Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

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26 de dez de 2017

SINTAXE DE CONCORDÂNCIA

SINTAXE DE CONCORDÂNCIA

Concordância é o princípio sintático segundo o qual as palavras dependentes se harmonizam, nas suas flexões, com as palavras de que dependem. Assim:

a) os adjetivos, pronomes, artigos e numerais concordam em gênero e número com os substantivos determinados (concordância nominal).

b) o verbo concordará com o seu sujeito em número e pessoa (concordância verbal).

CONCORDÂNCIA NOMINAL

Quando o adjetivo se referir a um só nome, o substantivo concorda com ele em gênero e número.

Boa árvore não dá maus frutos.

adjetivo substantivo

Quando o adjetivo se referir a dois ou mais substantivos do mesmo gênero e do singular e vier posposto, toma o gênero deles e vai facultativamente, para o singular ou plural.

Disciplina, ação e coragem digna (ou dignas).

Quando o adjetivo se referir a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes e do singular e vier posposto, poderá ir para o masculino plural ou concordar com o mais próximo.

Escolheste lugar e hora maus. (masculino plural)

Escolheste lugar e hora má. (concorda com o substantivo mais próximo)

Quando o adjetivo se referir a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes e do plural e vier posposto, tomará o plural masculino ou concordará com o mais próximo.

Rapazes e moças estudiosos (ou estudiosas).

Quando o adjetivo se referir a dois ou mais substantivos de gênero e número diferente e vier posposto, poderá concordar com o mais próximo ou ir para o plural masculino.

Primos, primas e irmãs educadíssimas (ou educadíssimos).

Pode o adjetivo ainda concordar com o mais próximo quando os substantivos são ou podem ser considerados sinônimos.

Gratidão e reconhecimento profundo.

Quando dois ou mais adjetivos se referem ao mesmo substantivo determinado pelo artigo, ocorrem três tipos de construção paralelas.

Estudo as línguas inglesa e francesa.

Estudo a língua inglesa e a francesa.

Estudo a língua inglesa e francesa.

CONCORDÂNCIA VERBAL

O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa com as seguintes regras:

Sujeito composto anteposto ao verbo: Esse fica no plural.

Ex.: O pai, a mãe e o filho estão ausentes.

Sujeito composto posposto ao verbo: Esse pode concordar com o núcleo mais próximo ou com todos os números indo para o plural.

Ex.: Está ausente o pai, a mãe e o filho.

Estão ausentes o pai, a mãe e o filho.

Sujeito composto por pronomes pessoais diferentes: O verbo vai para o plural concordando com a pessoa que possui prioridade gramatical (ou seja, 1a pessoa prevalece sobre 2a e 3a; 2a pessoa prevalece sobre a 3a).

Ex.: Eu, tu, ele e ela somos bons amigos. (eu - nós)

Tu, ele e ela sois bons amigos. (tu - vós)

Ela e tu ireis embora. (tu - vós)

Sujeito composto: Tendo seus núcleos ligados por não só ... mas também, tanto ... quanto, não só ... como, o verbo concorda com o mais próximo ou vai para o plural.

Ex.: Não só a moça, mas também o príncipe estariam pobres.

OBS.: Caso se trate de uma simples comparação, o verbo fica no singular.

Ex.: Este aumento de salário, assim como o anterior, não compensou.

Sujeito ligado por "com": O verbo irá para o plural se indicar cooperação na ação, visto que a preposição forma verdadeiro sujeito composto, eqüivalendo a "E"; se a preposição "COM" exprimir circunstância de companhia, o verbo fica no singular.

Ex.: Napoleão com seus soldados invadiram a Europa.

Egas Monis, com a mulher e os filhos, apresentou-se ao rei da Espanha.

Sujeito ligado por "ou": Levar-se-á em conta para o verbo ficar:

a) no singular:

- exclusão: Pedro ou Paulo será eleito.

