Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de Escrita Literária - POESIA - on line

Oficina de Escrita Literária Online – Poesia

Proposta lúdica voltada ao desenvolvimento e ao aprimoramento da composição poética. A oficina foi projetada para ser um meio de iniciação na produção literária.

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Exercício leve e agradável de interação e da liberdade de brincar com as letras;

Comentários, sugestões e críticas que focalizam os aspectos positivos e negativos da produção, consistindo numa avaliação personalizada;

Cinco desafios conceituais e criativos voltados ao desbloqueio da escrita e à iniciação na arte de escrever poemas;

A OFICINA DE POESIA ON LINE é coadjuvante do poeta no processo de ilustrar sentimentos, bem como desenvolvê-los e expressá-los numa estética bela e sensível.

26 de dez de 2017

Poemas de AUZELI DE ARVELOS (1969-2013) in memoriam

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Auzeli de Arvelos (1969-2013) – Mogi Guaçu SP

AMOTINADO

Minha glote sobe e desce
Minha garganta ressequida
Sou seu arcabuz de flores
Suas cápsulas deflagradas
Nesse chão de cinzas cores
Nessa aura de idônea vida

Meus janeiros de quatro ponto um
Minhas milhas de dois ponto cinco
Sou sua adaga mais cortante
Sua arma engatilhada
Nesse sol tão causticante
Nessa guerra de tamanho afinco

Minhas chagas em doces cicatrizes
Minha derme torpe e empoeirada
Sou seu míssil agora repatriado
Sua explosão tão amanhecida
Nesse barco de motor descontrolado
Nessa selva de ordem inflamada.


Mogi Guaçu
09/02/2010
Auzeli de Arvelos.

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Ratos no Santuário.

Huum, esses selvagens, ajoelhados na contra mão,
dividindo lágrimas,
i'm sorry, clamando por corações,
querem o perdão...

Mas o tiro não acerta, ah,
esse gatilho não dispara,
essa arma enferrujada,
essa tal constituição,
esse santuário pobre,
essa política paralítica,
de nomes vagos, de valores pagos,
os academicos da banalização...
E quando a casa cai,
sebo nas canelas,
pernas pra que te quero,
tô com o coração partido,
sou de outro partido, não tenho nada a ver,
então ninguem me apanha, eu só fiz campanha,
tenho primário, ginasial(não tô legal )
fiz faculdade pra não ser engaiolado...

Ordem e progresso,
no congresso em recesso, vão estudar
Aquela proposta,
que ninguem gosta, mas ele apostam,
cabeças vão rolar,
Ordem e labuta, nessa luta,
ainda ha quem escuta, os filhos das putas,
declamar,
Independencia ou sorte,
parece morte, é como um corte,
e em nossas faces espelha essa grandeza
em nossas faces espelha essa grandeza...

Por Auzeli de Arvelos
Escrito em 17 de novembro de 1999.
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TROCANDO AS BOLAS.

MEU ALFABETO NÃO É FONÉTICO
MEU ALFA BETA ME É GREGO
MINHA ESCRITA É ANTE E É ÉTICA,
MINHA ETIQUETA É ANTIQUADA


MAS EU QUEBRO A REGRA
EU VIRO A MESA
COLO POEMAS
RAPTO UMA PRESA
DISFARÇO, CONFESSO
DEVASSO EU,
ABRAÇO A DEFESA

EU RASGO A SEDA
COLO OS CAVACOS
FAÇO O ESBOÇO - ARRISCO
COMPONHO MOSAICOS - RABISCO
A ALMA EM CACOS ACORDA MORNA

EU TROCO AS BOLAS, ORA
TROCO AS HORAS, BOLAS
RETIRO OS ANEIS
CALÇO AS LUVAS
ABRAÇO PINCEIS
AQUARELO POEMAS
PR´ALMAS AMARELAS

EU CRIO PASSOS
OU ORA PASSO
EU DEIXO INFLUIR
TODO ESSE ABRAÇO
TUDO O QUE TRAÇO
TUDO VEM INFUNDIR
TUDO VEM CONFUNDIR
ENTÃO ME EMBARAÇO
EU SOLTO O LAÇO
DEIXO FUGIR
SUMIR, SUMIR...

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DISPATIA
Meu olho vê cinza
entre branco e preto
vê fração, pedaço, estilhaço
olha a vida ai na vereda
de pé descalço
vê a cruz no peito, inteira
as vezes só meia...
Vê esse mundo tão pequeno
e tão mal freqüentado
vê o soldado apiunchado
de nó no gogó da gravata
despojado da sua cartucheira
cuspindo a sua bravata.

