Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

14 de abr de 2016

Oficina de Criação Literária INSPIRATURAS/APCEF - oficineira Angela Madono




AMIZADE MINGUANTE

A lua aos poucos se esconde
Por trás da sua minguante
Surge uma nuvem num canto
Parece um olho piscante

A nuvem que vem chegando
Forma uma testa franzida
Olho apertado de alguém
Que espia minha vida

Estará de mal comigo?
Será que não me quer mais?
Enjoou da minha cara?
Querida lua, onde vais?

Aos poucos vai se apagando
Um encanto, uma beleza
De algo que me fascina
Que fazer? É a natureza.

Eu estava tão contente
Com essa estranha amizade
Mas o que é bom sempre acaba
Vai deixar muita saudade

Angela Madono


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A MADRUGADA É UMA CRIANÇA.***

Reviro a lixeira e não encontro nada.
A lixeira está cheia de lixo, e o que eu quero não é lixo.
Procuro alimento, procuro vida.
Procuro, talvez meu passado, talvez meu futuro.
Mas nada disso agora importa, o principal é a comida e já sei que essa, aqui não vou achar.
Volto sob meus passos e dou de cara com um guarda.
Ele me obriga a colocar de volta tudo o que esparramei no chão.
Com raiva, atiro, mas atiro mesmo, com as mãos tão sujas que nem as sinto mais.
Dei graças a Deus que ele foi embora pouco antes de limpar tudo. Deixo como está assim mesmo, sem terminar o que comecei, como tudo o que faço, não termino, é meu jeito e não adianta.
Na outra esquina tem sacos pendurados nas árvores, dá vontade de ser macaco e me pendurar ali, e comer ali, e não precisar mais sair dali.
Antes de chegar lá, porém, encontro umas guimbas bem boas, vão me quebrar o galho, disfarçar a fome e se tiver uma boa calçada, disfarço também o cansaço.
Pena o guarda ter ido embora, talvez tivesse fogo, ah, fogo ele tem mas não é esse que eu quero.
Um despacho na encruzilhada, cheio de bebidas e pipocas, passo longe, não acredito, mas respeito.
Jovens passando às gargalhadas, saindo do baile, fumando e bebendo ainda, não me veem colado na parede 

no escuro, tenho que sair dali e pedir fogo antes que apaguem os cigarros. Olham para mim inicialmente com receio, sem saber que não lhes quero mal, que não vou lhes fazer mal, que um dia fui assim, que tive juventude, saúde e falta de responsabilidade comigo mesmo. Ao verem minha guimba, sentem dó e me dão um cigarro quase inteiro, que pena não era maconha, mas o último gole de bebida forte relaxa bem, dá uma breve trégua aa fome, ao cansaço e o gesto dos rapazes alivia levemente minha carencia de afeto e de tudo o mais que me falta, de tudo o que sempre tive mas renunciei por pura teimosia, talvez até, agora eu sei, por burrice. Os olhares de curiosidade e piedade me fazem encontrar com meu passado e vislumbrar meu futuro. Um último vestígio de esperança percorre meu cérebro, aquece meu coração, estremece todo meu corpo, quase não paro em pé.
Suspirando profundamente resignado e calmo, firmando a coluna o mais que posso, despacho os jovens dali:
- Obrigado, amiguinhos, vão com Deus, que eu fico com  Nossa Senhora.

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A VIDA ENSINA***
(escrever sobre um personagem sem citar quem é: politico, prostitute, homosexual, solteirona)

Mais um dia, mais trabalho,
mais dinheiro, mais comida.
É a luta pela sobrevivência,
É a luta pela vida.

Importa deixar pra trás
Todo e qualquer desejo
Pensar no dia de hoje
Como se fosse um beijo.

O beijo de alguém amado
O beijo de alguém que ama
Seja quem quer que seja
O importante é a derrama

Suportar a dor do corpo
Suportar a dor da alma
Desde que caia o dinheiro
Mesmo que venha da lama

Enfim o dia termina
Necessário contar os trocos
Sempre é melhor que nada
Mesmo que seja pouco

A chuva não lava a alma
A chuva não lava o corpo
Nem mesmo o pensamento
Ao começar tudo de novo.

