao mundo, tínhamos feedback uns dos outros, tudo o que sonha um escritor. Foi uma experiência rica e única. A NOP foi um movimento de poesia que agregou muitos talentos, sim. Tínhamos um espaço que era propício para as oficinas, o Orkut, e os poetas produziam muito ali, havia uma interação, uma sintonia indescritível. Convivemos também com a difícil tarefa de tolerar diferenças, nem sempre as pessoas reagem bem a isso, mas acredito que quem realmente tinha a essência da poesia se manteve firme e forte até a extinção do Orkut, não do movimento. Hoje, apesar de ter outra cara, outro nome, talvez, há ainda no facebook, com todas suas limitações para criação, uma grande interação entre os poetas da NOP. Então, acho que nada morre ou se extingue, apenas muda de cara ou de nome. Dentre as muitas das oficinas da NOP, a que tenho mais carinho até hoje, e que se hoje houvesse um lugar adequado eu a refaria era a oficina de imagem, deixava-se uma imagem como tema e o poeta que fizesse teria que deixar outra também, e assim por diante. Era inspirador demais.
Inspiraturas é a marca poética de Dhenova e Wasil Sacharuk na vida real, o nosso espaço para o estímulo de criação literária, seja pelas oficinas, seminários ou aulas. As oficinas reproduzem muito do que foi feito no mundo virtual, tratadas de forma lúdica e leve para quem teme a escrita, e de forma mais técnica para aqueles que já escrevem e querem aprimorar suas letras; trabalha-se o conteúdo e a estética de um texto, desde o título até a finalização. Também temos várias publicações de e-books. Quem quiser conhecer o site é www.inspiraturas.com Aguardamos a visita!

P – Como funciona ser Dhenova, escritora talentosa e, ao mesmo tempo, Andréa, uma bela mulher gaúcha presente nas redes sociais. Quem são os teus fãs?

Outro dia, Leandra, comentava a respeito disso. Como é gostoso ser fã de alguém que é teu fã. Como é significativo dizer para teu ídolo, olha eu sou teu fã, viu? Poder dizer ‘Bom dia’, poder propor parcerias. Mas bah! No meu caso dizer ‘olha, adorei a última estrofe’ (risos). Acontece isso comigo quanto à escrita, tenho amigos de quem sou fã, eu os leio e eles, por sua vez, também me leem e são meus fãs. Essa troca é muito gostosa. Faz com que a gente vibre. É a mesma sintonia. Vez por outra aparece alguém que vê apenas meu aspecto físico, mas a grande maioria das vezes são as minhas letras que chamam a atenção. Eu gosto disso.

P – Dhenova, estamos próximos ao dia do lançamento de “InspiraturasLab”, o teu primeiro livro. Foste a mentora do projeto e o escreveste junto ao poeta Sacharuk. Por que somente agora, depois de tanta produção autoral com inegável profundidade artística, decidiste publicar? O que encontraremos no livro?

Já me perguntaram o motivo de nunca ter publicado. Acho que não me sentia pronta para este passo, publicar é sério. Era preciso realmente querer, agora eu quis, tanto que tenho mais dois livros praticamente prontos, um de acrósticos, que se chamará ‘Acrósticos’ (risos) e outro só com poemas antigos ‘Apenas partes de mim’. Quanto a parceria com o poeta Sacharuk, podes ficar certa que vais encontrar só coisa boa, sabes o quanto somos modestos (risos altos). Sério, é um livro delicioso, os poemas foram escolhidos a dedo, com muito carinho, com certa displicência de não querer engessar a ideia, as nossas parcerias vão aparecendo assim como um e outro poema meu ou dele, harmonizados, mas não enlaçados, está um show, sugiro como presente (risos).

P – Dhenova e Wasil Sacharuk, enquanto poetas, remetem a estilos completamente diferentes quando vistos a olho nu. De que forma suas letras coadunam?

Eu e Sacharuk somos grandes amigos, essa amizade se estendeu até a nossa arte, é certo! Houve um entrosamento perfeito entre as minhas letras e a música do poeta, a criação surgiu fácil e harmônica, a poesia criou música e a música criou poesia. Quanto às letras, sim, somos diversos, falamos línguas diferentes, temos vocabulários diferentes, visões diferentes, vidas diferentes, todavia quando escrevemos juntos essa distância se anula, escrevemos como um, aliás, fora a sintonia, escrever em parceria como o poeta Sacharuk é muito bom, ele é perfeito em coesão, quem já escreveu com ele sabe, ele acerta, ajeita, preenche, é ótimo. Tenho grande apreço por nossas parcerias.

P – “Procuro hoje na poesia a textura mais doce, palavras que falem do amor entre a lua e as estrelas, que falem do deus sol e também das borboletas, que falem do dia da noite da madrugada, que falem da estrada; que venham estas palavras com o suave cheiro de orvalho, de grama cortada, que tenham o brilho da água cristalina, que sejam sentidas na maciez da areia fina. Que tenha alegria na poesia, sim, esta me conquista.” (Dhenova). Poeta, explique como se deu a transição da textura áspera e chocante dos teus primeiros contos para essa poesia doce que fala de amor entre a lua e as estrelas.

Não há transição, minha linda, minha prosa continua tão ácida quanto antes, assim como minha poesia que foi e sempre será ‘um campo de flores’. Escrevi essa descrição para o meu blog no inicio deste ano, depois de perceber que a acidez da minha prosa estava absorvendo meus versos. Não gostei. Não faço catarse, as pessoas confundem eu-lírico com o autor. O que eu escrevo é meu, vem das minhas experiências, é certo, isto não significa que eu, Andréa, esteja vivendo isso. Gosto de escrever sobre o amor, sobre caminhos e buscas, e acho que esses temas não pedem nada tão incisivo como eu vinha fazendo. Quero sim a textura mais rica, quero sentir cada letra na pele, não fincada, apenas que elas rocem de leve, e que deixem perfume!
 

E-books com participação de Dhenova:

LIGAÇÕES EXTERNAS:Dhenova
Dhenova Poeta
Andrea Iunes



[1] Leandra Lopes é Professora de Literatura Brasileira e Portuguesa e escritora.

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