Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

28 de abr de 2016

Oficina de Criação Literária INSPIRATURAS/APCEF - oficineira DIONIZIA

"Minhas dores semeiam versos"

poema com métrica ou, preferencialmente, soneto.

EXERCICIO – ESCREVER UM FRAGMENTO DE MINHA AUTOBIOGRAFIA

PIQUINIQUE NA PRAIA DO BARRO DURO

Lembrar da infância para mim é bastante prazeroso. Os piqueniques na praia do Barro Duro eram dos deuses. Saíamos a tarde, com um tio materno, eu e meu irmão, não época eramos só nos dois, uma prima, minha mãe, minha avó. Íamos escondido do meu pai. Porque meu tio não era lá dessas coisas, de andar conforme os ditames das leis. Nem sei se ele tinha carteira de motorista. Mas o carro, um Austine, funcionava a base do empurrão e da manivela. Ainda bem que meu tio era mecânico. Não foram poucas as vezes que tivemos que desembarcar para ficarmos olhando o carro ser empurrado por algum bom samaritano que passava pelo local onde estávamos. O mais impactante foi a vez que vinhamos pela avenida Bento Gonçalves em direção à praia e fomos abordados por um policial da brigada militar. Meu tio não estava com a carteira de motorista. Calçava umas chinelas havaianas remendado no meio dos dedos com um arame. Naquela época não se exigia cinto de segurança e acho que o número de pessoas no carro também não era problema. Para dar uma incrementada na situação parece que os papéis do carro também estavam irregulares. Uma coisa posso garantir, não houve suborno, não que naquela época já não existisse esse tipo de transação financeira. Posso garantir que não, pois quem deu o dinheiro para colocar gasolina no carro foi minha mãe. Meu tio estava mal de dinheiro. Mas o tal brigadiano acho que ficou penalizado com a situação e nos deixou seguir nosso caminho.

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EXERCICIO – ESCREVER SOBRE O EFÊMERO

Sara

Sentada na beira da praia, olho o movimento das ondas abrilhantadas pelos primeiros raios de sol que surgem no horizonte. Elas tocam mansamente a areia, deixando uma espuma branca que se consome por si só. Manhã de outono, sopra uma brisa de temperatura agradável. O sol vem nascendo por detrás de nuvens que passam por ele como se estivessem viajando por uma estrada de mão única. 

Pensamentos diversos vem e vão, tal qual o movimento das ondas, da brisa que sopra, das nuvens que passam. Um cãozinho se aproxima, deita próximo de mim, apoia a cabeça entre as patas e fica olhando na direção da água. Uma gaivota faz menção de aterrissar, quando é sobressaltada pelos latidos do meu companheiro de passagem. Ele a persegue até perder a esperança de alcançá-la e retoma o seu lugar.

Levanto, está na hora de ir. O cão vem atrás de mim, ele também necessita sair em busca do seu futuro. Decido caminhar em direção ao trapiche. Minutos depois ouço uma freada brusca. Olho para trás e vejo que é bem na saída da rua onde moro e que há uma pessoa vestida com uma roupa cor de laranja. Saio em disparada. Meu marido, antes de eu sair de casa, estava se preparando para andar de bicicleta. Não lembrava a cor da blusa que ele vestia, mas ele costuma usar uma blusa laranja. Meu coração dispara. Quando me aproximo, vejo-o de pé, segurando a bicicleta. No chão uma moça caída, com a metade do corpo na calçada, as pernas apoiadas no meio-fio. Não havia ninguém vestindo laranja, a legue da moça era colorida e dentre as inúmeras cores havia a cor laranja. Um rapaz alto, cabelos molhados, camisa branca, boa aparência, caminhava ao redor do carro falando no celular. Ao ser indagado sobre o que havia acontecido, disse que o celular tocou e ele foi atender. O para-brisa estava quebrado, segundo ele, porque a moça teria batido de cabeça. A vítima estava consciente. A todo momento as pessoas que estavam por ali, não a deixavam dormir, chamando-a insistentemente pelo seu nome: Sara e fazendo perguntas. Disse que tinha 34 anos, que seu nome era Sara, que queria sim, que seu marido fosse avisado. Aguardávamos ansiosos a ambulância. Eram sete e meia da manha, quando Sara foi atropelada. Faltavam três casas para chegar a casa de seus patrões. Ela caminhava pela beirada da calçada no meio da rua com mais uma amiga. Não estava numa avenida movimentada, só aquele carro transitava ali naquele instante.

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EXERCICIO – ESCREVER SOBRE OLHARES – EM PROSA OU POESIA

OLHARES QUE SE OLHAM

OLHARES QUE
 ACUSAM E SE CRUZAM
OLHARES QUE
DESNUDAM E SE REVESTEM
OLHARES QUE
EXCITAM E SE ENVOLVEM
OLHARES QUE
APAVORAM E SE ROMPEM
OLHARES QUE
APROVAM E SE  ALIAM
OLHARES QUE
CONVENCEM E SE ENTREGAM
OLHARES QUE
APAIXONAM E SE COMPROMENTEM
OLHARES QUE
REPRIMEM E SE ANULAM

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EXERCICIO – ELABORAR TEXTO EM PROSA OU VERSO SOBRE Atrás das montanhas….

Atrás das montanhas….

Talvez haja uma estrada
Uma cidade perdida
Uma praia, Uma floresta
Uma amizade a descobrir
Não há como saber

Como se faz para chegar
A quem perguntar
É preciso escalar
Pegar um atalho

Não há pistas
Do que se possa encontrar
Pode-se imaginar
Até sonhar

E se ao chegar lá
Nada encontrar
For um abismo sem fim
Um tempo perdido
Um amor esquecido

E se não conseguir
Alcançar o topo?
E me perder na subida
E me arrepender na chegada

E se eu chegar
Numa noite de lua cheia
E o lobo estiver uivando
Houver pedras pelo caminho
Uma majestosa águia
Guardando seu ninho

E se houver raios e trovões
E a chuva não me deixar enxergar
E o vento me levar
E o oxigênio faltar

A quem devo pedir ajuda

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EXERCICIO – DIALOGO ENTRE O COELHO DA ALICE E A MADONA

Madona: - Bom dia senhor coelho?
Coelho da Alice: -  Ai, ai, ai,  vou chegar atrasado demais. Desculpe senhora.
Madona: - Como assim? Atrasado para quê?
Coelho da Alice: – Ora! senhora! não tenho tempo para perguntas.
Madona: - Deixa de ser malcriado.
Coelho da Alice: - Não sou malcriado, senhora, sou ocupado, é bem diferente.
Madona: - Ocupado com o quê? Posso saber?
Coelho da Alice: - Em ficar respondendo perguntas.
Madona: - Perguntas de quem?
Coelho da Alice: - Ora de quem! Da senhora.
Madona: - Mas o senhor acabou de dizer que não responde perguntas
Coelho da Alice: - É isso mesmo. Por que, então, a senhora insiste?
Madona: - Porque eu quero escrever um livro infantil onde o senhor e não, Alice, será o  personagem principal.
Coelho da Alice: - Ah! Senhora me poupe, a senhora por acaso não é cantora?
Madona: - Sou cantora, mas também escritora de livros infantis, diretora, dançarina, atriz, desenhista de moda, empresária.
Coelho da Alice: - Chega, chega, senhora. Se eu fosse metade do que a senhora diz que é, eu calcularia meus atrasos não em horas ou minutos, mas em séculos.
Madona: - Não exagere senhor coelho.
Coelho da Alice: - Eu sou o exagerado, mas é a senhora quem tem mil e uma oupações. Adeus senhora tenho que ir....

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EXERCICIO – Faze um texto em prosa sobre Flores Falsas

FLORES FALSAS

Anita estava na parada do ônibus, ao seu lado, uma senhora lhe disse que não sabia ler e se ela poderia avisá-la quando chegasse o ônibus do bairro Flores Falsas. Anita estranhou aquele nome pois, afinal, sempre morou na cidade e nunca ouvira falar no tal bairro. Por outro lado, como havia tantos empreendimentos imobiliários novos, poderia ser um desses do projeto Minha Casa Minha Vida. A senhora não disse nem mais uma palavra, ficou abraçada numa dessas sacolas de algodão, bastante encardido que trazia a propaganda de algo relacionado à ecologia e a uma fábrica de doces que não conseguiu identificar o nome. Passado alguns minutos Anita, intrigada, resolveu puxar conversa com a senhorinha, foi, então, que percebeu que a mesma deveria ter algum problema na pronuncia das palavras e que, talvez, o nome do bairro não fosse exatamente aquele. Disse-lhe, entre outras tantas coisas, que residia próxima à fábrica de docas Coroa Lenta. A suspeita de Anita se confirmava porque ela só poderia estar falando da fábrica de doces Dona Benta que fica no Bairro Florêncio Alves.