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CONFORMIDADE
(exercício – quem sou eu)

Uma boneca de pano saiu pela janela, mas ninguém viu.
Chegou ao portão e saiu na rua, passou um carro.
Passou outro carro, depois um caminhão.
E, por fim, uma moto.

Quando conseguiu chegar na outra calçada, viu uma vitrina cheia de brinquedos. Um mais bonito que o outro, todos coloridos, brinquedos de menino e de menina. Teve vontade de brincar de carrinho, de bola e patinete, de brincar com panelinha de brinquedo e comidinha de verdade; de fazer roupinhas de boneca e... roupinhas? de boneca?!

Suspiro! de boneca de pano, e meia-volta.
Passou uma moto, um caminhão e um carro. Por fim, passou outro carro.
Ela chegou ao portão da outra calçada e pulou de volta pela janela.
Mas ninguém viu.


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TAUTOBRINCADEIRA: BRINCADEIRA!

Palavras e Poetas ponto ponto Poesia ponto

Poesias
Poemas
Prosas

Precisamos praticar permanentemente
Primeiro prática
Posteriormente ponto ponto Perfeição

Prefiro preparar pontuações
Pretendo passar ponto de perplexidade
Porém prefiro participar aos poucos pontinho pontinho pontinho


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O PREPARO

Priscila ouve o toque do celular e, deitada mesmo, resolve atender.
- Oi, miga, tudo ok... Estou bem, estou, por enquanto, estou curtindo... Hoje é o dia. Já sei como fazer, não te preocupes, estou fazendo tudo direitinho... Obrigada pelas dicas... Vem me ajudar, vou precisar de uma bolsa grande.
A mãe entra, sem bater, com uma bandeja na mão.
Olha, querida, eu trouxe outro lanchinho, tens que te alimentar bem, temos tanta coisa para fazer ainda, manicura, cabelo, pegar os vestidos, amaciar os sapatos novos, o terno do pai, buscar flores frescas, o bolo e os salgadinhos, e sempre tem alguma coisa de última hora...
- Ai, mãe, tudo isso? 
- Olha, é o básico da nutricionista, torradas e chá, não te preocupes, mais tarde eu te trago mais. Vai lá, levanta e toma um banho para se animar.
Após a mãe sair, Priscila levanta-se e fecha bem a porta para a mãe não vê-la esconder as 


torradas embaixo da cama e despejar o chá na pia do banheiro. Toma um banho quentinho, escova os dentes e volta para a cama. Tem muito que descansar para logo à noite.
Depois de um cochilo, ela ouve a mãe:
- Priscila, abre a porta filha, Fernanda chegou, disse que falou contigo no celular, que ias estar em casa esperando para ela te ajudar. Ajudar em quê, posso saber?
- Ah, mãe, é apoio moral - disse Priscila destrancando a porta, a Fê já teve a festa dela, vai me dar umas dicas.
- Tá, sei. - diz a mãe saindo e resmungando - como se até essa hora eu já não tivesse providenciado tudo.
- E aí, tudo bem? Estas conseguindo?
- Já são mais de meio dia, estou meio fraca,  o buraco no meu estômago não tem mais tamanho. Trouxe os chicletes que me recomendaste?
- Toma, ainda sobraram três do meu aniversário - disse Fernanda.  Posso te ajudar em algo mais?
- Ah, tu veio aqui pra isso, me ajuda com isso aí, apontando um lixo embaixo da cama, e me dá um cigarro, porque já estou começando a ficar tonta.
- Tens um saco de lixo aí?  Tem muita coisa para guardar, credo quanta....
- Não é que vai ser um show a minha festa? - interrompe rapidamente Priscila ao ouvir a mãe subindo as escadas.
- Hein? Ah, oh, dona Mariana, que almoço hein?
- Ah, Fê, é a dieta da doutora Cora, tudo bem levinho para não passar mal e aguentar a maratona. Que cheiro é esse hein? 
- Ah, eu fumei só meio cigarrinho dona Mariana, só pra relaxar. Já vou abrir a janela pois a Pri também já reclamou do cheiro.
   - Vou ligar para o taxi, vens conosco Fezinha?
   - Não posso, tia, tenho uns comprolixos, opa, compromissos agora. Vou ajudar a arrumar o quarto da Pri depois vou me arrumar. A noite a gente se vê.

