Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

Oficina de escrita literária Inspiraturas - o fim da página em branco - A ti, que ainda acreditas na escrita, em especial a Poesia, como ...

28 de abr de 2016

Oficina de Criação Literária INSPIRATURAS/APCEF - oficineira DIONIZIA

"Minhas dores semeiam versos"

poema com métrica ou, preferencialmente, soneto.

EXERCICIO – ESCREVER UM FRAGMENTO DE MINHA AUTOBIOGRAFIA

PIQUINIQUE NA PRAIA DO BARRO DURO

Lembrar da infância para mim é bastante prazeroso. Os piqueniques na praia do Barro Duro eram dos deuses. Saíamos a tarde, com um tio materno, eu e meu irmão, não época eramos só nos dois, uma prima, minha mãe, minha avó. Íamos escondido do meu pai. Porque meu tio não era lá dessas coisas, de andar conforme os ditames das leis. Nem sei se ele tinha carteira de motorista. Mas o carro, um Austine, funcionava a base do empurrão e da manivela. Ainda bem que meu tio era mecânico. Não foram poucas as vezes que tivemos que desembarcar para ficarmos olhando o carro ser empurrado por algum bom samaritano que passava pelo local onde estávamos. O mais impactante foi a vez que vinhamos pela avenida Bento Gonçalves em direção à praia e fomos abordados por um policial da brigada militar. Meu tio não estava com a carteira de motorista. Calçava umas chinelas havaianas remendado no meio dos dedos com um arame. Naquela época não se exigia cinto de segurança e acho que o número de pessoas no carro também não era problema. Para dar uma incrementada na situação parece que os papéis do carro também estavam irregulares. Uma coisa posso garantir, não houve suborno, não que naquela época já não existisse esse tipo de transação financeira. Posso garantir que não, pois quem deu o dinheiro para colocar gasolina no carro foi minha mãe. Meu tio estava mal de dinheiro. Mas o tal brigadiano acho que ficou penalizado com a situação e nos deixou seguir nosso caminho.

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EXERCICIO – ESCREVER SOBRE O EFÊMERO

Sara

Sentada na beira da praia, olho o movimento das ondas abrilhantadas pelos primeiros raios de sol que surgem no horizonte. Elas tocam mansamente a areia, deixando uma espuma branca que se consome por si só. Manhã de outono, sopra uma brisa de temperatura agradável. O sol vem nascendo por detrás de nuvens que passam por ele como se estivessem viajando por uma estrada de mão única. 

Pensamentos diversos vem e vão, tal qual o movimento das ondas, da brisa que sopra, das nuvens que passam. Um cãozinho se aproxima, deita próximo de mim, apoia a cabeça entre as patas e fica olhando na direção da água. Uma gaivota faz menção de aterrissar, quando é sobressaltada pelos latidos do meu companheiro de passagem. Ele a persegue até perder a esperança de alcançá-la e retoma o seu lugar.

Levanto, está na hora de ir. O cão vem atrás de mim, ele também necessita sair em busca do seu futuro. Decido caminhar em direção ao trapiche. Minutos depois ouço uma freada brusca. Olho para trás e vejo que é bem na saída da rua onde moro e que há uma pessoa vestida com uma roupa cor de laranja. Saio em disparada. Meu marido, antes de eu sair de casa, estava se preparando para andar de bicicleta. Não lembrava a cor da blusa que ele vestia, mas ele costuma usar uma blusa laranja. Meu coração dispara. Quando me aproximo, vejo-o de pé, segurando a bicicleta. No chão uma moça caída, com a metade do corpo na calçada, as pernas apoiadas no meio-fio. Não havia ninguém vestindo laranja, a legue da moça era colorida e dentre as inúmeras cores havia a cor laranja. Um rapaz alto, cabelos molhados, camisa branca, boa aparência, caminhava ao redor do carro falando no celular. Ao ser indagado sobre o que havia acontecido, disse que o celular tocou e ele foi atender. O para-brisa estava quebrado, segundo ele, porque a moça teria batido de cabeça. A vítima estava consciente. A todo momento as pessoas que estavam por ali, não a deixavam dormir, chamando-a insistentemente pelo seu nome: Sara e fazendo perguntas. Disse que tinha 34 anos, que seu nome era Sara, que queria sim, que seu marido fosse avisado. Aguardávamos ansiosos a ambulância. Eram sete e meia da manha, quando Sara foi atropelada. Faltavam três casas para chegar a casa de seus patrões. Ela caminhava pela beirada da calçada no meio da rua com mais uma amiga. Não estava numa avenida movimentada, só aquele carro transitava ali naquele instante.