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EXERCICIO – LEMBRANÇAS DA INFANCIA

A tesoura

Lembro-me de estar em baixo de uma mesa onde minha mãe costumava passar roupas e cortar os moldes para suas costuras. Tinha por volta de 4 anos. Era uma mesa grande de madeira que se abria em três partes. Naquele dia, mamãe foi me vestir, depois do banho, mas o vestido não coube em mim. 
Era o que eu mais gostava. Disse-me que teríamos que doá-lo para uma outra menina. Nunca me importei de dar as minhas roupas. Mas aquele vestido não. Ele era meu. Só meu. Peguei-o escondido de minha mãe e me enfiei em baixo da mesa, com a tesoura de costura que era da minha bisa e que, agora, era da minha mãe e que um dia seria minha. Pelo menos dona coelha carregando um carrinho de mão, cheio de cenouras e seus filhotes ficariam comigo. O vestido poderia ser doado. Estava começando a recortá-lo, quando mamãe entrou na peça onde eu estava, conversando com minha tia. 

Ela falava que havia escutado uma notícia no rádio sobre a aparição de uma assombração nos arredores do cemitério. Era de uma mulher careca, vestida de branco, com uma tesoura na mão, que nas noites de lua cheia, aparecia só para as mulheres, pedindo para cortar uma mecha do cabelo delas. 

Conta a história que essa mulher, quando menina teria sido roubada por uma velha que tinha a fama de ser bruxa e que essa teria usado o cabelo da criança para fazer uma poção mágica para ela, que era careca, recuperar o cabelo perdido. O curioso é que essa velha também tinha sido roubada,´quando criança e quem a roubou teria feito a mesma coisa. Mas o mais curioso de tudo é que essa mulher fantasma, quando não cortar o cabelo da sua vítima, a tesoura corre atrás dessa até alcançá-la. Mas o mais curioso ainda é que eu me lembro da nossa avó contar essa história e dizer que essa tesoura que eu uso para cortar meus moldes, que ela me deixou de herança, pertencia a essa mulher. Que ela teria conseguido se escapar da mulher, mas que a tesoura a seguiu e só não a alcançou porque, bem na hora, uma nuvem encobriu a lua e a tesoura caiu no chão.

Nesse instante da conversa, parei de fazer o que estava fazendo e muito devagar, muito mesmo, coloquei a tesoura o mais longe de mim, em silêncio, para não ser descoberta. O meu coração começou a bater forte e por mais que eu quisesse sair daquele lugar eu não conseguia era como se alguma coisa me prendesse ao chão.

Minha tia, então, perguntou para a minha mãe, se era verdade essa história, como a mulher fantasma continuava aparecendo com a tesoura. Foi quando mamãe disse que estava aguardando essa pergunta porque agora é que a história ficava mais interessante. Segundo ela, a avó teria falado que ao chegar em casa, naquela noite, deixou a tesoura em cima de uma mesa na cozinha e foi deitar. No meio da noite acordou com um barulho como se alguém estivesse abrindo e fechando uma tesoura. Era ensurdecedor. No início achou que estava sonhando. Levantou a cabeça do travesseiro para se certificar, mas ouvia nitidamente as tesouradas. Levantou e seguiu o som que dava na cozinha. Ao chegar, encontrou a mulher careca com a tesoura na mão. Pode vê-la porque a luz da lua clareava o ambiente. Vovó disse que não sentiu medo, porque nunca teve medo de assombrações, e perguntou a tal mulher o que ela queria. E, por incrível que possa parecer, ela respondeu que queria o que era dela, parando de fazer o barulho com a tesoura. Vovó respondeu que aquela tesoura não era dela, pois achara na rua. A mulher, então, lhe disse que não queria aquela tesoura, pois já não lhe pertencia mais, mas precisava de uma outra, para poder seguir seu caminho sem machucar ninguém. Vovó disse que foi até o quarto da costura e pegou a tesoura que era dela e entregou-a a mulher que no mesmo instante sumiu.

Nesse momento minha mãe deixa cair a fita metrica no chão e ao se agachar para pegá-la se dá de cara comigo.  

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EXERCICO DE CRIAÇAO DE TEXTO NARRADOR PROTAGONISTA

A VIAGEM

Todos os passageiros já estavam no ônibus. Cheguei por último. Logo, logo, a noite cederia lugar à luz do amanhecer, penetrando por entre as cortinas. Talvez, então, tudo ficasse mais claro. Pegara, apenas, o necessário. Tinha dúvidas quanto a escova de dentes. Compraria uma no próximo paradouro. Apesar de ter dormido pouco, preocupada em não perder a hora, estava desperta. Na poltrona, ao lado da minha, havia um homem roncando. Ao sentar, percebi, de imediato, que não se tratava de um simples roncador, mas de um roncador três bolas. Aquele que senta de pernas abertas, tão abertas, que a impressão que dá é que o cara possui algo a mais entre as pernas. Espremida entre o homem e o banco da frente, ajeitei-me de tal forma que uma parte de mim ficou no corredor. Não deu sinal de vida, quando sentei nem quando foi dada a partida. Uma criança, recém-nascida, chorava desesperadamente, trazendo a mãe para o corredor. A jovem balançava o filho numa cadência fora de ritmo, o que parecia deixá-lo ainda mais irritado. Minha esperança era que o três bolas acordasse, mas para meu desespero, se quer mexeu uma sobrancelha. Essa viagem prometia uma boa carga de estresse. A que eu trazia de casa e a que acabava de brotar. Situação fora de controle, abri a bolsa: palavras-cruzadas poderia ser uma alternativa para aquele momento. A criança foi se acalmando lentamente, sugando o seio da mãe. O homem continuou mumificado. Dei um toque com minha perna na perna dele, depois dois cutuvelaços de leve no braço que ocupava o descanso que deveria ser compartilhado, diga-se de passagem, em vão. Minha timidez impediu-me de imprimir uma força maior quer no braço, quer nas pernas

As constantes viagens de ônibus haviam me dado alguns conhecimentos, entre eles, o da existência dessa espécie humana, nada rara, o três bolas. Na ingenuidade de quem inicia um cotidiano de viagens intermunicipais, a ideia era torcer para que não sentasse ao meu lado uma pessoa gorda. Nada contra o gordo, tenho vários amigos gordos, não tenho problemas quanto a isso. A questão é de ocupação de espaço, de se sentir oprimido, invadido, ignorado. As poltronas ficam cada vez mais estreitas e o espaço interno dos veículos também. Com o passar do tempo fui tomando conhecimento de que o problema não era o gordo, mas o ser espaçoso, o que abre as pernas e/ou os braços, como se não houvesse, não o amanhã, mas o outro, o próximo.

Minha intolerância ao três bolas se intensificou no dia em que um jovem muito gordo sentou do meu lado sem que eu me sentisse um estorvo, sem que eu necessitasse me encolher, me encapsular, me tornar mais magra do que já sou. Ele tinha noção de espaço, de respeito a liberdade de movimento do outro, no caso eu. Apesar de ter torcido muito para ele não me escolher, quando entrou no ônibus, fui a contemplada. Para minha surpresa, espanto e remorso, em momento algum tive que me encolher, me esquivar, quer seja dos seus braços ou de suas pernas. Ele sentou com se fosse uma pluma. Eu certamente nunca me sentei daquele modo. Cruzou os braços em cima da barriga e manteve as pernas fechadas. Desde aquele dia passei a torcer para que ele fosse o meu parceiro de viagem.

Dizem os entendidos que palavras-cruzadas é um antídoto para o mal de Alzheimer, por experiência própria afirmo que também é para o pânico, mas para o ronco, ineficaz. Pensei, então, em escutar rádio, mas poderia terminar com a bateria do celular. Não me arriscaria a ficar sem comunicação. 

Ainda tinha muita estrada pela frente. Pego a caneta: sinônimo de altar (três letras) Ara; lance do tênis (três letras) Ace.

O antídoto para o três bolas ainda está em estudo.