Então, colega, não me coloque algemas
Não me cole na parede
Que eu não curto paredão
A música ainda é a mesma em qualquer canto, lembra?
Não me diz teu número, camarada
Meus neurônios estão em crise
Eu tenho andado sem coração
Nesse mundo tão pequeno
E tão mal freqüentado...


Auzeli de Arvelos
29/02/2011

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PRESENTE DE CARPINTEIRO

Ganhei lápis de carpinteiro
Risquei contente papéis de pão
E escrevi palavras em bambus do galinheiro...

***
Meu diálogo pobre não cala viva alma, permeia céus e terras
Num dueto estilhaçado, de versos e rubras rosas de espinhos
A noite morna dorme sonhos de prosa rebuscada
E um céu laranja rasga o verbo azul desses caminhos

E a rima não é fácil ao poeta em desalinho
Hoje na parede ingrata paira tela de esboços nus
Há uma encruzilhada entre o verbo e a coroa de espinhos
Que a serpente da maldade prega em forma de cruz

Toda lei da verdade repousa em versos imaturos
Como linha d água de horizontes ancestrais
E a minha pena vaga em linhas de escárnio anti-futuro
Atravesso o campo da neblina pro vislumbre de outros umbrais.

***
Ganhei de presente lápis de carpinteiro
Troquei o esse pelo cedilha de meu pai
Em bambus do galinheiro...

Auzeli de Arvelos
Mogi Guaçu
10/10/2009.
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ALHOS E BUGALHOS

Poetas, que calor danado
Antevejo tempestades
Vi um mendigo mamado

Sigo na labuta latente
No meu micro cara metade
Permeio homens e um pouco de gente

Falo de alhos e bugalhos
Remo a nau a um mar de tarde
Espanto o corvo do espantalho

Atiro grãos à terra dura
Brota a vida em verdades
Cisco a cinza da amargura

E a alma acalma em versos
Vagueio em escritas de saudades
Vou dormir em leito imerso.

Mogi Guaçu, SP
20 de Novembro de 2009
12:30 hs

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VALSA COTIDIANA

To no osso, moço
To no osso,
Essa ruma nesse alvoroço
Nessa ânsia infinda,
Meus vinténs já se foram nesse mês,
Engoli dois batráquios de uma só vez.

To na lida, moço
To na lida
Essa turma empurrando com a barriga
Nesse estresse quase suicida,
Meus neuronios nessa escassez,
Bebi do cálice da estupidez.

To na luta, moço
To na luta,
Nessa rima de escrita bruta,
Nessa valsa cotidiana,
Meus acordes arranham arranhas céus,
Estou na sanha por uns guinéus.

Mogi Guaçu, SP
03 de Dezembro de 2009.

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BRUTA SAUDADE

Meu cavalo negro reluzente corcoveava na pradaria
Minha doce mãe de pano na cabeça e água na bacia
Meu velho pai de martelo no coldre na labuta do dia
E os nobres irmãos de algazarra em debandada correria.

O sorriso imperfeito do avô que rugas mil vezes escondia
A água da mina na folha do inhame minha sede nutria
O suor do velho lobo que ainda hoje meu olfato inebria
O cheiro da canja que ao redor do fogão nos reunia.

Doce cotidiano
Cheiro de mato
Fogo de lenha que ardia
Saudade bruta
Abraços de fato
Ao meu coração urgia
Doce cotidiano
Cheiro de relva
Quando a chuva caia
Horizonte da janela
Céu de estrelas
Noite que tornava dia.

Mogi Guaçu
Junho de 2011

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Canção de Fogo.

A aparencias ja não conta
e tudo aponta a indecisão,
a indecencia e a carencia,
aos abraços,
de braços dados com a nação,
e o compasso,
passo a passo,
o contagiro
de mão em mão,
a violencia corre solta
e a incerteza nos corações,
a impaciencia traz o medo
e todo medo traz emoções.

Canção de fogo e mar,
tempo de sedução,
honra do jogo e azar,
tempo de gozo em vão.
Canção de fogo e mar,
tempo de sedução,
honra do jogo e azar,
tempo de gozo em vão.

Conta um conto e aí,
eu conto como é, então,
conta pros homens e assim,
a nossa espada em nossas maõs,
a contra gosto, a todo pulmão
o nosso grito de proteção.

Canção de fogo e mar,
tempo de sedução,
honra do jogo e azar,
tempo de gozo em vão.
Canção de fogo e mar,
tempo de sedução,
honra do jogo e azar,
tempo de gozo em vão.