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EXERCICIO – ESCREVER SOBRE OLHARES – EM PROSA OU POESIA

OLHARES QUE SE OLHAM

OLHARES QUE
 ACUSAM E SE CRUZAM
OLHARES QUE
DESNUDAM E SE REVESTEM
OLHARES QUE
EXCITAM E SE ENVOLVEM
OLHARES QUE
APAVORAM E SE ROMPEM
OLHARES QUE
APROVAM E SE  ALIAM
OLHARES QUE
CONVENCEM E SE ENTREGAM
OLHARES QUE
APAIXONAM E SE COMPROMENTEM
OLHARES QUE
REPRIMEM E SE ANULAM

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EXERCICIO – ELABORAR TEXTO EM PROSA OU VERSO SOBRE Atrás das montanhas….

Atrás das montanhas….

Talvez haja uma estrada
Uma cidade perdida
Uma praia, Uma floresta
Uma amizade a descobrir
Não há como saber

Como se faz para chegar
A quem perguntar
É preciso escalar
Pegar um atalho

Não há pistas
Do que se possa encontrar
Pode-se imaginar
Até sonhar

E se ao chegar lá
Nada encontrar
For um abismo sem fim
Um tempo perdido
Um amor esquecido

E se não conseguir
Alcançar o topo?
E me perder na subida
E me arrepender na chegada

E se eu chegar
Numa noite de lua cheia
E o lobo estiver uivando
Houver pedras pelo caminho
Uma majestosa águia
Guardando seu ninho

E se houver raios e trovões
E a chuva não me deixar enxergar
E o vento me levar
E o oxigênio faltar

A quem devo pedir ajuda

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EXERCICIO – DIALOGO ENTRE O COELHO DA ALICE E A MADONA

Madona: - Bom dia senhor coelho?
Coelho da Alice: -  Ai, ai, ai,  vou chegar atrasado demais. Desculpe senhora.
Madona: - Como assim? Atrasado para quê?
Coelho da Alice: – Ora! senhora! não tenho tempo para perguntas.
Madona: - Deixa de ser malcriado.
Coelho da Alice: - Não sou malcriado, senhora, sou ocupado, é bem diferente.
Madona: - Ocupado com o quê? Posso saber?
Coelho da Alice: - Em ficar respondendo perguntas.
Madona: - Perguntas de quem?
Coelho da Alice: - Ora de quem! Da senhora.
Madona: - Mas o senhor acabou de dizer que não responde perguntas
Coelho da Alice: - É isso mesmo. Por que, então, a senhora insiste?
Madona: - Porque eu quero escrever um livro infantil onde o senhor e não, Alice, será o  personagem principal.
Coelho da Alice: - Ah! Senhora me poupe, a senhora por acaso não é cantora?
Madona: - Sou cantora, mas também escritora de livros infantis, diretora, dançarina, atriz, desenhista de moda, empresária.
Coelho da Alice: - Chega, chega, senhora. Se eu fosse metade do que a senhora diz que é, eu calcularia meus atrasos não em horas ou minutos, mas em séculos.
Madona: - Não exagere senhor coelho.
Coelho da Alice: - Eu sou o exagerado, mas é a senhora quem tem mil e uma oupações. Adeus senhora tenho que ir....

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EXERCICIO – Faze um texto em prosa sobre Flores Falsas

FLORES FALSAS

Anita estava na parada do ônibus, ao seu lado, uma senhora lhe disse que não sabia ler e se ela poderia avisá-la quando chegasse o ônibus do bairro Flores Falsas. Anita estranhou aquele nome pois, afinal, sempre morou na cidade e nunca ouvira falar no tal bairro. Por outro lado, como havia tantos empreendimentos imobiliários novos, poderia ser um desses do projeto Minha Casa Minha Vida. A senhora não disse nem mais uma palavra, ficou abraçada numa dessas sacolas de algodão, bastante encardido que trazia a propaganda de algo relacionado à ecologia e a uma fábrica de doces que não conseguiu identificar o nome. Passado alguns minutos Anita, intrigada, resolveu puxar conversa com a senhorinha, foi, então, que percebeu que a mesma deveria ter algum problema na pronuncia das palavras e que, talvez, o nome do bairro não fosse exatamente aquele. Disse-lhe, entre outras tantas coisas, que residia próxima à fábrica de docas Coroa Lenta. A suspeita de Anita se confirmava porque ela só poderia estar falando da fábrica de doces Dona Benta que fica no Bairro Florêncio Alves.