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EXERCICO DE CRIAÇAO DE POESIA COM AS SEGUINTES PALAVRAS:

Grito, emoção, arte

ELA CHOROU,
ELE SORRIA
GRITO!
DE EMOÇÃO

SILENCIO
É A ARTE
QUE PULSA
NUM EMBATE

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EXERCICO DE CRIAÇAO DE TEXTO UTILIZANDO A FRASE: EU VI NASCEREM TANTOS SOIS FRIOS E QUADRADOS

Caleidoscópio
Eu vi nascerem tantos
Sóis frios e quadrados
Eu vi brotarem tantas
Flores multi coloridas
Sem perfume

Eu vi tantos
Sóis e flores
Dentro de um cilindro
Que penso estar mentindo

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EXERCICO DE CRIAÇAO DE TEXTO; PALAVRA INVENTADA – FRUTIVOLA

Frutivola

Até aquele dia para Albertina Frutivola era a sua esperança de sair da miséria em que vivia com a família em um pedaço de terra perdido por entre morros salpicados de pedras que impediam o uso de animais para o plantio. Pensava em tirar os pais e os irmãos daquele inferno, quente e íngreme.

Ao descer do ônibus, junto com outras jovens da sua idade, a primeira coisa que viu foi a placa enferrujada indicando que ali se localizava Frutivola ainda que a letra f estivesse quase imperceptível. 

Um casarão antigo de porta e janelas muito altas, paredes esmaecidas pelo tempo. De imediato teve a lucidez de que aquele lugar, sim, seria o seu verdadeiro inferno. Caira numa armadilha. O pai e a mãe tentaram, em vão, por muitos dias, persuadi-la a desistir da ideia de migrar para a cidade grande em busca da salvação da família. Mas o ímpeto da juventude, o anseio de felicidade, cegaram Albertina que encantada com as promessas de seu amado só tinha ouvidos para ele. Os pais estavam velhos, nunca tinham saído daquele buraco. Queria, pelo menos, dar uma velhice digna para eles e um futuro melhor para os irmãos. Não tinha a quem recorrer naquele momento, teria que suportar as consequências da sua escolha. Não sabia por quanto tempo. A única certeza que tinha é que esse dia chegaria e que Juarez teria o que merecia.

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Exercicio de rima 1ª 4ª 7ª silaba

Lágrimas que amanhecem
Descem suave curando
O coração machucado
Pelo amor renegado

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EXERCICIO: NARRATIVA LIVRE COM ENFASE NO DIALOGO

Da cozinha para a pracinha

Débora estava decidida, iria passear com o filho e a empregada cuidaria dos afazeres de casa. Depois que conversara com uma amiga, se dera conta de que havia algo errado em  sua rotina. Quem deveria levar o filho na pracinha, na escolinha de futebol e de natação era ela.
A campainha toca:  
Bom dia! dona Débora
Bom dia! dona Adelaide?
O Pedro Henrique já acordou?
Sim, está no quarto assistindo televisão.
Então vou largara a minha bolsa lá na dispensa e já vou pegar ele para ir na pracinha. Está um lindo dia.
Pode ir dona Adelaide, mas depois vem aqui na cozinha que eu quero falar com senhora.
Está bem.
 Pois não dona Débora, a senhora queria falar comigo? Eu fiz alguma coisa errada?
Não, não é nada disso. É que hoje resolvi, quer dizer, de hoje em diante quem vai levar o Pedro Henrique para passear serei eu. A senhora vai fazer o almoço. Estive pensando que estou muito afastada do meu filho, a senhora conhece ele  melhor do que eu.
Por mim tá tudo bem dona Débora, mas o seu Augusto já sabe disso?
Não, ainda não sabe, mas não se preocupe, ele vai ter que aceitar isso, é para o bem do nosso filho.    
Eu nunca falei nada pra senhora, mas eu comentava com o meu Juarez que achava muito estranho a senhora ficar em casa, cozinhando, e eu sair para passear com o Pedrinho. O Juarez também ficava cabreiro com essa história.
O que me espanta é eu até agora ter achado tudo isso a coisa mais normal do mundo. Fui na conversa do Augusto, de que eu era a melhor cozinheira do mundo, que ninguém fazia isso ou aquilo melhor que eu e olhe no que deu. E se eu morrer? Ele não vai mais comer? E quando ele viaja, ele não come nos restaurantes? Como eu fui ser tão idiota assim.
Olha dona Débora a senhora não fique se culpando, essas coisas acontecem, mas a senhora pode contar comigo, eu posso cozinhar e fazer exatamente como a senhora me mandar. O   seu Augusto não vai poder reclamar e a senhora vai poder passear com  o Pedrinho pra tudo que é lugar.
A senhora acha mesmo que consegue dona Adelaide?
Claro que consigo, em todos os meus empregos eu cozinhava. Vai dar tudo certo a senhora vai ver. Eu vou lá ajudar o Pedrinho a se vestir.
Não diga nada pra ele que eu sou eu que vou sair com ele
Pode deixar dona Débora.   

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EXERCICIO - CRIAÇÃO DE PERSONAGENS

Luísa: (nome verdadeiro João Paulo), 30 anos, cabelos longos, loiros com mexas, olhos castanhos, alta mãos e pés grandes, lábios grossos, sobrancelhas finas, educada, delicada, veste-se de forma sóbria e elegante, discreta, proprietária de um centro de beleza.
Wesley: adolescente, 14 anos, estatura mediana, pele bronzeada, cabeça raspada, tatuagem de uma caveira na canela da perna direita, olhos pretos, graúdos, skeitista, dançarino de rapp,

Vida nova

Luísa, como fazia diariamente, saiu cedo de casa. Manhã de sábado. Um dia intenso de trabalho estava por vir. Festas de formatura, casamentos, aniversários de quinze anos e por aí afora. Motivos diversos para a mulherada caprichar no visual. Pensou em pegar um táxi, mas como ainda tinha tempo, resolveu aproveitar o sol daquela manhã de primavera. Sentia-se livre, feliz, como no tempo em que ainda não sabia das mazelas desse mundo cão. A mudança de cidade realmente lhe fizera bem. Ali ninguém conhecia sua real identidade. Podia ser ela mesma, passar nas calçadas sem ouvir piadinhas de mal gosto, insultos, olhares repressores e, às vezes, maliciosos. Não sabia por quanto tempo poderia levar essa vida secreta, mas estava disposta e decidida a aproveitar até o último instante. Porque foi tão difícil tomar a decisão de sair daquela maldita cidade? A mãe era só uma desculpa ou não? Mas como deixá-la aos cuidados do Teozinho, o queridinho, um irresponsável. 

Sempre arrumando uma desculpa para não cuidar da mamãe. Compromisso? Só quando queria extorquir alguma grana dela. Mas de que adianta ficar lembrando disso agora?  Ela já se foi mesmo. 

O que eu pude fazer eu fiz. Tenho que me livrar desses pensamentos que não me levam a lugar algum e ainda me deixam pra baixo. Luísa tens que pensar positivamente. Cidade nova, pensamentos novos, vida nova. Esse será de agora em diante teu mantra.

Enquanto fica repetindo seu novo mantra, Luísa observa a paisagem, os jardins das casas, e um garoto que vem em sua direção andando num skate que, repentinamente, tomba no chão ao desviar de um buraco na calçada. Luísa vai em seu socorro. O garoto tenta levantar sozinho, não aceita pegar na mão estendida de Luísa, que pergunta:

 – Machucou garoto?

– Não, tá tudo bem. Ao tenta levantar, faz uma cara de dor e desabafa:  – Porra meu, acho que quebrei alguma coisa.

 – Deixa eu te ajudar.

 – Não moça, só liga pro meu pai que ele vem me buscar.

 – Luísa tira o celular da bolsa: – Liga você mesma.

– Pai? É o Wesley. Pode vir me buscar? Aqui perto de casa, nesse centro de beleza que abriu a pouco, é esse mesmo. É que eu cai e não tô conseguindo me levantar, acho que quebrei alguma coisa. Não, não, esse telefone é duma mulher que tava passando na rua. Não sei o nome dela. Qual é o seu nome?

 – Luísa.

– Luísa. Pai, mas pra que pai que tu quer falar com ela? Tá bom. Wesley entrega o telefone para Luísa

– Sim, pois não. Não se preocupe acho que não é nada grave, não, eu trabalho nesse centro de beleza aqui perto, posso levá-lo para lá. Não, não é incomodo algum. Eu fico lhe aguardando.

 – Vamos, então, meu rapaz eu te ajudo.

- O que meu pai disse? Não quero ir a lugar nenhum, quero ficar aqui esperando por ele.

- Ele falou que vai demorar um pouco. Foi resolver um problema de um cliente na praia.

- Vamos lá, eu ajudo você a levantar.

- É que tá doendo.

- Vamos tentar, se não conseguirmos a gente espera aqui mesmo.

- Wesley se agarra ao pescoço de Luísa e consegue ficar de pé. Com a outra mão segura o skate.

- Ainda bem que estamos perto. Você aguenta?