Manchas de ódio e honra
no contrapé da convenção,
inventaram erros
pra acharem solução,
inventaram fraudes
e gritaram um refrão,
acenderam a chama,
apagaram,
e acertaram no coração.


Canção de fogo e mar,
tempo de sedução,
honra do jogo e azar,
tempo de gozo em vão,
tempo de gozo em vão,
tempo de gozo em vão...


Por Auzeli de Arvelos
Escrito em Março de 1991

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O Trovejar dos Canhões.


Um ano e meio e meio dia / ao meio dia, recolha, disfarce e não dispare,
Acontece sempre alguma coisa nesse sol
Essas armas estão sem camuflagem
E é preciso pedir flores e ficar pronto, pra morrer...
Mais um ano e ja é tarde, é tarde ja o dia / acordo tarde pra ser eterno
Faltam alguns milhares pra alguns milhões
Não aceitamos milagres disfarçados
Andamos e estamos ao por do sol
E é preciso pedir flores e ficar pronto, pra morrer...

Parece guerra / aparece flores / meio dia de amor
Temos a farda , temos a garra / mas garras que trazem dor
Parece prece e pra esse vício / não temos nenhum licor
Os olhos que mostram / aos olhos se escondem
O tempo dispara / a vida não para, mas ainda da tempo
de encontrar flores / pra morrer....

E nessa febre, nesse ninho / não ha trevas nem amor
Os olhos nos olhos e as armas nos coldres
Estão querendo a nossa estação
Parece guerra e aparece flores
Parece prece e pra esse vício, não temos mais licor...
Meio dia de amor / parece prece...
Meio dia de amor / o canhão vai trovejar...
E é preciso encontrar flores / disparar flores....


escrito em 20 de Novembro de 1993.
Bom Jesus da Lapa - Bahia

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DOCE AMARGO

Quando vi tudo partido
vi e ouvi tudo parado
quando olhei atrás, não vi caminho
a frente, um doce amargo.

Tudo de um distante próximo
de um presente onipresente
feições pálidas de eras tristes
calaram as lágrimas presentes.

Quase não entendi direito
a razão de estranhas cores
antes, verdejantes aos olhos
agora, de ouro aos senhores.

Parece que acenderam o estopim
quanto tempo leva pra queimar?
Se não há então, caminhos
há um doce pra envenenar?

Por Auzeli de rvelos
junho de 1996
Mogi Guaçu / SP

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A Voz do Trovão.

Olha só os tentáculos desse povo,
Abraçando o quebra mar,
Olha só os tireóides de Brasília,
Num esgrima de suar,
Olha só pr`essa terra grande,
Desossada, a sangrar,
Olha só os arianos de tocaia,
Pra nossas meninas, carregar.

Olha só esse trovão,
De viva voz a me acordar,
Olha só a noite sacudindo,
As orações e oferendas do altar...

Olha só pros caras pálidas,
um indio véio a detonar,
Olha só pros algozes da candelária,
Num auê de arrepiar,
Olha só pra essa estrada,
Com controle pra tombar,
Olha só pra esse milenio,
Com energia nuclear...

Olha só esse trovão,
De viva voz a me acordar,
Olha só a noite sacudindo,
As orações e oferendas do altar...
Olha só esse trovão,
De viva voz a me acordar...


Por Auzeli de Arvelos
Escrito em Julho de 1997.

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Flor de Lótus.

Nem sol nem lua brilha mais que ti,
Que tira, que veste, que despe,
Que encena, acena, que posa,
E que pose!
Ouço sussurros,
Voce chama, que chama, que fogo
Ardume, lume, puro delírio, um lírio
E me faz fechar os olhos,
Que boca, que sonho, me ascende, me prende,
No teus braços, abraços, suores, amor sem fim,
Eu;
Preso, enfim....

Voce assim, sem nada, com tudo,
Canta, me canta, encanta,
Flor de lotus,
Desejo, que beija, que suga,
Aspira, respira, transpira amor,
Que fascina, que ensina, ilumina,
Voce é música e poesia,
É pulsar de corações,
Voce é meu vício,
Meu mal em precipício,
Desde o início,
Faz de mim,
Um brinquedo feliz....


Por Auzeli de Arvelos
Escrito em Junho de 1999

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UMAS E OUTRAS
Essas ruas não trocam de nomes
Esses homens é que trocam de ruas
Essas frases não passam de fases
Que os homens tecem
Quando bebem
Quando oram
Ou quando choram
Em tardes de formas cruas
Em noites de formas nuas
Pros dias que ainda vem
Pros dias que eles vivem
Sem ninguém.

