Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

19 de set de 2018

Boneco de ventriloquia

Boneco de ventriloquia

Fernandinho era um menino de madeira. Boneco bonzinho, estudioso, que sonhava ser presidente do Reino dos Chongamongas.

O destino implacável pregou-lhe terrível peça: Sua conquista dependia de subjugar-se a um maldito ventríloquo manipulador.

Sua ruína: A cabeça de madeira quase não suportou a mão suja que a manipulava. Fernandinho odiava emprestar sua boca aos movimentos obscuros daquela voz fascinora.

E aquele ventríloquo, rato desprezível, ofertou o lindo sonho ao menino boneco. E todas as possibilidades se fizeram reais. 

Fernandinho agora já não era bonzinho. Havia um mundo para conquistar.

wasil sacharuk

29 de ago de 2018

Esses tais loucos... os poetas, de Lino D'Acácia

Panapanã - A poesia das borboletas



Poetas!

Hora de aliviar as tensões do ano eleitoral e participar da antologia de poemas "Panapanã - A poesia das borboletas", para distribuição gratuita em e-book.

Parâmetros:


1. O e-book será publicado para distribuição gratuita e serão disponibilizados, a quem desejar, miolo e capa finalizados para eventual impressão;

2. Os poemas serão acerca do universo semântico das borboletas e seus paralelos com as condições humanas. E, ainda, devem explorar o uso de figuras de linguagem;

3. O título dos poemas deverão constar no início das obras;

4. A assinatura do autor deverá constar ao final das obras;

5. Não usaremos caixa alta na redação dos poemas;

6. Cada autor pode participar com até quatro poemas, os quais deverão ser postados nesse grupo fechado e restrito aos membros participantes da coletânea (link: https://www.facebook.com/groups/291699231421445/):

7. Cada autor deverá redigir uma pequena autobiografia de até oitenta palavras e postar no grupo (link: https://www.facebook.com/groups/291699231421445/):

8. A coleta dos poemas encerrará às 24h do dia 31 de dezembro de 2018;

9. Cada autor deverá autorizar a utilização dos poemas postando declaração nesse grupo segundo o modelo: "Autorizo INSPIRATURAS - Escrita Criativa a publicar os poemas de minha autoria, de títulos: 1-....., 2- ...., 3 - .... e 4- .... , sem a implicação de nenhum ônus ou retribuição, na antologia de poemas "Panapanã - A poesia das borboletas" para distribuição gratuita. Declaro ser o autor das obras enviadas e concordar com a publicação das mesmas."

10. INSPIRATURAS está disposta a considerar ideias e colaborações para a finalização do projeto.

Curte a página INSPIRATURAS e solicita a tua participação. É gratuita!

Boas inspirações a todos!

Oficina INSPIRATURAS de escrita literária



Oficina INSPIRATURAS de escrita literária

É hora de tirar os textos empoeirados da gaveta!

A ti, que escreve ou que queres escrever contos, crônicas ou poemas, INSPIRATURAS oferece os mais lúdicos, criativos e inspiradores desafios que, realmente, agregarão resultados positivos à produção dos teus textos, através de práticas oficinais de escrita, exercícios e desafios criativos e inspiradores. 

Se tu és iniciante ou inexperiente, te mostraremos caminhos para desenvolveres confiança, foco e produzir textos mais impactantes. Destina-se, também, aos escritores mais experientes que buscam inspiração, feedback e alguns desafios.

Escrever é divertido! Através de propostas práticas de escrita descobrirás o equilíbrio lógico e emocional das tuas criações e, também, encontrarás a tua mais AUTÊNTICA VOZ de autor.

As propostas e desafios INSPIRATURAS já despertaram dezenas de novos escritores através de suas exclusivas oficinas on line e presenciais. Podemos te ajudar DE VERDADE a escrever literatura, porque nós sabemos como fazê-lo.

Queres escrever textos literários com fluidez e encanto?

Então, não precisas mais viver a sensação de frustração de esbarrar na técnica de criação, na criatividade e na expressão. Poderás conquistar e desenvolver o teu talento! Um verdadeiro “upgrade” para a tua criação literária.

Continua lendo com atenção e, ao final, uma surpresa te espera.

Além dos desafios propostos, contarás com acesso ao fórum INSPIRATURAS e ATENDIMENTO PERSONALIZADO por e-mail e whatsapp. Tu poderás produzir no teu próprio ritmo e a cada semana, enviar um conto, crônica ou poema que será lido, analisado e comentado pelo facilitador que, também, apresentará sugestões para o aprofundamento e desenvolvimento da obra escrita, num contexto crítico realmente focado no reconhecimento das nuanças autorais e únicas da produção, sem massificação. 

Daí a diversão começa: A cada catorze dias, terças-feiras das 18h às 21h na Casa do Poeta, num ambiente informal, nos reuniremos para discutir questões referentes à produção semanal e sanar dúvidas, enquanto interagimos e saboreamos um delicioso caldinho de feijão e umas biritas. 
Mas presta atenção: são APENAS DEZ VAGAS! Inscreve-te logo, senão, só em 2019.


Queres te sentir orgulhoso dos teus textos? Vais perder essa chance?
Oficina facilitada por Wasil Sacharuk, escritor da Nova Ordem da Poesia e criador do projeto Inspiraturas, para o despertar de novos autores. Sacharuk escreveu Escorpião – versos autobiográficos, Inspiraturas Ano I, O Arquivo e a Verve, dentre outros.

A surpresa que te prometemos: Os primeiros quatro inscritos serão brindados com um exemplar de INSPIRATURAS Ano I, primeira antologia produzida por nossos oficineiros. Ah, e tem mais: Se ficares insatisfeito, devolveremos o teu pequeno investimento de oitenta reais.

Estás pronto para te inscrever? Então vamos lá! Preenche o formulário no link abaixo:

oficinainspiraturas@gmail.com
whatsapp: 53 991212552

Fala conosco ainda hoje. Envia teu nome e telefone, conta-nos sobre tuas dúvidas, pretensões e dificuldades, que entraremos em contato.

6 de ago de 2018

SOS verve I

SOS verve I

SOS verve:
uma metade já serve
e eu cubro com uma cereja
hoje tudo pode
menos melacueca de pagode
ou ranço de guampa sertaneja

Vem escrever a estratosfera! que megera é essa de tênue razão? carcomeremos o ego da plebe com fios de saltos perfurando o chão

vêm escrever sem sequelas! Que a espera é só alienação. Acenderemos o fogo da febre com versos altos gritando emoção

e que haja a benção dos bruxos no sonho dos loucos ! completa amplidão ! 🤗😍

Marcia Poesia de Sá & Wasil Sacharuk

fotografia de Andréa Iunes

4 de ago de 2018

Lua Marim em INSPIRATURAS

ESQUERDA-DIREITA...VOU VER!, por Marisa Schmidt



ESQUERDA-DIREITA...VOU VER!

O lado que agente escolhe
é o que nos é confortável
o nosso lado na cama
o nosso lado da mesa
o lado com menos drama
o lado sem aspereza
de um muro mais afável
onde a chuva não nos molhe

Teremos sempre um lado
escolhido e preservado
porque melhor nos acolhe.

Marisa Schmidt


13 de jul de 2018

Oficina do Conto INSPIRATURAS - novos grupos em formação



Queres escrever uma história e não sabes como começar?