- Sim acho que sim

Ao chegarem Luísa ajuda Wesley a se firmar na parede e abre a porta do salão. Os dois entram e Wesley senta num sofá. Enquanto Luísa abre as cortinas e acende a luz pergunta:  –  aceita um copo  de água ou refrigerante?

- Aceito um refri.

Luisa se dirige à cozinha e volta com um copo e um pote de vidro com pães de mel que ela mesma havia confeccionado.

- Como é mesmo o seu nome?

- Wesley.

- Tá doendo muito ainda?

- Não, agora parece que tá aliviando. Nunca comi um pão de mel tão bom. Que marca é?

- É da marca Luísa

- Deve ser uma marca nova, eu não conheço.

- To só  brincando, sou eu mesma que faço.

- Puxa! é bom demais, eu amo bolinhos de mel. Vai ter que dar a receita para o meu pai ele, adora cozinhar. Será que ele vai demorar?

- Quer ligar?

- Não, é melhor não. Quando ele tá no serviço, não gosta que eu fique ligando. Tu é a dona do salão?

- Sim

- Antes, aqui, era uma casa velha, abandonada, meu pai ficou feliz quando construíram esse salão. É que a gente mora nos fundos e um bando de drogado vinha pra cá e faziam muito barulho, uma vez quase incendiaram a casa. Tiveram que chamar os bombeiros.

- Então somos vizinhos! Que boa notícia porque ainda não fiz amizades por aqui. Quer mais um bolinho?

- Eu quero sim, tá bom demais. Tu mora aqui?

- Não, aqui é só onde eu trabalho.

- Tu só corta cabelo de mulher?

- Não, de homem também. Mas parece que você não precisa muito da minha ajuda.

- É meu pai passa a máquina, mas o dele, ele corta num salão só de homem. Eu não gosto do jeito que ele corta, fica parecendo que tem um capacete na cabeça, bem que ele podia cortar aqui contigo.

- Se ele quiser podemos experimentar.

- To ouvindo o barulho de uma moto, acho que meu pai chegou.

-  Vou dar uma olhada pela janela. Acho que é ele mesmo, parou aqui na frente.

- É uma moto vermelha?

- É

- Me ajuda aqui.

- Calma rapaz, primeiro vou abrir a porta para o seu pai.

-Bom dia! Você deve ser o pai de Wesley, desculpe, nos falamos por telefone e nem  perguntei o seu  nome. Luísa não entende porque, mas sente que seu coração acelera um pouco.

- Bernardo, prazer. Ao falar estende a mão. Eu é que peço desculpas, devia ter me apresentado quando nos falamos, mas acho que foi o susto que não me deixou ser gentil.

- Pai, pai

- Calma Wesleyz, já estou indo. Tudo bem meu filho?

- Agora sim, achei que tivesse quebrado o pé, mas parou de doer.

- Vamos até o pronto socorro e, assim, tiramos a dúvida.

- Pai tu nem sabe, a Luisa faz um pão de mel que é uma delicia, tens que pedir a receita para ela.

- É pelo jeito tu estás bem mesmo.

- Pode deixar Wesley eu mando a receita para o celular do teu pai

- É pai dá o teu número para Luísa.

- Ela já tem o meu número. Lembra que você me ligou do telefone dela?

- Ah! É mesmo.

- Então vamos pai.

Luísa e Bernardo se olham e sorriem um para o outro. A sensação de ambos é que já se  conheciam de algum lugar. Luísa foge do confronto:

- Deixa que eu levo o skate e você cuida dele.

- Tá bem.

Pai e filho se despedem. Luísa fecha a porta, senta numa cadeira em frene ao espelho e sorri. A campaninha toca.  

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EXERCICIO EM POESIA – INVERSÃO DE GÊNERO DO EU LIRICO

DILEMA
MULHERES! AH! ESSAS MULHERES
SÓ QUEREM, QUEREM
O QUE ELAS QUEREM AFINAL?

VAI SABER
QUEM SABE?
NEM ELAS  
MUITO MENOS EU
VELHO MORTAL
…...

NADA DE ASSOBIOS
SILENCIO
DOR DE CABEÇA
  
NADA DE PERGUNTAS

O CHINELO?
NO LUGAR SE SEMPRE

A CUECA?
NO LUGAR DE SEMPRE

AS MEIAS?
NO LUGAR DE SEMPRE

UMA PERGUNTA?
O LUGAR DE SEMPRE
EXISTE? OU
É UMA INVENÇÃO DAS MULHERES?

DESCULPE!
 ERA SÓ UMA PERGUNTA
RESPONDA A ÚLTIMA POR FAVOR  

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E se o ar faltasse a todos
E se o ar faltasse a todos?
Todos entrariam na Bolha,
Sem problemas
Bolha! Que Bolha?

Aquela inventada pelos homens
Homens! Que homens?
Os que matam, poluem
Amam e criam

Bolha? Bolha de sabão!
Aquela que o vento
Leva num tempo
Que tempo?
O que já passou

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E se o mundo ficasse roxo
E se o mundo ficasse roxo?
Eu diria que enlouqueci
Que me embriaguei
Que estive sonhando

Não enlouqueci
Não me embriaguei
Não sonhei
Disseram

Foram as lentes da mente
Entraram em blecaute
Mundo roxo, mundo frouxo
Que a lucidez não me falte

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CRIAÇÃO DE TEXTO EM DE DUPLA

Margaridas

Soa a buzina lá fora e, sentada na poltrona, Vera não vê como levantar. Calor intenso. Recorda o avarandado da casa de praia, os filhos correndo atrás da cadela, Laica, o canto dos sabiás, o cheiro do pão assando no fogão a lenha. Ela na rede a espera de Osvaldo. Uma espera doída,  mas, ao mesmo tempo, cheia de expectativa. Nunca sabia a hora, o dia, em que ele passaria por aquele portão com uma braçada de margaridas. Sempre margaridas. Em meio a gritaria das crianças, ao latido do cachorro, ao barulho das ondas do mar, em dias de vento forte, buscava, insistentemente, escutar o ranger das dobradiças enferrujadas. Na maioria das vezes, em vão.

Os filhos cresceram, casaram. Ela envelheceu, mas continua com aquela sensação de que ainda vai escutar o ranger do portão. Olha para o vaso repleto de margaridas. A buzina soa mais uma vez e, por um instante, Vera imagina que seja Osvaldo. Tenta  levantar instintivamente, mas desiste, a bengala cai. 

A buzina continua a soar.    


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Os quinze anos de Rafaela

Personagem: Vânia
Características: madrinha e tia materna de Rafaela, é quem ajuda financeiramente a família e quem vai dar a festa. Gosta de organizar e opinar. É solteira

Hoje posso dizer que estou realizando um dos meus sonhos: a festa de 15 anos de Rafaela. Já estou pensando na festa de formatura. Gastei todas as minhas economias, mas não me arrependo. A partir de agora vou começar uma nova poupança para a formatura e para pagar a faculdade, se for preciso, caso contrário, o dinheiro fica para o carro que eu quero dar de presente a ela. O que importa é que estou muito feliz e parece que Rafaela também. O tempo passou muito depressa, lembro perfeitamente do primeiro aninho. Não foi a festa que eu sonhava, mas, na época, não podia me meter muito porque Vamora ainda era viva. Mas, agora, eu posso fazer do meu jeito. Não medi esforços para que tudo saísse perfeitamente, da decoração ao menu. Falei, pessoalmente, com todos os garçons e com as cozinheiras. Nada de economia, não quero que saiam falando por ai que foram mal servidos ou que a comida não estava boa. Estou ansiosa para ver a cara da Rafaela, quando entrar por aquela porta a banda preferida dela. Ela nem imagina que o melhor da noite esta por vir. Estou tão nervosa que acho que vou pegar uma bebida. Garçom por favor um champanhe.

Enquanto bebe, Vânia observa Fátima e Moacir que estão pousando para uma foto com Rafaela. Sente um aperto no coração, uma angustia. Desvia o olhar para a porta, na esperança de que algo venha em seu socorro.



25 de abr de 2016

INSPIRATURAS - Desafios no WhatsApp - poema para botar os bichos - Dani Castro, Tim Soares e Mahiriri Ossuka

Participando do desafio INSPIRATURAS no Whatsapp - DESAFIO 4: A ideia é simples: escrever um poema pecaminoso ou sexy, ou grotesco, ou escatológico, ou violento, ou sadomasoquista... entre outras taras. "Vamos botar os bichos para fora" rsrsrs

Dialogues com o tabu, com a sujeira, com aqueles aspectos renegados da cultura humana...fodam-se medos e preconceitos. A literatura desconhece limites, logo, não imponhas limites a ti mesmo. Boas inspirações!


