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6 de fev de 2017

Dicas para escrever sonetos

A Jornada do Herói

A Jornada do Herói

Aqui vai uma tradução livre do interessante resumo que os autores Robin U. Russin e William Missouri Downs fizeram do trabalho de Joseph Campbell:

 

Uma das maiores influências sobre a estrutura das histórias em Hollywood, apesar de que isto não tenha sido sua intenção, foi o antropólogo Joseph Campbell. Campbell criou um interesse sem precedentes em mitologia e narração de histórias com seus livros e sua incrivelmente popular série de entrevistas com Bill Moyers na rede de TV PBS. Campbell não era um guru de enredos. Construindo sobre o trabalho do psicólogo suíço Carl G. Jung — que procurava entender os arquétipos universais das histórias e os personagens míticos que pareciam surgir em culturas variadas — Campbell deu um passo à frente ao esboçar um padrão básico e imutável de narração de histórias. Seu livro, O Herói de Mil Faces, detalha como as estruturas de enredo da maioria dos mitos de jornada heróica eram semelhantes não importavam o país, a cultura ou o século de onde vieram. Campbell argumenta que todos os contadores de histórias — dos antigos gregos aos quenianos, dos chineses aos roteiristas de Hollywood — seguem a mesma fórmula básica quando recontam estas histórias heróicas, apesar de suas aparentes infinitas variações. Esta estrutura antiga envolve os doze estágios da Jornada do Herói:

1- O MUNDO HABITUAL

Um mito começa com o herói em seu próprio ambiente.

2- A CHAMADA PARA A AVENTURA

Um problema ou desafio é apresentado e irá perturbar o mundo habitual do protagonista.

3- O HERÓI RELUTANTE

O herói empaca frente à aventura. Ele enfrenta seus medos em relação ao desconhecido.

4- O VELHO SÁBIO

O herói consegue um mentor, que ajuda o herói a tomar a decisão certa, mas o herói precisa empreender a jornada sozinho.

5- DENTRO DO MUNDO ESPECIAL

O herói toma a decisão de comprometer-se com a aventura e deixa seu mundo familiar para trás, para entrar num mundo especial de problemas e desafios.

6- TESTE, ALIADOS E INIMIGOS

O herói enfrenta os aliados de seus oponentes, assim como a sua própria fraqueza, e inicia o trabalho enquanto lida com as consequências de suas ações.

7- A CAVERNA SECRETA

O herói entra no lugar de maior perigo, o mundo do antagonista.

8- A PROVAÇÃO SUPREMA

O momento sombrio ocorre. O herói precisa encarar um fracasso crítico, uma derrota aparente, a partir da qual ele irá adquirir sabedoria ou habilidade para ser bem-sucedido no final.

9 – APODERANDO-SE DA ESPADA

O herói ganha poder. Com seu novo conhecimento ou maior capacidade, ele agora pode derrotar as forças hostis do antagonista.

10- A ESTRADA DE VOLTA

O herói volta para seu mundo habitual. Ainda há perigos e problemas enquanto o antagonista e seus aliados perseguem o herói e tentam evitar que ele escape.

11- RESSURREIÇÃO

O herói é espiritualmente ou literariamente renascido e purificado por sua provação, enquanto ele se aproxima do limiar do mundo habitual.

12- RETORNO COM O ELIXIR

O herói retorna ao mundo habitual com o tesouro que irá curar seu mundo e restaurar o equilíbrio que estava perdido.

 

O mais famoso exemplo de filme que segue esta fórmula é Guerra Nas Estrelas: Episódio IV – Uma Nova Esperança (Star Wars: Episode IV – A New Hope, 1977). Aqui mostramos como a jornada de Luke Skywalker (o protagonista) segue o esquema ancestral de enredo de Campbell:

1- O MUNDO HABITUAL

Luke Skywalker é um rapaz, um fazendeiro entediado em um planeta distante.

2- A CHAMADA PARA A AVENTURA

A Princesa Léia e as forças rebeldes que resistem ao Imperador do mal estão em dificuldades. Ela manda uma mensagem holográfica pedindo ajuda a Obi Wan Kenobi que, por sua vez, pede para Luke se unir a ele.

3- O HERÓI RELUTANTE

Skywalker recusa-se a se unir a Obi Wan. Ele tem responsabilidades demais na fazenda, mas quando ele vai para casa, descobre que sua família foi massacrada pelas Stormtroopers do Imperador.