Todo autor já passou por isso, no entanto, te apresentamos a solução: As propostas e desafios INSPIRATURAS já despertaram dezenas de novos escritores através de suas exclusivas oficinas on line e presenciais. Podemos te ajudar DE VERDADE a escrever o teu conto, porque nós sabemos como fazê-lo.

Oficina de Contos INSPIRATURAS

Queres escrever textos literários com fluidez e encanto?

Então, não precisas mais viver a sensação de frustração de esbarrar na técnica de criação, na criatividade e na expressão. Poderás conquistar e desenvolver o teu talento! Um verdadeiro “upgrade” para a tua criação literária.

Continua lendo com atenção e, ao final, uma surpresa te espera.

CONTEÚDO DOS ENCONTROS: A criação das personagens; a escolha da voz; como contar; o que não fazer; mecanismos e fundamentos da escrita; como alcançar o leitor; narração, descrição, diálogo e digressão; estrutura tradicional; minitrama.
Encontros na sala e na cozinha da Casa do Poeta Inspiraturas, com chimarrão, café e vinho. Mas presta atenção: são apenas sete vagas! Inscreve-te logo, senão, só em outubro.
Grupos disponíveis:
GRUPO 2 - 14 e 21 de agosto - das 18 às 21h - terças-feiras
grupo 3 - 15 e 22 de setembro - das 17 às 20h - sábados

Queres escrever aquele conto que pode ser lido “numa sentada”?

Os primeiros quatro inscritos serão prestigiados com um exemplar do livro Inspiraturas Ano I, coletânea de criações dos nossos oficineiros.
Ah, e tem mais: os OFICINEIROS INSPIRATURAS garantirão um desconto especial de cinquenta porcento para a próxima oficina Inspiraturas, porque queremos prestigiar a quem nos prestigia! Quanto mais tu cresces conosco, mais queremos crescer juntos.

Queres te sentir orgulhoso dos teus textos? Vais perder essa chance?

Além disso, se ficares insatisfeito, devolveremos o teu pequeno investimento de noventa reais.

Oficina facilitada por Wasil Sacharuk, escritor da Nova Ordem da Poesia e criador do projeto Inspiraturas, para o despertar de novos autores. Sacharuk escreveu Escorpião – versos autobiográficos, Inspiraturas Ano I, O Arquivo e a Verve, dentre outros.

Estás pronto para te inscrever? Então vamos lá! Preenche o formulário no link abaixo:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdaFS8QM59AEoTccwAb0fxp307vwjZKPxtCOJFAQ0VB6BBXYg/viewform

Ah, a surpresa que te prometemos: tu poderás participar da Oficina Inspiraturas de Escrita Literária GRATUITAMENTE até dezembro 2018! Ou ainda, tu podes optar por participar da Oficina Despertar Poesia, sem nenhum custo. Continuaremos, dessa forma, trabalhando juntos pelo teu desenvolvimento. Só isso já vale o investimento! (Mas isso só vale para a primeira turma).

Veja também a Oficina Despertar Poesia: http://www.inspiraturas.com/2018/07/oficina-despertar-poesia-inspiraturas.html

Leva INSPIRATURAS para tua cidade, tua escola, tua instituição... Fala conosco!
Inspiraturas – Oficina de Escrita Literária
www.inspiraturas.com
oficinainspiraturas@gmail.com
whatsapp: 53 991212552

9 de jul de 2018

Oficina DESPERTAR POESIA Inspiraturas



Sabias que a POESIA já salvou muita gente?

Salvou da depressão, da ansiedade, da solidão, do ostracismo... ih, essa lista pode ser bem grande!

Queres escrever poesia? 
Nós te ajudamos, pois sabemos como fazê-lo!

As propostas e desafios INSPIRATURAS já despertaram dezenas de novos poetas através de suas exclusivas oficinas on line e presenciais. 

Embarca conosco no universo das letras belas. Aprende a emocionar a ti mesmo e aos teus amigos com poemas originais e criativos. Conquista e desenvolve o teu talento!

Oficina DESPERTAR POESIA Inspiraturas

Queres escrever poemas encantadores?

Então, não precisas mais viver a sensação de frustração de esbarrar na técnica de criação, na criatividade e na expressão. Serás estimulado a produzir poemas e nós os leremos com muita atenção e, ainda, te ofereceremos comentários e sugestões que REALMENTE FARÃO A DIFERENÇA!

Continua lendo com atenção e, AO FINAL, UMA SURPRESA TE ESPERA.

CONTEÚDO DOS ENCONTROS: O que é poesia; no que consiste um verdadeiro poema; a escolha da voz; as rimas; o ritmo; a estrutura; a métrica; a poesia livre e muito mais..., mas muito mais mesmo, pois nos nossos encontros interativos buscaremos atender A REAL NECESSIDADE de cada oficineiro de poesia. 

E ainda: desafios lúdicos, subsídios para a produção autoral, troca de experiências e impressões; acompanhamento da produção e dos resultados. 

Encontros nos dias 06,13 e 20 de agosto, das 18h às 20:30h, na sala e na cozinha da Casa do Poeta Inspiraturas, com chimarrão, café e vinho. Mas presta atenção: são apenas oito vagas! Inscreve-te logo, senão, só em setembro.

Queres escrever a poesia que realmente representa os teus sentimentos?
Nós te mostraremos as ferramentas e compartilharemos nossas dicas!

Os primeiros quatro inscritos serão prestigiados com um exemplar do livro Inspiraturas Ano I, coletânea de criações dos nossos oficineiros. 
Ah, e tem mais: os oito inscritos garantirão um desconto especial de cinquenta porcento para a próxima oficina Inspiraturas, porque queremos prestigiar a quem nos prestigia! Quanto mais tu cresces conosco, mais queremos crescer juntos.

Queres te sentir orgulhoso dos teus poemas? Vais perder essa chance?

Além disso, se ficares insatisfeito, devolveremos o teu pequeno investimento de cento e vinte reais.

Oficina facilitada por Wasil Sacharuk, escritor da Nova Ordem da Poesia e criador do projeto Inspiraturas, para o despertar de novos autores. Sacharuk escreveu Escorpião – versos autobiográficos, Inspiraturas Ano I, O Arquivo e a Verve, dentre outros.

Estás pronto para te inscrever? Então vamos lá! Preenche o formulário no link abaixo:

Ah, a surpresa que te prometemos: tu poderás receber feedback na forma de revisão, críticas e sugestões de todos os poemas escritos por ti até o final deste ano. Continuaremos, dessa forma, trabalhando juntos pelo teu desenvolvimento. Só isso já vale o investimento! (Mas isso só vale para a primeira turma).

Inspiraturas – Oficina de Escrita Literária
www.inspiraturas.com
oficinainspiraturas@gmail.com
whatsapp: 53 991212552

27 de jun de 2018

Oficina do Conto INSPIRATURAS

Queres escrever uma história e não sabes como começar?

Todo autor já passou por isso, no entanto, te apresentamos a solução: As propostas e desafios INSPIRATURAS já despertaram dezenas de novos escritores através de suas exclusivas oficinas on line e presenciais. Podemos te ajudar DE VERDADE a escrever o teu conto, porque nós sabemos como fazê-lo.

Oficina de Contos INSPIRATURAS

Queres escrever textos literários com fluidez e encanto?