RESPEITÁVEL PÚBLICO Venham todos, meus senhores, chegou o Circo Dantesco, seu espetáculo de horrores. Caras retorcidas em sorrisos sádicos, discursos lunáticos de palavras vãs, pa minha mãe, po meu pai e pa voxê! Zueira! Zueira! Para tudo! Hora das palmas. Mostra o cartaz, não, não, mais pra lá, tira aquele cara da frente que o momento é da valsa do adeus. Vira as câmeras, registra os lances fatais: Amplificadas, palavras de aço são lanças a perfurar o fígado. Conchavos, puxadas de tapete, pragas, vaias e cusparadas letais. Uma massa eufórica ergue o soldado, após uma árdua batalha em defesa da honra e da verdade, pela liberdade! Do lado de fora, sentado à mesa, aquele que sempre paga a conta assiste a tudo, engole essa massinha e sonha com o suave balançar do navio que vai pras ilhas Rarotonga.
Bebel Plá

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É a colisão
Vulgar
E louca
No quente
Céu
Macio
Geme louca
A ninfa
No cio
Com a explosão
Láctea
Na boca.

Tim Soares

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Vai-te lixar senhor presidente!

Em nome de todas águas da nascente
Ali onde fornicam as duas luas poderosas
Montanhas de reprodução natural
De dois espermas se liquidificando.

Senhor presente fodam-se os teus discursos
Entre promessas e falsidades
Enquanto ao longo desta nascente
Vai-se a cada dia pescar mais uma morte.

Foda-se a moral política e ética de cidadania
O que me interessa mesmo é a tua cabeça
Trinchada em extratos bancários
Lá dos teus tropas nos bancos do além.

Foda-se mais uma vez ao tamanho desta monopartidaria
Roubalheira a qual crava sua legalidade corrompida
Nessa vossa casa que dizem ser do povo,
Fodam-se todos eles, os teus deputados
Fantoches do "sim senhor" com medo de ver os seus tomates embrulhados,

Se esmagando a cada cartão de voto que recusam uma esteira melhor
Para este sexo selvagens que gostas sem amor.

Ainda me falta invocar que a viagra política que te alimenta
Perca a sua potência a cada medo ou cobardia em que te acobertas
No lugar de uma decisão.

Foda-me sempre como o fazes nos teus comícios,
Mas por favor, alinha os tomates para que pelo menos seja
Com vergonha e com amor.

Enquanto gemem as vaginas todas dos futuros que vez se arruinar.

Incógnito,
Mahiriri Ossuka

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Reencontro

Alguns anos passaram
Os olhos voltam a brilhar;
Sentem saudades
Do dia que já se foi...

Hoje ele está casado
E ela a pouco separada,
Mas as velhas lembranças...

Combinaram de se ver; Conversaram sobre coisas;
E ali os corpos quase se tocando;
Os olhos parecem incendiar de desejo;
O proibido fala mais alto
E nem tocam no assunto...

No outro dia, por mensagem,
Ela se enche de coragem
E diz da sua vontade,
Do seu anseio...

Ele responde que
Também sentiu
E fica no ar
Aquele desejo
Insaciável...

Dani Castro
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14 de abr de 2016

INSPIRATURAS - Desafios no WhatsApp - poema com o mote "Andei por aí..." - Dhenova, Dani Castro, Tim Soares, Bebel Plá, Wasil Sacharuk, Fabio Alves

Participando do desafio INSPIRATURAS no Whatsapp - poema com o mote "Andei por aí..."


PROCURA

Andei pelas ruas
Pelas praças
Casas e palácios

Por todos os lugares
E por nenhum lugar

Andei por aqui e por aí
Em busca das tuas palavras
Atrás de tuas migalhas

Só encontrei saudades e pesares
Lugares
Onde nunca soube estar.

Fabio Alves


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Andei até amanhecer, até avistar água. Ainda ali, assisti andarilhos anônimos almejando alegrias. Ainda avistei arcádias, aves ancestrais, almas aleatórias. Andei até as águas abundantes. Apenas andei até afogar-me almejando a amplidão.

Tim Soares

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ANDANÇAS

Faminta de versos andei por aí despi vaidades neguei minhas vontades ouvi verdades de joelhos caí De quatro no chão calei minha rima aceitei minha sina engoli a lágrima perdi a razão De louca varrida dei pra ouvir vozes sussurros fugazes em notas vivazes palavra atrevida Na taça vazia verti minha dor bebi meu suor me embriaguei de calor transpirei poesia

Bebel Plá

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Destino

Andei por aí
Certa de que o encontraria
Mais uma vez enganei - me
Foi só uma breve ironia

Ironia do destino
Colocava - me em desatino
Jurava que me encontraria
Em teus braços viris

Andei por aí
A procurar um motivo
Para não desanimar
E seguir meu destino!

Dani Castro


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Transportado

estive em meu corpo
rejeitado e morto
horas a fio
visitei galerias
um espaço sombrio
alagado e vazio
sem poesia

ninguém ao meu lado
solitário e cansado
estive com frio

escutei lamúrias
da esquizofrenia
insensatas histórias
no mundo quadrado
sem poesia

delirei acordado
o meu corpo suado
estive febril

estive enterrado
na lama das memórias
passagens inglórias
e andei por aí
transportado
por vias aleatórias

e passaram três dias
indistintos calados
sem poesia.

wasil sacharuk


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Mudança

Andei por aí
abismada
com a mentira
essa danada
estraga a rima

ouvi o choro
lágrimas de crocodilo
não fiz caso
conheço o estribilho
refrão parco
perde o estilo

andei cansada
de gente vazia
mal amada
e sem parceria
sílabas tortas
não fazem poesia

andei por aí
em plena mudança
acreditei em mim
com esperança
pouco importa o fim
o que vale é a confiança.

Dhenova
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Oficina de Criação Literária INSPIRATURAS/APCEF - oficineira Angela Madono




AMIZADE MINGUANTE

A lua aos poucos se esconde
Por trás da sua minguante
Surge uma nuvem num canto
Parece um olho piscante

A nuvem que vem chegando
Forma uma testa franzida
Olho apertado de alguém
Que espia minha vida

Estará de mal comigo?
Será que não me quer mais?
Enjoou da minha cara?
Querida lua, onde vais?

Aos poucos vai se apagando
Um encanto, uma beleza
De algo que me fascina
Que fazer? É a natureza.

Eu estava tão contente
Com essa estranha amizade
Mas o que é bom sempre acaba
Vai deixar muita saudade

Angela Madono


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A MADRUGADA É UMA CRIANÇA.***

Reviro a lixeira e não encontro nada.
A lixeira está cheia de lixo, e o que eu quero não é lixo.
Procuro alimento, procuro vida.
Procuro, talvez meu passado, talvez meu futuro.
Mas nada disso agora importa, o principal é a comida e já sei que essa, aqui não vou achar.
Volto sob meus passos e dou de cara com um guarda.
Ele me obriga a colocar de volta tudo o que esparramei no chão.
Com raiva, atiro, mas atiro mesmo, com as mãos tão sujas que nem as sinto mais.
Dei graças a Deus que ele foi embora pouco antes de limpar tudo. Deixo como está assim mesmo, sem terminar o que comecei, como tudo o que faço, não termino, é meu jeito e não adianta.
Na outra esquina tem sacos pendurados nas árvores, dá vontade de ser macaco e me pendurar ali, e comer ali, e não precisar mais sair dali.
Antes de chegar lá, porém, encontro umas guimbas bem boas, vão me quebrar o galho, disfarçar a fome e se tiver uma boa calçada, disfarço também o cansaço.
Pena o guarda ter ido embora, talvez tivesse fogo, ah, fogo ele tem mas não é esse que eu quero.
Um despacho na encruzilhada, cheio de bebidas e pipocas, passo longe, não acredito, mas respeito.
Jovens passando às gargalhadas, saindo do baile, fumando e bebendo ainda, não me veem colado na parede 

no escuro, tenho que sair dali e pedir fogo antes que apaguem os cigarros. Olham para mim inicialmente com receio, sem saber que não lhes quero mal, que não vou lhes fazer mal, que um dia fui assim, que tive juventude, saúde e falta de responsabilidade comigo mesmo. Ao verem minha guimba, sentem dó e me dão um cigarro quase inteiro, que pena não era maconha, mas o último gole de bebida forte relaxa bem, dá uma breve trégua aa fome, ao cansaço e o gesto dos rapazes alivia levemente minha carencia de afeto e de tudo o mais que me falta, de tudo o que sempre tive mas renunciei por pura teimosia, talvez até, agora eu sei, por burrice. Os olhares de curiosidade e piedade me fazem encontrar com meu passado e vislumbrar meu futuro. Um último vestígio de esperança percorre meu cérebro, aquece meu coração, estremece todo meu corpo, quase não paro em pé.
Suspirando profundamente resignado e calmo, firmando a coluna o mais que posso, despacho os jovens dali:
- Obrigado, amiguinhos, vão com Deus, que eu fico com  Nossa Senhora.