- sinonímia: A glotologia ou a lingüística é uma ciência que se ocupa da linguagem humana.

b) no plural :

- inclusão: O calor ou o frio excessivo prejudicam certas plantas. (ou = e)

- antonímia: O choro ou o riso constituíam o viver daquela gente.

- retificação: O ladrão ou os ladrões não deixaram nenhum vestígio.

Sujeitos representados por "um ou outro": O verbo fica no singular.

Ex.: Uma ou outra pode alugar a casa.

Sujeito representado por "nem um, nem outro": Exige o verbo no singular.

Ex.: Afirma-se que nem um, nem outro falou a verdade.

Sujeito representado por expressão como a maioria de (a maior parte, parte de) + um nome no plural: O verbo irá para o singular ou plural.

Ex.: A maior parte dos doidos ali metidos estão (ou está) em seu perfeito juízo.

Sujeito representado por um coletivo: O verbo fica no singular, embora em escritores clássicos se encontrem exemplos de concordância não com o coletivo, mas com a idéia de plural que ele encerra (silepse).

Ex.: Mas nem sempre o povo acerta.

Sujeito representado pela palavra "que" pronome relativo: O verbo concorda em número e pessoa com o antecedente da palavra que.

Ex.: Fui eu que te vesti do meu sudário.

Não és tu que me dás felicidade.

Sujeito representado pelo pronome "quem": O verbo vai para a 3a pessoa do singular, segundo a NGB.

Ex.: Mas não sou eu quem está em jogo. (ou "estou")

Sujeito composto seguido de um aposto resumidor: O verbo concorda com a palavra resumidora e não com o sujeito composto. Geralmente o aposto vem expresso por um pronome indefinido.

Ex.: Jogos, convenções, espetáculos, nada o distraía.

Desvios, fraudes, roubos, tudo era permitido.

Verbo + pronome apassivador "se": Concorda com o sujeito paciente em número e pessoa.

Ex.: Ouviam-se aplausos no salão.

Compram-se livros usados.

Vendem-se apartamentos. (sujeito paciente)

Verbo + índice de ideterminação do sujeito "se”: Fica o verbo na 3a pessoa do singular. Os verbos são os Transitivo Indireto, o Intransitivo e o de Ligação.

Ex.: Precisa-se de carpinteiros.

Gosta-se de praias naquela região.

Necessita-se de outras explicações.

Verbos impessoais: Ficam na 3a pessoa do singular, não possuem sujeito:

a) O verbo haver no sentido de existir, acontecer.

Ex.: Havia dois alunos no corredor.

Houve fatos estranhos naquela cidadezinha.

b) Os que indicam fenômenos da natureza: chover, ventar, nevar, gear, etc.

c) Os verbos haver, fazer, estar, ir, ser (com referência a tempo) .

Ex.: três dias que não o vejo.

Faz quatro meses que não nado.

Vai em dois anos ou pouco mais que...

É Cedo.

Está frio.

O verbo "dar", "bater", "soar" + hora (s): Esses verbos concordam com o sujeito expresso hora(s):

Ex.: Deram há pouco nove horas!

Bateram devagar dez horas!

Soaram cinco horas no relógio.

O VERBO "SER"

a) Com as palavras tudo, isto, isso, aquilo, o (que) e o predicativo no plural, o verbo ser também pode ir para o plural ou ficar no singular.

Ex.: Tudo eram memórias na infância.

Isto não são coisas que você possa dizer.

Tudo são flores.

b) O sujeito que dá nome a pessoa concorda com o verbo ser.

Ex.: O filho é as alegrias do pai.

c) O sujeito que dá nome a algo pede o verbo concordando com o predicativo no plural.

Ex.: O problema são as suas dívidas.

d) O pronome pessoal sujeito ou predicativo pede a concordância do verbo com ele.

Ex.: Ele era todo ouvidos e angústia.

O trouxa neste caso fui eu.

e) As expressões é muito, é pouco, é mais de, é menos de, é tanto, quando indicam preço, quantidade, peso ficam com o verbo no singular.