4- O VELHO SÁBIO

Um mentor sábio, Obi Wan  Kenobi prepara Luke para a batalha à frente. Ele dá a ele um sabre de luz que um dia pertenceu ao pai de Luke, um cavaleiro Jedi. Ele conta a Luke sobre o lado negro da Força.

5- DENTRO DO MUNDO ESPECIAL

Luke decide deixar seu mundo habitual e ir acertar as coisas.

6- TESTE, ALIADOS E INIMIGOS

Luke entra num mundo perigoso, encontra estranhas criaturas no “limiar” (a área do bar), une forças com Han Solo, foge das Stormtroopers do Imperador e entra na briga, voando para o espaço para resgatar a Princesa Léia.

7- A CAVERNA SECRETA

Luke entra na Estrela da Morte, o lar e a arma suprema do maior guerreiro do Imperador do mal, Darth Vader.

8- A PROVAÇÃO SUPREMA

Luke, Han Solo e a Princesa Léia ficam presos na gigante prensa de lixo da Estrela da Morte; Luke é puxado sob a água por uma estranha criatura. Eles então são salvos por um aliado, R2D2.

9 – APODERANDO-SE DA ESPADA

Luke resgata a Princesa Léia e apodera-se das plantas da Estrela da Morte.

10- A ESTRADA DE VOLTA

Luke é perseguido por Darth Vader.

11- RESSURREIÇÃO

Luke é quase morto por Darth mas reage e vence. Luke destrói a Estrela da Morte.

12- RETORNO COM O ELIXIR

Luke é recompensado por todo o seu trabalho duro. O mundo está novamente em equilíbrio.

Quando Hollywood descobriu O Herói de Mil Faces, muitos produtores, diretores e escritores pularam de alegria: eles finalmente tinham encontrado a sua bíblia de estrutura de roteiro. Agora eles poderiam socar qualquer idéia neste esquema simples e sair com uma história muito boa. Mas outros não estavam tão excitados. Muitos sentiram que produtores demais, ansiosos por um caminho fácil, viram a fórmula de Campbell como o único caminho para estruturar um roteiro, não importando que tipo de história estivesse sendo contada. A estrutura de Campbell pode funcionar muito bem para Guerra Nas Estrelas e outras histórias de jornadas, mas oferece pouca ajuda para histórias como Noite de Desamor (‘night Mother, 1986), Meu Jantar Com André (My Dinner With Andre, 1981) e Falando de Amor (Waiting To Exhale, 1994).

texto compilado de https://dicasderoteiro.com/2010/01/19/a-jornada-do-heroi/

“Por que escrevo?” – 19 depoimentos que você precisa conhecer

“Por que escrevo?” – 19 depoimentos que você precisa conhecer

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– Por que você escreve?

No livro Por que escrevo?, organizado por José Domingos de Brito como parte da série “Mistérios da Criação Literária”, a pergunta parece ser feita a todos os mais variados cânones da literatura, da poesia, e do jornalismo – pessoas que, enfim, constroem e desconstroem com palavras. De A a Z, as respostas vão sendo traçadas uma a uma, em um espírito íntimo em meio ao qual o leitor tem, certas vezes, a impressão de ouvir da boca de seu grande ídolo as razões que o levaram a tal árdua profissão . Enquanto Allen Ginsberg diz que escreve porque gosta de cantar quando está só, Gabo diz que escreve para que seus amigos o amem mais. E assim o livro nos mostra, em uma coletânea despretensiosa e sem ornamentos — e com uma rica bibliografia sobre o ofício da escrita —, das respostas mais simples e definitivas às mais reflexivas, abrangentes e complexas possíveis.

Aqui vão algumas delas*:

01. Allen Ginsberg:

“(…) Eu escrevo poesia porque gosto de cantar quando estou só (…) Eu escrevo poesia porque minha cabeça contém uma multidão de pensamentos, 10 mil para ser preciso (…) Eu escrevo poesia porque não há razão, não há porquê. Eu escrevo poesia porque é a melhor forma de dizer tudo que me vem à cabeça no intervalo de um quarto de hora ou de toda uma vida.”

02. Augusto dos Anjos:

“A princípio escrevia simplesmente
Para entreter o espírito… Escrevia
Mais por impulso de idiossincrasia
Do que por uma propulsão consciente.