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A VIDA ENSINA***
(escrever sobre um personagem sem citar quem é: politico, prostitute, homosexual, solteirona)

Mais um dia, mais trabalho,
mais dinheiro, mais comida.
É a luta pela sobrevivência,
É a luta pela vida.

Importa deixar pra trás
Todo e qualquer desejo
Pensar no dia de hoje
Como se fosse um beijo.

O beijo de alguém amado
O beijo de alguém que ama
Seja quem quer que seja
O importante é a derrama

Suportar a dor do corpo
Suportar a dor da alma
Desde que caia o dinheiro
Mesmo que venha da lama

Enfim o dia termina
Necessário contar os trocos
Sempre é melhor que nada
Mesmo que seja pouco

A chuva não lava a alma
A chuva não lava o corpo
Nem mesmo o pensamento
Ao começar tudo de novo.

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CONFORMIDADE
(exercício – quem sou eu)

Uma boneca de pano saiu pela janela, mas ninguém viu.
Chegou ao portão e saiu na rua, passou um carro.
Passou outro carro, depois um caminhão.
E, por fim, uma moto.

Quando conseguiu chegar na outra calçada, viu uma vitrina cheia de brinquedos. Um mais bonito que o outro, todos coloridos, brinquedos de menino e de menina. Teve vontade de brincar de carrinho, de bola e patinete, de brincar com panelinha de brinquedo e comidinha de verdade; de fazer roupinhas de boneca e... roupinhas? de boneca?!

Suspiro! de boneca de pano, e meia-volta.
Passou uma moto, um caminhão e um carro. Por fim, passou outro carro.
Ela chegou ao portão da outra calçada e pulou de volta pela janela.
Mas ninguém viu.


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TAUTOBRINCADEIRA: BRINCADEIRA!

Palavras e Poetas ponto ponto Poesia ponto

Poesias
Poemas
Prosas

Precisamos praticar permanentemente
Primeiro prática
Posteriormente ponto ponto Perfeição

Prefiro preparar pontuações
Pretendo passar ponto de perplexidade
Porém prefiro participar aos poucos pontinho pontinho pontinho


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O PREPARO

Priscila ouve o toque do celular e, deitada mesmo, resolve atender.
- Oi, miga, tudo ok... Estou bem, estou, por enquanto, estou curtindo... Hoje é o dia. Já sei como fazer, não te preocupes, estou fazendo tudo direitinho... Obrigada pelas dicas... Vem me ajudar, vou precisar de uma bolsa grande.
A mãe entra, sem bater, com uma bandeja na mão.
Olha, querida, eu trouxe outro lanchinho, tens que te alimentar bem, temos tanta coisa para fazer ainda, manicura, cabelo, pegar os vestidos, amaciar os sapatos novos, o terno do pai, buscar flores frescas, o bolo e os salgadinhos, e sempre tem alguma coisa de última hora...
- Ai, mãe, tudo isso? 
- Olha, é o básico da nutricionista, torradas e chá, não te preocupes, mais tarde eu te trago mais. Vai lá, levanta e toma um banho para se animar.
Após a mãe sair, Priscila levanta-se e fecha bem a porta para a mãe não vê-la esconder as 


torradas embaixo da cama e despejar o chá na pia do banheiro. Toma um banho quentinho, escova os dentes e volta para a cama. Tem muito que descansar para logo à noite.
Depois de um cochilo, ela ouve a mãe:
- Priscila, abre a porta filha, Fernanda chegou, disse que falou contigo no celular, que ias estar em casa esperando para ela te ajudar. Ajudar em quê, posso saber?
- Ah, mãe, é apoio moral - disse Priscila destrancando a porta, a Fê já teve a festa dela, vai me dar umas dicas.
- Tá, sei. - diz a mãe saindo e resmungando - como se até essa hora eu já não tivesse providenciado tudo.
- E aí, tudo bem? Estas conseguindo?
- Já são mais de meio dia, estou meio fraca,  o buraco no meu estômago não tem mais tamanho. Trouxe os chicletes que me recomendaste?
- Toma, ainda sobraram três do meu aniversário - disse Fernanda.  Posso te ajudar em algo mais?
- Ah, tu veio aqui pra isso, me ajuda com isso aí, apontando um lixo embaixo da cama, e me dá um cigarro, porque já estou começando a ficar tonta.
- Tens um saco de lixo aí?  Tem muita coisa para guardar, credo quanta....
- Não é que vai ser um show a minha festa? - interrompe rapidamente Priscila ao ouvir a mãe subindo as escadas.
- Hein? Ah, oh, dona Mariana, que almoço hein?
- Ah, Fê, é a dieta da doutora Cora, tudo bem levinho para não passar mal e aguentar a maratona. Que cheiro é esse hein? 
- Ah, eu fumei só meio cigarrinho dona Mariana, só pra relaxar. Já vou abrir a janela pois a Pri também já reclamou do cheiro.
   - Vou ligar para o taxi, vens conosco Fezinha?
   - Não posso, tia, tenho uns comprolixos, opa, compromissos agora. Vou ajudar a arrumar o quarto da Pri depois vou me arrumar. A noite a gente se vê.

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R O T I N A.
(narrador personagem)

A escadinha da entrada da casa e a artrose do joelho direito não me permitiram entrar em casa tão rápido quanto eu precisava. Mas consegui entrar, enfim, e me proteger do vento frio. Tateei no escuro em direção à chave de luz e nada. Será que trocaram o lugar do interruptor e não me avisaram? Sempre a última a saber. Deve ser coisa do mano com sua mania de modernismos e tecnologias e controles remotos. Que injustiça, fez-se a luz, por dois centímetros! Só por causa de um sapato mais baixo tudo já ficou mais alto do que eu? 
      A velha cadeira de balanço que teima em não sair dali, pelo menos enquanto a vovó estiver viva, serve também de cabide para pendurar o casaco, e a bolsa atiro-a em cima da mesa, depois eu mexo nela. Ela que me aguarde e guarde todas as contas que pude pagar pelo menos hoje.
     O sofá aconchegante me espera, ele vai me tirar esse cansaço, aliviar a dor no joelho e ainda vai me deixar tirar um cochilo. Antes de 

chegar a ele, passo pelo espelho art-deco e maquinalmente arrumo os cabelos. Um fio branco aqui? Ah, lá vai ele fora. Ui! Ele não combina com esse lindo espelho, mas até que combinaria comigo. Volto a atenção novamente para o sofá de linhas elegantes e clássicas, já desbotado e disfarçado com uma manta, ainda dá para o gasto, ainda aguenta meu peso, meu cansaço e meus resmungos, continua ali me aguardando para a nossa costumeira convivência dentro de casa. 
     Dali ouço o barulho da cozinha onde mamãe faz o nosso cafezinho revigorador, com torradinhas e manteiga, para conversarmos sobre as banalidades do dia-dia. Ela vai me perguntar se consegui pagar tudo hoje, o que ficou pendente, eu vou indagar do que vai ter para o jantar. Vamos conversar até que o frio lá de fora penetre pelas frestas das portas e janelas e nos obrigue a sair dali.


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CONDICIONAMENTOS


“Se os governantes fossem honestos,   
           nós seríamos mais felizes.”
                                                                                Lelei Quadro       


Avante, meus senhores, não desanimem
Vontade não falta: todos querem ser felizes.

Dez por cento é pouco?
Cem por cento é muito?

Para dizer bem claro
Não acredito na felicidade
Podem cobrar a taxa que quiserem
Não a conseguem sem honestidade.


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VIAJANDO NUMA CAIXA

Denise caminhava pela trilha de areia que desembocava na praia. Todavia, no meio do caminho, encontrou uma caixa.    Dentro da caixa havia…

Uma chave, uma fechadura, uma porta, uma casa, uma sala, uma janela, uma paisagem.

Um morro, um poço, um casebre, uma fumaça.

Uma mulher, um menino, um cachorro e um gato.
Um balde, uma bola, uma galinha, uma árvore.
Um pouco de água e um pano sujo, um vidro quebrado e um gol perdido, uma galinha fujona e um passarinho pousado.

