Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

26 de set de 2017

FIGURAS DE LINGUAGEM

“E eis que veio uma peste e acabou com todos os homens. Mas em compensação ficaram as bibliotecas. E nelas estava escrito o nome de todas as coisas. Mas as coisas podiam chamar-se agora como bem quisessem.”

(Mário Quintana)

ARTE LITERÁRIA OU LITERATURA

A arte é, indiscutivelmente, uma das formas mais antigas de comunicação entre os seres humanos. Quando usamos a palavra e os seus recursos para criar, alcançamos a arte literária ou a literatura.

LINGUAGEM LITERÁRIA E NÃO-LITERÁRIA

Uma palavra que só informa aquilo que é objetivo, concreto é chamada de denotativa, não-literária. A literatura é linguagem carregada de significado: ela é resultado de uma intenção. Por isso, a linguagem literária é conotativa, isto é, vem da experiência pessoal, subjetiva e carregada de emoções.

FIGURAS DE LINGUAGEM

FIGURAS DE PALAVRAS

FIGURAS DE PENSAMENTO

FIGURAS DE CONSTRUÇÃO

Comparação (símile) – aproxima dois seres a partir de uma característica que lhes é comum. Pedro joga xadrez como seu pai.

Metáfora – comparação implícita entre dois seres. Ela tem o rosto de porcelana.

Catacrese (abuso) – dar um novo sentido a um termo já existente. Doía-lhe a barriga da perna.

Metonímia (sinédoque) – associação de termos e idéias relacionados que provoca a substituição de um termo por outro. Eu leio Machado de Assis.

Perífrase (antonomásia) – espécie de metonímia, porque implica na substituição de um nome próprio por uma circunstância ou qualidade que a ele se refere. A Cidade-Luz continua bela e majestosa.

Sinestesia – misturam-se, numa mesma expressão, sensações percebidas por diferentes sentidos ao mesmo tempo. “Os olhos, magnetizados, escutam.” (Carlos Drummond de Andrade)

Apóstrofe – interpelação de alguém em meio ao discurso. Ó espíritos errantes sobre a terra! (Castro Alves)

Antítese (contraste) – emprego de palavras que se opõem quanto ao sentido. Chorou de tanto rir.

Hipérbole – exagero da expressão para reforçar uma idéia. Sabia de cor mil e duzentas orações.

Prosopopéia (personificação) – atribuição de atitudes inanimadas ou humanas a seres inanimados ou irracionais. Exemplo: histórias em quadrinhos.

Ironia – quando se diz algo querendo dizer exatamente o contrário. Ele é o máximo: tirou dois na prova.

Eufemismo – uso de formas mais amenas para dizer algo que choque o interlocutor. Sua tia descansou para sempre.

Amplificação – enumeração das qualidades de um ser de tal modo que elas vão se ampliando e somando. “A vida é o dia de hoje, a vida é ai que mal soa, a vida é sombra que foge, a vida é nuvem que voa.” (João de Deus)

Gradação (clímax) – apresentação de idéias em progressão ascendente ou descendente. Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. (Pe. Vieira)

Anáfora – repetição de palavra ou frase no início de versos ou frases. “É preciso casar João, é preciso suportar Antônio, é preciso odiar Melquíades, é preciso substituir nós todos” (Carlos Drummond de Andrade)

Inversão (anástrofe) – alteração da ordem normal dos termos na oração ou das orações no período com o fim de lhes dar destaque. ... imitar era o meio indicado; fingida era a inspiração, e artificial o entusiasmo (Gonçalves Dias) / quando a inversão é violenta, forma-se o hipérbatoimitar indicado o meio era.

Pleonasmo – repetição de uma idéia (com ou sem repetição de palavras) para tornar a expressão enfática. Vi, claramente visto, a raiva sentida. Obs.: pleonasmo vicioso é um vício de linguagem que consiste na redundância de palavras ou expressões: Vi com meus próprios olhos.

Polissíndeto – repetição intencional e enfática da conjunção e. O mar é calmo, e belo, e verde, e deserto.

Assíndeto – omissão da conjunção e ou dos conectivos aditivos. “É o órgão da fé, o órgão da esperança, o órgão do ideal.” (Rui Barbosa)

Elipse (zeugma) – omissão de palavras ou expressões facilmente subentendidas. “O mar é ― largo sereno; O céu ― um manto azulado” (Casimiro de Abreu)

Anacoluto – ocorre quando há interrupção na frase, iniciando-se outra sem conexão sintática com a anterior. Tua língua materna, nunca vi idioma mais complicado.

Onomatopéia – reprodução escrita ou falada de sons e ruídos. Tic-tac!” Batia, com desespero, o relógio da sala de estar.

FIGURAS DE LINGUAGEM

a) INUTILIDADES

Ninguém coça as costas da cadeira.

Ninguém chupa a manga da camisa.

O piano jamais abana a cauda.

Tem asa, porém, não voa, a xícara.

De que serve o pé da mesa se não anda?

E a boca da calça se não fala nunca?

Nem sempre o botão está em sua casa.

O dente de alho não morde coisa alguma.

Ah! se trotassem os cavalos do motor...

Ah! se fosse de circo o macaco do carro...

Então a menina dos olhos comeria

Até bolo esportivo e bala de revólver.

(PAES, José Paulo, É isso ali. RJ, 1984)

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