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EXERCICIO – LEMBRANÇAS DA INFANCIA

A tesoura

Lembro-me de estar em baixo de uma mesa onde minha mãe costumava passar roupas e cortar os moldes para suas costuras. Tinha por volta de 4 anos. Era uma mesa grande de madeira que se abria em três partes. Naquele dia, mamãe foi me vestir, depois do banho, mas o vestido não coube em mim. 
Era o que eu mais gostava. Disse-me que teríamos que doá-lo para uma outra menina. Nunca me importei de dar as minhas roupas. Mas aquele vestido não. Ele era meu. Só meu. Peguei-o escondido de minha mãe e me enfiei em baixo da mesa, com a tesoura de costura que era da minha bisa e que, agora, era da minha mãe e que um dia seria minha. Pelo menos dona coelha carregando um carrinho de mão, cheio de cenouras e seus filhotes ficariam comigo. O vestido poderia ser doado. Estava começando a recortá-lo, quando mamãe entrou na peça onde eu estava, conversando com minha tia. 

Ela falava que havia escutado uma notícia no rádio sobre a aparição de uma assombração nos arredores do cemitério. Era de uma mulher careca, vestida de branco, com uma tesoura na mão, que nas noites de lua cheia, aparecia só para as mulheres, pedindo para cortar uma mecha do cabelo delas. 

Conta a história que essa mulher, quando menina teria sido roubada por uma velha que tinha a fama de ser bruxa e que essa teria usado o cabelo da criança para fazer uma poção mágica para ela, que era careca, recuperar o cabelo perdido. O curioso é que essa velha também tinha sido roubada,´quando criança e quem a roubou teria feito a mesma coisa. Mas o mais curioso de tudo é que essa mulher fantasma, quando não cortar o cabelo da sua vítima, a tesoura corre atrás dessa até alcançá-la. Mas o mais curioso ainda é que eu me lembro da nossa avó contar essa história e dizer que essa tesoura que eu uso para cortar meus moldes, que ela me deixou de herança, pertencia a essa mulher. Que ela teria conseguido se escapar da mulher, mas que a tesoura a seguiu e só não a alcançou porque, bem na hora, uma nuvem encobriu a lua e a tesoura caiu no chão.

Nesse instante da conversa, parei de fazer o que estava fazendo e muito devagar, muito mesmo, coloquei a tesoura o mais longe de mim, em silêncio, para não ser descoberta. O meu coração começou a bater forte e por mais que eu quisesse sair daquele lugar eu não conseguia era como se alguma coisa me prendesse ao chão.

Minha tia, então, perguntou para a minha mãe, se era verdade essa história, como a mulher fantasma continuava aparecendo com a tesoura. Foi quando mamãe disse que estava aguardando essa pergunta porque agora é que a história ficava mais interessante. Segundo ela, a avó teria falado que ao chegar em casa, naquela noite, deixou a tesoura em cima de uma mesa na cozinha e foi deitar. No meio da noite acordou com um barulho como se alguém estivesse abrindo e fechando uma tesoura. Era ensurdecedor. No início achou que estava sonhando. Levantou a cabeça do travesseiro para se certificar, mas ouvia nitidamente as tesouradas. Levantou e seguiu o som que dava na cozinha. Ao chegar, encontrou a mulher careca com a tesoura na mão. Pode vê-la porque a luz da lua clareava o ambiente. Vovó disse que não sentiu medo, porque nunca teve medo de assombrações, e perguntou a tal mulher o que ela queria. E, por incrível que possa parecer, ela respondeu que queria o que era dela, parando de fazer o barulho com a tesoura. Vovó respondeu que aquela tesoura não era dela, pois achara na rua. A mulher, então, lhe disse que não queria aquela tesoura, pois já não lhe pertencia mais, mas precisava de uma outra, para poder seguir seu caminho sem machucar ninguém. Vovó disse que foi até o quarto da costura e pegou a tesoura que era dela e entregou-a a mulher que no mesmo instante sumiu.