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R O T I N A.
(narrador personagem)

A escadinha da entrada da casa e a artrose do joelho direito não me permitiram entrar em casa tão rápido quanto eu precisava. Mas consegui entrar, enfim, e me proteger do vento frio. Tateei no escuro em direção à chave de luz e nada. Será que trocaram o lugar do interruptor e não me avisaram? Sempre a última a saber. Deve ser coisa do mano com sua mania de modernismos e tecnologias e controles remotos. Que injustiça, fez-se a luz, por dois centímetros! Só por causa de um sapato mais baixo tudo já ficou mais alto do que eu? 
      A velha cadeira de balanço que teima em não sair dali, pelo menos enquanto a vovó estiver viva, serve também de cabide para pendurar o casaco, e a bolsa atiro-a em cima da mesa, depois eu mexo nela. Ela que me aguarde e guarde todas as contas que pude pagar pelo menos hoje.
     O sofá aconchegante me espera, ele vai me tirar esse cansaço, aliviar a dor no joelho e ainda vai me deixar tirar um cochilo. Antes de 

chegar a ele, passo pelo espelho art-deco e maquinalmente arrumo os cabelos. Um fio branco aqui? Ah, lá vai ele fora. Ui! Ele não combina com esse lindo espelho, mas até que combinaria comigo. Volto a atenção novamente para o sofá de linhas elegantes e clássicas, já desbotado e disfarçado com uma manta, ainda dá para o gasto, ainda aguenta meu peso, meu cansaço e meus resmungos, continua ali me aguardando para a nossa costumeira convivência dentro de casa. 
     Dali ouço o barulho da cozinha onde mamãe faz o nosso cafezinho revigorador, com torradinhas e manteiga, para conversarmos sobre as banalidades do dia-dia. Ela vai me perguntar se consegui pagar tudo hoje, o que ficou pendente, eu vou indagar do que vai ter para o jantar. Vamos conversar até que o frio lá de fora penetre pelas frestas das portas e janelas e nos obrigue a sair dali.


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CONDICIONAMENTOS


“Se os governantes fossem honestos,   
           nós seríamos mais felizes.”
                                                                                Lelei Quadro       


Avante, meus senhores, não desanimem
Vontade não falta: todos querem ser felizes.

Dez por cento é pouco?
Cem por cento é muito?

Para dizer bem claro
Não acredito na felicidade
Podem cobrar a taxa que quiserem
Não a conseguem sem honestidade.


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VIAJANDO NUMA CAIXA

Denise caminhava pela trilha de areia que desembocava na praia. Todavia, no meio do caminho, encontrou uma caixa.    Dentro da caixa havia…

Uma chave, uma fechadura, uma porta, uma casa, uma sala, uma janela, uma paisagem.

Um morro, um poço, um casebre, uma fumaça.

Uma mulher, um menino, um cachorro e um gato.
Um balde, uma bola, uma galinha, uma árvore.
Um pouco de água e um pano sujo, um vidro quebrado e um gol perdido, uma galinha fujona e um passarinho pousado.

Uma mesa servida para o jantar, um chuveiro gelado, uma espera pelas sobras e a refeição do dia.
Uma pausa, um descanso, uma louça.
Uma água atirada fora, uma areia encharcada, uma valeta que formou uma trilha de areia que desembocava na praia.


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Eu me chamo Maria e tenho vida dupla.


De dia preciso receber várias pessoas e com elas tenho a maior disposição. Umas querem falar até pelos cotovelos, ouço-as com paciência, mas jamais me intrometo. Outras nem me olham mas se aproximam de mim num contato claramente íntimo, vão embora, e nem me perguntam porque estou tão quieto. Fico irritado com qualquer um que se achega com confiança demasiada, me sinto sujo, mas saboreio e absorvo cada migalha, cada gota a mim proporcionadas. Adoro um cachorro a me coçar e a se coçar, dormimos juntos algumas vezes, nas tardes chatas de chuva, a TV em qualquer canal chato.