Esses ombros
As vezes caídos, outras vezes erguidos
Essas fábulas
As vezes em forma de prece
Outras vezes deforma quem desce
De um alto altar
As vezes nos crescem os olhos
Outras vezes os olhos descem
Pr`um tumulto pedido pão
Pr`um outro vulto de cálice na mão
Umas e outras, aqui e ali
Eu digo
Essas ruas não trocam de nomes
Esses homens é que trocam de ruas.

Uns tantos correm
Outros tantos tropeçam
E muitas vezes, tudo torna confusão
Umas vezes nos culpam
Outras vezes desculpam
As vezes o bem tem o mal
Outra hora o mal faz o bem
E afinal, o que é que tem de mal
Umas e outras, aqui e ali
Em ruas nuas pedindo atenção
Em cidades nuas, dividindo corações
Umas e outras, aqui e ali
Eu digo isso
De cálice na mão
Umas e outras em qualquer canto
E tudo que os olhos vêem
É visto em vão.

Por Auzeli de Arvelos
Jaguaré, São Paulo
26 de Outubro de 1992
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RETICENCIAS...

O sangue inflamado volta a tona
o velho e bom país anda a beira do caos
uma mão incapaz o poder detona
a arte de ferir anda em qualquer par de mãos
a pátria pede por segurança
mas a dança inflama, a vida é louca e vai...

Nesse país, tudo parte, nada se reparte, tudo continua
e quem quer arte tem fazer arte, tem que ir pra rua
como dizem por aí, é cada um na sua,
como dizem por aí, é cada um na sua...

Não as cores
o momento é de negro
nada, nada de cores
é hora do enterro
a velha guarda guarda dores
de ter insistido no erro
e nesse túmulo não há de ir flores.

Terceiro mundo, avança, empunha sua lança e mostra
expulsa e põe no banco dos réus quem tem o poder
diz pra eles, que mesmo covarde, o povo da pátria gosta
e que hoje em dia não temos nada pra perder
o braço forte de um país está no povo
que vê na nação seu macio leito
um bando de laranjões puxaram os cobertores de novo
puseram sem dó, o aço frio no peito,
de quem acreditou em renovação...

Nosso ouro foi partido
foi pra outro partido
partido tudo no mato
e só resta um gemido
da nação solta na lama
sabemos que o arco foi distendido
no fundo, ninguém nunca viu
que soltaram a seta
e acertaram no coração do Brasil.

Nesse país, tudo parte, nada se reparte, tudo continua
e quem quer arte tem fazer arte, tem que ir pra rua
como dizem por aí, é cada um na sua,
como dizem por aí, é cada um na sua...
nesse país, tudo parte, nada se reparte, tudo continua
e quem quiser arte tem fazer arte, tem que ir pra rua
como dizem por aí, é cada um na sua,
como dizem por aí, é cada um na sua...
Como dizem por aí, é cada um na sua,
como dizem por aí, é cada um na sua.

por Auzeli de Arvelos - 15 de Setembro de 1992.

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EM FATIAS

Eu me transformo
em qualquer coisa
eu me transtorno
por qualquer coisa
eu não me perco
em qualquer segundo
eu me assisto
partindo o mundo
em três pedaços
com três abraços
pra ter nos braços
três corações

Então avanço
pra qualquer rumo
eu não me canso
e até não durmo
eu me levanto
de qualquer parte
eu me encanto
com qualquer arte
e me assusto
com meu pensar
a todo custo
pra separar
em três pedaços
com três abraços
pra ter nos braços
três corações

Eu me cerco
em meu próprio cerco
eu me acerto
em meu próprio erro
e encontro força
no próprio punho
e coloco fé
na arma que empunho
e assim divido
em três pedaços
com três abraços
pra ter nos braços
três corações

E assim avanço
meu próprio sinal
me entregando
ao meu próprio mal
vou me enrolando
ao meu fraco berço
e desafiando
o forte terço
e então me vejo
na própria estrada
despedaçada
em três pedaços
com três abraços
pra ter nos braços
três corações

Eu me estendo
pra me alcançar
eu me compreendo
pra me aceitar
eu me transformo
eu me transtorno
por qualquer coisa
eu me divido
em três pedaços
com três abraços
pra ter nos braços
três corações.