Entendi, depois disso, que devia,
Como Vulcano, sobre a forja ardente
Da ilha de Lemnos, trabalhar contente,
Durante as 24 horas do dia!

Riam de mim, os monstros zombeteiros.
Trabalharei assim dias inteiros,
Sem ter uma alma só que me idolatre…

Tenha a sorte de Cícero proscrito
Ou morra embora, trágico e maldito,
Como Camões morrendo sobre um catre!”

03. Carlos Drummond de Andrade:

“Posso dizer sem exagero, sem fazer fita, que não sou propriamente um escritor. Sou uma pessoa que gosta de escrever, que conseguiu talvez exprimir algumas de suas inquietações, seus problemas íntimos, que os projetou no papel, fazendo uma espécie de psicanálise dos pobres, sem divã, sem nada. Mesmo porque não havia analista no meu tempo, em Minas.”

04. Clarice Lispector:

“Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que foi essa que segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E, no entanto, cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.”

05. Fernando Pessoa:

“Eu escrevo para salvar a alma.”

06. Fernando Sabino:

“Tenho a impressão de que se eu soubesse responder a essa pergunta deixaria de ser escritor. Não haveria condição. Não saberia dizer, não. Está além da minha compreensão. Esta pergunta é tão grave como se perguntassem: ‘Por que vive? Por que ama? Por que morre? ’. Talvez eu escreva para atender a essas três presenças que são as únicas que existem na vida de um homem. No verso de Eliot: ‘Birth, copulation and death’; eu diria ‘nascimento, amor e morte’. Não sei por que escrevo. Eu nasci, virei homem e vou morrer.”

07. Gabriel García Márquez:

“Para que meus amigos me amem mais.”

08. George Orwell:

“Meu ponto de partida é sempre um sentimento de proselitismo, uma sensação de injustiça. Quando sento para escrever um livro, não digo a mim mesmo: ‘Vou produzir uma obra de arte’. Escrevo porque existe uma mentira que pretendo expor, um fato para o qual pretendo chamar a atenção, e minha preocupação inicial é atingir um público. Mas não conseguiria escrever um livro, nem um longo artigo para uma revista, se não fosse também uma experiência estética. Quem se dispuser a examinar meu trabalho perceberá que, mesmo quando é uma clara propaganda, contém muito do que um político de tempo integral consideraria irrelevante. Não sou capaz de abandonar por completo a visão de mundo que adquiri na infância, nem quero. Enquanto viver e estiver com saúde, continuarei a ter um forte apego ao estilo da prosa, a amar a superfície da Terra, a sentir prazer com objetos sólidos e fragmentos de informações inúteis. De nada adianta tentar reprimir esse meu lado. O trabalho é conciliar os gostos e os desgostos arraigados com as atividades essencialmente públicas, não individuais, que esta época impõe a todos nós.”

09. Jean-Paul Sartre:

“Porque a criação só pode encontrar seu acabamento na leitura; porque o artista deve confiar a outro a tarefa de concluir o que ele começou; porque somente através da consciência é que ele pode se ter como essencial a sua obra e toda obra literária é um apelo. Escrever é apelar ao leitor para que ele faça passar à existência objetiva o descobrimento que empreendi por meio da linguagem.”

10. João Cabral de Melo Neto:

“Por que escrevo é um negócio complicado… Eu tenho a impressão de que a gente escreve por dois motivos. Ou por excesso de ser — é o tipo do escritor transbordante, como a maioria dos escritores brasileiros; é uma atitude completamente romântica — ou por falta de ser. Eu sinto que me falta alguma coisa. Então, escrever é uma maneira que eu tenho de me completar. Sou como aquele sujeito que não tem perna e usa uma perna de pau, uma muleta. A poesia preenche um vazio existencial. Às vezes, eu escrevo porque quero dizer determinada coisa que eu acho que não foi dita; às vezes, porque me interessa que conheçam meu ponto de vista. Às vezes, escrevo também por prazer.”

11. José Saramago:

“Antes eu dizia: ‘Escrevo porque não quero morrer. ’ Mas agora eu mudei. Escrevo para compreender. O que é um ser humano?”