Å noite, porém, mudo da água pro vinho. Me abro todo para aconchegar meus amores, balanço e tremo no ritmo frenético do sexo prático até finalmente relaxer e dormir como qualquer um. Todo suado e bem acomodado, não me canso de ser pisado, e até gosto de ser desamassado e enrolado em suaves cobertas.

De dia sou sofá que a todos recebe e aceita.
De noite sou cama e tenho donos exclusivos e exigentes.
Meu nome é Maria porquê? Me chamam assim. Homenagem pra vó, parece.


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Narrador-Câmera

Um lugar para dormir

Aberta a porta branca do recinto vê-se å esquerda um guarda-roupa de madeira com quatro portas altas, quase escondendo na parede oposta um varal de chão dobrado e escorado na parede. Nessa parede uma janela fechada com uma tela antiinsetos e uma cortina branca amarrada ao meio com uma fita dobrada, formando um triângulo acima da fita e abaixo desta um franzido arrematado com miçangas amarelas e incolores. Nos triângulos vazados da cortina vê-se a cidade até a Lagoa dos Patos. Abaixo da janela, no chão, um vaso branco de flores amarelas e bejes com uma grande moldura cor-de-rosa, inclinada e solta da parede formando um quadro-escultura. Na paredinha que sobra, um quadro exibe um hibisco cor-de-rosa e flores verdes num fundo esverdeado-amarelado com o nome da pintora. Socado no canto um rack de TV contém LPs, livros religiosos e um DVD player, com um trilho indiano tapando parcialmente esses objetos. No teto branco, uma arandela em 

mogno com um bojo trabalhado que reflete raminhos na parede cor-de-rosa e nua até a altura da cabeceira da cama de solteiro onde tem uma barra decorativa com flores cor-de-rosa e folhas verdes. No chão, na direção do bojo, um tapete pequeno de cerdas longas e lisas, cor de vinho, atravessado em diagonal, uma ponta embaixo da cama que por sua vez está um cobre-leito azul anil e um cobertor de moleton azul marinho, ambos em desalinho, um travesseiro florido em azul e amarelo está quase jogado em cima da mesinha de cabeceira, que com um guardanapo branco de macramé contém um vaso de madeira com flores brancas e rosas e dois SS. Corações de Jesus e Maria em resina incolor.
Bem ao lado da porta cor de rosa.

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Por onde andei…
Uma viagem espacial.

POR ONDE ANDEI

R Caldas Junior, 765, Fundos, V Municipal, RG.
R Caldas Junior, 765, V Municipal, RG.
R Minas Gerais, s/N esq R Dom Bosco, V Mun, RG.
Av Presidente Vargas, 685, Linha do Parque, RG.
R D de Caxias, 291, esq Rua Gen Câmara, Centro, RG.
Rua Luiz Lorea, 1052, Centro, Rio Grande.
Rua General Bacelar esq Zalony, Centro, RG.
Av Presidente Vargas, 1247, Linha do Parque, RG. 
Rua Marechal Floriano esq Rua Zalony, Centro, RG.
Rua Mar Floriano, 51, Porto Velho, RG.
Rua Ewbank, 21/3, Centro, RG.
Rua Largo Eng João Fernandes Moreira, s/N, esq Rua General Neto, Centro, Rio Grande.
Rua Casimiro de Abreu, 272, Vila Hidráulica, R.G.
Rua Ewbank, 21/3, Centro, Rio Grande.
Rua Alfredo Born, 385, Centro, São Lourenço do Sul.
Rua Alfredo Born, 244, Centro, SLS.
Rua Almirante Barroso esq Alm. Abreu, Centro, SLS
R Júlio de Castilhos/ Rua P Machado, Centro, SLS.
Rua Felix da Cunha, 412, Centro, Pelotas.
Rua Alfredo Born, 108/2, Centro, SLS.
RS 265, 273, Faixinha, SLS
Rua Pinheiro Machado, 124, Centro, SLS.
Rua Santos Abreu, 1501, Praia, SLS.
Rua Santos Abreu, 1491, Praia, SLS.
Rua Princesa Izabel, 823, Barrinha, SLS.
Rua Gen Osório esq Rua Pinheiro Machado, ap 301,Centro, SLS.
Av Oswaldo Aranha, 1257, Centro, Venancio Aires.
Rua D Caxias, 1180, Centro, VA.
Rua 13 de Maio, 1528/201, Centro, VA.
Rua  Barão do Triunfo, 2358, VA
Rua Gen Neto, 1122, Centro, Pelotas.
Rua Pe. Anchieta, 4715/201, Pel.
Rua Mal Floriano, Esq Santa Tecla, Centro Pel.
Rua Alberto Rosa, 62, zona do Porto. Pel.
Rua João Pessoa, 620, 2o. Andar,Porto, Pel.
Rua Santa Cruz, 340, apto 302, Porto, Pel.
Rua D. Pedro II, 1025, apto 403, Porto, Pel.
Rua Padre Anchieta, 4715/201, Areal, Pelotas.