Ex.: Duas horas não é tanto assim.

Oitocentos gramas é muito.

f) Em horas, datas e distâncias, o verbo ser é impessoal e concorda com predicativo.

Ex.: Hoje são quatorze de outubro. / Hoje é dia quatorze de outubro.

(predicativo) (predicativo)

É zero hora em São Paulo.

São dez horas da manhã.

EXERCÍCIOS – CONCORDÂNCIA VERBAL
I. Faça a Concordância Correta «Rasurando o Verbo Incorreto»:
01) [Deu / Deram] cinco horas no relógio da sala há pouco.
02) [Faz / Fazem] vinte minutos que estamos a sua espera.
03) [Havia / Haviam] poucas vagas para o curso.
04) [Está / Estão] batendo neste instante cinco horas.
05) Quando [bater / baterem] seis horas, podem sair.
06) [Falta / Faltam] poucos minutos para bater o sinal de saída.
07) [Basta / Bastam] duas pessoas para arrombar esta porta.
08) [Sobrou / Sobraram] apenas duas balas no meu bolso.
09) Conhecido o resultado da votação, [choveu / choveram] vaias.
10) [Deu / Deram] uma hora há pouco.
11) Agora, que já [está / estão] dando seis horas, podem sair.
12) [Falta / Faltam] um minuto e cinqüenta segundos.
13) [Falta / Faltam] três minutos para as dez horas.
14) [Deve / Devem] faltar poucos minutos para as nove.
15) Não [havia / haviam] vizinhos naquele deserto.
16) [Havia / Haviam] já dois anos que não nos víamos.
17) Conhecera-o assim, [fazia / faziam] quase vinte anos.
18) [Deverá / Deverão] haver cinco anos que ocorreu o incêndio.
19) Aqui [faz / fazem] verões terríveis
20) [Vai / Vão] fazer cem anos que nasceu o genial artista.
21) [Começou / Começaram] a haver abusos
22) Não [podem / pode] haver rasuras neste documento.
23) [Haviam / Havia] muitos anos que não vinha ao Rio.
24) Nisto [deram / deu] três horas no relógio do boteco.
25) Aquilo [é / eram] manobras políticas.
26) [Bateram / Bateu] quatro horas em três torres há um tempo só.
27) [Davam / Dava] nove horas na igreja da cidade.
28) Na igreja, ao lado, [bateram / bateu] devagar dez horas.
29) Talvez ainda [haja / hajam] vagas naquela escola.
30) Por cima do fogão [deviam / devia] haver fósforos.

REGÊNCIA NOMINAL

É a maneira de o nome (substantivo, adjetivo e advérbio) relacionar-se com seus complementos. Muitas vezes um nome pode ser usado ora com esta, ora com aquela preposição, sem que a alternância provoque mudança de seu significado (v. acostumado); outras vezes, porém, isso não ocorre (v. afeiçoado). Vejamos a regência de alguns nomes:

Acessível – a, por

Acesso – a, de, em, para

Acostumado – a, com

Alheio – a, de

Ânsia – de, por

Ansioso – de, para, por

Assistência – a, em

Atento – a, em

Capaz – de, para

Cheiro – a, de

Confiança – de, com, em, para

Constante – de, em

Contrário – a, de

Correspondente – a, de

Desejoso – de

Farto – de

Habituado – a, em

Idêntico – a, em

Inerente – a

Junto – a, de

Nocivo – a

Preferência – a, para, para com, de

Preferível – a

Próximo – a, de

Relacionado – com

Residente – em

Satisfeito – com, de, em

Superior – a, em

Último – a, de, em

Vizinho – a, com, de

REGÊNCIA VERBAL

É a maneira de o verbo relacionar-se com seus complementos.

Agradar (tr. dir. – contentar, fazer carinhos) – Agradar o filho com balas.