12. Julio Cortázar:

“(…) O fascínio que uma palavra produzia em mim. Eu gostava de algumas palavras, não gostava de outras, algumas tinham certo desenho, uma certa cor. Uma de minhas lembranças de quando estava doente (fui um menino muito doente, passava longas temporadas de cama com asma e pleurisia, coisas desse tipo) é a de me ver escrevendo palavras com o dedo, contra uma parede. Eu esticava o dedo e escrevia palavras, e via as palavras se formando no ar. Palavras que eram, muitas vezes, fetiches, palavras mágicas. Isso é algo que depois me perseguiu ao longo da vida. Havia certos nomes próprios — e sei lá por quê — que para mim tinham uma carga mágica. Naquela época havia uma atriz espanhola que se chamava Lola Membrives, muito famosa na Argentina. Bom, eu me vejo doente — aos sete anos provavelmente — escrevendo com o dedo no ar Lo-la-Mem-bri-ves, Lo-la-Mem-bri-ves. A palavra ficava desenhada no ar e eu me sentia profundamente identificado com ela. De Lola Membrives, a pessoa, eu não sabia muita coisa, nunca a tinha visto e nunca a vi. Na realidade, eram meus pais que iam ver as peças onde ela trabalhava. E foi nesse mesmo momento que comecei a brincar com as palavras, a desvinculá-las cada vez mais de sua utilidade pragmática e comecei a descobrir os palíndromos, que depois apareceram nos meus livros… Desde muito pequeno, minha relação com as palavras, com a escrita, não se diferencia da minha relação com o mundo em geral. Eu não acho que nasci para aceitar as coisas tal como estão, tal como me são oferecidas.”

13. Manuel Bandeira:

“Na verdade, faço versos porque não sei fazer música… Jamais senti que meu destino fosse a Poesia, sobretudo assim com esse P maiúsculo que pressinto na sua garganta. Creio que se fui poeta em alguns momentos, só o fui por incidente patológico ou passional.”

14. Moacyr Scliar:

“Quando criança, eu era adicto à literatura, não podia ficar sem ler. A minha conexão com a vida acontecia via literatura. Eu lia para aprender a viver, para saber o que fazer. É claro que isso provoca muitas desilusões, muitos choques, porque a vida não é a literatura. Assim, quando comecei a escrever, foi porque lia. Outra razão é que meus pais foram grandes contadores de história. Numa noite quente como essa, as pessoas do meu bairro se reuniam para contar histórias, o que, desde muito cedo se incorporou em mim, passou a ser uma coisa que eu também queria fazer, só que à minha maneira, escrevendo.”

15. Paulo Francis:

“Escrevo romances para me perpetuar, para ter fama, glória, dinheiro, amor, essas coisas comezinhas da vida.”

16. Rachel de Queiroz:

“Acho que para cada escritor há uma razão diferente. No meu caso, num certo sentido, é o desejo interior de dar um testemunho do meu tempo, da minha gente e principalmente de mim mesma: eu existi, eu sou, eu pensei, eu senti, e eu queria que você soubesse. No fundo, é esse o grito do escritor, de todo artista. Creio que o impulso de todo artista é esse. É se fazer ver. Eu existo, olha pra mim, escuta o que eu quero dizer: tenho uma coisa pra te contar. Creio que é por isso que a gente escreve.”

17. Sérgio Milliet:

“Quer saber de uma coisa? Não acredito na predestinação literária. São circunstâncias acidentais que fazem o escritor e é o acaso de um primeiro êxito que o leva a perseverar. Um homem de inteligência média faz qualquer coisa; basta que a vida o exija. Qualquer camarada de algumas letras escreveu versos na mocidade; se não continuou, foi porque outra coisa lhe interessou.”

18. Truman Capote:

“Sou um escritor essencialmente horizontal. Não posso pensar mais do que quando estou encostado, com um cigarro nos lábios e uma xícara de café ao alcance da mão. A xícara de café pode ser trocada por um copo de vodka, não há por que ser maníaco. Não uso máquina de escrever, redijo à mão, com lápis. Trabalho quatro horas por dia durante quatro meses por ano. Sou um estilista: me preocupa mais onde colocar uma vírgula que ganhar o prêmio Nobel.”

19. William Faulkner:

“Para ganhar a vida.”

E você, por que escreve?

*Todos os depoimentos a seguir transcritos pertencem à coletânea “Por que escrevo?”, organizada por José Domingos de Brito (editora Novera), com suas respectivas fontes individuais. 

 

matéria compilada de http://homoliteratus.com/por-que-escrevo-19-depoimentos-que-voce-precisa-conhecer/

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