Nesse momento minha mãe deixa cair a fita metrica no chão e ao se agachar para pegá-la se dá de cara comigo.  

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EXERCICO DE CRIAÇAO DE TEXTO NARRADOR PROTAGONISTA

A VIAGEM

Todos os passageiros já estavam no ônibus. Cheguei por último. Logo, logo, a noite cederia lugar à luz do amanhecer, penetrando por entre as cortinas. Talvez, então, tudo ficasse mais claro. Pegara, apenas, o necessário. Tinha dúvidas quanto a escova de dentes. Compraria uma no próximo paradouro. Apesar de ter dormido pouco, preocupada em não perder a hora, estava desperta. Na poltrona, ao lado da minha, havia um homem roncando. Ao sentar, percebi, de imediato, que não se tratava de um simples roncador, mas de um roncador três bolas. Aquele que senta de pernas abertas, tão abertas, que a impressão que dá é que o cara possui algo a mais entre as pernas. Espremida entre o homem e o banco da frente, ajeitei-me de tal forma que uma parte de mim ficou no corredor. Não deu sinal de vida, quando sentei nem quando foi dada a partida. Uma criança, recém-nascida, chorava desesperadamente, trazendo a mãe para o corredor. A jovem balançava o filho numa cadência fora de ritmo, o que parecia deixá-lo ainda mais irritado. Minha esperança era que o três bolas acordasse, mas para meu desespero, se quer mexeu uma sobrancelha. Essa viagem prometia uma boa carga de estresse. A que eu trazia de casa e a que acabava de brotar. Situação fora de controle, abri a bolsa: palavras-cruzadas poderia ser uma alternativa para aquele momento. A criança foi se acalmando lentamente, sugando o seio da mãe. O homem continuou mumificado. Dei um toque com minha perna na perna dele, depois dois cutuvelaços de leve no braço que ocupava o descanso que deveria ser compartilhado, diga-se de passagem, em vão. Minha timidez impediu-me de imprimir uma força maior quer no braço, quer nas pernas

As constantes viagens de ônibus haviam me dado alguns conhecimentos, entre eles, o da existência dessa espécie humana, nada rara, o três bolas. Na ingenuidade de quem inicia um cotidiano de viagens intermunicipais, a ideia era torcer para que não sentasse ao meu lado uma pessoa gorda. Nada contra o gordo, tenho vários amigos gordos, não tenho problemas quanto a isso. A questão é de ocupação de espaço, de se sentir oprimido, invadido, ignorado. As poltronas ficam cada vez mais estreitas e o espaço interno dos veículos também. Com o passar do tempo fui tomando conhecimento de que o problema não era o gordo, mas o ser espaçoso, o que abre as pernas e/ou os braços, como se não houvesse, não o amanhã, mas o outro, o próximo.

Minha intolerância ao três bolas se intensificou no dia em que um jovem muito gordo sentou do meu lado sem que eu me sentisse um estorvo, sem que eu necessitasse me encolher, me encapsular, me tornar mais magra do que já sou. Ele tinha noção de espaço, de respeito a liberdade de movimento do outro, no caso eu. Apesar de ter torcido muito para ele não me escolher, quando entrou no ônibus, fui a contemplada. Para minha surpresa, espanto e remorso, em momento algum tive que me encolher, me esquivar, quer seja dos seus braços ou de suas pernas. Ele sentou com se fosse uma pluma. Eu certamente nunca me sentei daquele modo. Cruzou os braços em cima da barriga e manteve as pernas fechadas. Desde aquele dia passei a torcer para que ele fosse o meu parceiro de viagem.

Dizem os entendidos que palavras-cruzadas é um antídoto para o mal de Alzheimer, por experiência própria afirmo que também é para o pânico, mas para o ronco, ineficaz. Pensei, então, em escutar rádio, mas poderia terminar com a bateria do celular. Não me arriscaria a ficar sem comunicação. 

Ainda tinha muita estrada pela frente. Pego a caneta: sinônimo de altar (três letras) Ara; lance do tênis (três letras) Ace.

O antídoto para o três bolas ainda está em estudo.

