Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de escrita literária Inspiraturas, em Pelotas

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26 de set de 2016

Poesia e poema são sinônimos? Não para Octavio Paz

Poesia e poema são sinônimos? Não para Octavio Paz


Em sua obra-prima “O arco e a lira”, o crítico literário, poeta e ensaísta Octavio Paz volta seu olhar ao estudo da poesia e do poema, da criação poética e da história da poesia. No entanto, ao trabalhar com tais questões, sentiu necessidade de delimitar o que é, de fato, o poema e a poesia, termos costumeiramente tomados como sinônimos. Para o estudioso, há poesia sem poemas. A poesia pode estar numa paisagem, nas pessoas, em fatos cotidianos, isto é, a poesia pode estar em nosso dia-a-dia em momentos, vivências e coisas que são poéticas. Ela pode acontecer por acaso, sem passar pelas mãos de um poeta e sua vontade criadora. Podemos nos deparar com o poético em acontecimentos simples, frutos do acaso.

O poeta, por sua vez, pode ser o fio condutor responsável por transformar a poesia (como uma paisagem, um acontecimento – belo ou não – etc) em elementos poéticos dispostos no poema. A poesia, por meio de um ser humano com intenções artísticas, transforma-se em produto humano ao adentrar no poema.

E o poema? O poema é obra literária, é criação artística e é linguagem erguida. Pode ser construído de acordo com regras métricas e rítmicas e pode possuir uma forma literária específica, como, por exemplo, o soneto. Entretanto, Paz defende que o poema não é uma forma literária em si, mas, sim, o ponto de encontro entre o ser humano (poeta e até o leitor) e a poesia. Poema, nesse sentido, é um organismo verbal, que pode conter, suscitar ou emitir poesia. Paz ainda chama atenção para a questão de que, muitas vezes, a poesia é denominada a soma de todos os poemas de um determinado autor ou período. Na visão dele, isto é errôneo, uma vez que cada poema é único e irredutível. Não se pode reduzir criação poética à poesia. O poema é um objeto único, permeado por uma técnica específica de cada poeta, a qual possui um estilo específico, marcado tanto pelo individualismo de seu criador quanto pela sua época, estilo literário de seu tempo e vivências sociais e históricas.

Cada poema é palavra e é história, único em uma totalidade de uma obra literária e, por meio dele, em maior ou menor grau, pulsa a poesia. Dentro do poema, a poesia é enxergada de acordo com aquilo que cada um carrega dentro de si, ou seja, o poema é uma possibilidade aberta a todos, e essa participação do leitor na leitura do poema é, por si só, algo poético. Ao reviver o poema, ao visitá-lo e revisitá-lo, o leitor faz uma viagem dentro de si e além de si. 

Para finalizar aqui esta matéria trazemos algumas de suas definições de poesia e poema de modo poético: "A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro. Pão dos eleitos; alimento maldito. Isola; une. Convite à viagem; regresso à terra natal. Inspiração, respiração, exercício muscular. Súplica ao vazio, diálogo com a ausência, é alimentada pelo tédio, pela angústia e pelo desespero. Oração, litania, epifania, presença. Exorcismo, conjuro, magia. Sublimação, compensação, condensação do inconsciente. Expressão histórica de raças, nações, classes. Nega a história: em seu seio resolvem-se todos os conflitos objetivos e o homem adquire, afinal, a consciência de ser algo mais que passagem. Experiência, sentimento, emoção, intuição, pensamento não-dirigido. Filha do acaso; fruto do cálculo. Arte de falar em forma superior; linguagem primitiva. Obediência às regras; criação de outras. Imitação dos antigos, cópia do real, cópia de uma cópia da Idéia. Loucura, êxtase, logos. Regresso à infância, coito, nostalgia do paraíso, do inferno, do limbo. Jogo, trabalho, atividade ascética. Confissão. Experiência inata. Visão, música, símbolo. Analogia: o poema é um caracol onde ressoa a música do mundo, e métricas e rimas são apenas correspondências, ecos, da harmonia universal. Ensinamento, moral, exemplo, revelação, dança, diálogo, monólogo. Voz do povo, língua dos escolhidos, palavra do solitário. Pura e impura, sagrada e maldita, popular e minoritária, coletiva e pessoal, nua e vestida, falada, pintada, escrita, ostenta todas as faces, embora exista quem afirme que não tem nenhuma: o poema é uma máscara que oculta o vazio, bela prova da supérflua grandeza de toda obra humana!" - Octavio Paz – O Arco e a lira 

ESTELA SANTOS

http://homoliteratus.com/poesia-e-poema-sao-sinonimos-nao-para-octavio-paz/

16 de set de 2016

Lançamento do Livro 'Minha Lua", de Angela Madono, na Oficina da APCEF

Num clima descontraído, em plena noite de lua cheia, "Minha Lua", de Angela Madono, nos chegou como um grande presente! Grata à autora pela partilha e por tanto carinho.

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8 de set de 2016

Cai

Cai nas tuas fendas
Nas tuas celas
Com os teus leões
Cai nas tuas valas
Com as concubinas
Com as bocas
E beijos não dados.                        
Cai na (des)ordem                        
Na cólera que esmaga                        
Cai nas arcádias                        
Cai a queda heróica                        
A queda lacônica
Icônica
Irônica                      
Apenas
Cai


Tim Soares
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