Uma mesa servida para o jantar, um chuveiro gelado, uma espera pelas sobras e a refeição do dia.
Uma pausa, um descanso, uma louça.
Uma água atirada fora, uma areia encharcada, uma valeta que formou uma trilha de areia que desembocava na praia.


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Eu me chamo Maria e tenho vida dupla.


De dia preciso receber várias pessoas e com elas tenho a maior disposição. Umas querem falar até pelos cotovelos, ouço-as com paciência, mas jamais me intrometo. Outras nem me olham mas se aproximam de mim num contato claramente íntimo, vão embora, e nem me perguntam porque estou tão quieto. Fico irritado com qualquer um que se achega com confiança demasiada, me sinto sujo, mas saboreio e absorvo cada migalha, cada gota a mim proporcionadas. Adoro um cachorro a me coçar e a se coçar, dormimos juntos algumas vezes, nas tardes chatas de chuva, a TV em qualquer canal chato.

Å noite, porém, mudo da água pro vinho. Me abro todo para aconchegar meus amores, balanço e tremo no ritmo frenético do sexo prático até finalmente relaxer e dormir como qualquer um. Todo suado e bem acomodado, não me canso de ser pisado, e até gosto de ser desamassado e enrolado em suaves cobertas.

De dia sou sofá que a todos recebe e aceita.
De noite sou cama e tenho donos exclusivos e exigentes.
Meu nome é Maria porquê? Me chamam assim. Homenagem pra vó, parece.


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Narrador-Câmera

Um lugar para dormir

Aberta a porta branca do recinto vê-se å esquerda um guarda-roupa de madeira com quatro portas altas, quase escondendo na parede oposta um varal de chão dobrado e escorado na parede. Nessa parede uma janela fechada com uma tela antiinsetos e uma cortina branca amarrada ao meio com uma fita dobrada, formando um triângulo acima da fita e abaixo desta um franzido arrematado com miçangas amarelas e incolores. Nos triângulos vazados da cortina vê-se a cidade até a Lagoa dos Patos. Abaixo da janela, no chão, um vaso branco de flores amarelas e bejes com uma grande moldura cor-de-rosa, inclinada e solta da parede formando um quadro-escultura. Na paredinha que sobra, um quadro exibe um hibisco cor-de-rosa e flores verdes num fundo esverdeado-amarelado com o nome da pintora. Socado no canto um rack de TV contém LPs, livros religiosos e um DVD player, com um trilho indiano tapando parcialmente esses objetos. No teto branco, uma arandela em 

mogno com um bojo trabalhado que reflete raminhos na parede cor-de-rosa e nua até a altura da cabeceira da cama de solteiro onde tem uma barra decorativa com flores cor-de-rosa e folhas verdes. No chão, na direção do bojo, um tapete pequeno de cerdas longas e lisas, cor de vinho, atravessado em diagonal, uma ponta embaixo da cama que por sua vez está um cobre-leito azul anil e um cobertor de moleton azul marinho, ambos em desalinho, um travesseiro florido em azul e amarelo está quase jogado em cima da mesinha de cabeceira, que com um guardanapo branco de macramé contém um vaso de madeira com flores brancas e rosas e dois SS. Corações de Jesus e Maria em resina incolor.
Bem ao lado da porta cor de rosa.

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Por onde andei…
Uma viagem espacial.

POR ONDE ANDEI

R Caldas Junior, 765, Fundos, V Municipal, RG.
R Caldas Junior, 765, V Municipal, RG.
R Minas Gerais, s/N esq R Dom Bosco, V Mun, RG.
Av Presidente Vargas, 685, Linha do Parque, RG.
R D de Caxias, 291, esq Rua Gen Câmara, Centro, RG.
Rua Luiz Lorea, 1052, Centro, Rio Grande.
Rua General Bacelar esq Zalony, Centro, RG.
Av Presidente Vargas, 1247, Linha do Parque, RG. 
Rua Marechal Floriano esq Rua Zalony, Centro, RG.
Rua Mar Floriano, 51, Porto Velho, RG.
Rua Ewbank, 21/3, Centro, RG.
Rua Largo Eng João Fernandes Moreira, s/N, esq Rua General Neto, Centro, Rio Grande.
Rua Casimiro de Abreu, 272, Vila Hidráulica, R.G.
Rua Ewbank, 21/3, Centro, Rio Grande.
Rua Alfredo Born, 385, Centro, São Lourenço do Sul.
Rua Alfredo Born, 244, Centro, SLS.
Rua Almirante Barroso esq Alm. Abreu, Centro, SLS
R Júlio de Castilhos/ Rua P Machado, Centro, SLS.
Rua Felix da Cunha, 412, Centro, Pelotas.
Rua Alfredo Born, 108/2, Centro, SLS.
RS 265, 273, Faixinha, SLS
Rua Pinheiro Machado, 124, Centro, SLS.
Rua Santos Abreu, 1501, Praia, SLS.
Rua Santos Abreu, 1491, Praia, SLS.
Rua Princesa Izabel, 823, Barrinha, SLS.
Rua Gen Osório esq Rua Pinheiro Machado, ap 301,Centro, SLS.
Av Oswaldo Aranha, 1257, Centro, Venancio Aires.
Rua D Caxias, 1180, Centro, VA.
Rua 13 de Maio, 1528/201, Centro, VA.
Rua  Barão do Triunfo, 2358, VA
Rua Gen Neto, 1122, Centro, Pelotas.
Rua Pe. Anchieta, 4715/201, Pel.
Rua Mal Floriano, Esq Santa Tecla, Centro Pel.
Rua Alberto Rosa, 62, zona do Porto. Pel.
Rua João Pessoa, 620, 2o. Andar,Porto, Pel.
Rua Santa Cruz, 340, apto 302, Porto, Pel.
Rua D. Pedro II, 1025, apto 403, Porto, Pel.
Rua Padre Anchieta, 4715/201, Areal, Pelotas.

Tudo isso no meu bom e velho RIO GRANDE DO SUL.

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Sonhos
Loucos sonhos
Sonhos loucos

Para onde vão?
Para onde (me) levam?
Ås vêzes para bem longe
Ås vêzes perigosamente perto

Sonhos
Loucos sonhos
Necessários sonhos

Refúgio provisório das ideias
Ousando atitudes
Superando limites
Antecipando problemas
Encontrando soluções

Obrigado, sonhos
Por serem sonhos
Por serem loucos
Por serem ousados
Por serem necessários

Por me levarem para longe
quando estou triste
Por me trazerem para perto
quando estou contente


(Se vocês soubessem os conteúdos desses sonhos, diriam acertadamente: “quanta loucura!”)


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E SE A TERRA SE ABRISSE?***
(exercício de criatividade)

Cairiam os distraídos que não tinham percebido aquele ligeiro tremor debaixo de seus pés; aqueles por demais ocupados com suas atividades, que não tinham sequer escutado o ruído do solo rachando de lado a lado; os egoístas, que não viam nada além de seus próprios anseios quanto mais aquela fenda sinistra aumentando de tamanho; cairiam também alguns humanitários na tentativa de salvá-los. Lá embaixo teriam seus corpos envoltos em fumaça, logo após, alguns seriam petrificados por rios de magma vulcânico do qual é feita a segunda camada das entranhas da terra; outros sairiam arranhados nas asperezas das placas tectônicas. Os que sobrevivessem talvez conseguissem enxergar o núcleo terrestre, o Oco nebuloso, a Origem de tudo.

Os que ficassem na esquerda do mundo, sem gravidade, se desprenderiam da terra e ficariam aa deriva na exosfera, tentando agarrar-se ao primeiro que chegasse perto de si. Alguns conseguiriam se agrupar e desse modo as 
famílias teriam uma nova formação; agora não mais o trio sagrado, mas pessoas de qualquer tamanho, cor, sexo, doença, idade ou beleza. Coincidentemente e por necessidade, criar-se-iam grupos e mais grupos agarrados com frenesi e medo, mas todos com apenas uma religião: O OUTRO, cujo principal dogma seria: “quem quer que seja”. A necessidade de unirem-se uns aos outros acabaria levando-os aa pratica do “amai-vos” e, no grande espaço intergaláctico, aquela parte da humanidade chegaria finalmente ao objetivo final de suas vidas.

Final 1:
Do lado direito, os quem sabe(?) privilegiados, firmes ao logo mas com as cabeças ao sol, primeiro dariam as mãos a fim de agradecer ao Ser Supremo a salvação. Depois agendariam uma reunião geral a fim de avaliar os danos mas, principalmente, para organizar grupos de trabalho que buscariam tudo o que pudesse ser aproveitado para se proteger e sobreviver, ate que o planeta cicatrizasse e finalmente voltasse a girar sob seu eixo.