Agradar a (tr. ind. - satisfazer) – O espetáculo não agradou ao público. (Desagradar é sempre tr. ind. – O espetáculo desagradou ao público.)

Aspirar (tr. dir. – respirar, absorver) – Aspirar ar puro. Aspirar éter.

Aspirar a (tr. ind. – desejar ardentemente) – Aspirar ao cargo. (Usa-se a ele, e não lhe: O cargo? Aspiro a ele.)

Assistir (tr. dir. – prestar assistência) – Assistir um docente.

Assistir a (tr. ind. - ver) Assistir a um jogo. (Usa-se a ele, e não lhe: Apesar de jogo ruim, muitos a ele assistiram.)

Assistir a (tr. ind. - caber) É um direto que assiste ao presidente. (Usa-se lhe: Este é um direito que lhe assiste.)

Assistir em (intr. – morar) – Assisto em São Paulo. (É desusado).

Atender (tr. dir. – complemento pessoa) – Atender um cliente.

Atender a (tr. ind. – complemento pessoa) – Atender a um cliente. (Prefere-se o uso do complemento oblíquo o: Atendi-o, em vez de: Atendi-lhe.)

Atender a (tr. ind. – complemento coisa) – Atender ao telefone, ao portão, à campainha. (Usa-se a ele, e não lhe: O telefone toca, e ninguém a ele atende.)

Atingir (tr. dir.) – Atingir o auge da fama. As despesas atingem vultosa quantia.

Chamar (tr. dir. – apelidar, com ou sem de) – Chamei-o palhaço. Chamei-o de palhaço.

Chamar a (tr. ind. – apelidar, com ou sem de) – Chamei-lhe palhaço. Chamei-lhe de palhaço.

Chamar (tr. dir. – fazer vir, convocar) – Chamar o elevador. Chamar as crianças. (Pode-se usar a preposição por quando o complemento é pessoa: Chamar pelas crianças.)

Chamar (tr. dir. - atrair) – Esse fato chamou a atenção da polícia.

Chamar a (tr. dir. e ind. – repreender) – Chamei-o à atenção.

Chamar-se (pr. – ter por nome) – Eu me chamo Filipe. Como você se chama?

Chegar aIr a – Regressar aRetornar aSair aSubir aTrepar aVir aVoltar a (intr.) – Chegar ao clube. Sair ao terraço. Subir ao muro. Trepar à árvore. (Todos os verbos e expressões que dão idéia de movimento usam-se com a preposição a: Indo por aqui, iremos dar ao Largo Paiçandu. Fomos ter a uma rua sem saída. Vou dar um pulo à farmácia. Deram um empurrão ao rapaz. Chamei-o à lousa. Desci ao andar térreo).

Compartilhar (tr. dir.) – Compartilhar a dor, a alegria de alguém.

Custar (intr.) – Custar secar esta cola. Custou aparecer um bom candidato.

Custar a (tr. ind.) – Custa ao rapaz entender o assunto. Custou-lhe subir à árvore. (Convém evitar este emprego: O rapaz custou a entender o assunto. Ele custou a subir à árvore.)

Esquecer (tr. dir.) – Esqueci o nome dele.

Esquecer-se de (tr. ind.) – Esqueci-me do nome dele.

Esquecer a (tr. ind.) – Esqueceu ao rapaz a lição. Esqueceu-me o nome dele. (Esta construção é clássica: o ser esquecido, neste caso, é sujeito.)

Implicar (tr. dir. - acarretar) – Toda ação implica uma reação igual e contrária.

Implicar com (tr. dir. – ter implicância) – Implicar com crianças.

Implicar-se em (tr. ind. – envolver-se) – Implicar-se em tráfico de entorpecentes.

Lembrar (tr. dir. – fazer recordar) – Marisa lembra muito a mãe na maneira de trajar-se.

Lembrar (tr. dir. e ind. – não esquecer de) – Lembrar que pode estar chovendo por Guarujá.