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EXERCICO DE CRIAÇAO DE POESIA COM AS SEGUINTES PALAVRAS:

Grito, emoção, arte

ELA CHOROU,
ELE SORRIA
GRITO!
DE EMOÇÃO

SILENCIO
É A ARTE
QUE PULSA
NUM EMBATE

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EXERCICO DE CRIAÇAO DE TEXTO UTILIZANDO A FRASE: EU VI NASCEREM TANTOS SOIS FRIOS E QUADRADOS

Caleidoscópio
Eu vi nascerem tantos
Sóis frios e quadrados
Eu vi brotarem tantas
Flores multi coloridas
Sem perfume

Eu vi tantos
Sóis e flores
Dentro de um cilindro
Que penso estar mentindo

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EXERCICO DE CRIAÇAO DE TEXTO; PALAVRA INVENTADA – FRUTIVOLA

Frutivola

Até aquele dia para Albertina Frutivola era a sua esperança de sair da miséria em que vivia com a família em um pedaço de terra perdido por entre morros salpicados de pedras que impediam o uso de animais para o plantio. Pensava em tirar os pais e os irmãos daquele inferno, quente e íngreme.

Ao descer do ônibus, junto com outras jovens da sua idade, a primeira coisa que viu foi a placa enferrujada indicando que ali se localizava Frutivola ainda que a letra f estivesse quase imperceptível. 

Um casarão antigo de porta e janelas muito altas, paredes esmaecidas pelo tempo. De imediato teve a lucidez de que aquele lugar, sim, seria o seu verdadeiro inferno. Caira numa armadilha. O pai e a mãe tentaram, em vão, por muitos dias, persuadi-la a desistir da ideia de migrar para a cidade grande em busca da salvação da família. Mas o ímpeto da juventude, o anseio de felicidade, cegaram Albertina que encantada com as promessas de seu amado só tinha ouvidos para ele. Os pais estavam velhos, nunca tinham saído daquele buraco. Queria, pelo menos, dar uma velhice digna para eles e um futuro melhor para os irmãos. Não tinha a quem recorrer naquele momento, teria que suportar as consequências da sua escolha. Não sabia por quanto tempo. A única certeza que tinha é que esse dia chegaria e que Juarez teria o que merecia.

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Exercicio de rima 1ª 4ª 7ª silaba

Lágrimas que amanhecem
Descem suave curando
O coração machucado
Pelo amor renegado

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EXERCICIO: NARRATIVA LIVRE COM ENFASE NO DIALOGO

Da cozinha para a pracinha

Débora estava decidida, iria passear com o filho e a empregada cuidaria dos afazeres de casa. Depois que conversara com uma amiga, se dera conta de que havia algo errado em  sua rotina. Quem deveria levar o filho na pracinha, na escolinha de futebol e de natação era ela.
A campainha toca:  
Bom dia! dona Débora
Bom dia! dona Adelaide?
O Pedro Henrique já acordou?
Sim, está no quarto assistindo televisão.
Então vou largara a minha bolsa lá na dispensa e já vou pegar ele para ir na pracinha. Está um lindo dia.
Pode ir dona Adelaide, mas depois vem aqui na cozinha que eu quero falar com senhora.
Está bem.
 Pois não dona Débora, a senhora queria falar comigo? Eu fiz alguma coisa errada?
Não, não é nada disso. É que hoje resolvi, quer dizer, de hoje em diante quem vai levar o Pedro Henrique para passear serei eu. A senhora vai fazer o almoço. Estive pensando que estou muito afastada do meu filho, a senhora conhece ele  melhor do que eu.
Por mim tá tudo bem dona Débora, mas o seu Augusto já sabe disso?
Não, ainda não sabe, mas não se preocupe, ele vai ter que aceitar isso, é para o bem do nosso filho.    
Eu nunca falei nada pra senhora, mas eu comentava com o meu Juarez que achava muito estranho a senhora ficar em casa, cozinhando, e eu sair para passear com o Pedrinho. O Juarez também ficava cabreiro com essa história.
O que me espanta é eu até agora ter achado tudo isso a coisa mais normal do mundo. Fui na conversa do Augusto, de que eu era a melhor cozinheira do mundo, que ninguém fazia isso ou aquilo melhor que eu e olhe no que deu. E se eu morrer? Ele não vai mais comer? E quando ele viaja, ele não come nos restaurantes? Como eu fui ser tão idiota assim.
Olha dona Débora a senhora não fique se culpando, essas coisas acontecem, mas a senhora pode contar comigo, eu posso cozinhar e fazer exatamente como a senhora me mandar. O   seu Augusto não vai poder reclamar e a senhora vai poder passear com  o Pedrinho pra tudo que é lugar.
A senhora acha mesmo que consegue dona Adelaide?
Claro que consigo, em todos os meus empregos eu cozinhava. Vai dar tudo certo a senhora vai ver. Eu vou lá ajudar o Pedrinho a se vestir.
Não diga nada pra ele que eu sou eu que vou sair com ele
Pode deixar dona Débora.   