Tudo isso no meu bom e velho RIO GRANDE DO SUL.

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Sonhos
Loucos sonhos
Sonhos loucos

Para onde vão?
Para onde (me) levam?
Ås vêzes para bem longe
Ås vêzes perigosamente perto

Sonhos
Loucos sonhos
Necessários sonhos

Refúgio provisório das ideias
Ousando atitudes
Superando limites
Antecipando problemas
Encontrando soluções

Obrigado, sonhos
Por serem sonhos
Por serem loucos
Por serem ousados
Por serem necessários

Por me levarem para longe
quando estou triste
Por me trazerem para perto
quando estou contente


(Se vocês soubessem os conteúdos desses sonhos, diriam acertadamente: “quanta loucura!”)


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E SE A TERRA SE ABRISSE?***
(exercício de criatividade)

Cairiam os distraídos que não tinham percebido aquele ligeiro tremor debaixo de seus pés; aqueles por demais ocupados com suas atividades, que não tinham sequer escutado o ruído do solo rachando de lado a lado; os egoístas, que não viam nada além de seus próprios anseios quanto mais aquela fenda sinistra aumentando de tamanho; cairiam também alguns humanitários na tentativa de salvá-los. Lá embaixo teriam seus corpos envoltos em fumaça, logo após, alguns seriam petrificados por rios de magma vulcânico do qual é feita a segunda camada das entranhas da terra; outros sairiam arranhados nas asperezas das placas tectônicas. Os que sobrevivessem talvez conseguissem enxergar o núcleo terrestre, o Oco nebuloso, a Origem de tudo.

Os que ficassem na esquerda do mundo, sem gravidade, se desprenderiam da terra e ficariam aa deriva na exosfera, tentando agarrar-se ao primeiro que chegasse perto de si. Alguns conseguiriam se agrupar e desse modo as 
famílias teriam uma nova formação; agora não mais o trio sagrado, mas pessoas de qualquer tamanho, cor, sexo, doença, idade ou beleza. Coincidentemente e por necessidade, criar-se-iam grupos e mais grupos agarrados com frenesi e medo, mas todos com apenas uma religião: O OUTRO, cujo principal dogma seria: “quem quer que seja”. A necessidade de unirem-se uns aos outros acabaria levando-os aa pratica do “amai-vos” e, no grande espaço intergaláctico, aquela parte da humanidade chegaria finalmente ao objetivo final de suas vidas.

Final 1:
Do lado direito, os quem sabe(?) privilegiados, firmes ao logo mas com as cabeças ao sol, primeiro dariam as mãos a fim de agradecer ao Ser Supremo a salvação. Depois agendariam uma reunião geral a fim de avaliar os danos mas, principalmente, para organizar grupos de trabalho que buscariam tudo o que pudesse ser aproveitado para se proteger e sobreviver, ate que o planeta cicatrizasse e finalmente voltasse a girar sob seu eixo.

Final 2:
Do lado direito, os quem sabe(?) privilegiados, firmes ao solo mas com as cabeças ao sol, buscariam tudo o que pudesse ser aproveitado para se proteger e sobreviver ate que o planeta cicatrizasse e voltasse a girar sobre seu eixo. Nem lembrariam de dar as mãos e agradecer ao Ser Supremo a salvação.

