Queremos o fim da página em branco. No projeto Inspiraturas, exploramos estímulos muito diversificados que têm no grupo a base fundamental. Daí, podemos treinar e desenvolver uma escrita mais sensível, espontânea e livre. Uma forma lúdica de derramar as palavras ainda não escritas.

Oficina de Escrita Literária - POESIA - on line

Oficina de Escrita Literária Online – Poesia

Proposta lúdica voltada ao desenvolvimento e ao aprimoramento da composição poética. A oficina foi projetada para ser um meio de iniciação na produção literária.

DSCF7250
Exercício leve e agradável de interação e da liberdade de brincar com as letras;

Comentários, sugestões e críticas que focalizam os aspectos positivos e negativos da produção, consistindo numa avaliação personalizada;

Cinco desafios conceituais e criativos voltados ao desbloqueio da escrita e à iniciação na arte de escrever poemas;

A OFICINA DE POESIA ON LINE é coadjuvante do poeta no processo de ilustrar sentimentos, bem como desenvolvê-los e expressá-los numa estética bela e sensível.

4 de jan de 2018

Fuga d'alma, por Marcia Poesia de Sá

Fuga d'alma

Ando sem pisar o solo nesta inquietação fora de eixos
uma espera sem razões de ser, me atropela os pensamentos
vejo as marolas que passam tranquilas lá longe, naquela constelação, e em meu peito algo aperta, não compreendo.
Há variações de tonalidades nos círculos da minha retina, e na alma chove granizo em dia de sol á pino. Um desejo incessante de partir naquele veleiro e estiar a chuva em baixo da tua ponte predileta, eu já não me compreendo direito. Ando mais á deriva que o normal e até mesmo as palavras, sempre tão amigas, andam indo embora de mim. Um carrocel do outro lado do rio acendeu suas luzes e gira sem ninguém. A canção que ele toca reverbera no vento enquanto eu danço sozinha na escuridão desta noite sem lua. Sei que os cometas de verão estão neste instante fazendo fila em teu peito e em qualquer instante podem zarpar rumo ao oeste, de cá eu continuo rezando borboletas !
No mar de nós dois agora, uma frota de andorinhas transparentes começam seu regresso as verdades do que fomos.

Com as mãos costuradas em todos os cimentos que já havia pairado, ele já não conseguia digitar sua salvação. Era como um ribeirinho dependente eterno de um rio que secou, suas pescarias eram sempre vazias e seus olhos apenas viam os nós das redes e seus espaços vazios. Uma fome de tudo o fazia desesperar e atordoado ele atirava para todos os lados sem brio, sem consciência e sem mira alguma. Mesmo quando sua mente lutava para reencontrar a normalidade, ele cometia a insanidade de desejar os seus impossíveis, ele velejava semanas inteiras por desertos intocados, e com o tempo acabou aprendendo a morder o vento. As velas de seu veleiro eram mais brancas que as nuvens que se escondiam dele, e isto o fazia adormecer quando a lua vinha lhe lembrar de mares pousados nos cumes das distâncias. Nada mais fazia sentido e para ele o tempo corria pelas raias do desespero pois ele era apenas meio, de um todo que desconhecia, se via fragmento despedaçado, destroçado, e escuro. Mas gostava ainda de se iludir com cacos de espelhos que em pedaços lhe caiam aos pés.

Márcia Poesia de Sá. 2016


Nenhum comentário:

Postar um comentário