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EXERCICIO - CRIAÇÃO DE PERSONAGENS

Luísa: (nome verdadeiro João Paulo), 30 anos, cabelos longos, loiros com mexas, olhos castanhos, alta mãos e pés grandes, lábios grossos, sobrancelhas finas, educada, delicada, veste-se de forma sóbria e elegante, discreta, proprietária de um centro de beleza.
Wesley: adolescente, 14 anos, estatura mediana, pele bronzeada, cabeça raspada, tatuagem de uma caveira na canela da perna direita, olhos pretos, graúdos, skeitista, dançarino de rapp,

Vida nova

Luísa, como fazia diariamente, saiu cedo de casa. Manhã de sábado. Um dia intenso de trabalho estava por vir. Festas de formatura, casamentos, aniversários de quinze anos e por aí afora. Motivos diversos para a mulherada caprichar no visual. Pensou em pegar um táxi, mas como ainda tinha tempo, resolveu aproveitar o sol daquela manhã de primavera. Sentia-se livre, feliz, como no tempo em que ainda não sabia das mazelas desse mundo cão. A mudança de cidade realmente lhe fizera bem. Ali ninguém conhecia sua real identidade. Podia ser ela mesma, passar nas calçadas sem ouvir piadinhas de mal gosto, insultos, olhares repressores e, às vezes, maliciosos. Não sabia por quanto tempo poderia levar essa vida secreta, mas estava disposta e decidida a aproveitar até o último instante. Porque foi tão difícil tomar a decisão de sair daquela maldita cidade? A mãe era só uma desculpa ou não? Mas como deixá-la aos cuidados do Teozinho, o queridinho, um irresponsável. 

Sempre arrumando uma desculpa para não cuidar da mamãe. Compromisso? Só quando queria extorquir alguma grana dela. Mas de que adianta ficar lembrando disso agora?  Ela já se foi mesmo. 

O que eu pude fazer eu fiz. Tenho que me livrar desses pensamentos que não me levam a lugar algum e ainda me deixam pra baixo. Luísa tens que pensar positivamente. Cidade nova, pensamentos novos, vida nova. Esse será de agora em diante teu mantra.

Enquanto fica repetindo seu novo mantra, Luísa observa a paisagem, os jardins das casas, e um garoto que vem em sua direção andando num skate que, repentinamente, tomba no chão ao desviar de um buraco na calçada. Luísa vai em seu socorro. O garoto tenta levantar sozinho, não aceita pegar na mão estendida de Luísa, que pergunta:

 – Machucou garoto?

– Não, tá tudo bem. Ao tenta levantar, faz uma cara de dor e desabafa:  – Porra meu, acho que quebrei alguma coisa.

 – Deixa eu te ajudar.

 – Não moça, só liga pro meu pai que ele vem me buscar.

 – Luísa tira o celular da bolsa: – Liga você mesma.

– Pai? É o Wesley. Pode vir me buscar? Aqui perto de casa, nesse centro de beleza que abriu a pouco, é esse mesmo. É que eu cai e não tô conseguindo me levantar, acho que quebrei alguma coisa. Não, não, esse telefone é duma mulher que tava passando na rua. Não sei o nome dela. Qual é o seu nome?

 – Luísa.

– Luísa. Pai, mas pra que pai que tu quer falar com ela? Tá bom. Wesley entrega o telefone para Luísa

– Sim, pois não. Não se preocupe acho que não é nada grave, não, eu trabalho nesse centro de beleza aqui perto, posso levá-lo para lá. Não, não é incomodo algum. Eu fico lhe aguardando.

 – Vamos, então, meu rapaz eu te ajudo.

