Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

30 de ago de 2015

Carabook - Cadente



Cadente 

Cobicei calar
conversas conduzidas
com cinismo 

Considerei cessar
certas contradições
com coisas compartilhadas
coisas curtidas
comentadas
com criaturas
conquanto cabeça
continuou conturbada 

Careço cessar conflitos
confusões
conquistar clareza
coerência
compactuar com conhecimentos
com ciências
certezas
coisas consistentes 

Contudo
continuei cantando
catando coisas
caminhando chãos 

caí
contudo
caí contente
coisa celeste
cadente
contando casos
cantando cirandas
com coração. 

Wasil Sacharuk 






Carabook 

Cuidado! Cá criaturas criam conversas com C. Compete criar com C 

Chegue, coloque cu colado com cadeira, chame comparsas, comece conversar com clareza...
Crie conversas coerentes
conte causos 

Conversar com C cura chiliques!!!
Chame criaturas! 

Conversando com C chegaremos céu. 

Cada conversa contada competentemente com C conquistará consideração com criaturas companheiras,
contudo, com cada cagada conduzida chegarão contemporizações carinhosas. 

Compete cada coisa começar com caractere chamado C. Confere? 

Comente, curta, compatilhe!








23 de ago de 2015

Jorge Moraes em "Não vou chorar"

“NÃO VOU CHORAR.”

Especificamente nos meses de julho e agosto, entretanto não se excluam períodos eventuais, no Rio Grande do Sul, por impulsos e caprichos da natureza, somos penalizados, e o é inevitável, com fortes e intensas chuvas que impõem devastadores agravos, em especial a regiões ribeirinhas, de encostas, sujeitas a deslizamentos e/ou desprovidas de deflúvio. Raros os municípios que não são agredidos pela ferocidade das águas ou pela voracidade dos ventos.

Deplora-se não o fenômeno, uma vez que pouco ou quase nada podemos fazer para elidi-lo, mas sim como enfrentá-lo ou minimizar o ímpeto de sua fúria, o alcance de sua chibata. Aguaceiros e ventanias retornam mais cedo do que pensamos. A turbulência escala paredes, fenda débeis rebocos, compromete e desmantela coberturas, enlameia e inutiliza os móveis, enloda víveres e vestes, sulca veredas de chão batido, devasta lavouras, e emurchece as almas. Veículos são arrastados, árvores desenraizadas, redes elétricas danificadas, pontes imergem – adentrando ao solo –, e sobre os telhados, entanguidos, cachorros e aves esperam socorro. E podemos afirmar, sem incorrer em erro, que antes da tomada de providências indispensáveis, as mesmas plagas serão impiedosamente alagadas e dizimadas. As chagas não chegam a cicatrizar.

Aluviões não escolhem dia nem hora para demonstrar o vigor de suas garras. Num átimo, as alturas se toldam, as nuvens se entristecem e a borrasca, impiedosamente, precipita-se. O lirismo de saudosas gotas, escorrendo pelas vidraças, aos trancos, se esvai pelos ralos semi-obstruídos. As bocas-de-lobo, atulhadas com garrafas pet, calçados, brinquedos e embalagens plásticas opõem-se ao escoamento. As águas sobem as calçadas, invadem as casas. Do aguaçal chega-se ao atoleiro e deste ao banhado. As cargas-d’água, quase sempre, escolhem as horas mortas. Apanham-nos no torpor do sono, de camisola ou pijama, com o cabelo desgrenhado, acentuando o indefensável.

Quando pressionados a abandonar áreas de risco, muitos moradores se negam. Temem, pela ação de vândalos, perder o pouco de que dispõe ou lhes resta. Por vezes, as prestações ainda em andamento, asfixiando acanhados recursos, limitam as refeições a um minguado café bebido com pão de três dias, enquanto sofás, camas e colchões, esfrangalhados, acumulam-se nas calçadas barrentas. Se o tempo permite, se a força se agrega, ao bancos e mesas pertences se elevam: quem sabe escapem ilesos. O atlético soldado, desafiando correntes, cabresteia o batel, conduzindo idosos sem comando de pernas. Cobras, peixes e répteis, placidamente, esgueiram-se por ondas lutulentas.

