Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de Escrita Literária - POESIA - on line

Oficina de Escrita Literária Online – Poesia

Proposta lúdica voltada ao desenvolvimento e ao aprimoramento da composição poética. A oficina foi projetada para ser um meio de iniciação na produção literária.

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Exercício leve e agradável de interação e da liberdade de brincar com as letras;

Comentários, sugestões e críticas que focalizam os aspectos positivos e negativos da produção, consistindo numa avaliação personalizada;

Cinco desafios conceituais e criativos voltados ao desbloqueio da escrita e à iniciação na arte de escrever poemas;

A OFICINA DE POESIA ON LINE é coadjuvante do poeta no processo de ilustrar sentimentos, bem como desenvolvê-los e expressá-los numa estética bela e sensível.

24 de mai de 2015

Rogério Germani em “Inverno”

Inverno

Dependurado no galho de uma árvore, no alto da colina, ele admira a placidez da cidade. Nem mesmo a corda envolta em seu pescoço se destoa do silêncio que invade a noite e as entranhas das casas que abrigam o povoadoque, crédulo, hiberna por ventos de nova esperança.

As ruas estão vazias. As folhas secas dançam nos olhos dos gatos que miam, ouriçados, ao toque de recolher da lua. Fechadas as portas, as lojas lembram tristes mausoléus esperando a voz de seus donos para novamente alimentarem seus cômodos com a presença viva de seus clientes.

Neste cenário onde a sombra do voo deuma ave seria uma milagre rasgando o deserto, seus olhos passeiam livres de pecados. Sua alma corre solta, rente às nuvens, e pousa nas frestas das janelas trancafiadas. Não há furtos ou assombros; apenas um último olhar às suas origens, seus pactos de infância que, por ironia da vida, jamais serão cumpridos na fase adulta.

Ao lado da árvore onde, agora, seu corpo balança feito um aceno de um farol a um barco de sonhos, uma fotografia rasgada, um nome de menina riscado com sangue e perfume de lágrimas recentes: tesouros de um amor ceifado aos doze anos.

Enquanto ele se despede da terra que fez brotar versos, flores e dor em seu peito, outros anjos o aguardamem meio a uma chuva que se inicia. Não há sorrisos ou luz divina em seus semblantes; de seus dedos, correm fúria e neve. E quando estão zangados, os ossos da cidade congelam.

Rogério Germani

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