Lembrar a (tr. dir. e ind. – advertir, recordar) – Lembrei-lhe o fato. Lembramos ao pessoal que já era tarde. Lembro a vocês que vivemos no Brasil, América do Sul, e não Europa. (Neste caso, não se aconselha empregá-lo com objeto direto de pessoa e indireto de coisa. Assim, por exemplo: Lembrei-o do fato. Lembramos o pessoal de que já era tarde. Lembro vocês de que vivemos no Brasil...)

Lembrar a (tr. ind. – vir à lembrança, ocorrer) – Não me lembra esse fato. Nunca mais me lembraram aqueles acontecimentos. Lembrou a Luís esse dia? Lembram-nos bastante aquelas férias. (É a construção clássica, que dá por sujeito o ser lembrado.)

Lembrar-se de (tr. ind. – recordar-se, ter lembrança) – Lembro-me de tudo. “Lembra-te de que a beleza e a elegância são tudo.” Você se lembra de mim? (Neste caso não pode prescindir do pronome, a menos que se lhe posponha um infinitivo. Ex.: Ninguém lembrou (ou lembrou-se) de avisar a polícia.)

Morar emResidir em (intr.) – Morar na Rua da Paz. Residir na Praça da Alegria.

Namorar (tr. dir.) – Namorar alguém. (Não se usa namorar com.)

Obedecer aDesobedecer a (tr. ind.) – Obedeço a todos. Desobedeci a um sinal de trânsito. (Usam-se na voz passiva: O pai foi obedecido pelo filho. O professor foi desobedecido pelo aluno.) Se o complemento é coisa, não admitem o pronome lhe, que se substitui por a ele: Você obedeceu ao regulamento, mas a maioria das pessoas não obedece a ele.

Pagar a – Perdoar a (tr. dir, e ind.) – Pagar algo a alguém. Paguei os honorários ao advogado. Perdoar um pecado a alguém. Perdoei a dívida a meu amigo. (Omitindo-se a coisa, temos: Pagar a alguém. Paguei ao advogado. Perdoar a alguém. Perdoei a meu amigo. Portanto: Pagar-lhe. Paguei-lhe. Perdoar-lhe. Perdoei-lhe.)

Pisar (tr. dir.) – Não pisem a grama. Pisei o pé dele.

Precisar (tr. dir. – indicar com exatidão, expor minuciosamente) – Os pilotos precisaram o local do pouso.

Precisar de (tr. ind. - necessitar) – Precisar de ajuda. (Alguns clássicos usaram o verbo precisar, nesta acepção como tr. direto: Precisar ajuda. No português moderno, todavia, tal construção não tem nenhum amparo abalizado. O mesmo se diz do verbo necessitar, que modernamente se usa apenas como tr. indireto.)

Preferir a (tr. dir. e ind.) – Prefiro doces a salgados. Prefiro comer arroz a comer feijão. (Não admite modificador: mais, muito mais, mil vezes, milhões de vezes, etc., porque em preferir já existe o prefixo que traz a idéia de mais, ou de antes. Não aceita, ainda, que ou do que.)

Querer (tr. dr. - desejar) – Não quero balas.

Querer a (tr. ind. – amar, estimar) – Quero muito a meus filhos. Quero-lhe muito, Cristina.

Reparar (tr. dir. - consertar) – O marceneiro reparou a porta que estava emperrada.

Reparar em (tr. ind. - observar) – Repare nas belas mãos de Teresa.

Reparar para (tr. ind. - olhar) – Repare para aquela paisagem. (Se o objeto indireto é oracional, omite-se a preposição: Ninguém reparou que brincávamos.)

Responder a (tr. ind. – dar resposta) – Respondam ao questionário. Não respondi à carta de Juçara. (Usa-se a ele, e não lhe: Pediram-me o questionário, mas ainda não pude responder a ele.) Usa-se na voz passiva: O questionário foi respondido pelos alunos.