É deplorável, embora pressionados pelas perdas, que móveis e objetos danificados sejam depositados em via pública, atribuindo-se à municipalidade o dever do recolhimento. Agrava-se o fluxo, já então comprometido. E o que fazer com os despojos dessa insana luta? Quem os recolhe? Onde colocá-los? Passou-se a erguer depósitos de esbulhos em cada palmo de chão baldio.

Por que se expor a reeditadas vergastas? Que procedimentos são oportunizados para apoucar o flagelo?

Através da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e entidades assistenciais, e particularmente segmentos religiosos, propicia-se a guarida, provisoriamente, em escolas, ginásios, clubes e igrejas. A comunidade, clubes de serviço, órgãos governamentais e segmentos empresariais mobilizam-se. Alimentos básicos, medicamentos – em especial vacinas –, roupas e calçados minimizam dores e pesadas consciências. E lastimar que muitas doações jamais chegarão a seu destino; algumas serão comercializadas, e tantas outras ficarão relegadas à incúria. Frágeis construções cobrem-se com lona preta: lacrimosas viúvas a prantear seus entes. As telhas, quem sabem, se houver vantagem política, virão mais adiante.

Uma ou duas semanas e as águas retornam ao leito. Deixam fissuras que se acastelam a chagas que se tornaram perenes. O desejo de voltar ao paupérrimo casebre ou à aquinhoada moradia faz com que, em parte, o mau fado seja minorado. Lavar, limpar, selecionar, remendar, descartar, chorar, sonhar, recomeçar.
Almejar um lugar que não seja suscetível a tragédias parece-nos fazer parte dos direitos irremovíveis de cidadania. Utopia? Quimeras? Quem sabe?! Os que estiverem dispostos a transferirem-se terão condições de fazê-lo? A municipalidade garante-lhes as condições mínimas? Por certo não. Muitos já se acomodaram: perderam a esperança e se acostumaram à fatalidade. Convém-lhes ficar. Os entraves incorporam-se ao ‘modus vivendi’. Por que mudar?

Sabe-se que os obstáculos, criados pela falta de drenagem, pela ausência de bueiros, por tubulações inadequadas que impedem a vazão, bem como pela privação de saneamento básico, não podem ser eliminados a não ser pela vontade pessoal e política, aliada à colaboração comunitária. E não se o faz em uma gestão. Contudo, havendo disposição, sempre é possível ajustar as velas ao sopro do vento. A não ser que as promessas de campanha necessitem permanecer indenes, de tal sorte que o verbo seja exercitado, demagogicamente, de quatro em quatro anos, como instrumentos de engodo. Para cada promessa: centenas de crédulos.

Inquirido por uma apresentadora de conceituado programa televisivo, que por certo já fez as mesmas perguntas inúmeras vezes e ainda as fará, Marcos, modesto auxiliar de pedreiro, com ocupações temporárias, mulher, três filhos (um há pouco parido), casebre com três peças, comentando a reincidência das perdas, demonstrando aparente conformismo, após um longo suspiro filosófico, limitou-se a afirmar, numa ironia tupiniquim, que o único recurso seria ter forças para recomeçar. A chuva levara quase tudo, salvo a esperança. Mas não iria chorar, pois as lágrimas poderiam elevar o nível das águas, acentuando a adversidade.

Jorge Moraes - jorgemoraes_pel@hotmail.com - agosto de 2015
 
Jorge Moraes, natural de Rosário do Sul RS, cidadão pelotense; Professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira; Membro das academias Sul-brasileira de Letras e Pelotense de Letras.

Leia mais de Jorge Moraes














Jorge Moraes em “NÃO VOU CHORAR.”

“NÃO VOU CHORAR.”

Especificamente nos meses de julho e agosto, entretanto não se excluam períodos eventuais, no Rio Grande do Sul, por impulsos e caprichos da natureza, somos penalizados, e o é inevitável, com fortes e intensas chuvas que impõem devastadores agravos, em especial a regiões ribeirinhas, de encostas, sujeitas a deslizamentos e/ou desprovidas de deflúvio. Raros os municípios que não são agredidos pela ferocidade das águas ou pela voracidade dos ventos.

