Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de Escrita Literária - POESIA - on line

Untitled-1
Despertar poesia - Inspiraturas
vivências de poesia para iniciantes e amadores
com ênfase na escritura de poemas
exercícios lúdicos e práticas de escrita criativa
subsídios teóricos para a produção de poemas autorais
incentivo à troca de experiências, impressões e sugestões
acompanhamento da produção e dos resultados
Às segundas-feiras, 19:30h até 22h na Casa do Poeta Inspiraturas - Pelotas RS
início em junho. Apenas oito vagas - 70$mês
www.inspiraturas.com
whatsapp 53991212552
oficinainspiraturas@gmail.com

21 de out de 2015


    meninos, meninos
     que brincam na rua sem asfalto
     o entardecer lhes é o riso, o grito
     o artefato foi feito da folha da tarefa
     as sacolas plásticas do mercado deram para rabiolas
     as latas vazias de cerveja viraram carretéis

    meninos, meninos
     que se dividem em pressa
     um vai na frente, desajeitado no soltar da linha
     o menor está atrás, mas esse tem jeito pra voo, a pipa é uma dançarina em suas pequenas mãos e seu sorriso largo
     o último segue lento e tristonho, grita, "minha pipa raigou, raigou"

    meninos, meninos
     que correm na rua desasfaltada da minha memória
     raigam meus pensamentos
     me conduzem por passos espiralados dos tempos de antes
     salto por entre as linhas e vou, voo

    meninos, meninos
     já fui catadora de infância
     o meio fio me contou tantos segredos
     meu riso estava no chão
     meu voo era rasteiro
     os azulejos quebrados me serviam para amarelinha
     as castanhas para formar cidades encantadas
     o giz para rabiscar poemas nas calçadas
     das sobras de casa guardei elásticos e quando não havia pernas amigas
     as cadeiras foram bem utilizadas
     as garrafas de plásticos serviam para guardar as bolinhas de gude
     meu ser criança terminava na hora que painho assobiava
     era o momento de escorrer a meninice pelo ralo
     quase sempre o ardor do methiolate para carimbar o dia
     depois era só apagar as estrelas exaustas e ofegantes
     até o novo amanhecer

    meninos, meninos
     não me canso dos amanheceres
     !

    Bia Cunha

Nenhum comentário:

Postar um comentário