Servir (tr. dir. – prestar serviço a, pôr sobre a mesa) – Se o presidente precisar de mim, sirvo-o com muito prazer. Este elevador não serve o último andar. Sirva o almoço, Juçara.

Servir a (tr. ind. – ser útil, convir) – Esta máquina não serve a nosso tipo de trabalho. Esse moço não lhe serve, Teresa; esqueça-o.

Simpatizar comAntipatizar com (tr. ind.) – Simpatizei com Teresa. Antipatizamos com seus amigos. (Não se usa simpatizar-se nem antipatizar-se.)

Sobressair a ou entre (tr. ind.) – A Miss Paraná sobressai a (ou entre) todas as candidatas. (Não se usa sobressair-se.)

Torcer por (tr. ind. – desejar a vitória) – Torcer pelo Flamengo. Torcíamos pelos uruguaios. (Não se usa torcer para.) Quando se constrói “Eu torcia para que o Vasco perdesse”, usa-se o verbo torcer como intransitivo; o que existe aí não é a preposição para simplesmente, mas a locução conjuntiva para que (= a fim de que).

Visar (tr. dir. – pôr o visto, apontar para) – Visar o passaporte. Visar o passarinho.

Visar a (tr. ind. – desejar, objetivar) – Visar ao progresso. Visar ao poder. (Usa-se a ele, e não lhe: O progresso era a meta do governo, e só a ele visavam os seus representantes.) Seguido de infinitivo, costuma-se omitir a preposição: Zósimo visava chegar ao poder pela força. Melhor, contudo, é usá-la: Zósimo visava a chegar ao poder pela força. (Apesar de alguns dicionários registrarem tal verbo como tr. dir. nesta acepção, oferecendo até exemplos clássicos, na língua contemporânea não se aconselha seu emprego com essa transitividade.)

Informar de ou sobre (tr. dir. e ind.) – Informei os funcionários da (ou sobre a) reunião.

Informar-se de (tr. ind.) – Informar-se do preço das passagens. (Não se usa informar-se sobre.)

Informar-se de com (tr. ind. com dois obj. indiretos) – Informe-se do preço das passagens com o funcionário da empresa.

Proceder a (tr. ind. – dar início a alguma coisa; fazer, executar, realizar) – O professor procederá ao sorteio dos pontos para exame. O juiz procedeu ao julgamento.

Ir – É intransitivo, não admitindo a preposição EM. Ex.: Vou à praia. / Foi para a França. Mas nunca: Vou no cinema. / Foi no Maracanã.

CRASE

Ocorre crase:

a) quando a preposição a se encontra diante de:

ü artigo definido feminino: a ou as.

ü a inicial dos pronomes demonstrativos aquele, aquela, aquilo.

b) nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas femininas em que aparece a ou as (às vezes – adverbiais; à procura de – prepositiva; à medida que - conjuntiva).

c) nas expressões à moda de (mesmo diante de palavras masculinas), à maneira de (Arroz à grega – à maneira dos gregos)

A sala de visitas foi decorada com móveis à Luiz XV. (=à moda de)

Não ocorre:

a) diante de verbo.

Estávamos prestes a sair de casa.

b) diante de substantivo masculino.

Ela gosta de andar a pé.

c) diante de artigo indefinido.

Cheguei a uma conclusão rápida.

d) diante de pronome pessoal (reto, oblíquo e de tratamento).

O guarda não se referia a ela. (reto)

O guarda não se referia a ti. (oblíquo)

O juiz cedeu o terreno a V.Sª. (tratamento)

e) diante da palavra casa, se a referência for a própria casa.

Vou a casa. (= vou para minha casa)

Cheguei a casa. (=cheguei em minha casa)

Obs.: se, no entanto, casa estiver especificada com qualquer atributo, ocorrerá crase.

Fui à casa dela.

Fui às casas Bahia.

f) em expressões formadas por palavras repetidas.

Gota a gota

Uma a uma

Frente a frente

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