Então, não precisas mais viver a sensação de frustração de esbarrar na técnica de criação, na criatividade e na expressão. Poderás conquistar e desenvolver o teu talento! Um verdadeiro “upgrade” para a tua criação literária.

Continua lendo com atenção e, ao final, uma surpresa te espera.

Conteúdo doS encontroS: A criação das personagens; a escolha da voz; como contar; o que não fazer; mecanismos e fundamentos da escrita; como alcançar o leitor; narração, descrição, diálogo e digressão; estrutura tradicional; minitrama.
Encontros nos dias 13 e 20 de julho, das 19h às 22h, na sala e na cozinha da Casa do Poeta Inspiraturas, com chimarrão, café e vinho. Mas presta atenção: são apenas oito vagas! Inscreve-te logo, senão, só em agosto.

Queres escrever aquele conto que pode ser lido “numa sentada”?

Os primeiros quatro inscritos serão prestigiados com um exemplar do livro Inspiraturas Ano I, coletânea de criações dos nossos oficineiros.
Ah, e tem mais: os oito inscritos garantirão um desconto especial de cinquenta porcento para a próxima oficina Inspiraturas, porque queremos prestigiar a quem nos prestigia! Quanto mais tu cresces conosco, mais queremos crescer juntos.

Queres te sentir orgulhoso dos teus textos? Vais perder essa chance?

Além disso, se ficares insatisfeito, devolveremos o teu pequeno investimento de noventa reais.

Oficina facilitada por Wasil Sacharuk, escritor da Nova Ordem da Poesia e criador do projeto Inspiraturas, para o despertar de novos autores. Sacharuk escreveu Escorpião – versos autobiográficos, Inspiraturas Ano I, O Arquivo e a Verve, dentre outros.

Estás pronto para te inscrever? Então vamos lá! Preenche o formulário no link abaixo:

Ah, a surpresa que te prometemos: tu poderás receber feedback na forma de revisão, críticas e sugestões de até três contos escritos por ti até o final deste ano. Continuaremos, dessa forma, trabalhando juntos pelo teu desenvolvimento. Só isso já vale o investimento! (Mas isso só vale para a primeira turma).

Inspiraturas – Oficina de Escrita Literária
whatsapp: 53 991212552

5 de jun de 2018

Homenagem de Paulo Moraes a Wasil Sacharuk

AMIGO POETA!!

(em homenagem ao Poeta Wasil Sacharuk, por sua contribuição à poesia
e por estimular e incentivar o surgimento de novos poetas)

Ah meu amigo!
Eu sei que tu conjuras
flores imaturas
e das tuas mãos saem afagos
de eterna saudação.
Ah meu amigo!
O sol brilha nas tuas palavras.
Elas são como um bálsamo
repleto de amanhãs.
É o teu corpo invencível
que derrota os malefícios
e conduz os teu passos firmes
entre as pedras amigas.
Já vi tua caneta romper muralhas,
com a sensibilidade
dos jardins resolutos.
Entre o sonho e a vigília
tu preparas o banquete das estrelas.
É a Lua que te aplaude
com seu robusto peito de pérola.
Navegamos juntos, nos mesmos versos,
colhendo os horizontes de cada dia.
Mas sempre, és tu,
quem rema com maior entusiasmo.
Nesta fortaleza estamos amparados,
por causa da tua incessante generosidade,
carregando os nossos fardos
de ânsia de poesia.

PAULO MORAES

28 de mai de 2018

As Aventuras de Pinóquio – INSPIRATURAS

pinoquioAs Aventuras de Pinóquio – INSPIRATURAS

-sábado literário com criatividade e lanchinho

-leitura e diálogo sobre a obra

-contação de história

-desafios lúdicos com as palavras e os significados

sábado, 23 de junho, das 15 às 18h
na Casa do Poeta Inspiraturas - Pelotas – RS

$25 - para jovens do sexto ao nono ano
condições especiais e agendamentos para turmas de nível fundamental

27 de mai de 2018

Catilinas conversa com Chauí

Catilinas colocou casaco contra congelamento corporal, conseguiu carona com caminhoneiro cuiabano. Conforme chegou capital chamada Curitiba, concebeu compartilhar camping comunista, com companheiros cuja condição compete com coçar colhões, coçar chavascas, contornando cela cuja confederação colocou criminoso canalha, chamado Calamar Cachaceiro, cumprir cana.
Catilinas conheceu criatura controversa, com cabelos crespos, com camiseta colorada, como Chapolin. 

Catilinas conversou:

-Como chamas, criatura?

-Chauí.

-Conta, companheira Chauí, como consegue colar cu cadeira confronte cela criminoso Calamar?

-Caro Catilinas, Calamar criatura cuja consciência compete com cientista continental, criou condições carentes comprarem casa, criou Cesta Comunitária, cuja competência consiste com carente comprar comida, criou carreiras, construiu colégios, conquistou continente com conversa consistente. Cidadãos classe central culpados! Calamar coincide com criatura com conduta cristalina. Contudo, Catilinas, classe central cínica! Colocou Calamar cadeia com cama cujo colchão carece conforto. Configuraram conspiração contra Calamar Cachaceiro. Contudo, caro companheiro, Calamar colocará candidatura como comandante confederativo.

-Caraca, companheira Chauí, confundindo Calamar Cachaceiro com Cristo? Como criminoso corrupto, Calamar carece cumprir cana.

-Calamar crucificado como Cristo! Colocaram Calamar cadeia como critério coibir candidatura, Catilinas. Classe central culpada, Catilinas. Classe central composta com canalhas. 

-Credo, Chauí. Como consegue criar consciência comparável com cinismo? Criatura, cabeça Chauí configurada como cu, calibrando cada cagalhão como convém! Cala, criatura!

wasil sacharuk




24 de mai de 2018

Carabook - confabulações cabalísticas

Considerações cabalísticas

canal comunicativo cujo conceito compete comentar coisas concernentes com conjuntura, colocou convite convocando criaturas comparecerem conversação crítica com coxinhas cheiradores, com comunistas comedores criancinhas, considerando comentar como Comandante Central conduz condições como cidadãos convivem. Coube cada convidado comentar como compra comida, como contabiliza contas, como contrata crédito consignado, como compra combustível, como considera congestionamento causado com caminhoneiros, como concorda com cretinice, como compactua com candidatos canalhas. Contudo, cada cidadão continuou calado, com cara compatível com cu cagado. Cada cidadão colabora construindo considerável cagalhão continental!