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E SE AS ESTRELAS SE APAGASSEM?***

Se as estrelas se apagassem
Nosso sol também se apagaria
Nossa querida estrela 
De quinta categoria.

Alguém do outro lado do universo ficaria muito triste, pois estava apaixonado pela longínqua estrela, batizada por ele como "mibuisty" quando a localizou em 19,597 avocal.
Mirando em seu telescópio veria nosso sol murchando, e os planetas ao redor, vítimas do colossal eclipse, não mais refletindo sua luz.
Algum tempo depois, após um longo suspiro, ele perceberia que sua própria estrela, que ele não suportava, também se apagava, juntamente com todo o universo. Sentindo frio, não enxergaria mais nada e perceberia nesse instante que a sua estrela, catalogada 74m8, era tão importante quanto aquela.
Mas agora era tarde demais, o "fiat tenebrae" havia começado.

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E SE O AR FALTASSE? ***

Quando falta ar
A vida se acaba
Tudo fica estanque
Um último suspiro
No último instante

Nada se move,
nada escorre,
nada deteriora.
Até a podridão morre.

Ao longo do caminho
nada é percebido.
Tudo parado, estagnado,
Como se não tivesse amanhecido.

No poço não tem mais água.
No jardim não tem mais flores.
Onde não há mais vida
Não pode haver amores.

Sem nuvens no céu.
Sem água no mar.
Sem fogo na terra.
Sem terra para pisar.

Átomos desestabilizados,
Impossibilitados de reação,
Sem harmonia,
sem qualquer critério,
Sem aglutinação.

Tudo não existe mais
Foi descido o último degrau
Somente a luz reina
Ilumina o grande caos.


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E SE O MUNDO FICASSE ROXO?***

Nada de multas por passar no sinal errado.
Nem problema para combinar bolsa e sapato.

Os aros olímpicos reduzidos a um
Todos iluminados com a mesma luz

No futebol nada de cartão,
Distinguir a bola é a preocupação

Chove uma gostosa chuva
emparelhando a temperatura
Tanto no calor quanto na cor

A Prefeitura faz seu trabalho
De revitalizar as praças desbotadas
fácil encontrar a pigmentação.

O muro alto iluminado
Separa quem vem e quem vai

Quente muito quente
Roxo é a cor da luxúria
Colocamos na frente de tudo o amor e
Driblamos a monotonia olhando para o céu.

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ESCASSEZ!***

“A chuva traz a vida ao deserto
árido que morreu com a seca.

Eduardo


A vida vazia
o deserto na alma
a chuva que tarda
menos me acalma.
O deserto da vida
sem chuva, sem lama
esvazia a alma
sôfrega, sedenta
que extenua lenta

Percorre as estradas atrás do vento
Procura  procura e não acha nada
Um dia se esvai sem saber porque
Santa paciência saber pra quê

Tudo vem, tudo vai
como a chuva que não cai
quem sabe se vem ou se vai
vai ser pouca, quase nada
vai ser muita, desastrosa

A aridez áspera e quente, desoladora
continua a infernizar a vida cheia
de esperança
que ainda resta.


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EU LÍRICO.***
(Poema ou prosa como pessoa de outro sexo)


Sabendo que tudo é efêmero
Do amanhecer ao por do sol
Resta somente aproveitar
Tudo o que puder
Haja o que houver

Para que tantos preparos
Por que tantas incertezas
Se tudo vai e volta?
A vida não tem fronteiras!

Envolver-se em tantos aparatos
Deixa-se de lado o essencial
Precisamos pegar mais leve
A vida é sempre igual

Artefatos, enfeites
Trajes e chapéus
Supérfluos como penteados
Tudo passa, fica ao léu.

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(IN) CONSCIÊNCIA. ***
(Fluxo de consciência)

Uma sombra desce lentamente revelando tudo o que estava oculto sob a luz intensa da verdade latente. A multidão tateia na claridade uma difícil corrente de ilusões.

Nos bolsos vazios encontram-se miríades de quereres empurrados até a porta onde os sonhos recheiam todas as obras.

Alguém consegue enfim abrir a boca e dizer quase nada, gritar quase tudo e pegar com os cabelos restos de voos mal arrumados.