Final 2:
Do lado direito, os quem sabe(?) privilegiados, firmes ao solo mas com as cabeças ao sol, buscariam tudo o que pudesse ser aproveitado para se proteger e sobreviver ate que o planeta cicatrizasse e voltasse a girar sobre seu eixo. Nem lembrariam de dar as mãos e agradecer ao Ser Supremo a salvação.

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E SE AS ESTRELAS SE APAGASSEM?***

Se as estrelas se apagassem
Nosso sol também se apagaria
Nossa querida estrela 
De quinta categoria.

Alguém do outro lado do universo ficaria muito triste, pois estava apaixonado pela longínqua estrela, batizada por ele como "mibuisty" quando a localizou em 19,597 avocal.
Mirando em seu telescópio veria nosso sol murchando, e os planetas ao redor, vítimas do colossal eclipse, não mais refletindo sua luz.
Algum tempo depois, após um longo suspiro, ele perceberia que sua própria estrela, que ele não suportava, também se apagava, juntamente com todo o universo. Sentindo frio, não enxergaria mais nada e perceberia nesse instante que a sua estrela, catalogada 74m8, era tão importante quanto aquela.
Mas agora era tarde demais, o "fiat tenebrae" havia começado.

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E SE O AR FALTASSE? ***

Quando falta ar
A vida se acaba
Tudo fica estanque
Um último suspiro
No último instante

Nada se move,
nada escorre,
nada deteriora.
Até a podridão morre.

Ao longo do caminho
nada é percebido.
Tudo parado, estagnado,
Como se não tivesse amanhecido.

No poço não tem mais água.
No jardim não tem mais flores.
Onde não há mais vida
Não pode haver amores.

Sem nuvens no céu.
Sem água no mar.
Sem fogo na terra.
Sem terra para pisar.

Átomos desestabilizados,
Impossibilitados de reação,
Sem harmonia,
sem qualquer critério,
Sem aglutinação.

Tudo não existe mais
Foi descido o último degrau
Somente a luz reina
Ilumina o grande caos.


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E SE O MUNDO FICASSE ROXO?***

Nada de multas por passar no sinal errado.
Nem problema para combinar bolsa e sapato.

Os aros olímpicos reduzidos a um
Todos iluminados com a mesma luz

No futebol nada de cartão,
Distinguir a bola é a preocupação

Chove uma gostosa chuva
emparelhando a temperatura
Tanto no calor quanto na cor

A Prefeitura faz seu trabalho
De revitalizar as praças desbotadas
fácil encontrar a pigmentação.

O muro alto iluminado
Separa quem vem e quem vai

Quente muito quente
Roxo é a cor da luxúria
Colocamos na frente de tudo o amor e
Driblamos a monotonia olhando para o céu.

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ESCASSEZ!***

“A chuva traz a vida ao deserto
árido que morreu com a seca.

Eduardo


A vida vazia
o deserto na alma
a chuva que tarda
menos me acalma.
O deserto da vida
sem chuva, sem lama
esvazia a alma
sôfrega, sedenta
que extenua lenta

Percorre as estradas atrás do vento
Procura  procura e não acha nada
Um dia se esvai sem saber porque
Santa paciência saber pra quê

Tudo vem, tudo vai
como a chuva que não cai
quem sabe se vem ou se vai
vai ser pouca, quase nada
vai ser muita, desastrosa

A aridez áspera e quente, desoladora
continua a infernizar a vida cheia
de esperança
que ainda resta.


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EU LÍRICO.***
(Poema ou prosa como pessoa de outro sexo)


Sabendo que tudo é efêmero
Do amanhecer ao por do sol
Resta somente aproveitar
Tudo o que puder
Haja o que houver

Para que tantos preparos
Por que tantas incertezas
Se tudo vai e volta?
A vida não tem fronteiras!

Envolver-se em tantos aparatos
Deixa-se de lado o essencial
Precisamos pegar mais leve
A vida é sempre igual

Artefatos, enfeites
Trajes e chapéus
Supérfluos como penteados
Tudo passa, fica ao léu.

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(IN) CONSCIÊNCIA. ***
(Fluxo de consciência)

Uma sombra desce lentamente revelando tudo o que estava oculto sob a luz intensa da verdade latente. A multidão tateia na claridade uma difícil corrente de ilusões.

Nos bolsos vazios encontram-se miríades de quereres empurrados até a porta onde os sonhos recheiam todas as obras.

Alguém consegue enfim abrir a boca e dizer quase nada, gritar quase tudo e pegar com os cabelos restos de voos mal arrumados.

Deixou de falar que bastaria ver os cento e dez desejos ao longe, e todos trariam vida. Animadamente cobrou suspiros parados, imersos na preguiça do olhar fugaz.

Nesse momento viu a mão do refúgio dando ouvidos às emoções que necessitavam ser feitas para nada.

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LUA QUERIDA***

Espio a lua no céu 
Do céu a lua me espia
Não canso de olhar
Sua luz me extasia

A lua do céu me espia
Olha tudo o que faço
Longínqua e indiscreta
Não percebe meu embaraço.

Não percebe minha inveja
Nem como me seduz
Queria ser como ela
Queria ter sua luz

Talvez tenha inveja de mim
Quisesse aqui estar
Misturada na multidão
Quisesse o meu lugar

Tanto ela quanto eu
Temos a mesma visão
Eu vejo a solidão dela
Ela vê minha solidão.


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TÃO SIMPLES...***
(Fluxo de consciência)

A janela opaca não deixa ver uma meia que agride a vista nem um fiapo pendurado que precisa ser cortado. Uma coisa leva a outra e nessa busca pelo desconhecido a indecisão se instala, corroendo o que era concreto. Arma-se uma chuva que de ácido se alimenta, agride unhas e arrepia pêlos contra um céu tão azul que se faz transparente e permite-nos ver as estrelas. 
Os parentes afastados não permitem que a absorção dos sentidos invadam os jardins. Então eu corro em câmera lenta querendo fugir para esquecer de tudo que não quero, mas talvez precise. Suavemente as cores ameaçam confirmar o veredicto cuja conclusão não nos interessa mais, tudo ficou para trás.  Forma-se então uma nuvem de enxames barulhentos que emudecem todos os sentidos, e permitem que qualquer um faça seus próprios gestos sem pensar em coisa alguma.
Tudo natural e simples como um sorvete de algodão doce.


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UM ENTERRO***

Lá vai aquele caixão.

Dentro dele, o corpo de quem mais amei em toda minha vida.

Fora dele, uma chuva fria e chata, que incomoda, mas não impede aquele doloroso cortejo, apenas torna tudo mais triste e feio.

Carregam-no um pai, tios e primos, balançando-o no ritmo descompassado de seus passos trôpegos que desviam das poças de água,  repartindo-as em respingos lamacentos nas barras das calças e amassando-as nas solas dos sapatos.

Acima dele, acima da chuva, além da terra, ou talvez ali mesmo, e, mesmo ali, longe de nossa compreensão, paira um espírito, finalmente liberto de si mesmo, de uma prisão absurda e incompreendida, assim como as poças de água, triunfantes a princípio, mas que, pela inutilidade de se desviarem delas, acabaram vencidas e quase apagadas.

Qual o sentido de tudo isso?
Que círculo é esse?
Que nos governa?
Que…


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DIPAMUNODAR.

A extensa fila esfrega os pés impacientes na calçada, a luz do dia surge aos poucos e ameaça fustigar os olhos cansados da noite não dormida. O cansaço e a fome começam a fragilizar os ânimos e a duvidar da validade dessa situação. A conversa que começou animada na noite já se esgotou e se faz casual e quase obrigatória de manhã. Esfregam-se os pés, esfregam-se as mãos, e parece que o tempo não passa. Alguém traz térmicas com chá e café quentes, mas o alívio se esvai na medida em que vai sendo pago bem caro esse mínimo conforto.

É quase chegada a hora, chega nova multidão, dobrando a quantidade de pessoas no lugar, dirigindo-se cada qual a alguém da fila e inicia a pamunodagem.

Alguns pagam porque não tem coragem de estar ali, outros porque tem compromissos inadiáveis, muitos por falta de saúde, e a maioria pela necessidade de não perder um dia de trabalho; já os que recebem, todos o fazem por necessidade.

Forma-se na calçada pública uma grande massa humana, por alguns instantes unidos, mas unidos por interesses diversos, é a pamunodagem.

Por fim, após pagamentos efetuados e recebidos, o dinheiro troca de mãos e os pés trocam de lugar.

Missões cumpridas, só resta dipamunodar.



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