Deplora-se não o fenômeno, uma vez que pouco ou quase nada podemos fazer para elidi-lo, mas sim como enfrentá-lo ou minimizar o ímpeto de sua fúria, o alcance de sua chibata. Aguaceiros e ventanias retornam mais cedo do que pensamos. A turbulência escala paredes, fenda débeis rebocos, compromete e desmantela coberturas, enlameia e inutiliza os móveis, enloda víveres e vestes, sulca veredas de chão batido, devasta lavouras, e emurchece as almas. Veículos são arrastados, árvores desenraizadas, redes elétricas danificadas, pontes imergem – adentrando ao solo –, e sobre os telhados, entanguidos, cachorros e aves esperam socorro. E podemos afirmar, sem incorrer em erro, que antes da tomada de providências indispensáveis, as mesmas plagas serão impiedosamente alagadas e dizimadas. As chagas não chegam a cicatrizar.

 
Aluviões não escolhem dia nem hora para demonstrar o vigor de suas garras. Num átimo, as alturas se toldam, as nuvens se entristecem e a borrasca, impiedosamente, precipita-se. O lirismo de saudosas gotas, escorrendo pelas vidraças, aos trancos, se esvai pelos ralos semi-obstruídos. As bocas-de-lobo, atulhadas com garrafas pet, calçados, brinquedos e embalagens plásticas opõem-se ao escoamento. As águas sobem as calçadas, invadem as casas. Do aguaçal chega-se ao atoleiro e deste ao banhado. As cargas-d’água, quase sempre, escolhem as horas mortas. Apanham-nos no torpor do sono, de camisola ou pijama, com o cabelo desgrenhado, acentuando o indefensável.

Quando pressionados a abandonar áreas de risco, muitos moradores se negam. Temem, pela ação de vândalos, perder o pouco de que dispõe ou lhes resta. Por vezes, as prestações ainda em andamento, asfixiando acanhados recursos, limitam as refeições a um minguado café bebido com pão de três dias, enquanto sofás, camas e colchões, esfrangalhados, acumulam-se nas calçadas barrentas. Se o tempo permite, se a força se agrega, ao bancos e mesas pertences se elevam: quem sabe escapem ilesos. O atlético soldado, desafiando correntes, cabresteia o batel, conduzindo idosos sem comando de pernas. Cobras, peixes e répteis, placidamente, esgueiram-se por ondas lutulentas.

É deplorável, embora pressionados pelas perdas, que móveis e objetos danificados sejam depositados em via pública, atribuindo-se à municipalidade o dever do recolhimento. Agrava-se o fluxo, já então comprometido. E o que fazer com os despojos dessa insana luta? Quem os recolhe? Onde colocá-los? Passou-se a erguer depósitos de esbulhos em cada palmo de chão baldio.

Por que se expor a reeditadas vergastas? Que procedimentos são oportunizados para apoucar o flagelo?

Através da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e entidades assistenciais, e particularmente segmentos religiosos, propicia-se a guarida, provisoriamente, em escolas, ginásios, clubes e igrejas. A comunidade, clubes de serviço, órgãos governamentais e segmentos empresariais mobilizam-se. Alimentos básicos, medicamentos – em especial vacinas –, roupas e calçados minimizam dores e pesadas consciências. E lastimar que muitas doações jamais chegarão a seu destino; algumas serão comercializadas, e tantas outras ficarão relegadas à incúria. Frágeis construções cobrem-se com lona preta: lacrimosas viúvas a prantear seus entes. As telhas, quem sabem, se houver vantagem política, virão mais adiante.

Uma ou duas semanas e as águas retornam ao leito. Deixam fissuras que se acastelam a chagas que se tornaram perenes. O desejo de voltar ao paupérrimo casebre ou à aquinhoada moradia faz com que, em parte, o mau fado seja minorado. Lavar, limpar, selecionar, remendar, descartar, chorar, sonhar, recomeçar.
Almejar um lugar que não seja suscetível a tragédias parece-nos fazer parte dos direitos irremovíveis de cidadania. Utopia? Quimeras? Quem sabe?! Os que estiverem dispostos a transferirem-se terão condições de fazê-lo? A municipalidade garante-lhes as condições mínimas? Por certo não. Muitos já se acomodaram: perderam a esperança e se acostumaram à fatalidade. Convém-lhes ficar. Os entraves incorporam-se ao ‘modus vivendi’. Por que mudar?