16 de mai de 2018

Torpedeando a Musa, por Bento Calaça

Torpedeando a Musa
se esse asteroide cair na terra hoje
fico te devendo o poeminha prometido
mas pelo menos levo lembranças
de teus selvagens delicados olhos de lince!
Bento Calaça

Minha foto
Bento Calaça
Quem sou eu:
Professor,ator, diretor de teatro e construtor experimental de versos ou um simples artesão destes.
Visite o blog de Bento Calaça



Jorge Moraes em INSPIRATURAS


22 de mar de 2018

Despertar poesia–Inspiraturas

Untitled-1

Despertar poesia - Inspiraturas

vivências de poesia para iniciantes e amadores
com ênfase na escritura de poemas

exercícios lúdicos e práticas de escrita criativa
subsídios teóricos para a produção de poemas autorais
incentivo à troca de experiências, impressões e sugestões
acompanhamento da produção e dos resultados

Às segundas-feiras, 19:30h até 22h na Casa do Poeta Inspiraturas - Pelotas RS
início em junho. Apenas oito vagas - 70$mês

www.inspiraturas.com
whatsapp 53991212552
oficinainspiraturas@gmail.com

4 de fev de 2018

Mar de lágrimas, por Luleal



MAR DE LÁGRIMAS

O mar inundou
Meus olhos, ofuscou
Visão e mente
Com o vento agitado

O mar inundou
Meus olhos, perplexos
Misturam imagens
Minha pele escurece

O mar inundou
Meus olhos, confusos
Com os momentos vividos
Na realidade esquecidos

O mar inundou
Meus olhos, umedecidos
Igual vertentes, molhados
Querendo primícias

O mar inundou
Meus olhos, fechados
Desenhando encontro
Das ondas e lágrimas.

Luleal
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28 de jan de 2018

Mar, sol, descanso, por Angela Madono



Mar, sol, descanso

Queres entrar no mar? Ele disse.
Prefiro ficar ao sol. Ela disse.
Estenderam as toalhas na areia
A brisa do mar chegou até eles
As ondas atreveram-se a lamber seus pés
que, lado a lado, em silêncio,
deixaram-se ali ficar
descanso em paz

Angela Madono
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24 de jan de 2018

Mentiras, por Luleal



Mentiras

São inverdades que ferem
Aos outros e a si mesmo
Mentindo a esmo
Perdendo a identidade

Embrulhados já não sabem
O que é certo ou errado
Até sem querer enganam
É rotina indispensável

Não merecem confiança
Mesmo ao falar a verdade
Deixam em dúvida
Até mesmo a honestidade

E aí, como anda esse vivente?
Desolado e arredio
Sempre enganando a gente.

Luleal
16.01.2018

17 de jan de 2018

A poesia de Auzeli de Arvelos (1969-2013) - o poeta de Mogi Guaçu





Auzeli de Arvelos (1969-2013) – Mogi Guaçu SP

CONFISSÃO

De joelhos, confesso
Elevo oração aos celestes
De ser bom moço, professo
Nesse mar de vidas agrestes.

Faço preces com a alma nua
Conto minhas façanhas aos guardiões
Mostro os acidentes de uma vida crua
Falo do sonho de escrever canções.

Com o bucho cheio olho a mesa farta
Comungo de pé no meu quintal
Piso a grama fresca cortada na quarta
Aguardo do céu qualquer sinal.

Então espero a palavra
A esperança escrita nos portões
Os homens com fé e força na lavra
Paz e amor aos corações.

Por Auzeli de Arvelos

Mogi Guaçu, 06 de junho de 2010.

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ESPECTRO

Aceitei todos os riscos, pois num piscar de olhos tudo haveria de mudar
Acatei todas as ordens, mas tudo fora de ordem ficou em seu devido lugar
Acreditei em cada medalha, minhas por direito, por todo meu lutar
Vivi cada momento, a verdade era que a cada instante esperei a vitória chegar
Mas era tudo estranho, senti em minhas entranhas, a mão de ferro apertar.

Andei, voltei, encontrei tudo branco, muito branco
Pensei, chorei, com a cabeça no banco
No banco branco da praça
Aquela praça sem graça
Onde eu unia as mãos em sinal de graças,
Implorei, pro meu fantasma ficar.

Olhei o sol, que por ora emergia, jogando sombras e luzes a quem ousasse se opor
Viajei, com a cabeça no banco, sentindo no peito, todo o furor do sol castigar
Perguntei, em dado momento, ao espectro no chão, porque, diante de uma luz tão forte,
Um homem e um banco precisavam se abraçar?

Então, o sol parte, vai a outras partes e eu fico sem luz
Fico sem o espectro, sem calor e sem resposta,
Aí surge a noite, engole meu banco, já não fica o branco, nada resta de luz, então fico só.
A noite engole o espectro, devora minha praça, aquela praça sem graça
Onde eu erguia as mãos em sinal de graças
Fiquei na noite a pensar
Naquele banco branco da praça
Implorei o novo dia
Pro meu fantasma voltar
Naquele banco branco da praça
Onde eu erguia as mãos em sinal de graças
Implorei o novo dia
Pro meu fantasma voltar...

Por Auzeli de Arvelos
São Paulo, 06/07/1992.

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ALHOS E BUGALHOS

Poetas, que calor danado
Antevejo tempestades
Vi um mendigo mamado

Sigo na labuta latente
No meu micro cara metade
Permeio homens e um pouco de gente

Falo de alhos e bugalhos
Remo a nau a um mar de tarde
Espanto o corvo do espantalho

Atiro grãos à terra dura
Brota a vida em verdades
Cisco a cinza da amargura

E a alma acalma em versos
Vagueio em escritas de saudades
Vou dormir em leito imerso.

Mogi Guaçu, SP
20 de Novembro de 2009
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As Trevas

Vejo a treva
ela entreva,
qualquer um.
Ela vem,
e não convem,
nunca, ser comum.
A treva,
entreva
qualquer um.
Ela vem,
e não convem
ser comum.

A treva
e seu manto
vem sem pranto,
rouba luz
vem a treva,
no meu canto,
ela me induz,
à treva
não me atrevo
ser comum.
A treva,
escurece,
qualquer um,
ela mente
sorridente,
pra qualquer um,
ela vem 
e não convem,
nunca,
ser comum...

Para a treva
não ha trevo
não ha frevo
eu fervo de odio
não me atrevo ser comum
essa treva,
ela engana
ela profana
e inflama,
qualquer um,
torna escuro nosso claro
e é claro,
ninguem seria comum
essa treva, 
tão vadia
escurece quando passa o dia
e repudia, qualquer um.
treva triste,
deixa triste,
não ha quem se atreva,
ser comum...

treva triste
treva cinza
Leva cinza
Ao olho nu
essa treva vem
e não convem
nunca,
ser comum...

A treva
entreva
qualquer um.
ela vem
e não convem
ser comum.
É raro ser claro na treva,
é caro ser claro,
na treva...

Por Auzeli de Arvelos
Escrito em 28 de Setembro de 1992 

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RUPTURA

O verbo, prosa
ruptura, partícula e pó
permeia verso, rosa
vibrato de homem só.

O verbo, estrada
textura, mácula e nó
partida, chegada
o golpe sem dó.

O verbo, tempo espaço
clausura, fécula e foz
anseio, no inverso do traço
vibra a úvula, viva voz.

O verbo, noite
ranhura, retículo só
tremula a flâmula, açoite
intróito, contralto em dó.

Por Auzeli de Arvelos
Mogi Guaçu, SP
25/ de Abril de 2010

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GARIMPO
Pá, picareta, bateia
sacos de terra
carriola,
terra “vermeia”
cheiro de relva
joão de barro na candeia
cassiterita
minério
despensa cheia.

Risos, sonhos, pássaro longe gorjeia
volver a terra
nas costas
o sol incendeia
fogo no chão
braseiro
almoço de janta
marmita cheia

Calos, suor, sangue pulsante na veia
içar a terra
roldana
a pá no filão golpeia
carregar o fardo
pesado
lavar a terra
no rio que serpenteia

Nervos, músculos, mãos que giram a bateia
agua na terra,
barro,
no fim torna tudo em areia
voltar pra casa cansado
de tarde,
quase seis e meia
banho de bica que revigora
gelado
um cheiro inebriante de ceia
oração pra Maria 
dormir
pensar no outro dia
sonhar com algibeira cheia.

