Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

1 de fev de 2015

‎"Quem sou?" - Oficina de lirismo





Mais uma oficina que resultará na publicação do e-book "Quem sou?", para distribuição gratuita em INSPIRATURAS BOOKS.

A provocação é: "Quem sou?"

Note que "quem sou" pode não ser eu... logo, que o eu-lírico ganhe asas;



-------------------------------------------------------------------------------

Gosto muito das coisas plenas, gosto mesmo! acho até que gosto demais delas sabem? Provavelmente eu deveria ter estudado algo que lidasse com história, ou com arqueologia, biblioteconomia ou sei lá o que, quem sabe entender de múmias, arte rupestre enfim, qualquer coisa que se mantivesse intacta pelo tempo. A pressa de nosso mundo me faz mal, sinto-me muitas vezes deslocada, como se sentisse profundamente ter nascido na época errada.

Gosto de coisas antigas, margeadas pelos anos, repletas de cicatrizes, gosto das roupas de antigamente, das rendas e dos chapéus, gosto muito de carruagem, de estradas de barro emolduradas por capins que balançam ao vento que sopra também com calma, gosto de praia deserta, de músicas que nos elevam e não que nos sacodem, gosto de suco feito da fruta e não esses abomináveis saquinhos ou caixas cheios de conservantes, gosto de fazer o café da manhã em casa, com carinho e tranquilidade e não de correr e engolir um café numa padaria qualquer, gosto que meus filhos peçam a benção e adoro abençoa-los, eu realmente sou lenta, não a letargia dos inúteis pois penso que minha lentidão é criativa, mas gosto de conversas com tempo para divagações, com respiração profunda antes de cada resposta, gosto de sentir um pensamento caindo na mente, se aconchegando a meus princípios e depois voando de volta aos ouvidos da boca que o gerou. Não consigo compreender as pessoas que amam viver neste insano terremoto que é uma cidade cheia de fumaças e buzinas, de gente agoniada que acabam ficando surdos e mudos a vida real, não gosto de coisas rasas, sem alma, sem cor.

Sinto que preciso de mar, de verde e de azul, caso contrario fico cinza! E ai me pego assim bem agarradinha a uma palavra que adoro! a palavra tempo! Nossa! quanto significado tem esta palavra, que profundidade e gigantescas verdades ela carrega. Acabo de lembrar-me do tempo em que uma empada e um refrigerante eram meu almoço entre uma aula e outra, e quando ouvir alguém era só o tempo de uma escadaria para o andar superior do Brunel onde teríamos aula de fonética. E eu ouvia! não duvidem disto, mas minhas respostas eram tão objetivas quanto uma flecha liberada por Hobin hood na floresta de Sherwood. Nem imagino como minhas amigas e amigos naquela época me pediam conselhos seja lá para o que fosse. Mas recordo-me que desde sempre pessoas gostam de me ouvir, não sei exatamente o motivo mas sempre gostaram, acho que eu gosto de falar de coisas que não são muito comuns. Me aflige observar alguns de nossos jovens abarrotados de tantos deveres, de tantas pressas agoniadas que os levam irremediavelmente a uma sensação de angustia e insatisfação, falta de tempo, falta de tempo para serem felizes, falta de tempo de serem apenas jovens, alguns entram na faculdade a em poucos meses se mostram descontentes, duvidosos do que querem, dou a isto o nome desta pressa também como se a vida pudesse ser como um jogo de vídeo game, mata um aqui, ganha outra vida ali e recomeça, não é assim, ha de se dar tempo para que o tempo trabalhe e nos faça completos, penso eu...

E assim vou indo pela vida, tentando arduamente manter um olhar mais atento a tudo e a todos, as coisas que passam por de baixo das pontes de nós mesmos e de mim, especificamente. Uso o silêncio a meu favor e ele me é um grande colaborador. Admiro muito pessoas que se permitem abrir, que não são conchas travadas pelos dias mas antes disso que são como barcos a velejarem a vida, que olham o horizonte, que tem suas âncoras sim, e isso todos nós temos, mas que também tem suas velas e espaços claros, iluminados pelo sol.

Bem, esta plenitude de que gosto levo para quase tudo em minha vida e acredito que é este gosto pelo que foi, é e sempre será que me faz gostar de escrever, de manchar e lambuzar telas, telas estas que demoram a secar, que precisam de um tempo para ficarem prontas, assim como as frutas que precisam amadurecer, que me faz ser meiga até com quem aparentemente nem mereceria, que me da um sorriso nos olhos e lábios mesmo quando não me sinto assim, tão feliz, que me traz tranquilidade, que me ensina a amar devagarzinho, assim, um pouco mais a cada dia, que me da um abraço que sempre é apertado e verdadeiro. É esta plenitude que me faz pensar nos amanhãs, nos próximos livros, nas noites de lua que nascerão daqui ha uns anos e que me leva assim facilmente como se em um balanço amarrado numa árvores, para frente e para trás da minha vida com este olhar de que na verdade, está tudo certo e exatamente como deveria estar, sem grandes sobressaltos, sem grandes dramas, e com algo bem morno dentro do peito que a cada dia fica mais gostoso e calmo de sentir.

Márcia Poesia de Sá. Jan. 2014

Formulário de Inscrição nas oficinas INSPIRATURAS


Logotipos de meios de pagamento do PagSeguro
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...