Sabe-se que os obstáculos, criados pela falta de drenagem, pela ausência de bueiros, por tubulações inadequadas que impedem a vazão, bem como pela privação de saneamento básico, não podem ser eliminados a não ser pela vontade pessoal e política, aliada à colaboração comunitária. E não se o faz em uma gestão. Contudo, havendo disposição, sempre é possível ajustar as velas ao sopro do vento. A não ser que as promessas de campanha necessitem permanecer indenes, de tal sorte que o verbo seja exercitado, demagogicamente, de quatro em quatro anos, como instrumentos de engodo. Para cada promessa: centenas de crédulos.

Inquirido por uma apresentadora de conceituado programa televisivo, que por certo já fez as mesmas perguntas inúmeras vezes e ainda as fará, Marcos, modesto auxiliar de pedreiro, com ocupações temporárias, mulher, três filhos (um há pouco parido), casebre com três peças, comentando a reincidência das perdas, demonstrando aparente conformismo, após um longo suspiro filosófico, limitou-se a afirmar, numa ironia tupiniquim, que o único recurso seria ter forças para recomeçar. A chuva levara quase tudo, salvo a esperança. Mas não iria chorar, pois as lágrimas poderiam elevar o nível das águas, acentuando a adversidade.

Jorge Moraes - jorgemoraes_pel@hotmail.com - agosto de 2015
 
Jorge Moraes, natural de Rosário do Sul RS, cidadão pelotense; Professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira; Membro das academias Sul-brasileira de Letras e Pelotense de Letras.

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6 de ago de 2015

Clarice Lispector - Água Viva - 3


Clarice Lispector - Água Viva - 4


Medo da redação?

PERCA O MEDO DA REDAÇÃO!!! 

AGORA É A CHANCE DE PASSAR NO CONCURSO DE SEUS SONHOS!

(Presenciais e Online)

Estamos focados no
Concurso aberto TRT – Modalidade Dissertativa

Veja quanto vale o seu texto:

Conteúdo (40 pontos) – tema, clareza, coerência textual
Estrutura (30 pontos) – gênero, progressão, coesão textual
Expressão (30 pontos) – domínio da norma culta formal (estrutura sintática de orações e períodos, elementos coesivos, concordância, pontuação, regência, pronome, tempos e modos verbais, grafia e acentuação) 

NÃO DEIXE A SUA PÁGINA EM BRANCO – VENHA ESCREVER CONOSCO!

Precisas saber mais Língua Portuguesa para o Concurso Público TRT Tribunal Regional do Trabalho?



Ortografia oficial. Acentuação gráfica. Flexão nominal e verbal. Pronomes: emprego, formas de tratamento e colocação. Emprego de tempos e modos verbais. Vozes do verbo. Concordância nominal e verbal. Regência nominal e verbal. Ocorrência de crase. Pontuação. Redação (confronto e reconhecimento de frases corretas e incorretas). Intelecção de texto.


Dificuldades com esse conteúdo?


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Aulas personalizadas no ambiente do correio eletrônico. É tudo o que precisavas!


Pagamento via pagseguro ou depósito bancário.


Em virtude do atendimento personalizado, as vagas são limitadas. Diga-nos o que precisas.

Língua Portuguesa para o Concurso Público TRT Tribunal Regional do Trabalho

Clarice Lispector - Água Viva - 2

Língua Portuguesa e Redação - formulário de contato

1 de ago de 2015

Inspiraturas & APCEF RS Regional Sul!



Contentamento com a parceria que se forma entre Inspiraturas & APCEF RS Regional Sul!

Oficina de Criação Literária aos empregados da Caixa... por uma Caixa pública e literária!

Grande emprenho de Lucia Leal.
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