Por Auzeli de Arvelos
Mogi Guaçu, SP

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Ratos no Santuário.

Huum, esses selvagens, ajoelhados na contra mão,
dividindo lágrimas, 
i'm sorry, clamando por corações, 
querem o perdão...

Mas o tiro não acerta, ah,
esse gatilho não dispara, 
essa arma enferrujada, 
essa tal constituição,
esse santuário pobre, 
essa política paralítica,
de nomes vagos, de valores pagos, 
os academicos da banalização...
E quando a casa cai, 
sebo nas canelas, 
pernas pra que te quero,
tô com o coração partido, 
sou de outro partido, não tenho nada a ver,
então ninguem me apanha, eu só fiz campanha, 
tenho primário, ginasial(não tô legal ) 
fiz faculdade pra não ser engaiolado...

Ordem e progresso, 
no congresso em recesso, vão estudar
Aquela proposta,
que ninguem gosta, mas ele apostam,
cabeças vão rolar,
Ordem e labuta, nessa luta,
ainda ha quem escuta, os filhos das putas, 
declamar,
Independencia ou sorte, 
parece morte, é como um corte,
e em nossas faces espelha essa grandeza
em nossas faces espelha essa grandeza...

Por Auzeli de Arvelos
Escrito em 17 de novembro de 1999.

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A Voz do Trovão.

Olha só os tentáculos desse povo,
Abraçando o quebra mar,
Olha só os tireóides de Brasília,
Num esgrima de suar,
Olha só pr`essa terra grande,
Desossada, a sangrar,
Olha só os arianos de tocaia,
Pra nossas meninas, carregar.

Olha só esse trovão,
De viva voz a me acordar,
Olha só a noite sacudindo, 
As orações e oferendas do altar...

Olha só pros caras pálidas,
um indio véio a detonar,
Olha só pros algozes da candelária,
Num auê de arrepiar,
Olha só pra essa estrada,
Com controle pra tombar,
Olha só pra esse milenio,
Com energia nuclear...

Olha só esse trovão,
De viva voz a me acordar,
Olha só a noite sacudindo, 
As orações e oferendas do altar...
Olha só esse trovão,
De viva voz a me acordar...

Por Auzeli de Arvelos
provavelmente em 2007

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DISPATIA

Meu olho vê cinza
entre branco e preto
vê fração, pedaço, estilhaço
olha a vida ai na vereda
de pé descalço
vê a cruz no peito, inteira
as vezes só meia...
Vê esse mundo tão pequeno
e tão mal freqüentado
vê o soldado apiunchado
de nó no gogó da gravata
despojado da sua cartucheira
cuspindo a sua bravata.

Então, colega, não me coloque algemas
Não me cole na parede
Que eu não curto paredão
A música ainda é a mesma em qualquer canto, lembra?
Não me diz teu número, camarada
Meus neurônios estão em crise
Eu tenho andado sem coração
Nesse mundo tão pequeno
E tão mal freqüentado...

Auzeli de Arvelos
29/02/2011

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PRESENTE DE CARPINTEIRO

Ganhei lápis de carpinteiro
Risquei contente papéis de pão
E escrevi palavras em bambus do galinheiro...

***
Meu diálogo pobre não cala viva alma, permeia céus e terras
Num dueto estilhaçado, de versos e rubras rosas de espinhos
A noite morna dorme sonhos de prosa rebuscada
E um céu laranja rasga o verbo azul desses caminhos

E a rima não é fácil ao poeta em desalinho
Hoje na parede ingrata paira tela de esboços nus
Há uma encruzilhada entre o verbo e a coroa de espinhos
Que a serpente da maldade prega em forma de cruz

Toda lei da verdade repousa em versos imaturos
Como linha d água de horizontes ancestrais
E a minha pena vaga em linhas de escárnio anti-futuro
Atravesso o campo da neblina pro vislumbre de outros umbrais.

***
Ganhei de presente lápis de carpinteiro
Troquei o esse pelo cedilha de meu pai
Em bambus do galinheiro...

Auzeli de Arvelos
Mogi Guaçu
10/10/2009. 

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AMOTINADO

Minha glote sobe e desce
Minha garganta ressequida
Sou seu arcabuz de flores
Suas cápsulas deflagradas
Nesse chão de cinzas cores
Nessa aura de idônea vida

Meus janeiros de quatro ponto um
Minhas milhas de dois ponto cinco
Sou sua adaga mais cortante
Sua arma engatilhada
Nesse sol tão causticante
Nessa guerra de tamanho afinco

Minhas chagas em doces cicatrizes
Minha derme torpe e empoeirada
Sou seu míssil agora repatriado
Sua explosão tão amanhecida
Nesse barco de motor descontrolado
Nessa selva de ordem inflamada.


Mogi Guaçu
09/02/2010
Auzeli de Arvelos.

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Ratos no Santuário.

Huum, esses selvagens, ajoelhados na contra mão,
dividindo lágrimas,
i'm sorry, clamando por corações,
querem o perdão...

Mas o tiro não acerta, ah,
esse gatilho não dispara,
essa arma enferrujada,
essa tal constituição,
esse santuário pobre,
essa política paralítica,
de nomes vagos, de valores pagos,
os academicos da banalização...
E quando a casa cai,
sebo nas canelas,
pernas pra que te quero,
tô com o coração partido,
sou de outro partido, não tenho nada a ver,
então ninguem me apanha, eu só fiz campanha,
tenho primário, ginasial(não tô legal )
fiz faculdade pra não ser engaiolado...

Ordem e progresso,
no congresso em recesso, vão estudar
Aquela proposta,
que ninguem gosta, mas ele apostam,
cabeças vão rolar,
Ordem e labuta, nessa luta,
ainda ha quem escuta, os filhos das putas,
declamar,
Independencia ou sorte,
parece morte, é como um corte,
e em nossas faces espelha essa grandeza
em nossas faces espelha essa grandeza...

Por Auzeli de Arvelos
Escrito em 17 de novembro de 1999.
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TROCANDO AS BOLAS.

MEU ALFABETO NÃO É FONÉTICO
MEU ALFA BETA ME É GREGO
MINHA ESCRITA É ANTE E É ÉTICA,
MINHA ETIQUETA É ANTIQUADA


MAS EU QUEBRO A REGRA
EU VIRO A MESA
COLO POEMAS
RAPTO UMA PRESA
DISFARÇO, CONFESSO
DEVASSO EU,
ABRAÇO A DEFESA

EU RASGO A SEDA
COLO OS CAVACOS
FAÇO O ESBOÇO - ARRISCO
COMPONHO MOSAICOS - RABISCO
A ALMA EM CACOS ACORDA MORNA

EU TROCO AS BOLAS, ORA
TROCO AS HORAS, BOLAS
RETIRO OS ANEIS
CALÇO AS LUVAS
ABRAÇO PINCEIS
AQUARELO POEMAS
PR´ALMAS AMARELAS

EU CRIO PASSOS
OU ORA PASSO
EU DEIXO INFLUIR
TODO ESSE ABRAÇO
TUDO O QUE TRAÇO
TUDO VEM INFUNDIR
TUDO VEM CONFUNDIR
ENTÃO ME EMBARAÇO
EU SOLTO O LAÇO
DEIXO FUGIR
SUMIR, SUMIR...