Deixou de falar que bastaria ver os cento e dez desejos ao longe, e todos trariam vida. Animadamente cobrou suspiros parados, imersos na preguiça do olhar fugaz.

Nesse momento viu a mão do refúgio dando ouvidos às emoções que necessitavam ser feitas para nada.

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LUA QUERIDA***

Espio a lua no céu 
Do céu a lua me espia
Não canso de olhar
Sua luz me extasia

A lua do céu me espia
Olha tudo o que faço
Longínqua e indiscreta
Não percebe meu embaraço.

Não percebe minha inveja
Nem como me seduz
Queria ser como ela
Queria ter sua luz

Talvez tenha inveja de mim
Quisesse aqui estar
Misturada na multidão
Quisesse o meu lugar

Tanto ela quanto eu
Temos a mesma visão
Eu vejo a solidão dela
Ela vê minha solidão.


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TÃO SIMPLES...***
(Fluxo de consciência)

A janela opaca não deixa ver uma meia que agride a vista nem um fiapo pendurado que precisa ser cortado. Uma coisa leva a outra e nessa busca pelo desconhecido a indecisão se instala, corroendo o que era concreto. Arma-se uma chuva que de ácido se alimenta, agride unhas e arrepia pêlos contra um céu tão azul que se faz transparente e permite-nos ver as estrelas. 
Os parentes afastados não permitem que a absorção dos sentidos invadam os jardins. Então eu corro em câmera lenta querendo fugir para esquecer de tudo que não quero, mas talvez precise. Suavemente as cores ameaçam confirmar o veredicto cuja conclusão não nos interessa mais, tudo ficou para trás.  Forma-se então uma nuvem de enxames barulhentos que emudecem todos os sentidos, e permitem que qualquer um faça seus próprios gestos sem pensar em coisa alguma.
Tudo natural e simples como um sorvete de algodão doce.


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UM ENTERRO***

Lá vai aquele caixão.

Dentro dele, o corpo de quem mais amei em toda minha vida.

Fora dele, uma chuva fria e chata, que incomoda, mas não impede aquele doloroso cortejo, apenas torna tudo mais triste e feio.

Carregam-no um pai, tios e primos, balançando-o no ritmo descompassado de seus passos trôpegos que desviam das poças de água,  repartindo-as em respingos lamacentos nas barras das calças e amassando-as nas solas dos sapatos.

Acima dele, acima da chuva, além da terra, ou talvez ali mesmo, e, mesmo ali, longe de nossa compreensão, paira um espírito, finalmente liberto de si mesmo, de uma prisão absurda e incompreendida, assim como as poças de água, triunfantes a princípio, mas que, pela inutilidade de se desviarem delas, acabaram vencidas e quase apagadas.

Qual o sentido de tudo isso?
Que círculo é esse?
Que nos governa?
Que…


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DIPAMUNODAR.

A extensa fila esfrega os pés impacientes na calçada, a luz do dia surge aos poucos e ameaça fustigar os olhos cansados da noite não dormida. O cansaço e a fome começam a fragilizar os ânimos e a duvidar da validade dessa situação. A conversa que começou animada na noite já se esgotou e se faz casual e quase obrigatória de manhã. Esfregam-se os pés, esfregam-se as mãos, e parece que o tempo não passa. Alguém traz térmicas com chá e café quentes, mas o alívio se esvai na medida em que vai sendo pago bem caro esse mínimo conforto.

É quase chegada a hora, chega nova multidão, dobrando a quantidade de pessoas no lugar, dirigindo-se cada qual a alguém da fila e inicia a pamunodagem.

Alguns pagam porque não tem coragem de estar ali, outros porque tem compromissos inadiáveis, muitos por falta de saúde, e a maioria pela necessidade de não perder um dia de trabalho; já os que recebem, todos o fazem por necessidade.

Forma-se na calçada pública uma grande massa humana, por alguns instantes unidos, mas unidos por interesses diversos, é a pamunodagem.

Por fim, após pagamentos efetuados e recebidos, o dinheiro troca de mãos e os pés trocam de lugar.

Missões cumpridas, só resta dipamunodar.



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