By Auzeli de Arvelos
São Paulo– 15-09-1992

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A Oitava Maravilha.
Andrógina,
voce é assim,
o seu mistério me envolve,
parece galáctica, profunda;
infinita, a deusa do fogo,
clara e absoluta,
voce inebria,
me alccoliza,
percebo-me tão claro por voce,
como o sol do dias do arpoador.

Egípicia, dona dos véus,
eterna primavera, floresce,
concebe frutos de doce amor,
voce é brilho,
a pedra verde que chamei de esmeralda,
é o claro e o pós claro,
ando tão vivo por voce,
como o sol dos dias do arpoador.

Voce é a oitava maravilha,
um monumento ainda coberto,
fruto da etnia perfeita,
a branca palavra de paz,
é debutante,
voce é mulher bonita,
noite perfeita de amor,
ando tão aceso por voce,
como o quente sol dos dias do arpoador.

Voce é o centro,
o concavo e o convexo,
a forma perfeita,
toda imaginação,
é toda energia,
lua, luz e caminho,
a razão da matéria,
um ritual pra viver.
Voce é a bandeira que cultuo,
é a palavra de ordem,
o símbolo do fascínio,
é uma premiere,
é pura fantasia,
meu décimo primeiro mandamento,
um clarão em meu espírito,
minha toda exclamação,
voce é o todo,
é o tudo,
é tudo isso e muito mais,
muito mais do que eu posso expressar.

Auzeli de Arvelos -22/05/1994 - Mogi Guaçu/ SP

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AGORAFOBIA
POR AUZELI DE ARVELOS – SP – 04-04-1992

Não, não abra essa porta
eu não quero estar no mundo lá fora
a fobia a minha mente retorna
agorafobia em mim, recente agora
não, eu não quero ficar a céu aberto
eu prefiro um recinto fechado
eu não quero uma multidão por perto
seria melhor uma única pessoa ao meu lado
eu não quero viver com o céu todo azul acima de mim
e ter os pés descalços na terra fria
não posso ficar sob as estrelas que brilham no espaço sem fim
esse tudo no amplo e claro não passa de guerra fria
eu não quero viver num espaço aberto e ver toda chuva vir em minha direção
eu não quero e não devo ver numa multidão um futuro deserto
decerto isso é medo, desde cedo, agorafobia em meu coração.

Agorafobia
é o medo do amplo
o amplo medo da vida
Agorafobia
é o medo do claro
o claro medo da vida
Agora fobia
é o conforto do escuro
o escuro futuro da vida
Agorafobia
é se sentir seguro
no escuro futuro da vida

Não busque soluções aí, no aberto, vide a mim aqui no meu canto, fechado
os caminhos aí fora são tortuosos, isso é certo
e por mais obscuro que seja aqui dentro, eu posso torná-los ilimitados
os anjos sorriem, isso já pode ser visto, mas no mundo conjunto é impossível
colocar certos sorrisos nos olhos humanos
os pássaros voaram de fora pra dentro e meu ego os chama, um a um, cá no meu canto
a mim multidão
vinde a mim
é certo que não posso salva-los
mas pelo menos conduzi-los a um bem comum.

Agorafobia
é o medo do amplo
o amplo medo da vida
agorafobia
é o medo do claro
o claro medo da vida
agorafobia
é o conforto do escuro
o escuro futuro da vida
agorafobia
é se sentir seguro
no escuro futuro da vida...


Por Auzeli de Arvelos
04 de Abril de 1992.
Jaguaré / São Paulo.

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O CONJUNTO DA OBRA.
Nada mais espanta,
nada mais estanca,
tudo o que verte,
doa a quem doer!
Nada mais protege,
nada te protege,
doa a quem doer!

Nada de sonhos, pátria amada,
você paga a prestações,
o Brasil paga a prestações,
o Brasil paga a prestações...

Angra um, angra dois,
viva o inferno vermelho
pedra e sangue,
candelária!
Doa a quem doer!
Candelária!

Internacionais
em terras nacionais
internacionais...
em terras nacionais...
Itaipu, Itaipu
nós doamos energia
nós compramos energia
o Brasil paga a prestações....

Eu quero ouro
eu quero índio
o que vai sobrar?
Ouro ou índio?!
Desmatar, desmatar...

Ah, eu vou pro sul,
você pro norte
quem for do leste,
que saia do oeste!
Separar, separar, separar...

SUICIDE-SE NA BR 116
SUICIDE-SE NA BR 116
SUICIDE-SE NA BR 116...


Por Auzeli de Arvelos
Bom Jesus da Lapa, BA
Dezembro de 1993.

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