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VALSA COTIDIANA

To no osso, moço
To no osso,
Essa ruma nesse alvoroço
Nessa ânsia infinda,
Meus vinténs já se foram nesse mês,
Engoli dois batráquios de uma só vez.

To na lida, moço
To na lida
Essa turma empurrando com a barriga
Nesse estresse quase suicida,
Meus neuronios nessa escassez,
Bebi do cálice da estupidez.

To na luta, moço
To na luta,
Nessa rima de escrita bruta,
Nessa valsa cotidiana,
Meus acordes arranham arranhas céus,
Estou na sanha por uns guinéus.

Mogi Guaçu, SP
03 de Dezembro de 2009.

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BRUTA SAUDADE

Meu cavalo negro reluzente corcoveava na pradaria
Minha doce mãe de pano na cabeça e água na bacia
Meu velho pai de martelo no coldre na labuta do dia
E os nobres irmãos de algazarra em debandada correria.

O sorriso imperfeito do avô que rugas mil vezes escondia
A água da mina na folha do inhame minha sede nutria
O suor do velho lobo que ainda hoje meu olfato inebria
O cheiro da canja que ao redor do fogão nos reunia.

Doce cotidiano
Cheiro de mato
Fogo de lenha que ardia
Saudade bruta
Abraços de fato
Ao meu coração urgia
Doce cotidiano
Cheiro de relva
Quando a chuva caia
Horizonte da janela
Céu de estrelas
Noite que tornava dia.

Mogi Guaçu
Junho de 2011

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Canção de Fogo.

A aparencias ja não conta
e tudo aponta a indecisão,
a indecencia e a carencia,
aos abraços,
de braços dados com a nação,
e o compasso,
passo a passo,
o contagiro
de mão em mão,
a violencia corre solta
e a incerteza nos corações,
a impaciencia traz o medo
e todo medo traz emoções.

Canção de fogo e mar,
tempo de sedução,
honra do jogo e azar,
tempo de gozo em vão.
Canção de fogo e mar,
tempo de sedução,
honra do jogo e azar,
tempo de gozo em vão.

Conta um conto e aí,
eu conto como é, então,
conta pros homens e assim,
a nossa espada em nossas maõs,
a contra gosto, a todo pulmão
o nosso grito de proteção.

Canção de fogo e mar,
tempo de sedução,
honra do jogo e azar,
tempo de gozo em vão.
Canção de fogo e mar,
tempo de sedução,
honra do jogo e azar,
tempo de gozo em vão.

Manchas de ódio e honra
no contrapé da convenção,
inventaram erros
pra acharem solução,
inventaram fraudes
e gritaram um refrão,
acenderam a chama,
apagaram,
e acertaram no coração.


Canção de fogo e mar,
tempo de sedução,
honra do jogo e azar,
tempo de gozo em vão,
tempo de gozo em vão,
tempo de gozo em vão...


Por Auzeli de Arvelos
Escrito em Março de 1991

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O Trovejar dos Canhões.


Um ano e meio e meio dia / ao meio dia, recolha, disfarce e não dispare,
Acontece sempre alguma coisa nesse sol
Essas armas estão sem camuflagem
E é preciso pedir flores e ficar pronto, pra morrer...
Mais um ano e ja é tarde, é tarde ja o dia / acordo tarde pra ser eterno
Faltam alguns milhares pra alguns milhões
Não aceitamos milagres disfarçados
Andamos e estamos ao por do sol
E é preciso pedir flores e ficar pronto, pra morrer...

Parece guerra / aparece flores / meio dia de amor
Temos a farda , temos a garra / mas garras que trazem dor
Parece prece e pra esse vício / não temos nenhum licor
Os olhos que mostram / aos olhos se escondem
O tempo dispara / a vida não para, mas ainda da tempo
de encontrar flores / pra morrer....

E nessa febre, nesse ninho / não ha trevas nem amor
Os olhos nos olhos e as armas nos coldres
Estão querendo a nossa estação
Parece guerra e aparece flores
Parece prece e pra esse vício, não temos mais licor...
Meio dia de amor / parece prece...
Meio dia de amor / o canhão vai trovejar...
E é preciso encontrar flores / disparar flores....


escrito em 20 de Novembro de 1993.
Bom Jesus da Lapa - Bahia

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DOCE AMARGO

Quando vi tudo partido
vi e ouvi tudo parado
quando olhei atrás, não vi caminho
a frente, um doce amargo.

Tudo de um distante próximo
de um presente onipresente
feições pálidas de eras tristes
calaram as lágrimas presentes.

Quase não entendi direito
a razão de estranhas cores
antes, verdejantes aos olhos
agora, de ouro aos senhores.

Parece que acenderam o estopim
quanto tempo leva pra queimar?
Se não há então, caminhos
há um doce pra envenenar?

Por Auzeli de rvelos
junho de 1996
Mogi Guaçu / SP

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Flor de Lótus.

Nem sol nem lua brilha mais que ti,
Que tira, que veste, que despe,
Que encena, acena, que posa,
E que pose!
Ouço sussurros,
Voce chama, que chama, que fogo
Ardume, lume, puro delírio, um lírio
E me faz fechar os olhos,
Que boca, que sonho, me ascende, me prende,
No teus braços, abraços, suores, amor sem fim,
Eu;
Preso, enfim....

Voce assim, sem nada, com tudo,
Canta, me canta, encanta,
Flor de lotus,
Desejo, que beija, que suga,
Aspira, respira, transpira amor,
Que fascina, que ensina, ilumina,
Voce é música e poesia,
É pulsar de corações,
Voce é meu vício,
Meu mal em precipício,
Desde o início,
Faz de mim,
Um brinquedo feliz....


Por Auzeli de Arvelos
Escrito em Junho de 1999

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UMAS E OUTRAS
Essas ruas não trocam de nomes
Esses homens é que trocam de ruas
Essas frases não passam de fases
Que os homens tecem
Quando bebem
Quando oram
Ou quando choram
Em tardes de formas cruas
Em noites de formas nuas
Pros dias que ainda vem
Pros dias que eles vivem
Sem ninguém.

Esses ombros
As vezes caídos, outras vezes erguidos
Essas fábulas
As vezes em forma de prece
Outras vezes deforma quem desce
De um alto altar
As vezes nos crescem os olhos
Outras vezes os olhos descem
Pr`um tumulto pedido pão
Pr`um outro vulto de cálice na mão
Umas e outras, aqui e ali
Eu digo
Essas ruas não trocam de nomes
Esses homens é que trocam de ruas.

Uns tantos correm
Outros tantos tropeçam
E muitas vezes, tudo torna confusão
Umas vezes nos culpam
Outras vezes desculpam
As vezes o bem tem o mal
Outra hora o mal faz o bem
E afinal, o que é que tem de mal
Umas e outras, aqui e ali
Em ruas nuas pedindo atenção
Em cidades nuas, dividindo corações
Umas e outras, aqui e ali
Eu digo isso
De cálice na mão
Umas e outras em qualquer canto
E tudo que os olhos vêem
É visto em vão.

Por Auzeli de Arvelos
Jaguaré, São Paulo
26 de Outubro de 1992
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RETICENCIAS...