- O que meu pai disse? Não quero ir a lugar nenhum, quero ficar aqui esperando por ele.

- Ele falou que vai demorar um pouco. Foi resolver um problema de um cliente na praia.

- Vamos lá, eu ajudo você a levantar.

- É que tá doendo.

- Vamos tentar, se não conseguirmos a gente espera aqui mesmo.

- Wesley se agarra ao pescoço de Luísa e consegue ficar de pé. Com a outra mão segura o skate.

- Ainda bem que estamos perto. Você aguenta?

- Sim acho que sim

Ao chegarem Luísa ajuda Wesley a se firmar na parede e abre a porta do salão. Os dois entram e Wesley senta num sofá. Enquanto Luísa abre as cortinas e acende a luz pergunta:  –  aceita um copo  de água ou refrigerante?

- Aceito um refri.

Luisa se dirige à cozinha e volta com um copo e um pote de vidro com pães de mel que ela mesma havia confeccionado.

- Como é mesmo o seu nome?

- Wesley.

- Tá doendo muito ainda?

- Não, agora parece que tá aliviando. Nunca comi um pão de mel tão bom. Que marca é?

- É da marca Luísa

- Deve ser uma marca nova, eu não conheço.

- To só  brincando, sou eu mesma que faço.

- Puxa! é bom demais, eu amo bolinhos de mel. Vai ter que dar a receita para o meu pai ele, adora cozinhar. Será que ele vai demorar?

- Quer ligar?

- Não, é melhor não. Quando ele tá no serviço, não gosta que eu fique ligando. Tu é a dona do salão?

- Sim

- Antes, aqui, era uma casa velha, abandonada, meu pai ficou feliz quando construíram esse salão. É que a gente mora nos fundos e um bando de drogado vinha pra cá e faziam muito barulho, uma vez quase incendiaram a casa. Tiveram que chamar os bombeiros.

- Então somos vizinhos! Que boa notícia porque ainda não fiz amizades por aqui. Quer mais um bolinho?

- Eu quero sim, tá bom demais. Tu mora aqui?

- Não, aqui é só onde eu trabalho.

- Tu só corta cabelo de mulher?

- Não, de homem também. Mas parece que você não precisa muito da minha ajuda.

- É meu pai passa a máquina, mas o dele, ele corta num salão só de homem. Eu não gosto do jeito que ele corta, fica parecendo que tem um capacete na cabeça, bem que ele podia cortar aqui contigo.

- Se ele quiser podemos experimentar.

- To ouvindo o barulho de uma moto, acho que meu pai chegou.

-  Vou dar uma olhada pela janela. Acho que é ele mesmo, parou aqui na frente.

- É uma moto vermelha?

- É

- Me ajuda aqui.

- Calma rapaz, primeiro vou abrir a porta para o seu pai.

-Bom dia! Você deve ser o pai de Wesley, desculpe, nos falamos por telefone e nem  perguntei o seu  nome. Luísa não entende porque, mas sente que seu coração acelera um pouco.

- Bernardo, prazer. Ao falar estende a mão. Eu é que peço desculpas, devia ter me apresentado quando nos falamos, mas acho que foi o susto que não me deixou ser gentil.

- Pai, pai

- Calma Wesleyz, já estou indo. Tudo bem meu filho?

- Agora sim, achei que tivesse quebrado o pé, mas parou de doer.

- Vamos até o pronto socorro e, assim, tiramos a dúvida.

- Pai tu nem sabe, a Luisa faz um pão de mel que é uma delicia, tens que pedir a receita para ela.

- É pelo jeito tu estás bem mesmo.

- Pode deixar Wesley eu mando a receita para o celular do teu pai

- É pai dá o teu número para Luísa.

- Ela já tem o meu número. Lembra que você me ligou do telefone dela?

- Ah! É mesmo.

- Então vamos pai.

Luísa e Bernardo se olham e sorriem um para o outro. A sensação de ambos é que já se  conheciam de algum lugar. Luísa foge do confronto:

- Deixa que eu levo o skate e você cuida dele.

- Tá bem.

Pai e filho se despedem. Luísa fecha a porta, senta numa cadeira em frene ao espelho e sorri. A campaninha toca.  

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EXERCICIO EM POESIA – INVERSÃO DE GÊNERO DO EU LIRICO

DILEMA
MULHERES! AH! ESSAS MULHERES
SÓ QUEREM, QUEREM
O QUE ELAS QUEREM AFINAL?