O sangue inflamado volta a tona
o velho e bom país anda a beira do caos
uma mão incapaz o poder detona
a arte de ferir anda em qualquer par de mãos
a pátria pede por segurança
mas a dança inflama, a vida é louca e vai...

Nesse país, tudo parte, nada se reparte, tudo continua
e quem quer arte tem fazer arte, tem que ir pra rua
como dizem por aí, é cada um na sua,
como dizem por aí, é cada um na sua...

Não as cores
o momento é de negro
nada, nada de cores
é hora do enterro
a velha guarda guarda dores
de ter insistido no erro
e nesse túmulo não há de ir flores.

Terceiro mundo, avança, empunha sua lança e mostra
expulsa e põe no banco dos réus quem tem o poder
diz pra eles, que mesmo covarde, o povo da pátria gosta
e que hoje em dia não temos nada pra perder
o braço forte de um país está no povo
que vê na nação seu macio leito
um bando de laranjões puxaram os cobertores de novo
puseram sem dó, o aço frio no peito,
de quem acreditou em renovação...

Nosso ouro foi partido
foi pra outro partido
partido tudo no mato
e só resta um gemido
da nação solta na lama
sabemos que o arco foi distendido
no fundo, ninguém nunca viu
que soltaram a seta
e acertaram no coração do Brasil.

Nesse país, tudo parte, nada se reparte, tudo continua
e quem quer arte tem fazer arte, tem que ir pra rua
como dizem por aí, é cada um na sua,
como dizem por aí, é cada um na sua...
nesse país, tudo parte, nada se reparte, tudo continua
e quem quiser arte tem fazer arte, tem que ir pra rua
como dizem por aí, é cada um na sua,
como dizem por aí, é cada um na sua...
Como dizem por aí, é cada um na sua,
como dizem por aí, é cada um na sua.

por Auzeli de Arvelos - 15 de Setembro de 1992.

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EM FATIAS

Eu me transformo
em qualquer coisa
eu me transtorno
por qualquer coisa
eu não me perco
em qualquer segundo
eu me assisto
partindo o mundo
em três pedaços
com três abraços
pra ter nos braços
três corações

Então avanço
pra qualquer rumo
eu não me canso
e até não durmo
eu me levanto
de qualquer parte
eu me encanto
com qualquer arte
e me assusto
com meu pensar
a todo custo
pra separar
em três pedaços
com três abraços
pra ter nos braços
três corações

Eu me cerco
em meu próprio cerco
eu me acerto
em meu próprio erro
e encontro força
no próprio punho
e coloco fé
na arma que empunho
e assim divido
em três pedaços
com três abraços
pra ter nos braços
três corações

E assim avanço
meu próprio sinal
me entregando
ao meu próprio mal
vou me enrolando
ao meu fraco berço
e desafiando
o forte terço
e então me vejo
na própria estrada
despedaçada
em três pedaços
com três abraços
pra ter nos braços
três corações

Eu me estendo
pra me alcançar
eu me compreendo
pra me aceitar
eu me transformo
eu me transtorno
por qualquer coisa
eu me divido
em três pedaços
com três abraços
pra ter nos braços
três corações.

By Auzeli de Arvelos
São Paulo– 15-09-1992

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A Oitava Maravilha.
Andrógina,
voce é assim,
o seu mistério me envolve,
parece galáctica, profunda;
infinita, a deusa do fogo,
clara e absoluta,
voce inebria,
me alccoliza,
percebo-me tão claro por voce,
como o sol do dias do arpoador.

Egípicia, dona dos véus,
eterna primavera, floresce,
concebe frutos de doce amor,
voce é brilho,
a pedra verde que chamei de esmeralda,
é o claro e o pós claro,
ando tão vivo por voce,
como o sol dos dias do arpoador.

Voce é a oitava maravilha,
um monumento ainda coberto,
fruto da etnia perfeita,
a branca palavra de paz,
é debutante,
voce é mulher bonita,
noite perfeita de amor,
ando tão aceso por voce,
como o quente sol dos dias do arpoador.

Voce é o centro,
o concavo e o convexo,
a forma perfeita,
toda imaginação,
é toda energia,
lua, luz e caminho,
a razão da matéria,
um ritual pra viver.
Voce é a bandeira que cultuo,
é a palavra de ordem,
o símbolo do fascínio,
é uma premiere,
é pura fantasia,
meu décimo primeiro mandamento,
um clarão em meu espírito,
minha toda exclamação,
voce é o todo,
é o tudo,
é tudo isso e muito mais,
muito mais do que eu posso expressar.

Auzeli de Arvelos -22/05/1994 - Mogi Guaçu/ SP

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AGORAFOBIA
POR AUZELI DE ARVELOS – SP – 04-04-1992

Não, não abra essa porta
eu não quero estar no mundo lá fora
a fobia a minha mente retorna
agorafobia em mim, recente agora
não, eu não quero ficar a céu aberto
eu prefiro um recinto fechado
eu não quero uma multidão por perto
seria melhor uma única pessoa ao meu lado
eu não quero viver com o céu todo azul acima de mim
e ter os pés descalços na terra fria
não posso ficar sob as estrelas que brilham no espaço sem fim
esse tudo no amplo e claro não passa de guerra fria
eu não quero viver num espaço aberto e ver toda chuva vir em minha direção
eu não quero e não devo ver numa multidão um futuro deserto
decerto isso é medo, desde cedo, agorafobia em meu coração.

Agorafobia
é o medo do amplo
o amplo medo da vida
Agorafobia
é o medo do claro
o claro medo da vida
Agora fobia
é o conforto do escuro
o escuro futuro da vida
Agorafobia
é se sentir seguro
no escuro futuro da vida

Não busque soluções aí, no aberto, vide a mim aqui no meu canto, fechado
os caminhos aí fora são tortuosos, isso é certo
e por mais obscuro que seja aqui dentro, eu posso torná-los ilimitados
os anjos sorriem, isso já pode ser visto, mas no mundo conjunto é impossível
colocar certos sorrisos nos olhos humanos
os pássaros voaram de fora pra dentro e meu ego os chama, um a um, cá no meu canto
a mim multidão
vinde a mim
é certo que não posso salva-los
mas pelo menos conduzi-los a um bem comum.

Agorafobia
é o medo do amplo
o amplo medo da vida
agorafobia
é o medo do claro
o claro medo da vida
agorafobia
é o conforto do escuro
o escuro futuro da vida
agorafobia
é se sentir seguro
no escuro futuro da vida...


Por Auzeli de Arvelos
04 de Abril de 1992.
Jaguaré / São Paulo.

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O CONJUNTO DA OBRA.
Nada mais espanta,
nada mais estanca,
tudo o que verte,
doa a quem doer!
Nada mais protege,
nada te protege,
doa a quem doer!

Nada de sonhos, pátria amada,
você paga a prestações,
o Brasil paga a prestações,
o Brasil paga a prestações...

Angra um, angra dois,
viva o inferno vermelho
pedra e sangue,
candelária!
Doa a quem doer!
Candelária!

Internacionais
em terras nacionais
internacionais...
em terras nacionais...
Itaipu, Itaipu
nós doamos energia
nós compramos energia
o Brasil paga a prestações....

Eu quero ouro
eu quero índio
o que vai sobrar?
Ouro ou índio?!
Desmatar, desmatar...