VAI SABER
QUEM SABE?
NEM ELAS  
MUITO MENOS EU
VELHO MORTAL
…...

NADA DE ASSOBIOS
SILENCIO
DOR DE CABEÇA
  
NADA DE PERGUNTAS

O CHINELO?
NO LUGAR SE SEMPRE

A CUECA?
NO LUGAR DE SEMPRE

AS MEIAS?
NO LUGAR DE SEMPRE

UMA PERGUNTA?
O LUGAR DE SEMPRE
EXISTE? OU
É UMA INVENÇÃO DAS MULHERES?

DESCULPE!
 ERA SÓ UMA PERGUNTA
RESPONDA A ÚLTIMA POR FAVOR  

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E se o ar faltasse a todos
E se o ar faltasse a todos?
Todos entrariam na Bolha,
Sem problemas
Bolha! Que Bolha?

Aquela inventada pelos homens
Homens! Que homens?
Os que matam, poluem
Amam e criam

Bolha? Bolha de sabão!
Aquela que o vento
Leva num tempo
Que tempo?
O que já passou

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E se o mundo ficasse roxo
E se o mundo ficasse roxo?
Eu diria que enlouqueci
Que me embriaguei
Que estive sonhando

Não enlouqueci
Não me embriaguei
Não sonhei
Disseram

Foram as lentes da mente
Entraram em blecaute
Mundo roxo, mundo frouxo
Que a lucidez não me falte

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CRIAÇÃO DE TEXTO EM DE DUPLA

Margaridas

Soa a buzina lá fora e, sentada na poltrona, Vera não vê como levantar. Calor intenso. Recorda o avarandado da casa de praia, os filhos correndo atrás da cadela, Laica, o canto dos sabiás, o cheiro do pão assando no fogão a lenha. Ela na rede a espera de Osvaldo. Uma espera doída,  mas, ao mesmo tempo, cheia de expectativa. Nunca sabia a hora, o dia, em que ele passaria por aquele portão com uma braçada de margaridas. Sempre margaridas. Em meio a gritaria das crianças, ao latido do cachorro, ao barulho das ondas do mar, em dias de vento forte, buscava, insistentemente, escutar o ranger das dobradiças enferrujadas. Na maioria das vezes, em vão.

Os filhos cresceram, casaram. Ela envelheceu, mas continua com aquela sensação de que ainda vai escutar o ranger do portão. Olha para o vaso repleto de margaridas. A buzina soa mais uma vez e, por um instante, Vera imagina que seja Osvaldo. Tenta  levantar instintivamente, mas desiste, a bengala cai. 

A buzina continua a soar.    


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Os quinze anos de Rafaela

Personagem: Vânia
Características: madrinha e tia materna de Rafaela, é quem ajuda financeiramente a família e quem vai dar a festa. Gosta de organizar e opinar. É solteira

Hoje posso dizer que estou realizando um dos meus sonhos: a festa de 15 anos de Rafaela. Já estou pensando na festa de formatura. Gastei todas as minhas economias, mas não me arrependo. A partir de agora vou começar uma nova poupança para a formatura e para pagar a faculdade, se for preciso, caso contrário, o dinheiro fica para o carro que eu quero dar de presente a ela. O que importa é que estou muito feliz e parece que Rafaela também. O tempo passou muito depressa, lembro perfeitamente do primeiro aninho. Não foi a festa que eu sonhava, mas, na época, não podia me meter muito porque Vamora ainda era viva. Mas, agora, eu posso fazer do meu jeito. Não medi esforços para que tudo saísse perfeitamente, da decoração ao menu. Falei, pessoalmente, com todos os garçons e com as cozinheiras. Nada de economia, não quero que saiam falando por ai que foram mal servidos ou que a comida não estava boa. Estou ansiosa para ver a cara da Rafaela, quando entrar por aquela porta a banda preferida dela. Ela nem imagina que o melhor da noite esta por vir. Estou tão nervosa que acho que vou pegar uma bebida. Garçom por favor um champanhe.

Enquanto bebe, Vânia observa Fátima e Moacir que estão pousando para uma foto com Rafaela. Sente um aperto no coração, uma angustia. Desvia o olhar para a porta, na esperança de que algo venha em seu socorro.



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