Ah, eu vou pro sul,
você pro norte
quem for do leste,
que saia do oeste!
Separar, separar, separar...

SUICIDE-SE NA BR 116
SUICIDE-SE NA BR 116
SUICIDE-SE NA BR 116...


Por Auzeli de Arvelos
Bom Jesus da Lapa, BA
Dezembro de 1993.

11 de jan de 2018

A OVELHA NEGRA, ÍTALO CALVINO

A OVELHA NEGRA, ÍTALO CALVINO

Havia um país onde todos eram ladrões.

À noite, cada habitante saía, com a gazua e a lanterna, e ia arrombar a casa de um vizinho. Voltava de madrugada, carregado e encontrava a sua casa arrombada.

IMG_20171211_155942E assim todos viviam em paz e sem prejuízo, pois um roubava o outro, e este, um terceiro, e assim por diante, até que se chegava ao último que roubava o primeiro. O comércio naquele país só era praticado como trapaça, tanto por quem vendia como por quem comprava. O governo era uma associação de delinquentes vivendo à custa dos súditos, e os súditos por sua vez só se preocupavam em fraudar o governo. Assim a vida prosseguia sem tropeços, e não havia nem ricos nem pobres.

Ora, não se sabe como, ocorre que no país apareceu um homem honesto. À noite, em vez de sair com o saco e a lanterna, ficava em casa fumando e lendo romances.

Vinham os ladrões, viam a luz acesa e não subiam.

Essa situação durou algum tempo: depois foi preciso fazê-lo compreender que, se quisesse viver sem fazer nada, não era essa uma boa razão para não deixar os outros fazerem. Cada noite que ele passava em casa era uma família que não comia no dia seguinte.

Diante desses argumentos, o homem honesto não tinha o que objetar. Também começou a sair de noite para voltar de madrugada, mas não ia roubar. Era honesto, não havia nada a fazer. Andava até a ponte e ficava vendo a água passar embaixo. Voltava para casa, e a encontrava roubada.

Em menos de uma semana o homem honesto ficou sem um tostão, sem o que comer, com a casa vazia. Mas até aí tudo bem, porque era culpa sua; o problema era que seu comportamento criava uma grande confusão. Ele deixava que lhe roubassem tudo e, ao mesmo tempo, não roubava ninguém; assim sempre havia alguém que, voltando para casa de madrugada, achava a casa intacta: a casa que o homem honesto devia ter roubado.

O fato é que, pouco depois, os que não eram roubados acabaram ficando mais ricos que os outros e passaram a não querer mais roubar. E, além disso, os que vinham para roubar a casa do homem honesto sempre a encontravam vazia; assim iam ficando pobres.

Enquanto isso, os que tinham se tornado ricos pegaram o costume, eles também, de ir de noite até a ponte, para ver a água que passava embaixo. Isso aumentou a confusão, pois muitos outros ficaram ricos e muitos outros ficaram pobres.

Ora, os ricos perceberam que, indo de noite até a ponte, mais tarde ficariam pobres. E pensaram: “paguemos aos pobres para irem roubas para nós”. Fizeram-se os contratos, estabeleceram-se os salários, as percentagens: naturalmente, continuavam a ser ladrões e procuravam enganar-se uns aos outros. Mas, como acontece, os ricos tornavam-se cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.

Havia ricos tão ricos que não precisavam mais roubar e que mandavam roubar para continuarem a ser ricos. Mas, se paravam de roubar, ficavam pobres porque os pobres os roubavam. Então pagaram aos mais pobres dos pobres para defenderem as suas coisas contra os outros pobres, e assim instituíram a polícia e constituíram as prisões.

Dessa forma, já poucos anos depois do episódio do homem honesto, não se falava mais de roubar ou de ser roubado, mas só de ricos ou de pobres; e, no entanto, todos continuavam a ser pobres.

Honesto só tinha havido aquele sujeito, e morrera logo, de fome.

.

A Ovelha Negra é um conto de Ítalo Calvino (1923-1985), extraído do livro Um general na biblioteca.

4 de jan de 2018

TANATUS, por Marisa Schmidt


TANATUS

Mas é preciso que venha a morte
nas suas vestes preciosas
feitas de memória
lembranças
desejos
sonhos
risos
lágrimas
e beijos.
E que venha na hora aprazada
do nascer da lua
ou do por do sol
com a mesma sutileza
da borboleta
farfalhando
em tafetá
ou do pequeno besouro
em voo leve
de pluma e algodão
A morte deve chegar
como o imprevisto
da rosa que desabrocha
em cada abertura de pétala
exalando aromas
mudando nuances
forçando que se veja a beleza
do que sempre existiu
e que após a explosão de vida
tão somente se deixe dormir
sobre a própria corola
e que cada pétala caída
acolha as gotas de chuva
sendo guardiã das sementes
das quais sobrevirão
outras vidas.
Vidas que também um dia
repetirão o destino
de ser breve sopro
um aceno de nunca mais
uma maravilhosa e única
experiência de finitude
na vasta amplidão
do perfeito Universo!

Marisa Schmidt

Fuga d'alma, por Marcia Poesia de Sá

Fuga d'alma

Ando sem pisar o solo nesta inquietação fora de eixos
uma espera sem razões de ser, me atropela os pensamentos
vejo as marolas que passam tranquilas lá longe, naquela constelação, e em meu peito algo aperta, não compreendo.
Há variações de tonalidades nos círculos da minha retina, e na alma chove granizo em dia de sol á pino. Um desejo incessante de partir naquele veleiro e estiar a chuva em baixo da tua ponte predileta, eu já não me compreendo direito. Ando mais á deriva que o normal e até mesmo as palavras, sempre tão amigas, andam indo embora de mim. Um carrocel do outro lado do rio acendeu suas luzes e gira sem ninguém. A canção que ele toca reverbera no vento enquanto eu danço sozinha na escuridão desta noite sem lua. Sei que os cometas de verão estão neste instante fazendo fila em teu peito e em qualquer instante podem zarpar rumo ao oeste, de cá eu continuo rezando borboletas !
No mar de nós dois agora, uma frota de andorinhas transparentes começam seu regresso as verdades do que fomos.

Com as mãos costuradas em todos os cimentos que já havia pairado, ele já não conseguia digitar sua salvação. Era como um ribeirinho dependente eterno de um rio que secou, suas pescarias eram sempre vazias e seus olhos apenas viam os nós das redes e seus espaços vazios. Uma fome de tudo o fazia desesperar e atordoado ele atirava para todos os lados sem brio, sem consciência e sem mira alguma. Mesmo quando sua mente lutava para reencontrar a normalidade, ele cometia a insanidade de desejar os seus impossíveis, ele velejava semanas inteiras por desertos intocados, e com o tempo acabou aprendendo a morder o vento. As velas de seu veleiro eram mais brancas que as nuvens que se escondiam dele, e isto o fazia adormecer quando a lua vinha lhe lembrar de mares pousados nos cumes das distâncias. Nada mais fazia sentido e para ele o tempo corria pelas raias do desespero pois ele era apenas meio, de um todo que desconhecia, se via fragmento despedaçado, destroçado, e escuro. Mas gostava ainda de se iludir com cacos de espelhos que em pedaços lhe caiam aos pés.

Márcia Poesia de Sá. 2016


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